quarta-feira, outubro 26, 2005

A Rafa comprou filé de merluza, congelou, descongelou na pia, botou na geladeira, tirou da geladeira, sentiu o cheiro e botou no lixo. Resultado: faz uma semana que nossa geladeria tem fedor de peixe, mas não tem peixe. Aliás, o sistema de alimentação aqui de casa melhorou muito. Minha mulher aprendeu que é muito prático fazer um montão de comida de uma vez, separar em pequenas porções e botar no freezer. Agora ficou fácil. Quando dá fome, é só tirar o potinho do congelador, enfiar no microondas e comer, claro. O único contratempo é que a gente não troca o menu por cinco dias. Esta semana, é guisadinho com pirê e juliana de legumes. Adoro este nome, juliana de legumes. Falando nisso, eu tenho pavor de jornal formato standard. Me sinto sufocado com tanto papel. Na Europa, os grandes jornais estão migrando pro tablóide. Muitos passaram para uma versão standard reduzido. Por isso, achei muito legal ver o Rogério Ceni tomando aquele gol de contra-ataque depois de bater a falta. Finalmente pegaram ele com as calças na mão. E vocês notaram como o Blóguidotião está bonito? Compacto, sóbrio, sem firulas, sem figuras. Agora isto aqui tá com cara de blógui. É mesmo impressionante que 95% dos amantes falem com voz de criancinha com seus amados. Até a Isabel fica melosa. Que coisa, né?

quinta-feira, outubro 20, 2005

O mundo é injusto e só os sábios vencem. Vejam só: meu detrator, o Charles, por seu conhecimento de informática, sabe deixar lá seus posts antigos à disposição do Google. Eu, que tanto queria isso, não. Logo que iniciei este blógui, fiz um importante post restabelecendo a verdade sobre meu nobre antepassado José de Araújo Ribeiro, tão injustamente vilipendiado pelo Tabajara Ruas. Quando inseri as palavras chaves ao registrar meu site nos buscadores, fiz questão de incluir em todos a expressão "José de Araújo Ribeiro" e "Visconde do Rio Grande". Vai lá no Google e digita o nome do meu digníssimo antepassado e vê se aparece o relevante "Blógui do Tião". Agora, um post de importância histórica nula sobre mim, está sempre lá, na testa do buscador. Ó, mundo cruel.

quarta-feira, outubro 19, 2005

A perseguição frenética aos erros em ZH está atingindo minha vida privada. Não só porque passo noites sem dormir pensando naquele nome que eu posso ter trocado na matéria do dia. Mas também porque agora até os posts do blógui me apavoram. Hoje, no trajeto do trabalho para casa, uma dúvida inquietante me assaltou: seria mesmo aquela florzinha da dona do estacionamento camomila (como eu escrevera ontem aqui)? Rapaz, foram os dez minutos mais torturantes já vividos no Celta. Tanto mais depois que estacionei e manifestei minha dúvida ao guardinha do estacionamento, tendo como resposta a informação de que aquela florzinha era maçanilha. Ainda bem que antes de fazer a correção imprescindível no blógui fui pro Google e digitei "maçanilha camomila" e descobri que as duas coisas são na verdade uma, cujo nome científico parece ser "Maçanilha Chamomile". Ufa! Sei que na Internet a audiência é implacável. Aliás, até hoje digito "´sebastiao ribeiro´ jornalista" no Google, e lá aparece na primeira página um post de um blógui alheio tecendo críticas à minha pessoa.

terça-feira, outubro 18, 2005

Aliás, 50 metros do portão do prédio ao estacionamento do carro:

Abri a porta do prédio e senti o cheiro de jasmim das primaveras. Caminhei com cuidado para não escorregar na geléia formada pelas flores do jacarandá. Subi num murinho para alcançar a pitanga mais preta e mais alta da árvore. Só não colhi a camomila da dona do estacionamento porque não sou ladrão. É linda a primavera na Jaime Telles. Tem jeitinho de Rafaela.
Abro os olhos e ainda bem que tem a persiana para filtrar a luz. Devagar, por entre as lâminas, consigo distinguir o início de um temporal. Dá para ouvir os galhos chacolhando, as flores desabam, roxas. É como se tivessem vivido toda a vida só esperando aquele instante que agora tentam prolongar, o percurso do do jacarandá ao chão. Nesses segundos (dois? três?), cada flor é uma flor. Antes, lá no alto, minha vista míope nem distinguia uma da outra, eram um amontoado, roxo. Depois, na calçada, vão formar uma pasta que é divertida por ser colorida, por escorregar, por ser gosma. Mas agora, embaladas pelo vento, cada flor é uma flor. E cai. Uma, outra, outra, outra... até eu fechar os olhos. É domingo. É primavera.
Cinco lugares na Europa:
1 - Rue du Cler, Paris
2 - Pont Des Arts, Paris
3 - Bar da Tate Modern, Londres
4 - Bricabraque da Chaussée de Charleroi, Bruxelas (aos sábados)
5 - Mercado de Barcelona

sábado, outubro 15, 2005

Tava lendo a revista Flash, agora há pouco... Que motivo o cidadão tem para viver depois de comer a Daniela Sarahyba?

quinta-feira, outubro 13, 2005

A melhor coisa da Bélgica é... Sim, exatamente isto: a cerveja. Em um bar, você pode tomar algumas das melhores do mundo por 2 Euros, um pouco mais, um pouco menos. Se quiser tentar aqui no Brasil, também dá, mas o preço é salgadinho. Fui no Nacional da Lucas agora de manhã e eles têm uma gama interessante de cevas belgas e, também, irlandesas. Tem a ótima Duvel (uns R$ 20), a tradicional Leffe (uns R$ 20), a Chimay (trapista, feita por monges, uns R$ 25) e a Deus (R$ 199). Para tomar sozinho em casa, com grãos de soja transgênica tostados e salgados, de repente valha a pena. Uma boa idéia é começar com uma belga, passar para a Baden Baden, seguir com a Bohemia Confraria, depois Brahma Extra, Malt 90 e fechar com a Kayser. Que tal?

quarta-feira, outubro 12, 2005

Comer um churros de carrocinha, eis um gesto que eu acho que nunca vou ter coragem para fazer em minha vida adulta.

terça-feira, outubro 11, 2005

Cinco coisas que perdi na viagem, em ordem cronológica. O que, onde e o preju:
1. O óculos de grau que tinha comprado dois dias antes da viagem, no embarque do aeroporto de Guarulhos, R$ 250.
2. Um guia de Londres, no Design Museum, zero Libras (foi recuperado).
3. Um cartão semanal de metrô, nas ruas de Londres, 10 Libras.
4. Uma garrafa de Lemoncello italiano (presente do cunhado, que ficou com o presente dos colegas de ZH, que ficaram sem presente), no aeroporto de Guarulhos, 6 Euros.
5. Dois boarding pass que dariam direito a milhas da Varig (por Deus, eu não sabia que eles eram necessários), em algum lugar, milhares de milhas.

domingo, outubro 09, 2005

Você encontra alguém e a pergunta é inevitável: e aí, como é que tava? Eu devia mesmo ter escrito um pequeno relatório sobre a viagem de férias e então eu carregaria o texto no bolso e o entregaria ao interlocutor cada vez que inquirido. "Saímos, no dia 15. Esperamos seis horas no aeroporto de São Paulo. Dormimos na sala VIP do Banco do Brasil, a mais chinela de todas as salas VIPs - a única na qual você não tem vergonha de tirar o sapato e se atirar no sofá. Embarcamos no vôo para Paris. Estava muito quente. Chegamos no Charles de Gaulle às...etc...etc...". Fora que a gente nunca sabe contar o que rolou numa viagem, porque as coisas mais bacanas são sempre momentos simples, mas que encerram em si um sentimento normalmente inefável.
Mas uma listinha básica talvez ajude a contar as férias. Tipo: o que comprei.

1 - Um vidro grande de perfume Calvin Klein One no Free-Shop de São Paulo (44 dólares)
2 - Uma lata antiga de Kellog´s Corn Flakes num brique de rua de Bruxelas (3 euros)
3 - Um casaco apeluciado da Umbro azul e vermelho num torra-torra de uma loja esportiva de Londres (8 libras)
4 - Um livro de fotografia do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand, com imagens do projeto A Terra Vista do Céu, em uma loja junto à exposição, em Londres (25 libras)
5 - Uma garrafa de vinho do Porto Sandeman (16 dólares) e uma garrafinha de licor Amarula (8 dólares), no Free-Shop de São Paulo
Nunca entendi aqueles amiguinhos que no tempo do colégio chegavam das férias dizendo estar morrendo de saudades das aulas. O que eu lembro é dos finais de fevereiro em Torres, as pessoas instalando os tampos de madeira nas janelas, eu deitado na rede podre de deprimido porque o fim se aproximava - ou melhor, já tinha chegado - e mesmo assim querendo levar aquele sofrimento até o fim, esticar o verão até o último minuto. Pois é assim que me sinto agora, depois de 20 dias na Europa e mais quatro sem fazer absolutamente nada em Porto Alegre, e sabendo que amanhã, 13h, estarei chegando na Zero. Acho que vou me acordar ao meio-dia.

sábado, outubro 08, 2005

Os brasileiros que moram na Europa confirmam: não existem formigas no Velho Continente.
Bah, vai todo mundo por aqui votar NÃO, né? Até eu, que costumo ser do contra.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Maldito autofocus, malditos e pequeninos visores de máquinas digitais. Logo entenderão minha queixa, amigos.
Uma mochila escolar Company, daquelas que todos desejávamos lá pelos 90s, é certamente mais resistente do que uma backpack do exército americano. A minha sobreviveu bravamente - sem arranhões - aos 20 dias de viagem, incluindo o transporte de dezenas de quilos de livros de arquitetura adquiridos em trânsito.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Pela primeira vez nos últimos dias acessei noticias do Brasil. Desde que sàí de fèrias as únicas coisas que fiquei sabendo foram os resultados dos jogos do Grêmio e a eleiçao do Rebelo. E só. gora, me deparei com um monte de coisas as quais nao entendo, tipo: como o Inter foi parar em terceiro? Que história é essa de corrupçao no futebol? Que mais de importante aconteceu nas últimas três semanas?
Volto de fèrias quinta'feira. A partr de entao, blog (bem) atualizado. Prometo.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Frances caminha come e le caminhando.
Ingles corre de mochila nas costas.
Belga, sem explicacao.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Uma correçao. Importante. Qualquer bodega aqui na França tem na fachada "boulangerie, patisserie, brasserie, etc...". Pois que vem meu primo frances explicar que o Paul e uma boulangerie ou patisserie. Entao, vamos a liçao do professor.
Boulangerie: padaria
Patisserie: confeitaria
Brasserie: restaurante simples
Confisserie: confeitaria
Boucherie: açougue
Ok?

terça-feira, setembro 20, 2005

Tem um negocio muito bacana que da muito certo aqui em Paris e que podia ser copiado por Porto Alegre. Chama-se Jornada do Patrimonio: um fim-de-semana no qual os predios e sitios, publicos e privados, abrem suas portas ao publico. O povo se atira na visitaçao gratuita.

Se eu abrisse uma franquia no Brasil, abriria uma da Brasserie Paul. Com um patiozinho interno no qual os clientes pudessem degustar suas baguetes.

Almocamos baguete hoje. No fim do rango, dei de americano e despejei o que sobrou na bandeja fora. Um minuto depois lembrei que havia esquecido algo. Voltei e resgatei minha maquina fotografica da cesta de lixo.

domingo, setembro 18, 2005

Notaram que naum estou escrevendo, neh?
Eh que estou em Paris.
Naun hah igreja da qual uma horda de turistas caspentos naum roube a aura. Caspas.
Ja hah mais cachorros em Porto Alegre do que na capital francesa.
Por aqui, o labrador tambem eh o cao (caum) da moda.
E deu, que naum tou aqui pra trabalhar.
Daqui a pouco, Londres e Barcelona.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Eu sou a favor das rinhas de galo. E das touradas (mas precisava matar o bichinho?).
Você acharia temerária a atitude de, às vésperas de embarcar para a Europa, selecionar seis frutos sãos em uma bandeja de morangos mofados para compor uma batida matinal?
Você consideraria eficaz, do ponto de vista sanitário, mergulhar os moranguinhos em uma solução de água com graspa a fim de tornar a vitamina mais segura?
Você diria que alguém que hipoteticamente tenha tomado tais atitudes está livre de desenvolver, no organismo, uma flora de fungos brancos e enovelados como algodão?
Estamos vendo o (fraco) documentário "A História de Duas Torres". Alguns depoimentos são curiosos. Vejamos.

Sobrevivente1: "...e então, depois de deixar o prédio em chamas, o pessoal da empresa se reuniu em frente a uma loja de eletrodomésticos para ver a TV e decidiu ir a um bar para (o cara estava louco para dizer ´comemora´ ) sentar e ver quem estava vivo".
Sobrevivente2: "... e então vi uma mulher grávida caindo ao meu lado da altura de 100 andares e ela se espatifou como uma melancia e eu vi o seu feto voando com o cordão umbilical pendurado"

Foi a coisa mais sensacional que aconteceu na história da humanidade.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Caldas Junior: uma potência.

Quinta-feira, fui no programa da Tânia Carvalho, no 36. Antes que perguntem, era um debate sobre jornalismo rural, mais especificamente sobre os 30 anos do Campo & Lavoura na TV, e eu fui fazer o papel de foca. Ãn, ãn, ãn (é assim que falam as focas). TVCOM, apresentadora carismática, símbolo da televisão gaúcha, tinha certeza que não poderia andar na rua de tão famoso que ficaria no dia seguinte. Pois não é que ninguém comentou nada. Tipo, ninguém tava zapeando quando eu apareci - só minha mãe (que eu consegui avisar).

Pois bem. Três dias depois, domingo à noite, fui no baile da Expointer promovido pelo Correio do Povo. A cerimônia foi transmitida ao vivo e reprisada depois pelo 2. Pegaram um take meu e da Rafa dançando. E hoje sou um homem famoso. Por onde passo, vêm me dar tapinhas nas costas: "aê, bonitão no baile do Correio, hein, grandão!".

Tem coisas que nem o Ibope explica.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Vão móvel da ponte do Guaíba
Cão salsicha
Sanduíche primavera com molho verde

domingo, setembro 04, 2005

Este mês li de cabo a rabo o jornal do Cavalo Crioulo. Achei, nas Cartas do Leitor, esta preciosidade:

Opa, tudo? Venho aqui porque acho de uma pequena valia o meu depoimento para alertar todos aqueles que lidam com este espetáculo de animal. Após um leilão, houve um fato anormal comigo, fui apreciar o animal por mim adquirido e o mesmo, em um quarto de segundo, me atacou no rosto, mordendo na altura da boca. Tive que levar 10 pontos externos e mais uns varios internos porque houve um descolamento da mucosa desde o pre-molar ao molar!
O acidente foi feio e nao foi culpa de ninguém, só venho aqui para alertar : "Nunca esqueçam que o cavalo é um animal irracional. Se nós, as vezes, cometemos atos irracionais, imaginem eles!
Meu amor por esta raça não diminuiu em nada mas isso tudo serviu de alerta para mim (e espero que para outros) de não esquecer da importante distância que tem
que ser mantida, por mais amor que exista”. Espero que isso seja válido, grande abraço da apreciadora e futura criadora, Julia.

sábado, setembro 03, 2005

Acho que este Morte na Escadaria não pegou, né?
O Leo fez um post sobre velhos comerciais de TV cujas imagens ficam cristalizadas em nossas mentes. Sempre que esse papo cai em uma mesa de bar, falo de um especial, mas nunca encontro interlocutor capaz de compartir o prazer da lembrança. Tentemos aqui.

O cara chega em casa. A mulher diz:
- Osvaldo, você está bêbado de novo.*
Ele quebra um vaso, destrói o mobiliário do apartamento e retruca, agressivo e com voz de gambá:
- Não me enche o saco!
A criança se agarra à barra da saia da mãe e chora:
- Mamãe, mamãe, eu estou com medo do papai!

* O personagem não se chamava Osvaldo, mas na escola usávamos este nome por ser o do meu professor de Educação Física, que parecia estar sempre bêbedo.




Um escoteiro é um potencial integrante do Rotary, do Lions e da maçonaria, né?

A propósito, dá para imaginar que não ando escrevendo por causa da Expointer, né?

domingo, agosto 28, 2005

Quando a edição passa a faca no teu texto, quando transformam uma matéria de produção em notícia, só te resta espernear e usar o blógui.

As meninas de ouro
As ginetas de ouro

Elas têm muito em comum, admiravam-se mutuamente, mas nunca tinham se falado. Até quinta-feira, quando o Blógui do Tião promoveu um encontro, no Parque Assis Brasil, em Esteio.
- Oi. Te conheço por fotos – apresentou-se, com despretensiosa intimidade, a gaúcha Eliana Sussenbach, 27 anos, primeira mulher a ir a uma final de Freio de Ouro, há exatos 10 anos.
- E eu já te vi muitas vezes. Lembro bem que te olhava competir e pensava: "quero ser como esta menina". Tu tinhas cabelos bem longos na época – lembrou a uruguaia Soledad Ferreira, 34 anos, única mulher entre os 36 ginetes do Freio de Ouro deste ano.
Fisicamente, as duas ginetas têm pouco a ver uma com a outra. A castelhana é loura, tem a fala firme e decidida e a pele marcada de quem passa horas montando debaixo do sol. A brasileira é morena, tem a voz craquelada e a tez bem cuidada de quem trocou as gineteadas pela faculdade de medicina e hoje faz residência em dermatologia.
As diferenças, no entanto param por aí. Ainda crianças e adolescentes, ambas trocaram verões na praia por férias na fazenda, em volta de cavalos. Uma paixão tão forte que superou até mesmo a descrença da família.
- Quando eu era pequena, dizia que um dia seria domadora e ninguém me levava a sério – conta a hoje a agrônoma e domadora Soledad.

O sonho infantil começou a se tornar realidade quando, por volta de 1994, aos 23 anos e quase formada, a uruguaia foi convidada para treinar cavalos na fazenda de uma amiga da mãe. A história ficou ainda mais séria em 2002, quando abriu um centro de treinamento próprio, no município de Entre Rios, e classificou o primeiro animal para a final do Freio de Ouro, experimentando uma glória já vivida por Eliana.
- Eu entrava na pista e já começavam a bater palma e a gritar. No final, ainda ficavam de pé para aplaudir – lembra, arrepiada, a brasileira.
Em 1995, Eliana classificou o cavalo Relâmpago Tupambaé para a final. O feito causou surpresa e os organizadores da competição tiveram de se reunir para discutir se se permitia ou não uma mulher entre os homens. No fim, Eliana se apresentou de igual para igual em Esteio e fez bonito na prova de paleteada – a mais "dura" e perigosa de todas, na qual dois ginetes em alta velocidade têm de conduzir um terneiro em linha reta.
- Antes da prova, fiquei sabendo que minha dupla estava insegura, que tinha perguntado: "como é que eu vou paletear com uma menina?". Daí, meu treinador, o Vilson Souza, disse para eu já sair prensando o terneiro, para me impor. No fim, tiramos uma nota super boa – lembra Eliana.
Hoje, a meta da médica, que agora só monta por lazer, é classificar o filho de Relâmpago, que cria na fazenda da família, em Bagé, para uma final do Freio de Ouro. Já Soledad é mais ambiciosa.
- Meu primeiro sonho era me classificar para o Freio. Meu segundo sonho é ganhar o Freio – arremata a uruguaia, que apresenta-se com o colete número 12, montando a égua Del Paye Pa´Que Llores.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Bah, o cara pagou mó vale, cês viram? O Glauco cortou o cabelo em Miami só para o Casseta e Planeta não pegar mais no pé dele!
A folhinha verde do morango, que o deixa tão bonito, a gente pode comê-la? Aliás, só sendo assim tão lindo o morango não foi aniquilado da natureza. Ô frutinha sem-graça!

quarta-feira, agosto 24, 2005

Cheguei em casa e me deparei com o seguinte bilhete, afixado sob uns imãs na geladeria.

Abre aspas:
"Gordo (sou eu*),
Regras básicas da boa convivência:
- Fechar o corn flakes (ele fica mole)
- Fechar a pasta de dentes (ela fica dura)
- Guardar o leite aberto na geladeira
- Fechar o desodorante
- Colocar o lixo podre na lixeira
- Arrumar a cama todos os dias
- Pagar a conta de luz em dia"

* Nota do digitador

sábado, agosto 20, 2005

- Môr, me alcança a bucha vegetal?
- Quê?
- A bucha vegetal, ali na pia...
- Ahn?
- Tapado!
(Ela pega a bucha vegetal)
- Ah, a esponja!
Quinta-feira de manhã. Me acordo ligeiro, enfio uma roupa, boto o Correinho debaixo do braço e me toco para a terapia. Na sala de espera, consigo dar só uma bizoiada na editoria de Rural. O suficiente para descobrir que eu trocara o nome de uma fonte na matéria para a Zero. O nome do cara era Fábio – como estava no Correio – e eu pusera Alexandre. Não, não foi um erro despropositado, como fiz esses dias, quando sumária e arbitrariamente chamei Cristiano de Antônio. Fábio e Alexandre são irmãos (primos?), são leiloeiros rurais, têm o mesmo sobrenome (Crespo) e são crespos. Mas, enfim, era um erro e teria de ser corrigido.
Pronto. Qualquer variação da palavra “correção” já me deixa desesperado. ZH anda numas neuras de evitar correções, métodos e mais fórmulas para eliminar erros, checagens e rechecagens, tabelas comparando o número de correções do mês passado com o deste mês... Teve um cara que chegou a enlouquecer com isso. Juro. Um dia trocou um nome em uma matéria e recebeu um puxão de orelha da editora-chefe. Dessas carraspanas públicas – uma mensagem com cópia para toda a redação. A partir daí, o colega pirou. A cada nota que ia escrever pedia para duzentas pessoas checar e ligava quatro vezes para a mesma fonte para confirmar o nome.
- Alô, seu José, o seu nome é José mesmo, não? O senhor tem certeza, né? Não quer dar uma olhadinha aí na sua identidade, só para garantir?
Chegou uma hora que o cara não guentou. Pediu demissão, se mandou para a França. Apareceu na redação meses depois. Completamente transformado. Ele era magro, quieto, barbudo, usava camiseta de hippie. Voltou fornido, barba feita, superfalante, cabelinho aparado e jeitão metrossexual. Juro por Deus, nem reconheci.
Mas, então, como eu ia dizendo, ZH anda numas de perseguir os erros. E descobrir no Correinho que eu tinha errado bastou para estragar meu dia. Entrei na terapia arrasado. Tão arrasado, que optei pelo divã. Joguei o braço por sobre o rosto e comecei a desabafar, ser jornalista é foda, a pressão é muito grande, ZH é uma merda, cumé que eu vou encarar mais esta correção, tou fodido, etc... Meia hora assim e saí da sala disposto a ligar para a fonte, para pedir desculpas. E foi o que fiz. Telefonei para uma outra fonte que tinha o telefone do Fábio.
- Alô, doutor, é o Sebastião, da Zero Hora. É que eu queria o telefone do Fábio, que eu errei o nome dele, coloquei Alexandre, e queria pedir desculpas...
- É, eu vi, Sebastião, saiu errado mesmo. Mas se não me engano foi o Correio que errou, porque vocês falaram ontem com o Alexandre mesmo. O nome certo é Alexandre, que nem saiu na Zero Hora.
Quer dizer que EU estava certo e ELES errados. Mal pude acreditar – que mania de confiar mais no Correio do que em mim mesmo! Quase saí pulando em plena 24 de outubro, de tanta felicidade.
Depois, liguei logo pro meu psiquiatra para contar a boa nova e pedir meu dinheiro de volta.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Certa vez eu elogiei aqui a tortinha de maçã do Z Café da Nilo. Pois é. Esqueçam. Mudou. Tá uma bosta. Ontem me serviram uma esfiha gorda (banha de porco?) com recheio de maçã queimada. Para acompanhar, uma bola de sorvete congelada.
Por outro lado, como vive alertando o Políbio Braga, o Press Café tem doces da antiga Thompson. E um pãozinho d´água com salsicha que é a quintessência dos cachorros-quentes.

quarta-feira, agosto 17, 2005

É a primeira vez que isto acontece. Escrevi um post imenso ontem. E perdi. Que dor, que dor no coração.

terça-feira, agosto 16, 2005

Putz, a Rafa já sabe quem é a Lurdinha e o Glauco. Tou ralado!

segunda-feira, agosto 15, 2005

Era para ser apenas um café em um posto de beira de estrada. Mas quando eu ia entrando na lanchonete, senti aquele olhar. Tentei virar o rosto, fingir que nem percebi. Em vão. Não pude parar, raciocinar, escolher. Foi inevitável. Quando me dei conta, meus olhos tocavam os dela. E aí, já estava perdido. Eu, transtornado, baratinado com aquelas bolitas me mirando fixo. Ela ali, toda meiga, dentinhos de cordeiro, sorriso liso, toda minha e só minha. Irresistível. Troquei umas palavras e então a tinha em meus braços. Grazi, se eu não amasse a Rafa, te amaria. Foste a primeira a me conquistar depois de um jejum de quinze anos. Minha última Playboy tinha sido a da Vanusa Spindler, lá por mil novecentos e oitenta e tantos.

P.S.: Este post foi previamente analisado pela censura doméstica e aprovado sem modificações.
P.P.S.: O pôster em tamanho real da Grazi tá D+ - o caixa do posto disse que nunca viu uma Playboy sair tanto.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Indicação do Solonzinho. Vale a pena. Melhor propaganda de cerveja da história: http://www.bigad.com.au/

quarta-feira, agosto 10, 2005

Vai dizer: é tri bom quando tu, de dieta, pede um suco sem açúcar e recebe um bem docinho. Tu logo saca que foi adoçado, mas nem pensa em reclamar ou perguntar. Prefere fingir que tá emagrecendo.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Sucesso na renegociação do aluguel. A contra-proposta é justa.

"Sebastião,
Andei viajando, mas no início da semana resolvi o assunto do teu aluguel com a imobiliária, nos seguintes termos:
1) Não realizar o aumento previsto contratualmente, ou seja, manter o aluguel do último ano por mais um período.
2) Realizar um desconto por três meses para que possas te reorganizar.
Aguardo as fotos prometidas com as benfetorias do apartamento.
Abraços"

Rafaela Ritter, por JR Duran.

quarta-feira, agosto 03, 2005

Bacana, o blógui do Léo. E sensacional, o nome. Aliás, já nem existem fiambrerias.
Estas noites de inverno no verão, estas noites de verão no inverno, já falei sobre isso, estas noites, elas têm um quê de sobrenatural. Estas noites fora de estação, se um dia o mundo acabar, acabará numa delas, se um dia os Ets baixarem, baixarão numa delas. Estas noites quentes de agosto, estas noites precipitam os fatos, são fermento para os acontecimentos.
Ontem mesmo, quanta coisa estranha aconteceu por causa de uma destas noites malucas! Por volta das 21 horas a vizinha bateu em nossa porta, na porta de nosso apartamento, meu e da Rafa. Soubera que eu pedira renegociação do aluguel e agora estava ali, baixinha e de pantufas, querendo seguir o exemplo, querendo cópia do boleto da minha imobiliária, para provar para a dela que eu pagava menos. Sei lá que coisa me deu que a convenci de batermos em todos os outros apartamentos para ver quanto cada um pagava. Não lembro muito como as coisas se deram, sei que de repente estava o prédio inteiro de pijamas, meias pantufas e camisetões, no hall do segundo andar, discutindo o valor dos aluguéis, trocando boletos bancários, bradando contra os locadores, "porcos capitalistas"! Os discursos duraram uma meia hora. Quando terminaram, os moradores do terceiro e do quarto subiram assoviando a Internacional. Não sei bem como tudo começou, eu nem lembrava da melodia, mas de repente estava lá a assoviar o hino.
Outras coisas ainda se sucederam por conta dessa noite doida, as meninas assaltadas sob a mira de armas, o grito ecoando na rua vazia - "não quero nem ouvir tua voz" -, a sinfonia dos cães, o silêncio dos cães e fico por aqui. Dá até medo de lembrar.

domingo, julho 31, 2005

O domingo é ensolarado e quente, apesar do inverno. Saio de casa, não há Gre-Nal nem eleição. Passo debaixo da ameixeira, as ameixas estourando de tão amarelas. Da praça, vem a gritaria da criançada. Do outro lado da rua, um casal sobe a lomba com dois carrinhos de bebê. São gêmeos, só pode.
Na casa da dona do estacionamento, tem horta e tem churrasco. A família instalou as mesas no pátio, o marido cuida da carne, a gurizada corre com os cães. O fox dá um baile no basset e eu dou a partida no auto. Dirijo ignorando as sinaleiras, mas paro para a dupla cruzar a rua de bicicleta. Na esquina da Silva Só, tem o vendedor de bergamota.
– Uma por dois, três por cinco.
– Me dá uma.
– Me dá mais um que te dou duas.
– Não tenho. Me dá uma.
Um relógio maluco marca 37 graus. Nem sinto, o ar está ligado. Na Cabo Rocha, as lojas de peças automotivas estão fechadas. A negradinha chuta uma bola no meio da rua e nem pára o jogo para meu carro passar. Difícil imaginar putas por aqui. Mas diz que eram muitas. Também eram outros tempos.
Deixo o auto no estacionamento. No caminho até o prédio, dá para ver que metade das bergas está podre. Agora estou aqui, na redação. Um lugar onde o sol é proibido e que não me deixa esquecer: ainda há uísque de ontem em meu corpo.

quinta-feira, julho 28, 2005

Ontem à noite eu tinha um post muuuuito bacana para colocar aqui. Deixei pra hoje. E misqueci.

segunda-feira, julho 25, 2005

Ó, cedi. Agora tenho Skype e MSN. No primeiro sou sebastiaoaraujoribeiro; no segundo, sebastiao.araujo.ribeiro@hotmail.com. Me adicionem aí.
Foi sem festa que este blógui completou 10 mil acessos desde que a contagem foi iniciada, sabe-se lá quando. São 17 meses de postagens até aqui. Trezentos e setenta e seis posts desde o dia 11 de março: 0,7372549 por dia. E nem doeu.

quinta-feira, julho 21, 2005

Ah, vai dizer que eu não podia ser adevogado!

"Pedido de renegociação de contrato de aluguel de imóvel na Rua Jaime Telles.

Considerando que:

1) O locatário realizou benfeitorias no apartamento, instalando dois armários – um sob a pia do banheiro e outro, acompanhado de prateleiras, sob a da cozinha (fotos em anexo) – pelo valor de R$ 900.
1.1) O locatário se compromete a deixar os armários e prateleiras no imóvel quando sair do apartamento, caso a presente renegociação seja aceita.
1.2) Os armários e prateleiras foram desenhados por arquiteto profissional e feitos sob medida por marceneiro reconhecido no ramo, a preços abaixo dos de mercado.
1.3) Os armários agregam valor ao apartamento, visto que a inexistência dos mesmos quase demoveu o locatário da decisão de alugar o imóvel.
1.4) O locatário ainda se propõe a deixar uma sugestão de lay out de mobiliário para o imóvel, a ser usada pelo locador ou por futuro locatário, caso a presente proposta de renegociação seja aceita.
1.5) O locatário tem cuidado do apartamento como se fora proprietário do mesmo.

2) Apartamento (201) com maior área no mesmo prédio do imóvel em tela é alugado por R$ 500 mensais – ante R$ 550 pagos desde o sétimo mês de aluguel pelo proponente desta renegociação.

3) O salário mensal do locatário reduziu de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil.
3.1) O locatário sempre manteve em dia o pagamento do aluguel.
3.2) O locatário se vê agora com dificuldades de pagar o aluguel.


O locatário propõe renegociação do aluguel nos seguintes termos:

1) Redução imediata, a partir do carnê de julho, do valor do aluguel de R$ 550 para R$ 500.

2) Adiamento do mês da correção anual do valor de setembro para dezembro de 2005 e correção sobre o novo valor proposto (R$ 500).

3) Reajuste anual do aluguel segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Certo da compreensão do locador,

Sebastião Dornelles de Araújo Ribeiro, locatário"
Para os prestadores de serviços deste país responder e-mails é exceção, não regra. Quantas pessoas já deixaram de fazer negócio comigo por conta disso!

segunda-feira, julho 18, 2005

Minha sobremesa hoje: filete de queijo Casa da Ovelha com doce de leite Hué. Um dia vou criar ovelhas. E vacas de leite.

domingo, julho 17, 2005

A Alice, filha da Ambrosina e avó da Rafa, era dona de bar lá em Taquara. Um dia, foi cobrar a conta de um cliente e ouviu uns desaforos do cara. Sem titubear, pegou o facão e deu de plancha nas paletas do caloteiro. Vendo a confusão, veio a dona Ambrosina, e atirou uma cadeira em cima do vivente. Ato contínuo, a Alice apontou a faca para o homem. Ao que a bisa da Rafa interveio:
- Assim, não Alice. Assim mata, minha filha.

Isto explica muita coisa. A gente entende direitinho a quem minha mulher puxou.

quarta-feira, julho 13, 2005

Minha colega caiu na gargalhada agora há pouco, quando eu disse que odiava música.

sexta-feira, julho 08, 2005

Eu e a Rafa adoramos "Mulher Procura", nas noites de quinta-feira no GNT. É sempe um bem acabado documentário sobre uma moça solteira qualquer. Nessa semana aconteceu um troço muito legal. A personagem do episódio beijou o diretor de fotografia.
Entraram os dois no quarto. Ele saiu achando que tinha comido. Ela, que não tinha dado.

quinta-feira, julho 07, 2005

A abelha precisa visitar 4 mil flores para colher uma grama de mel. Para colher um quilo, necessita de 4 milhões de flores. Fonte: www.fargs.net

quarta-feira, julho 06, 2005

Viciei no docinho de leite Hué (R$ 1,20, no Empório Diet). Lembra, de looonge, a Vauquita argentina.

domingo, julho 03, 2005

Como se diz em Pelotas:
- Obrigado.
- Mereces.

quinta-feira, junho 30, 2005

Passei a ser o repórter de Campo & Lavoura da Zero Hora. Ainda não descobri se é promoção ou rebaixamento.
Odeio coisas diet ou light. Mas tem duas comidinhas que ajudam no regime sem revirar o estômago: doce de leite sem açúcar Hué (R$ 5,99 no Febernatti) e biscoitos de isopor Ráris (R$ 2,66).

segunda-feira, junho 27, 2005

Passei o fim-de-semana fazendo turismo. Em Pelotas. Um flaneur pelas ruas pelotenses. Seguem algumas impressões e relatos sobre a cidade.

- Pelotas tem muitos cabeleireiros.
- Pelotas tem muitos corretores de imóveis.
- Que pelotenses fazem muito doce, eu já sabia. Mas que comem muito doce, descobri ontem. No Laranjal, o povo reveza: um matezinho, um docinho, um matezinho, um docinho, um matezinho...
- O Laranjal é lindo. Muito astral.
- Que triste a degradação do patrimônio histórico. Pior de tudo é o mercado público onde os secos e molhados dividem o espaço em ruínas com bancas de... sapatos chineses.
- De dia, não vi nenhum bistrô, café com mesas na rua ou bar mais transadinho. Nada que apetecesse gastar mais de uma hora, pelo menos.

sábado, junho 25, 2005

Pelotas tem um hotel que é uma merda.

quinta-feira, junho 23, 2005

Segue mais uma resposta de meus queridos professores. Desta vez a trago com grifos (meus), que comprovam a tese lançada pelo Filipe e que predominou entre os debatedores. Apenas a título de implicância, também grifo a parte que mostra que a alegação soloniana de que o a espuma do leite é tipo a da cerveja e que este fenômeno o faz subir é um embuste.

"Caríssimo Sebastião
Ficamos felizes de ver que quando a "coisa" aperta a salvação pode ser aqueles velhos professores que tanto pareciam nos infernizar a vida. Mas vamos lá, aí vão algumas considerações sobre o leite. O leite é uma emulsão onde glóbulos de gordura "flutuam" em uma solução aquosa que conté m vários componentes: açúcares (lactose), caseína, albumina, sais minerais, vitaminas,ácido lático... A água constitui , em volume, o principal componente do leite (em torno de 88%)enquanto a matéria gordurosa formada por glóbulos de diversos tamanho é o componente mais variável dependendo do tipo do leite( em média 3,5%). A caseína forma uma solução coloidal e entra em torno de 3%. A caseína pode ser obtida por precipitação natural (fermentação) ou com o auxílio de coalhos ouácidos (leite tallhado). A caseína é o principal componente dos queijos. A albumina é solúvel em água e não se coagula por coalho e sim por ácidos ou por calor, é a albumina que forma aquela película no leite aquecido e também é albumina aquela espuma que se observa quando o leite ferve. Depois de precipitar a caseína do soro sobrante pode-se separar a albuminaque serve para fabricar ricota. A lactose ou açúcar do leite encontra-se em 4,5%.A tranformação da lactose em ácido lático causa a precipitação da caseína e portanto a coagulação do leite. E por que o leite sobe? Por ser menos densa, a camada gordurosa flutua sobre o leite em repouso,formando a nata. Esta camada de gordura impede que as bolhas de vapor dágua que se formam quando o leite é aquecido cheguem à superfície para "estourarem" ou seja as bolhas de vapor tendem a se desprender da porção líquida. Com esta éspécie de "tampão" as bolhas ficam presas dentro do leite e com acontinuidade do aquecimento elas cada vez mais aumentam em número e em volume fazendo com que o leite cresça e derrame. Bom, acho que era isto que podiamos contribuir para esta discussão de vocês. Abraços Claudete e Adalberto"

quarta-feira, junho 22, 2005

Tenho um assunto muito obscuro para falar sobre. Tão obscuro que o Word não o reconhece em nenhuma de suas grafias. Mitórios. Mictórios.
Passa que há homens que se intimidam com os mictórios. Cruzam ao largo deles, indo direto para a casinha, para o vaso sanitário. Há outros ainda que não conseguem mijar tendo ao lado um companheiro. Eu até entendo isso. A situação é realmente constrangedora. Dois homens, duas mangueiras, lado a lado.
Um amigo meu é conhecido por evitar os mictórios. Evita até as árvores, os muros, os matinhos. Nem na mais absoluta bebedeira, três garrafas de Patrícia a descarregar, noite cerrada, é capaz de fazer xixi sabendo-se observado. Muitas vezes já lhe perguntamos por que. Ele responde sempre que é uma questão de concentração - mijar seria um ato que requer tranqüilidade máxima.
Há ainda aqueles que até aceitam o mictório, mas jamais uma companhia no aparelho adjacente – que dirá um papo de banheiro. Podem até esvaziar eficientemente de frente para uma parede, contando os azulejos do chão até o teto. Mas, em chegando um segundo para compartilhar o momento, a vazão diminui drasticamente, podendo até cessar por completo. Nesses casos, costumam tangenciar. Pressionam a hidra para fazer barulhinho de água e estimular o pipi, assoviam para que o outro não perceba que o mijo só sai em gotas, ou simplesmente abandonam a tarefa pela metade e sacolejam como se a tivessem concluído.
Sempre achei que essa situação tivesse uma forte explicação psicanalítica. Medo de olhar pro pinto do outro (e gostar?), medo de que o vizinho pare e proponha uma disputa para “ver quem tem o tico maior”, medo de descobrir que o outro mija melhor, com mais vazão e eficiência. Medos inconscientes mil. E pior: relacionados à sexualidade. Coisas que Freud gostaria de explicar.
Pois esses dias, um outro amigo deu uma pista de que minha teoria está correta. Mandou o seguinte mail para uma lista de discussões. “Às vezes eu tou mijando num mictório desses coletivos. Sabe quando outro cara mija do teu lado e só consegue aquele mijinho mocorongo que não dá barulho, não dá uma corrente mijal constante, é psh... pshh... pshh...? Eu sempre fico com a impressão que esse cara é um merda. Estarei louco?”
A inquietação absolutamente pertinente do colega me fez pensar que, além dos que fogem do mictório, dos que só o encaram sozinho e dos que simplesmente mijam, há os que realmente observam, ou ao menos reparam, os outros mijar. O interessante de notarmos é que o mail do meu amigo dá realmente uma base real para os que temores dos que têm medo da relação mictorial. Responde a estes: sim, há gente observando você mijar, cotejando mijos.
O estranho é que não consigo colocar este meu amigo nessa posição. Ele é um cara super low profile, daqueles que você juraria que não presta atenção no seu xixi. No entanto, aí está o rapaz a insinuar que existem os “mocorongos”, os “merdas” do mictório. Engraçado, não pensava que ele fosse do tipo que tem orgulho do xixi. Muito menos do próprio pinto. Sei lá, nunca imaginei que ele portasse um trabuco cano longo, uma enorme morcilha preta, uma mangueira quilométrica que daria orgulho de exibir no mictório. Não que eu achasse que ele tivesse pinto pequeno. Normal, apenas. Pelo menos nunca se falou nada sobre seu aparelho no vestiário do futebol...
E antes que já me acusem de adotar a postura de meu amigo, de ser um observador mictorial, um medidor de vazões, esclareço: há tempos venho fazendo isso por rigor científico. Como se vê, e o mail de meu amigo confirma, o comportamento nos mictórios intriga a muitos e amanhã mesmo pedirei explicações ao meu psiquiatra sobre o caso.
Ainda devo a outra explicação de meus professores. Antes, porém, reproduzo uma resposta sobre o assunto leite publicada pela Revista Mundo estranho e mandada pela Renata Steffen. Mais uma vez, a resposta coroa a explicação do Filipe, ratifica minhas conclusões finais, e mostra que o Solon, entre muitos acertos, embutiu um monte de bobagens e imaginações da cabeça dele em suas hipóteses.

"Turbulência Láctea - Por que o leite sobe quando ferve? Para começo de conversa, é preciso entender uma característica básica do leite. Ele não é apenas um líquido, como a água, e sim uma composição orgânica que também contém sais minerais, gordura, proteínas e açúcar (a famigerada lactose, que o organismo de muitos adultos não tolera). Ao serem aquecidas, a gordura e as proteínas tendem a subir para a superfície do leite, formando uma película. Isso ocorre antes de a água presente no leite ferver. Quando isso acontece, a água começa a borbulhar e as bolhas de vapor empurram a tal película para fora e o leite passa a espumar. Todo mundo sabe que, se apagar o fogo, o processo é paralisado instantaneamente. “Isso acontece porque as proteínas voltam a dissolver-se na água do leite quando ele esfria”, diz Paulo César Queiroga, gerente industrial de uma fábrica de laticínios. O que sobra na superfície é a popular nata: a gordura do leite.
Fervura incontida Gordura e proteína do leite criam película que provoca o transbordamento. Quando o leite é aquecido, a gordura e as proteínas sobem para a superfície, formando uma película. Quando a água contida no leite começa a ferver, as bolhas de vapor empurram a película para fora, formando a espuma que transborda."

terça-feira, junho 21, 2005


A propohsito, a fohrmula de bahskara
Antecipo uma das duas respostas que recebi de meus queridos professores do Aplicação sobre o leite. Fico devendo mais uma e um comentário acerca da resolução do enigma do leite.

"Olá, Sebastião (Grande Seba). Tudo bem com você? Espero que sim. Bem, vamos auxiliar nesse profundo debate sobre o Leite.
O leite é constituido por gorduras, proteínas e água. As proteínas sofrem desnaturação com o calor em temperatura inferior à da ebulição da água. Quando aquecemos o leite, uma das proteínas (lactoalbumina) desnatura e forma uma camada fina na superfície do leite(nata). As partículas de água, ao entrarem em ebulição, têm a tendência de sair do recipiente e empurram a nata para cima. Uma maneira para evitar é colocar um pedaço de porcelana no interior dorecipiente (existem alguns à venda em lojas especializadas). Ele não impede o leite de subir, mas vai te avisar (faz barulho na leiteira) quando começa a ferver e você pode desligar antes de sujar todo o fogão.
A espuma do leite é diferente da espuma da cerveja em constituição química. O sistema parece semelhante, mas na cerveja a espuma depende do gás carbônico produzido na fermentação.
O leite talhado (azedo) modifica a caseína (uma das proteínas do leite) e faz com que ela coagule e formem-se grumos (aglomeração de partículas). Ao ferver, como formam esses grumos, não há formação da nata e as partículas de água, ao ebulirem, não encontram impedimento físico - assim o leite não derrama. Para saber um pouco mais, aí vai alguns endereços na Internet.
Um forte abraço. Edson."

http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT688136-1716-2,00.html
http://www.nisseychallenger.com/newscuriosidades.html
http://www.cienciaviva.pt/docs/espumascervejalavagem.pdf

quarta-feira, junho 15, 2005

Tendo em vista a concorrida discussão sobre a fervura do leite abaixo estabelecida, resolvi tomar uma atitude drástica. Enviei as questões polêmicas a quatro professores que me deram aula de química e física no colégio de Aplicação. Segue mensagem:

"Distintos professores Claudete, César, Adalberto e paraninfo Edson,

fui aluno de vocês e espero tê-los incomodado o suficiente para não ter sido esquecido em apenas nove anos. E não é sem incomodar que volto a procurá-los agora de forma tão intempestiva. Ocorre que instalou-se uma fútil discussão em meu blógui - se quiserem consultar www.bloguidotiao.blogspot.com -, a qual creio poder ser facilmente resolvida por vocês. Depois de ler uma matéria boba na revista Galileu sobre leite, tive a infelicidade de fazer, por meio da Internet, uma indagação boba aos meus amigos. O resultado foi um interminável bate-boca travado por leigos sem nenhuma autoridade, mas cheios de pretensão - como aliás, costumam ser todos os jornalistas. Portanto, considerem a hipótese de me responder por escrito ou por telefone (9994-0519) às seguintes indagações:

1) por que o leite "levanta fervura", em vez de só borbulhar, como a água?
2) por que o leite talhado não "levanta fervura"?
3) até que altura pode subir a fervura do leite em uma panela?
4) o leite faz espuma como a cerveja?
5) sintam-se totalmente à vontade para também para comentar qualquer uma das afirmações feitas na discussão (abaixo) ...

Obrigado, saudades da escola, Sebastião Ribeiro"

terça-feira, junho 14, 2005

Quando me dei por conta, tinha uma floresta dentro do meu apartamento. A Amazônia de Petrópolis começou sorrateiramente. Para ser preciso, nem matéria orgânica existia em sua gênese. Simplesmente, viajei por uma semana e ao chegar me deparei com a parede da sacada que não é sacada mas sim churrasqueira pintada de verde. Verde-pistache, verde-limão-verde. Achei bonito. Não sabia para onde aquilo evoluiria.
Condescendente, aceitei a primeira árvore - uma palmeira que deixou mais verde a sacada verde. Daí por diante, não sei como as coisas se deram. Hoje, olho para sacada (que não é sacada...) e só vejo plantas. Um vaso de tostão que cresce só para um lado, o lado da janela, o lado da luz, e simplesmente não pára de crescer. Três suculentas que uma vez por mês têm de ser encharcadas para então ser esquecidas por mais trinta dias até ser encharcadas de novo. Um vaso com umas folhas verdes e umas flores rosas envolto em um papel celofane escandalosamente... verde. Umas gérberas que morreram, mas prometem ressuscitar. Uma orquídea que só cresce para cima, fina e longa como uma varilha de catavento. E, por fim, minha plantinha que fica no parapeito, onde, não importa a chuva ou o vendaval, permanece inabalável, sem nunca ter tentado suicídio.
Não gosto muito da floresta de minha casa, mas, enfim, sou refém dela. Afinal, o que se pode fazer contra estas pobres plantas que alguém um dia pôs aqui?
Pelamordedeus, não deixa bolacha de morango pros graxains. É muito artificial...

sexta-feira, junho 10, 2005

A despropósito: por que o leite "levanta fervura", em vez de só borbulhar, como a água?
A Tica diria que um blógui não é um lugar para se polvilhar links. Eu concordaria e diria que um blógui não é sequer um lugar. Mas este site, que me recomendou o Fabiano, é bem legal. A propósito, desde o confessional post "Não Consigo Sair deste Mundo", isto aqui está mesmo com cara de blógui. No melhor e no pior sentido da palavra.

quinta-feira, junho 09, 2005

Agora todo mundo me convida para entrar neste Hi5. Sai prá lá, chulé! Sou abstêmio.
Estou há duas horas em frente ao computador. Se continuar neste ritmo, serei um homem falido, visto que a GVT me dá direito a 50 horas de Internet por mês.
Para piorar, não fiz nada de útil nos últimos 120 minutos. Vocês devem ter notado, mudei meu blógui. Só não imaginei que por causa do capricho de querer passar do azul pro laranja perderia todos os meus links, os comments by haloscan e o contador de acessos. Quando o layout anterior foi sepultado, a ferramenta marcava 8011 acessos. Faltava pouco para 10 mil, quando eu pretendia acender uma vela num bolo e publicar em tirinhas, como na antológica festa do defunto Alfinete, os melhores posts da história do Blóguidotião.
Quando me dei conta de que havia perdido tantas informações, foi como tivessem arrancado um pedaço de mim (pelo visto o mais piegas ficou intacto). Bateu o desespero. Se o Blogger tivesse deletado meu arquivo, teria me atirado pela janela. O que ia ser uma função, porque são só dois andares, eu não morreria, teria de ir pro HPS, pisca-alerta ligado, a Rafa com a mão cravada na buzina, aquela coisa toda. Mas os posts precedentes parecem intactos. Um bom ponto de partida para começar a reconstruir minha vida. Digo, meu blógui. Mas festinha, só daqui a 10 mil acessos.

quarta-feira, junho 08, 2005

Não consigo sair deste mundo. É como se houvesse uma bola de ferro - daquelas de presidiário em desenho animado - acorrentada no meu tornozelo. Fica me prendendo por aqui. Queria só uns minutinhos de viagem por dia, ser um pouco como esta menina ou este menino ou tantos outros que andam pela chamada blogosfera ("a chamada blogosfera!"). Mas não. Fica a bola a me segurar: trabalho, casa, esposa, dieta. Um livrinho aqui, um cineminha ali, um passeio na Encol acolá. E só.

sábado, junho 04, 2005

Me faltou inspiração para falar sobre o caso da menina que me odeia incondicionalmente. Sobrou para o Rodrigo. Do blógui dele (link ao lado).

"Sebastião
Tenho um amigo que os leitores desse blog devem conhecer, é o Sebastião. Conheci-o na faculdade, há oito anos, e desde meados do ano passado convivo com o sujeito diariamente, a dois monitores de computador de distância, na ZH.Não vou perder tempo definindo-o, só digo que no topo de suas várias qualidades está o Carisma. Não conheço ninguém tão carismático. Vejam como funciona:- Chega um amigo nosso em um churrasco com namorada nova. As primeiras duas frases que o Tião diz, em voz alta: "Ãããã, tá de namorada nova! Ããã, cara, tu só gosta de mulher nariguda!"Uma pessoa normal, como eu, se dissesse isso levaria um soco de alguém do casal, talvez de ambos. O Sebastião, não. Minutos depois estava ele e a namorada que julgou nariguda conversando animadamente. Já vi isso acontecer incontáveis vezes. Ele chegou na zero e na primeira semana apelidou um fotógrafo com anos de casa de "indian boy" porque acha que ele parece indiano. E fica berrando "indian boy! indian boy!" sem se preocupar e o sisudo fotógrafo adora. Ele uma vez desceu quatro andares de escada pendurado no ombro de uma colega nossa de faculdade acusando-a de ter peidado na aula de redação jornalística. E fundamentando a acusação: "óbvio que foi tu, tu é dessas gurias que se enchem de verdura e dá nisso". Ela xingou na hora, mas esses dias passaram horas papeando no café aqui do jornal.Bom, vocês entenderam a magia do Sebastião. Claro, ele tem seu lado negro. No aniversário dele, surtou por algum motivo besta e brigou com a nora do dono do bar onde rolava a festa. Comete indiscrições constantes, tem uma risada aguda meio bizarra, às vezes resolve andar abraçado em ti no meio da redação vestindo uma camisa rosa.Mas só escrevo isso porque ontem percebi algo a respeito dele. Uma colega nossa vem hostilizando as loucuras do Sebastião com a raiva de uma secundarista. Nem o carisma dele adianta mais; a moça o despreza. É porque não percebe a pureza do Sebastião. Ele não enche o saco ou dá shows por motivos egoístas. Ele não quer o estrelato. Ele é igual entre 100 pessoas ou só contigo no carro. Ele é um ingênuo, muitas vezes.Portanto, tudo isso é para avisar a quem conhece o Tião o que eu avisei à nossa colega: não gostar do Sebastião é falha de caráter."

sexta-feira, junho 03, 2005

Tenho mil vezes mais medo de microondas e celular do que de transgênico. Juro.

quinta-feira, junho 02, 2005

Com atraso.
1) Adorei meu aniversário, semana passada. Valeu a todos que foram.
2) Creio ter sido o primeiro portoalegrense a colocar a mão no dicionário digital Aurélio (ver foto). Devo a isso à vaquinha de aniversário patrocinada por: Vó Sarinha, Sogra Beth e Sogro Jura, Tia Lisinha, Tia Lenira, Tia Bebé, Amada Rafa, Mãe Niura e Pai Doni. Obrigado a todos!

Dicionario digital

quarta-feira, junho 01, 2005

Acordar e conectar já é uma necessidade fisiológica.

segunda-feira, maio 30, 2005

Vou contar uma coisa pr´ocês: quando nasce um terneirinho macho de vaca leiteira (tipo holandesa, aquelas malhadinhas em preto e branco, queridas, bonitinhas), ele vai imediatamente para o frigorífico, a um preço de R$ 50 a R$ 100, e vira vitela.

quarta-feira, maio 25, 2005

Putz. Ressaca. Nem lembrava mais que existia.

segunda-feira, maio 23, 2005

Coisa de português

Sábado, fui na feirinha ecológica da José Bonifácio (aliás, que badalado anda aquilo!). Chegando lá, lembrei-me de uma amiga muito fina e muito chique, apreciadora da função, e telefonei perguntando se ela não tinha nenhuma encomenda. Ela pediu-me ciboullettes e um molho de manjericão. Deixei a sacola com a filha dela. Hoje, minha amiga ligou agradecendo.

- Sebastião, muito obrigado! Mas pra que tanta gentileza? O que era aquele molho, menino?
- Molho pesto. Gostou?
- Adorei, mas não prcisava...
- Mas foi tu quem pediu.
- Eu?
- Claro, tu não pediu ciboulletes e molho de manjericão? Pesto é de manjericão, não sabia?
- Guri, eu te pedi um molho de manjericão. Um molho!!!

Enfim, coisas de português ...

sexta-feira, maio 20, 2005


Estão todos convidados!

terça-feira, maio 17, 2005

A Rafa cometeu o disparate de mandar eu ir ao supermercado sozinho. Entre um monte de bobagens (farelo de casca de trigo, por exemplo), comprei coelho. É, coelho! Em vez de patinho ou tatu, coelho.
Claro, não saí impune dessa aventura. Quando disse que hoje a janta ficava por minha conta, ouvi tanto, tanto... Que tu não vais cozinhar, não senhor, que eu não como coelho, que eu tenho trauma, fico imaginando o bichinho, olha só, aqui é a patinha do pobre, devia ser branquinho com olhos vermelhos, que se tu fizeres coelho eu vou embora de casa e coisa e tal.
Mas, vocês sabem, não é assim pra mulher mandar em mim. No máximo, divido o forno com tua galinha. Tão bravamente resisti que ela cedeu. Mas ai de ti se ficar uma bosta, guri!
E não é que saiu uma baita janta! Lapin au vin, by chef Sebá!
Estou há cinco dias sem o remedinho...

segunda-feira, maio 16, 2005

Agora mesmo, aqui em casa, deu problema no bóiler e o JK ficou num cheirão de gás. O que me fez lembrar a velha Conceição, vó do Alfredinho. Lá pelos seus 80, ela já não sentia nada, mas era metida a independente. Um dia, foi esquentar uma água, mas nem percebeu que a chama não ligara. Ficou aquele gás a escapar até que, uma hora depois, ela se desse conta. Sem titiubear, e sem a menor noção do fedor de gás que estava a casa, pegou a caixinha de fósforo para acender a boca. Riscou o palito e... PÔÔÔU! Explosão. Pode imaginar a velha toda preta, os cabelos queimados. Mas também já pode ir desimaginando. Mentaliza agora a Conceição intacta em frente ao fogão, o palitinho de fósforo aceso, e o vidro da sala contígua à cozinha explodindo brutalmente. Foi isso o que aconteceu. A corrente de ar levou o gás para a sala e o estouro foi se dar bem longe da velha. Que ficou tranqüilinha, sem entender nada, com o palitinho de fósforo na mão. Anos depois, morreu, claro. Mas não de explosão. De velhinha mesmo.

sábado, maio 14, 2005

No ano que vem repara: o chocolate da Páscoa é bem pior do que o do resto do ano.

quinta-feira, maio 12, 2005

Já sei o que eu quero de aniversário...

Veja, Maio de 2005

A versão digital e portátil do Aurélio escaneia as palavras e dá seusignificado em segundos
Jerônimo Teixeira

O Aurélio Digital em ação: um aparelho prático, mas com preço salgado
No mercado editorial, o setor mais influenciado pela tecnologia é o dos livros de referência. Cada vez mais, enciclopédias e dicionários são apresentados em formatos digitais. O mais tradicional dicionário brasileiro, o Aurélio, está levando essa tendência para um campo novo no país: o dos dicionários e tradutores instantâneos – e portáteis. Recém-lançado pelo grupo Positivo, que adquiriu seus direitos em 2003, o Aurélio Digital é uma espécie de caneta com scanner embutido e permite que o usuário, ao passar o aparelho sobre uma palavra impressa, obtenha sua definição em segundos.


Blóguidotião, Outubro de 2004

"Sempre senti falta de um aparelhinho que certo que já inventaram, mas eu nunca vi no mercado: um dicionário eletrônico. Um aparelhinho pequeno, do tamanho da palma da mão, com um tecladinho, e que nos desse o significado das palavras.
Uma vez disse isso pro meu primo Dinho e ele, meio brincando, meio sério, rebateu a idéia. Que horror ! O bom é tocar, sentir o cheiro do papel, escutar o bum surdo de um Aurelião sendo fechado; o bom é folhear, se perder entre as palavras, sair à cata de um verbete e descobrir outro, procurar peia e achar peguilha, dar para cada consulta um rumo diferente e inesperado.
Eu não acho. Bom seria topar na palavra desconhecida, digitá-la no teclado e imediatamente receber a resposta. Ideal seria descobrir o significado e não ter de voltar uma frase sequer na leitura, inserindo-o logo no contexto do escrito.
Tá, eu sei: é preguiça minha, mesmo..."

quarta-feira, maio 11, 2005

Contei para o porteiro aqui do prédio quanto eu ganhava. Ele não acreditou. Deu risada. Achava que era uns 4 mil. KKK!

segunda-feira, maio 09, 2005

Estava lendo agora a matéria da Veja sobre a tradicional pesquisa encomendada pela MTV com jovens entre 15 e 30 anos. Descobri coisas interessantes. Olhá só:
37% dos homens fazem as unhas
25% pintam o cabelo
22% fazem limpeza de pele
Meus amigos estão escondendo a própria veadagem. Digamos, eu tenho uns 500 amigos, segundo o Orkut. Desses, 250 devem ser homens, dos quais uns 62 devem pintar o cabelo - como prova a MTV. O problema é que não consigo lembrar de mais do que quatro ou cinco com melenas tingidas, sendo que a maioria diz apenas passar parafina, não "pintar" o cabelo. Então, meus amigos pintam o cabelo e mentem que não pintam. Conclusão: pelo menos um a cada quatro amigos meus é mentiroso.
Vamos a mais uma coisa estranha:
83% já tiveram relações sexuais
76% já ficaram com umna pessoa que conheceram na mesma noite
Peraê: em que mundo eu vivo? No meu mundo, 100% das pessoas já ficaram com uma pessoa que conheceram na mesma noite. Dar um beijo em uma desconhecida é a primeira coisa que qualquer menino faz quando os hormônios batem. Ésó ir a uma festinha, olhar para todas, esperar alguma retribuir o olhar, e beijar. Agora, transar... Transar é difícil. Tenho amigas que foram dar pela primeira vez aos 25. Mas a MTV diz que as pessoas fazem mais sexo do que beijam desconhecidos. Que coisa!
Esta nota saiu na revista Galileu de fevereiro. Preste atenção e se quiser sugira um título nos comments.
"Uma pesquisa publicada na revista especializada Journal Human Reproduction mostrou que jovens que costumam apoiar o laptop no colo por longos períodos podem ter problemas de fertilidade. Participaram do estudo 29 homens de 21 a 35 anos, cujas temperaturas escrotais foram medidas antes e depois do uso do laptop. Os pesquisadores descobriram que o aparelho eleva a temperatura do escroto direito em 2,6°C e do esquerdo em 2,8°C."

quinta-feira, maio 05, 2005

Você pode até aproximar o que está longe. Mas nunca afastar o que está perto. Ou o contrário.

quarta-feira, maio 04, 2005

A Reconquista do Oeste - Parte 3
Conta que faz parte de um grupo de fazendeiros. Uma experiência avançada, pouco comum no Rio Grande do Sul. Um exemplo e tanto para figurar no Campo e Lavoura. Seu Aymoré – ou Xavier, como se identifica ao atender ao telefone – integra um grupo de 11 fazendeiros que compram e vendem produtos em conjunto para reduzir custos e negociar preços. Juntos, contrataram uma consultoria internacional e agora vão começar a exportar soja e algodão sem a interferência de corretoras. Pra arrematar, a turma mantém um ritual que tem um pouco de religioso. A cada mês, tiram um dia inteiro para se reunir na casa de um dos companheiros. Tomam café, almoço e chá da tarde juntos. Percorrem a propriedade e analisam as contas do anfitrião. Ao final da jornada, os companheiros formulam um plano de sugestões para que o dono da fazenda melhore a gestão do negócio. No ano seguinte, verificam se as metas foram cumpridas. Um sistema bastante complexo para um fazendeiro para quem hectare é “hequetar” e maior, "malhor".

Seu Aymoré e sua Pajero

terça-feira, maio 03, 2005

A Reconquista do Oeste - Parte 2

Quando devoro a última mordida da última fatia, o farol da Mitsubishi Pajero já ilumina o hotel. Em um pulo, estou de pé e então dentro do auto, tentando decifrar o painel: aquilo é uma bússola? Seu Aymoré Xavier está bem desperto – desde que se entende por gente sai da cama antes do sol sair da terra. Ainda está escuro, mas o velho usa um chapéu de tecido creme bem caído na cabeça. É a única coisa nova e elegante no seu figurino. No mais uma camisa de mangas curtas e bolso no peito, uma calça social preta bem batida e uma botina de cano curto – como tantas outras que tem em sua casa na cidade ou na fazenda.Desde que o encontrei à tarde da feira agrícola tive a certeza de que ele não tinha a menor idéia do que efetivamente eu queria. O olhar displicente e a mania de responder a perguntas que não foram feitas contrastavam com a imediata disposição de levar-me até sua propriedade. O fato é que, entendendo ele ou não o que eu queria, estava disposto a me ajudar – e isso é o que importava. É por isso que me surpreende tanto agora, ao começarmos nossa viagem. Deixa para o início de nossa conversa o lead da matéria.

domingo, maio 01, 2005

Descobri que todas as penitenciárias femininas do mundo são iguais. Ou parecidas. Tive certeza disso ao ler Radical Chique e o Novo Jornalismo, do Tom Wolfe. Página 30: “Uma vez comecei uma história sobre as garotas presas na Casa de Detenção de Mulheres do Greenwich Village (...). As meninas costumavam gritar para os rapazes na rua (...). Gritavam todos os nomes masculinos que podiam imaginar (...) até acharem o nome certo e o coitado parar, olhar para cima (...). Então começavam a sugerir uma porção de peculiares impossibilidades anatômicas”.

Provavelmente vocês não saibam, porque provavelmente vocês nunca fizeram matéria no Madre Pelletier, mas na Porto Alegre de 2005 acontece a mesmíssima coisa que nos Estados Unidos da década de 60. É só você passar na frente do presídio e elas verem que você tem duas bolas e um tico no meio das pernas que a gritaria explode. Uma reação completamente irracional e incompreensível para quem está de fora. Paneladas nas grades são a percussão para as mais grosseiras cantadas que você jamais imaginaria sair da boca de uma... mulher. É algo realmente assustador, de tremer a espinha – uma experiência que faz você pensar que vale a pena ser jornalista só para passar por ela.

Fiz matérias duas vezes no Madre Pelletier. Além da recepção, outras situações deixaram-me de boca aberta. Por exemplo: a informação de que seria impossível a equipe da TV subir ao refeitório na hora da bóia, porque a presença de homens no recinto poderia gerar reações inesperadas e culminar – por que não? – em uma rebelião.

Vocês devem estar adivinhando que a origem deste post foi o documentário O Cárcere e a Rua, que acabei de ver. E gostei. Mas na verdade não gostei. O filme não é ruim. Mas simplesmente porque seria quase impossível fazer algo ruim partindo-se da idéia original. O problema é que a diretora focando na vida de três detentas, a vida da cadeia é apenas tangenciada. As personagens transformam-se quase em atrizes de uma trama de ficção. Isso dá mais emoção ao filme – nós torcemos, sofremos e vibramos com as detentas -, mas enfraquece o caráter documental. Como espectador, fiquei indignado com o fato de a documentarista ter estado dentro de um dos lugares que eu mais teria curiosidade de estar, mas me oferecer quase nada do que viu – não mais do que as lágrimas e os sorrisos de Cláudia, Betânia, Daniela. A melhor cena de todo o filme é a escolhida para dar ritmo à narrativa, servindo sempre como elemento de transição na edição: a do amante que namora aos gritos com a namorada – ela na cela e ele, a centenas de metros de distância, pendurado na grade da rua. Pois as meninas berrando na janela, as meninas comendo, as meninas jogando vôlei, as meninas tomando sol seriam ótimas tomadas para tecer ainda melhor a narrativa e mostrar a vida do presídio.

O filme simplesmente parece falar de um lugar em que definitivamente as detentas não ficam histéricas ao olhar um homem pela janela.