quinta-feira, agosto 06, 2009

A contenda aqui em casa é para ver qual palavra o João vai falar primeiro. Se papai, se mamãe, se Nicolau, o bicho de pelúcia preferido. Já comecei minha campanha há uns dois meses. Olho para ele, estralo os beiços e digo "papai". A reação foi imediata. Na primeira semana de aula, ele aprendeu a falar papapapapapapapa. Foi então convocado o júri familiar para decidir se aquilo era ou não uma referência ao progenitor, no caso, mim, digo, eu. Como não havia um vínculo direto entre papapapapapa e eu, ou seja, ele não repetia as sílabas quando estimulado ou ao me ver, meu pleito foi negado. Impetrei recurso, ainda em análise no Supremo Tribunal Paternal. Nesse ínterim, mamãe continuou com sua massiva campanha, também sob contestação judicial, devido ao abuso do poder leital. Mas mesmo toda a autoridade de quem o abrigou por nove meses não fez meu bebê dominar o complexo segredo do anasalado português. 
Nada de papai. Nada de mamãe. A primeira palavra que meu bebê parece ter dito foi: TETA. Sim, ele olhou para os melõ, ops, para os seios da mamãe e repetiu: tetatetateta. Por si só, como bem gizamos na exegese do caso papapapapapa, o pronunciamento das duas sílabas não constitui uma palavra. Mas, desta vez, meu pequeno foi além: ao ser estimulado a repetir a palavra teta, ele responde com fartura: "tetatetatetateta", tasca. Portadora dos melõ, ops, das tet, ops, dos seios, a Rafa advoga em favor do reconhecimento da pronúncia do que seria "a primeira palavra do João". De minha parte, aguardo novas ocorrências de concumitância entre o ato de observar melõ, ops, os armazéns de leite e a repetição da palavra teta, ou melhor, tetatetateta.  

4 comentários:

Joelma disse...

"teta" e "mamãe" é praticamente a mesma coisa. portanto...

sebastiao disse...

portanto, não há decisão sobre se ele disse teta ou não...
e fim!

Rodrigo Muzell disse...

É um grande pequeno canalha, este teu filho! Feliz dia dos pais, comandante.

Joelma disse...

PAAAAAA-PAI!