Segunda-feira, Setembro 05, 2011

Your secret from Jean-Sebastien Monzani on Vimeo.



Não precisa ver o vídeo. É bobo. Quase ruim. Quase piegas. Quase me fez parar. Parei. Fechei os olhos. Pensei: as coisas mais lindas de minha vida, não consigo traduzir em palavras. Era este o dom que eu queria ter. Imprimir beleza num acolherado de letras. Ou em uma roda de prosa. A coisa mais linda da minha vida era caminhar descalço no paralelepídedo de Torres, cravar o dedão nas fendas das pedras e com ele impulsionar um tantinho de areia entranhada pelos ares. A coisa mais linda da minha vida aconteceu no Largo da Sé, em Olinda. Uns dez negrinhos jogavam bola descalços no cimento, duas havaianas para cada goleira. Dois deles usavam tênis Nike, camiseta pra dentro das calças, falavam inglês, tinham pais - por suposição - adotivos - por suposição - gringos - por certeza - que os admiravam de fora de uma cancha que não tinha fora nem dentro. Ali do lado, a Igreja da Sé, lá embaixo, o mar de Pernambuco, lé em cima o sol do Brasil, aqui dentro um arrepio. A coisa mais linda da minha vida, eu não sei contar com palavras, mas tem a areia e a espuma das ondas da praia da Gamboa, um céu nublado, um vento frio, o som do mar bravio, a Rafaela e o João.

Domingo, Maio 01, 2011

Ernesto Sabato levou 99 anos para morrer. E nesse tempo todo não li uma linha escrita por ele. No máximo, o livro "Borges - Sabato. Diálogos", uma conversa entre os dois. Por ocasião do falecimento do segundo, peguei a publicação agora, para ver se havia something to quote. Há várias páginas marcadas com orelhas e uns tantos sublinhados. Mas apenas unzinho com palavras do Sabato. E só porque o papo era jornais.

"A notícia cotidiana , em geral, é levada pelo vento. O mais novo que há é o jornal, e o mais velho, no dia seguinte. (...) Seria melhor publicar um periódico por ano, ou a cada século. Ou quando acontece alguma coisa importante: "O Senhor Cristóvão Colombo acaba de descobrir a América". Título em letras garrafais."

E só. Em 170 páginas. Donde eu posso concluir, dirigindo-me à amiga Cris Lisboa: se tivesse de convidar um dos dois pra um churrasco, chamava Borges, e não Sabato. 

Terça-feira, Fevereiro 22, 2011

Sinal dos tempos:

Ela: Nossa, a noite estava horrível ontem. Festa vazia.
Eu: Nada a ver. Porto Alegre estava em chamas! Tu que foi no lugar errado.
Ela: Fui no Beco... E tu?
Eu: Buscar minha mulher na rodoviária... 

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2011

Já há muito as rádios esqueceram que o rádio pode emocionar. A BandNews é a única que tem seus momentos de fazer a gente parar no trânsito. Esses dias derramei uma lágrima com o comentário do Salomão Sschvartsman sobre holocausto. Adoro a voz dele. Meu colega Alexandre de Santi imagina ele fazendo os comentários sempre de sua casa, sobre Santa Teresa, no Rio de Janeiro, fumando um charuto. Escuta aí o comentário sobre o holocausto.

Terça-feira, Janeiro 25, 2011

Eu fico imaginando que um dia, num desses tantos acessos de raiva que eu tenho com o mundo, eu vou perder todos os meus amigos de uma tacada só. Porque nesses dias, eu tenho raiva de tudo, do guardinha que passa a noite toda ali vigiando com cara de cu, do meu vizinho que dança com a mulher de janela aberta, da do Louro José e até de mim e de você, sobretudo de você. 

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

Este vídeo de Capão da canoa nos anos 50 é genial. Queria muito que o nosso estimado e falecido leitor Carioca estivesse aqui para ver: http://youtu.be/BqZsNoQ9O1Q 

Depois, tem a reutilização das imagens, feitas pela moçada (adoro expressões de locutores de rádio) do Pergunte ao Crepe: http://bit.ly/ezsXFG 

PS: Confio que nenhum leitor saiba o que é embedar.  

Sexta-feira, Janeiro 14, 2011

De minha parte, gosto tanto de videogames que não os tenho. Comprar um Wii ou PS3 seria uma autossabotagem. Já não me dou o direito de trocar a telinha por horas com a família, muito embora tenha certeza de que sucumbiria ao vício caso estivesse ao meu dispor. E não precisaria tanto, um MegaDrive, MasterSystem ou Phanton System em minha telona já seriam o suficiente para me abduzir. Muda a tecnologia, mas a diversão é a mesma. Tudo termina em salvar a princesa.
O diabo é que descobri os joguinhos de celular. Agora, não somente estou com uma plataforma à disposição como a tenho 24 horas por dia (literalmente) à minha mão. Deu uma brecha no mundo, lá estou eu matando ursos com pinguins, no Crazy Penguin Catapult.


Se tivesse de apontar um defeito nos jogos pra celular diria: são muito fáceis. Eu baixo um e já viro. O que não me impede de continuar jogando. No Smash Kart, genérico do Mario Kart, eu terminei todos os percursos em primeiro. No fim, foquei apenas na última e mais difícil pista: a Pista Espacial, do último mundo. Agora minha meta é reduzir meu tempo. Sempre. O inferno é que certa feita - lembro bem, foi na sala de espera do oculista - fiz a marca de 1'07''74. E nunca mais a superei. Já joguei um milhão de vezes depois disso. E digo: a marca obtida por mim é imbatível. Até para mim mesmo. Deve ser o recorde mundial do Smash Kart.


E com isso, ando eu numa obsessão infinita, querendo jogar o celular longe cada vez que perco para mim mesmo, em meio a uma dessas brechas do mundo, que são tantas...