sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Na sexta-feira que vem saio de férias. Treze dias. Vou à Gamboa e ao Rosa.
A partir de 10 de março, este blógui volta ao normal. Eu terei de novo Internet em casa. Cumprirei a meta de sair da cama até as 10h30min todos os dias. Estudarei inglês de segunda a sexta pela manhã. Lerei os tantos livros que se acumulam na minha cabeceira. Comerei apenas bifinho e saladinha no almoço. Inscrever-me-ei na disputa por uma vaga no mestrado. E irei ao dentista. São metas para o ano que vem, leia-se, par depois do Carnaval.
Preciso de um modem. E de um guaraná Polar. Em garrafa de cerveja.
Me emocionei – emoção de verdade, de marejar os olhos – uma única vez em Brokenass Mountain, como escreveu o Agamenon em sua coluna, que eu nem conhecia até dias atrás, afinal sou um estúpido mesmo, não sei nem distinguir o Caco Ciocler e o Caio Blat, e não tenho a mínima noção de quem seja Sandra Bulock, embora já deva ter visto mil filmes com ela, mas, enfim, isso não importa. Importa que só chorei quando Alma Jr, a filha do caubói mais legal, a bicha ativa e enrustida, personagem muito bem construído, como diria uma crítica do filme, quando a filha do Ennis del Mar disse ao pai que iria casar-se e pediu-lhe que comparecesse à cerimônia, ou seja, resumindo, que a conduzisse ao altar. Pode que minhas lágrimas tenham vindo do fato de eu já ter presenciado tantos dramas familiares semelhantes, pais que não conduzem as filhas nas igrejas, que não comparecem às formaturas ou esquecem os aniversários dos filhos. Mas o fato é que, definitivamente, não me emocionei com o amor dos gays.
Pronto, falei, como se costuma falar quando se quer falar algo que pode ser recriminado. As bichas pastoreando na montanha, as bichas rolando na montanha, as bichas se beijando na montanha, as bichas se comendo na montanha, as bichas se cheirando... nada disso me arrepiou. Pelo contrário, a verdade é que... A verdade é que eu deveria ter começado este post com a afirmação que se segue: VER AS BICHAS SE AMANDO ME DEIXOU INCOMODADO. Pode ser puro preconceito, pode ser que o diretor não tenha sabido me convencer, pode ser mesmo que a minha condição de macho não me permita ser solidário com um amor assim, arrasa rabos, pode até ser veadagem minha, mas não me senti muito confortável com Pennis e Jack.
Passei o filme inteiro torcendo contra um beijo, um afago, uma enrabada. Torci enlouquecidamente para que eles, os mocinhos (ou as mocinhas, como queiram), largassem logo a veadagem e se apaixonassem de verdade por uma mulher.
Para mim (e me perdoem se agora contradigo meu colega e também heterosseuxual Ticiano Osório), Brokenass não é uma grande história de amor; é uma grande história sobre como é foda ser veado! Ontem, hoje, sempre e em qualquer lugar.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Eu odeio a manhã. Eu odeio segunda-feira. Eu odeio gente que sabe tudo de tudo. Eu até me odeio.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Sempre ouvi falar de Ri-Do-Rato. Foi por conta de um primo meu que, pequeno, na fazenda, teria passado um dedinho no veneno e depois na boca.

- Tu comeu, Bento?
- Comei...
- Mas como, Bento?
- Com garfo, faca...
- E tinha gosto de quê, Bento?
- De boi, de vaca...

Observem, tem até rima, o diálogo que se repete até hoje na família. Apesar de já ter ouvido mil vezes o nome, nunca tinha visto Ri-Do-Rato. E sempre achei que se tratava de Ridu Rato ou Ridorrato, coisa assim. Mas do jeito que é, acho que quer dizer que o rato morre e a gente fica rindo dele, né?
Sábado, vi pela primeira vez uma latinha de Ri--Do-Rato. Foi no armazém da Gorda, em Tramandaí. A Gorda é parenta do Bino, que também tem armazém, uma quadra depois, junto da caixa d´água. O do Bino é bem melhor, mais limpinho, o da Gorda anda meio relaxado, ela misturou a venda de secos e molhados com um atacado de ração para cachorro, de forma que ficou um ambiente meio sujo e com cheiro de ração e um monte de cães e gatos em volta. Ainda assim a gente vai na Gorda, porque é mais perto.
Mas, voltando ao Ri-Do-Rato, e ao que me levou a este post, cheio de tergiversações: a marca do veneno é um clássico do design! (Não tirei fotos, tentem procurar a imagem no Google)
Ah, sobre o Bento, parece que levaram-no ao hospital de Santiago, 80 quilômetros distante, onde se verificou que ele não ingeriu o veneno ou o fez em dose desconsiderável. Está muito bem, obrigado, o meu primo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Tá difícil postar. Estou arrasado sem Internet.
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Mais um domingo em Zero Hora e eu aqui fingindo que é normal. Há cinco anos que faço plantões, na Band, na TVE e agora em ZH. Nunca acostumei. Fico olhando para a tela do computador, tomo um café, leio o Estadão, nada acontece e eu torcendo para que nada aconteça. Se porventura um editor gritar meu nome, meu sangue congelará por uns segundos, eu sei. É impossível encontrar uma fonte num domingo de veraneio.
***
Sim, continuo sem internet e é por isto que esta coisa está sem atualização. Em ZH, não podemos brincar de blógui e em casa, meu computador não conecta. A GVT diz que não tem nada com isso, o técnico assegura que o problema é no modem, a fabricante do aparelho me manda instalar uma nova versão do software e eu continuo sem conseguir conectar. Desesperador.
***
A máxima de que um blógui é uma terapia é tão óbvia quanto verdadeira. Nos minutos que paro para escrever aqui desconecto. De tudo. É como se eu vivesse em um barco, observando a superfície do Oceano. Postar é como mergulhar ligeiramente a cabeça na água e poder ver o que há lá embaixo. Alegoria simplória, filosofia barata, deixa prá lá.
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Ao menos, nestas semanas sem Internet, acumulei temas para tratar aqui. Ana Gabriela, João Pedro, Flavinha e menina do Peñarol. A confissão de Martha Medeiros. Os títulos das dissertações. Me cobrem.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Winnie
Winnie tinha seis anos e cabelos angelicais. Era um doce de criança, um narizinho de batata misturado com ricos cachinhos louros. Morava com a mãe, a tia e a avó - todas muito insanas e muito bacanas - em um sobrado de classe média em um bairro de classe alta de Niterói. Era prima da minha então namorada Rebeca, com a família de quem passávamos uns dias no litoral carioca.
Foi me ver e Winnie se apaixonou por mim. Acho que com ela aprendi a gostar de crianças. Por causa dela, me dei conta que eu então já era um tio para a piazada. Pela primeira vez, estava mais para pai do que para irmão.
Não lembro bem como ela gostava de mim, as coisas que dizia. Sei que estava sempre às voltas, me convidava para brincar de boneca, pulava no colo, conversava, conversava, conversava e fazia bagunça na praia. Eu a levava para tomar banho de mar, ameaçava deixá-la sozinha no fundão. Ela andava na minha garupa na areia. Eu perguntava sobre bonecas e sobre brinquedos e fazia esforço para educá-la.
De repente, aquela menina, cujo súbito amor por mim impressionou a todos, passou a me odiar. Ódio mortal. Por nada. A família não entendeu. Eu tampouco. Fiquei muito constrangido, porque parecia que eu tinha maltratado o anjinho às escondidas. E não havia jeito de reconquistar a guriazinha. Quando fomos embora e ela tinha de voltar para o seu quarto - de onde temporariamente foi desalojada para dar lugar aos hóspedes - se negou.
- Só volto se alguém passar um aspirador pra tirar vermes deste quarto - disse no seu adorável sotaque carioca, externando todo o nojo que passou a nutrir por mim.
Nunca mais via a Winnie. Final do ano passado, me mostraram uma foto dela na formatura da Rebeca. Uma linda mulher de 16 anos, com um chapéu de caubói, e fazendo pose de sem-vergonha. Adorável e perigosa Winnie.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Tem algumas pessoas que marcaram bastante minha vida e, coisas da vida, de repente desapareceram. Gente que por alguns dias ou anos gostei demais. Amigos que hoje eu tenho tanta vontade quanto medo de rever: sei que será impossível encontrar neles traços das pessoas que amei. Porque as coisas são assim: passam.
Sexta-feira, dirigindo na free-way, em direção a Tramandaí, elenquei umas cinco figuras para citar aqui. Agora, me lembro apenas de três, melhor anotar logo antes que eu esqueça: João Pedro, Ana Gabriela e Winie. Não sei se já ou daqui a pouco ou amanhã, escreverei algo sobre cada um desses amigos que andam perdido pelo mundo, distantes, bem distantes da minha agenda telefônica.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Estou sem Internet. Problemas na conexão. Ou no modem? Ou no computador? Tá difícil postar.
***
Diálogo:
- E aí, Pink? - faço um afago na cadelinha cujo nome é uma homenagem à estrela do último BBB.
- Sabe que esta bichinha, eu achei que ela ia se aquietar com a idade, mas continua danada, GIOVANI.
O grifo não é meu. É da dona do estacionamento mesmo. Como ela gosta de enfatizar meu nome, assim como quem se gaba de tê-lo decorado! Impressionante.
***
Parece que ela já está recuperada do episódio do cheque. Depois de umas semaninhas nas quais o Giovani saía meio envergonhado, engasgado, da boca, minha amiga voltou à velha forma.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

(ainda sobre Suzy)

E o pior é que uma semana antes eu tinha ficado indignado com uma crônica da Martha Medeiros. A historinha era que ela parou na sinaleira e tinha uma moça chorando no carro ao lado e ela abriu o vidro e estabeleceu-se um papo emocionante. Algo como:
- Tu estás bem, posso te ajudar? - pergunta a colunista
- Não, precisa, vai passar - responde a "personagem", enxugando os olhos com as costas da mão e já esboçando um sorriso.
Enfim, uma historinha assim, comovente. E eu, que tenho um blógui pra abastecer, fiquei puto da vida porque essas coisas nunca aconteciam comigo. E com a desgraçada da Martha Medeiros, que tem uma coluna por semana, elas aconteciam bem na véspera de Natal. Com sorte assim, qualquer um poderia ser colunista.
Juro que foi isso que pensei...
É impossível achar cachorros em noites de Ano Novo

Esta coisa de Ano Novo ainda me deixa tenso. Seis da tarde e os caras, nervosos, sem saber o que fazer, pipocando foguetes a esmo – fico desnorteado. Para aliviar, dia 31, pouco antes das onze da noite, resolvi dar uma volta a pé pelas ruas de Tramandaí, pensar no sentido da vida.
O calcanhar para fora do chinelo encostando no paralelepípedo, só isso já me descarregaria. Mas ainda dava pra bisbilhotar cada uma das casas - de noite as ruas ficam escuras, e os lares, bem iluminados. As famílias, todas meio tristes, meio felizes, com seus dramas típicos e profundos, do tipo: será que esperamos a meia-noite para servir a ceia? Adoro isso!
Flanei livre pela praia, até ser interrompido por um casal. Portavam uma lanterna e estavam desesperados, o cara e a mocinha. Procuravam algo como se procura nos desenhos animados, de forma teatral, exagerada, absurda até. Perguntaram se eu não vira um cachorro, assim, tipo bege, uma foxezinha meio vira-lata, Suzy (por que diabos eu acho que é com “Y”?), bem velhinha. Respondi que os foguetes assustam os bichos e eu apostava que ela estava dentro do armário, como meu cachorro Platão costumava fazer. Mas eles não deram bola.
Continuei caminhando e a cada quadra vinha mais gente perguntar do cachorro - era mesmo um batalhão à caça de Suzy. Em frente à casa da fujona, uma menininha, uns 8 anos, chorava copiosamente junto a outras crianças. Tentei consolá-la, dizendo que enfim eu mesmo já tinha perdido dois cachorros, que eles normalmente são achados dias depois, que ela tivesse paciência. Nessa hora eu já havia me incorporado às buscas e também já tinha desistido delas, vocês sabem, é totalmente impossível achar um cão em noite de Ano Novo.
Triste com a fuga de Suzy, voltei para casa sem paciência para bisbilhotar lares. Caminhei, meio perdido (eu sempre me perco em Tramandaí), desolado. Foi então que, lá longe na esquina do armazém abandonado, distingui um bichinho. Corri, corri, corri, dobrei a quadra, e cheguei perto. Chamei: tstststststs, vem cá, tstststs, e o cãozinho veio. Com medo de ser mordido, peguei-o no colo. A cada foguete o pobrezinho tremia, e eu passava a mão no focinho, calma, calma, pronto, pronto. Suando de nervoso, voltei à casa da menininha chorona.
- Gente, se não for esta aqui, eu mato vocês – disse, inoportuno.
E a família veio abaixo, e as crianças se atiraram aos prantos em cima da cachorrinha, e as velhas vertiam lágrimas, e ninguém acreditava. Ficaram tão emocionados, que esqueceram até de me agradecer. Fiquei meio chateado, mas não tinha problema. Era quase meia-noite e eu voltei para casa feliz, me achando o anjo que saiu para fazer uma família feliz.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Teste. Ufa... achei que meu blógui tinha morrido. Sério.
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P.S.: "Ufa" é o tipo de palavra que só se fala em desenho animado e historinha em quadrinhos, né? Mais ou menos como "ei", de "ei, amigo, venha cá".
Tenho uma boa história pra contar. Mas, como não ganho pra isso e nem tenho prazos e cumprir, vou deixar pra depois. Quando tiver a fim, ou um pouquinho mais inspirado.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Dia desses, aprendi, uma amiga podre de bagaceira me ensinou, uma expressão de baixíssimo calão que eu adorei. É o seguinte: cu de bobs. Tipo, meu cu de bobs, teu cu de bobs. Enfim, uma variação de pau de óculos.
***
No Google "pau de óculos" tem 531 citações, enquanto "cu de bobs", só duas. Uma puta injustiça mesmo. Porque, pô, cu de bobs tem fundamento. Sabe bobs, né, aqueles rolos que as véias botam no cabelo... E sabe cabelo de cu, né, bem enroladinho... Pois é. Tudo a ver.
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Sem contar a sonoridade. Cu de bobs. Três sílabas curtas e secas, uma atrás da outra. Um monte de consoante. Repete aí, bem rapidinho: cu de bobs. Legal, né?
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Estou tão indignado com o fato de cu de bobs não ter ganho o mundo que começo uma cruzada para que se dissemine. Ou ao menos para que se reduza a diferença entre pau de óculos e cu de bobs na Internet. Cu de bobs. Cu de bobs. Cu de bobs.
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Meu pau de óculos é teu cu de bobs!

sábado, dezembro 24, 2005

Tu passas pela frente de qualquer loja de roupas masculinas e à porta estão aqueles oito lobos asquerosos a postos. Seres peludos, cabelo sempre seboso e empapado de gel, a gravata de décima quinta categoria alinhada no colarinho. Basta o cliente colocar meio pé dentro da loja que um já se apresenta para tornar a compra um ato de desgosto. Posso lhe ajudar? O que o senhor quer? É um presente? Para quem? Temos estas bermudas, uma beleza. Ah, o senhor só quer olhar? Então olha esta camiseta, que malha! O senhor sabe que aqui só trabalhamos com coisa de primeira... Argh, que asco, que náusea!
Eu compro só para me livrar do cara e chegar logo ao balcão, onde invariavelmente há uma mulher, Sensação na caixa de bombons, que me permite respirar. Mas mesmo aí o lobão chato, sapato de bico quadrado, sempre volta para perguntar se eu tenho certeza de que não quero mais nada, quem sabe aquela pólo.
Agora, alguém me explica: por que os caras acham que homens vendem melhor do que mulheres? Imagina entrar numa Brooksfield, Via Veneto, Homem e ter uma loira peituda para te atender. As vendas triplicariam. Uma gostosa dizendo “o senhor está muito elegante com esta gravata”, mesmo que seja mentira, é o suficiente para colocar qualquer macho no chão, no vermelho. Nas revendas de automóveis, as moças já são quase maioria, por que nas lojas de roupas o império é dos peludos, chatos e sebosos?
Ontem, eu queria comprar uma camiseta na Hering do Praia de Belas. Antes de entrar, pela vitrina, conferi o time de atendentes. Dois barbados e três mocinhas. Vocês podem achar que é mentira, folclore pro blógui, mas passei cinco vezes em frente à loja antes de entrar, esperando um momento em que os dois estivessem ocupados e elas de mão abanando.
Por isso eu amo comprar roupinhas para a Rafa. Nestas lojas de meninas, há sempre muitas atendentes queridas dispostas a te ajudar. E na grande maioria das vezes te deixando à vontade, relaxado para meter a mão nas araras, fazer pré-seleções antes de consultá-las. Depois, elas vêm sorridentes e saltitantes e faceiras para te dar opiniões, explicar como funcionam os tamanhos femininos, que roupa combina com peitinho, que roupa combina com peitão. E então o legal é reunir três, quatro delas e formar uma comissão para escolher a roupinha mais legal para a tua amada. Com alguma sorte, uma se oferece para provar – e elas adoram provar – e veste uma duas, três das tuas escolhas. E fica aquela galinhagem gostosa, a gente paga com gosto e volta pra casa com a sensação de que a vida vale a pena.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Do churrasco

Dos experts
O pai de uma amiga é um alemonzon daqueles bonachon e que diz fazer um dos melhores churrascos da praça. Coloca na mesa uma picanha cinza de tão passada e uma costela mugindo de tão crua (e ainda exige elogio). Daí, e somente daí, eu concluir que churrasco não é coisa pra gringo, mas sim pra pêlo-duro.

Da escolha da carne
Hoje em dia não tem erro. Tem tanta carne boa, de novilho, embalada a vácuo, que não tem porque espremer os olhinhos atrás do balcão do açougue. Novilho Jovem, Pul (uruguaio), Angus Zaffari, Mercosul... são muitas as opções certeiras. Prefira os cortes menores, indício de que o animal era mesmo novo. Na picanha, não dispense a camada de gordura. Na costela, escolha as bem vermelhas entremeadas por gordurinhas bem brancas. No salsichão, evite aquelas tripas de procedência duvidosa, vá no Dália e acredite: os mais caros são mesmo os melhores.

Dos procedimentos
Tem gente que tem obsessão em tirar gordurinhas; prefere esfacelar a carne a assá-la; fica compulsivamente picoteando,esfaqueando os cortes sem parar. Ontem, fui a um churrasco do qual sobrou um saco inteiro de gordurinhas! Pelo amor de Deus, isso é coisa do passado, de quando as carnes eram de bois de oito, mais anos, com suas banhas amarelas, fartas e catinguentas. Os eventuais pedacinhos de gordura nos cortes de qualidade hoje em dia só enobrecem a carne, dão sabor.

Do sal
Outra obsessão dos churrasqueiros – exceto os pêlos-duros – é fazer milhões de furos na carne para o sal “penetrar”. O resultado é sempre os cortes desfigurados e excessivamente salgados. Pelamordedeus, de novo, deixem a carne em paz! É apenas largar o sal por cima e se formará uma saudável crosta dourada sobre o churrasco. Não há mistério. Ah, outra coisa, alemoada: o salsishão não se salga, ok?

Do carvão e do fogo
Compre sempre um saco de carvão a mais do que o necessário. Fogo forte é fundamental para dourar os cortes mal passados, assar bem a distante costela, etc...

Do posicionamento dos espetos
O salsichão pode ficar bem baixo, até porque ninguém vai dar bola se ele estiver um pouco torrado. A picanha e a maminha podem ficar em uma altura média, sempre em alto calor. E a costela, esqueça-a lá em cima, osso para baixo maior parte do tempo, enquanto se diverte com o resto. Não banque uma churrasqueira giratória (e a gás, arghhh), deixe cada lado tostar de uma vez.

Do ponto
O ponto. Ah, o ponto é tudo. Cada corte tem o seu. O salsichão pode ser bem passado – não a ponto de virar uma lingüiça fina e seca, mas para que ninguém se surpreenda com um pedaço de gordura duro e desconfortável em meio aos dentes. A picanha é mal-passada mesmo – quase mugindo, ao menos no centro (as pontas mais assadinhas podem ficar para as gurias), embora com entorno dourado. A maminha e o vazio devem assar um pouco mais, contendo sim um pouco de sangue, mas distantes da crueza. A costela é bem passada, quase cozida, assada com paciência, no alto da churrasqueira. Depois de uns cinco minutinhos com a parte da gordura para baixo (para fazer um caldinho), deixe-a quase horas com o osso pegando calor e cozinhando-a por dentro. Depois, é só uma viradinha para cada lado e tudo pronto.

Do corte
Contra a fibra. E com faca bem afiada.

Agradecimentos ao meu pai, Paulo Odone Araújo Ribeiro, ao meu tio, Caio Araújo Ribeiro, e também ao meu brilhante auto-didatismo.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Isto é que é ecletismo. As seis primeiras músicas executadas na festinha infantil no salão em frente ao meu apê.

1 - "Bate o sino, pequenino, sino de Belém"
2 - "Como se eu fosse flor, você me cheira"
3 - "O movimento é sexy"
4 - "Girls just wanna have fun"
5 - "This is the rythm of the night"
6 - "Piu-piu sem Frajola sou eu sem você"
7 - "Fuma, fuma, fuma folha de bananeira"

Sim, certamente, daqui a pouco vão começar os funks, mas as letras são muito baixas para reproduzir aqui.

A gente no paraiso!
Sexta à noite comi um rodízio no árabe (minha mãe sempre disse: não come quibe cru no Baalbek); sábado à tarde sanduíches relativamente bem acondicionados no Paraíso; sábado à noite muita caipira, muito churrasco e muita cerveja. Domingo, enquanto meus amigos pegavam uma prainha, passei o dia na cama de ressaca, uma dor de barriga e disfunção intestinal.
Acordei-me hoje aparentemente sem problemas nos intestinos, mas meu corpo, depois já de 30 horas na cama, dizia: tens de dormir, tens de dormir, tens de dormir. A Rafaela vive criticando que, quando eu estou passando mal, sempre ameaço não ir trabalhar, mas termino na Zero Hora. Para quebrar essa sina, resolvi que desta vez ficaria em casa e dane-se o serviço.
Ocorre que, quando saí da cama, 35 horas depois de entrar nela, bateu uma certa culpa. Será que eu não estava apenas fazendo manha? Não seria só depressão pós-ressaca? E o trabalho lá, parado? E até há pouco sofria com tudo isso.
Foi então que aconteceu uma coisa horrível, que no entanto me aliviou a culpa. Um sinal inconteste de que minha barriga não está trabalhando como deveria, de que qualquer saída para a rua seria temerária, de que fiz bem em ficar em casa.
Claro que vou poupá-los de qualquer relato, amigos.
Eu já não me aguento mais.

sábado, dezembro 17, 2005

Aê embaixo, ó. Este post sobre o Vinícius... É o Ricardo Blat, tá? Magrão, alto, barbudo. Deixa o Caco Ciocler de fora, coitado. Avisou a Cássia.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Saleta de vídeo do antigo colégio de Aplicação, campus central da Ufrgs. É verão, recém saímos da educação física (temos asa) e o locutor da fita explica em off monocórdio o processo reprodutivo dos celenterados – um convite à baderna ou ao sono.
Fosse a Camila Morgado falando dos primeiros dias de Vinícius de Moraes no documentário hoje em cartaz, nossa reação seria a mesma. Definitivamente, não dá para entender por que a colocaram, e o Caco Ciocler, para costurar o filme. Dá a sensação de que é apenas para que constem no cartaz e nas sinopses dois nomes in, já que o do poeta já parece estar out – ao menos comercialmente. Sem contar os tais offs burocráticos do início do documentário: de se esconder atrás da poltrona!
Que tal explorar um pouco mais as imagens de arquivo, no lugar de Morgados, Ciocleres, Pagodinhos e... como é mesmo o nome daqueles rappers que aparecem cantando? Será que Vinícius não se remexe em sua tumba? Talvez não. Mas eu, da minha cadeira do Guion, sim.
Na crítica da Zero Hora, o Márcio Pinheiro reclamou que faltaram depoimentos de alguns filhos, deixados de lado. O Márcio sabe quem são os filhos do Vinícius e o que acrescentariam. Eu, não. Mas sei que eles só melhorariam o filme. Porque o que falta são justamente depoimentos íntimos, histórias sobre o Vinícius pai, amante, esposo, ser humano. Algo além do estereótipo de músico com o copo de uísque e violão, que é bastante, mas não tudo.
Cada vez que alguém conta uma história, um momento íntimo da vida do Vinícius (e o Chico Buarque relata vários), parece que chegamos um pouquinho mais perto dele. Cada vez que o Caco e a Morgado dizem um poema - alguns bem, outros mal recitados -, interpretam uma cena ou um lêem um off, nos distanciamos do poeta. Sem contar que alguns depoimentos – como o do Gilberto Gil – parecem estar ali só para inglês ver (literalmente, porque, afinal, o filme precisa ganhar o mundo).
E assim, é o documentário sobre Vinícius. Médio. Aliás, já que começamos lembrando do Aplicação, vamos terminar do mesmo jeito. Nos “conselhos de classe participativos”, tinha um conceito (avaliações com notas numerais eram proibidas) que eu daria sem medo pro filme: “o aluno (aqui, poderia ser o documentário) apresenta um desempenho razoável, alternando entre bons e maus momentos”. Aliás, os professores adoravam me dizer isso.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Andréa - PARTE 2

Cincoenta reais...
Cincoenta reais...
Cincoenta reais...
Cincoenta reais!
Aquilo caiu sobre minha cabeça como o fardo cai na cuca do estivador. Tonteei, tive de segurar um grito estridente na goela, controlar o impulso de abrir a porta de Andréa e tirar as caras. Fiz um esforço descomunal para manter um ar despreocupado, de “só isso?”, assinei o cheque e dei boa tarde.
Cincoenta reais! Dezesseis cervejas no Ladislau. Cincoenta reais! Dois boquetes e meio na Farrapos. Cincoenta reais! Dez diárias de clássicos na Back Vídeo. Cincoenta Reais! Churrasco de picanha pra dez. Cincoenta reais! Complete a lista.
Entrei no carro atônito, esqueci meu destino. Aos poucos, acalmei - afinal, entre 50 e 30 são só 20. E também não podia dizer que as mãos de Andréia não eram gostosas, que Andréa não manejava bem a tesoura, que meu penteado não estava cool. Mas daí a deixá-las me lograr já era demais.
Pensei em escrever uma carta (Andréa, legal tua tattoo e bacana aquele esqueminha que fazes com a tesoura, mas não achas que Cincoenta é um abuso?), em iniciar uma pesquisa em todos os coiffeurs chiques de POA para provar que a conta foi um tanto injusta, em denegrir a imagem de Andréa pelos bares da vida.
Mas logo veio a vergonha. Eu fora um babaca. Mais um otário seduzido pelo glamour do Sexton. Como o tal que caiu no golpe da loteria, tinha de silenciar. Mesmo se perguntado, negar categoricamente ter pago 50 para Andréa (aliás, será que meu primo não pagou R$ 50 prá Baiana e só estava com vergonha de dizer), sob pena de ser alvo de chacota na CB.
Por fim, decidi me abrir. Preciso mesmo desabafar, dividir meu drama, receber o ombro amigo, tirar este fardo da minha cabeça. Já à noite, no bar do Ladislau, gritei para quem quisesse ouvir: “sim, eu paguei R$ 50 para cortar o cabelo, este mesmo cabelinho que vocês estão vendo”.
E agora estou aqui, num ato de bravura, confessando tudo. Venham com pedras ou com palavras amigas. Só sei que me sinto mais leve. Quase voltando na Andréa.

domingo, dezembro 11, 2005

Andréa - PARTE 1

Quinta-feira me deu vontade de cortar o cabelo. Às vezes me dá essas vontades, normal. Tipo, o cabelo fica comprido, começa a pesar e de repente a gente se dá conta de que tem de fazer algo a respeito.
Eu bem que podia passar a máquina em casa ou ir a um barbeiro qualquer, mas não sou lá muito disso. Primeiro, porque odeio varrer tufos. Depois, porque detesto barbado tocando na minha cabeça. Viado, então, menos ainda. Sei lá, não gosto. Não entendo como entre uma mulher, seios roçando na tua nuca, e um homem, mãos cabeludas na tua orelha, tem gente que opta pelo segundo. E ainda se julga macho porque vai no barbeiro da Andrade Neves ou da 24 de Outubro.
Mas, enfim, corto com mulheres e perguntei pro meu primo se ele conhecia alguma. Sim, tem a Baiana, ali no Sexton, 30 pilas, serviço bem feitinho. Não é lá uma gostosa, mas usa botas e é bem simpática. Mas eu, no Sexton? Eu, no circuito Padre Chagas? Eu, metrossexual? Óbvio!
Gosto mesmo de conforto e adorei que uma bixinha se dispôs a estacionar meu carro. Serviços da casa. Mas achei mesmo meio exagerado o balde de frutas à disposição da clientela. Elas cuidando do meu cabelo e eu mordendo uma goiaba – nada a ver, né? Pena que a Baiana não tava disponível. E outra mulher, não tem? Tem a Simone, ocupada, fulaninha, sumiu, sicraninha, deu uma saidinha. Ah, e tem a Andréa, também, só antes me dá teu nome, sobrenome, CPF, endereço.
A Andréa não lava cabelos. A Andréa tem a Andréia pra lavar cabelos por ela. E lá me vou eu a cabresto da assessora da cabeleireira. Tu gosta de água morna ou quente? Fria. Já veio aqui antes? Não. Que coisa, antigamente a gente não tinha de marcar para ir a cabeleireiro, né? Tu não é de Porto Alegre, né? Sou, Moinhos de Vento, querida, por quê? Não porque eu sou de Canoas e me lembro que tinha cinco anos e minha mãe já marcava hora pra mim. Eu já cortei cabelo em Canoas, sabia? Não. E também nem me deixou contar que foi no Canoas Shopping, mas não importa, bom mesmo era aquela mãozinha fazendo carinho – xampu, xampu, creme rinse. Que mãos, Andréia, mas essa ficou só na vontade de dizer mesmo.
Agora, Andréa. Andréa usa preto. Andréa usa boné. Andréa tem tatoo. Andréa não tem “I”. Andréa chegou lá e hoje corta cabelo no Moinhos. E Andréa está muito curiosa com minha presença, camisa pólo desgrenhada e com logotipo arrancado, calça social meio desbotada. Como queres o cabelo? Legal, leve, soltinho. Quem te indicou para vir aqui? Ah, te disseram pra ir na Baiana? Estranho, achei que ela só fizesse “aquelas trancinhas”. Se eu sou contratada do Sexton? Não, capaz, a gente é tipo inquilino. Sou totalmente independente, dou 30% do que ganho para eles – e olha que só com isso o cara já paga o aluguel da casa. Se eu não ganho clientes estando aqui? Hahaha, tá brincando, né, querido? Tenho é que me cuidar para não perder os meus! Onde foi que eu aprendi esses truques com a tesoura? A vida, a vida... Gostou do cabelo? Show, né? Ah, preferes um penteado, menos ousado... Entendo, vai trabalhar. Assim tá legal? Beleza, vê se volta. Um beijinho na bochecha, paga ali no caixa.
Até que 30 pilas não era tanto por Andréa e Andréia. Cheguei no caixa, puxei o cheque, quanto deu? CINCOENTA REAIS!!!

sábado, dezembro 10, 2005

Não há novo prédio de rico em Porto Alegre que não seja neoclássico. Agora, inauguraram aquele monstro, o Carlos Gomes 222, na Carlos Gomes 222. Umas colunas gregas magnânimas – parece um anexo do Partenon. É apenas o mais grandioso exemplo entre os tantos que enfeitam os fôlderes entregues a cada esquina de domingo na Bela Vista. Quanto maior o lixo arquitetônico, mais dinheiro vale.
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Mês passado, teve a Bienal de Arquitetura de São Paulo. A mais democrática de todas, diziam as notícias. Dei risada foi de uma entrevista com o curador.
- Quer dizer que nesta Bienal vale tudo, é? – perguntou o entrevistador.
- Tudo, menos neoclássico. E eu encho a boca pra dizer isso – respondeu o entrevistado.
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É incrível o descompasso existente entre nossa elite intelectual e nossa elite financeira. É como se a opção pelo mau gosto fosse uma provocação dos ricos aos artistas e acadêmicos. Por que diabos ter dinheiro hoje significa renunciar a qualquer tipo de refinamento estético e artístico?
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Se nossos velhos novos ricos já eram de dar dó, imaginem nossos novos novos ricos!
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Sem contar que esta gente vem sendo formada por auto-ajuda travestida de literatura de administração. Nas livrarias, já nem tem separação entre os dois gêneros. Mas isso já é outra coisa.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Estou triste. Arrasado. Arrependido. Eu devia ter deixado a preguiça de lado, pego uma grana no drive-in Banrisul e voltado para pagar o estacionamento, em vez de simplesmente assinar aquele cheque. Se ainda desse para voltar no tempo...
No começo, eu me sentia um pouco desconfortável. Várias vezes pensei em falar, mas, quanto mais o tempo passava, mais difícil ficava. Cheguei a recorrer a expedientes bobos, do tipo sair de casa com o crachá da RBS no peito. Mas não houve jeito e aos poucos fui me acostumando. Hoje, posso dizer que até gosto.
Quando entreguei o cheque, meu coração começou a bater. Não que não estivesse batendo antes, mas começou a bater mais forte, vocês entendem. Minha esperança de que ela simplesmente colocaria o papel em uma gaveta e mandaria a filha depositar esvaiu-se ali mesmo, na hora. A dona do estacionamento foi implacável: revisou o cheque como se fora caixa de minimercado no Rubem Berta. Dispendeu uns bons cinco segundos de sua atenção ali.
Sem dúvidas de que ela descobrira, saí de mansinho. A cabeça baixa, contando as pedrinhas do chão. E desejando do fundo do coração não ser chamado, não ter de dar meia-volta. Era uma da tarde e eu não estava preparado para o que viria: papo-mole, vergonha, explicações.
Graças a Deus, ela não me chamou. É certo que se deu conta, mas preferiu silenciar. Deve até agora estar se perguntando como diabos pôde passar um ano e meio - um ano e meio! - me chamando de Giovani se meu nome enfim era Sebastião. E eu, aqui no meu canto, mesmo sabendo que o cheque trouxe à tona minha identidade, torço para que amanhã tudo continue como sempre e ela me pergunte:
- Já pegou tua chave, Giovani?

terça-feira, dezembro 06, 2005

Eu votei no Fogacinha principalmente porque ele disse que ia tirar o projeto de revitalização do Cais da gaveta. Agora, sábado, me sai uma manchete dizendo que os planos voltaram à estaca zero e - pasmem! - que o muro da Mauá será mantido. Que frustração, que tristeza, senti.
Juro, se eu fosse aposentado ou estudante secundarista, pegava uma picareta, chamava os jornais, e começava a destruir o paredão. Aliás, como é que ainda não fizeram isso?
Mail que vira post...

Aliás, as comemorações (coloradas) e as notícias locais jé estão me constrangendo, como gaúcho. Parem com esta pantomima: o Brasil não viu o título colorado, senão como algo curioso, pitoresco. A cobertura da imprensa local é esquizofrênica. Ontem, cheguei em ZH portando um Correio que estampava manchete sobre a polêmica do Brasileirão. O segurança da Rudder me perguntou:
- E aí, como é que vai esta novela?
Não que eu quisesse, mas xinguei o coitado.
- Que novela, meu? Tá louco? Só o colorado acha que existe uma novela.
O cara magoou.

domingo, dezembro 04, 2005

O Inter entrou em campo disposto a enfiar cinco no Coritiba e ser campeão brasileiro. Logo no início, tomou um e abandonou suas pretensões. Daí para diante, queria apenas ganhar, terminar empatado com o Corinthians e ser o campeão moral. Sem chances de vencer, o colorado concentrou-se em secar o líder e fingir que foi campeão de um campeonato de mentirinha.
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Incrível como os colorados não conseguiram digerir a vitória do Grêmio na segunda divisão. Na segunda divisão! O despeito foi tanto, o grito reservado para o segundo pênalti do Náutico ficou tão entalado, que eles não puderam se contentar em comemorar a ida a Libertadores e tiveram de inventar um título fictício.
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Imagina o constrangimento daquela gente na Goethe quando, terminado o jogo do Inter, a TV passou a mostrar o jogo do Corinthians. Tevez e Cia. trocavam passes na defesa, apenas esperando o apito final do juiz. Perdiam de 3 a 2, mas já nem queriam jogar. Do campeonato de mentirinha, da vontade colorada de comemorar, sequer tomaram conhecimento. Dos bares porto-alegrenses, não deu nem pra secar.
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Semana passada, ZH saiu com doze páginas destinadas à heróica ascensão tricolor, reservando à vitória colorada apenas uma página. A fúria dos leitores, ou ao menos dos leitores vermelhos, foi tanta que dezenas suspenderam a assinatura. Os editores de Esportes parecem ter se arrependido - se é que não levaram puxão de orelha. Ontem, ao fim do jogo do colorado, como um juiz que dá um pênalti inexistente e depois procura recompensar, um dos manda-chuvas da editoria lasca uma sugestão de manchete: "Campeão na Bola". Campeão do que, carapálida? Calma Tião, ZH tem de se redimir pelas doze páginas da segunda passada...
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Aliás, final melancólico o deste campeonato. Uma lição a todos que defendem os pontos corridos.
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Por fim, eu tinha avisado: Ele não ia interceder duas vezes pela gauchada em tão pouco tempo...
Uma da manhã, estamos chegando de uma agradável noite no Temari (aliás, o melhor japa da cidade). Largamos o carro no estacionamento e é impossível não ouvir o inhé inhé dos balanços da praça ao lado. Surpreendentemente, a Rafaela aceita o convite de espiar quem brinca em tão avançada hora. Em meio à grama seca, alheio ao movimento da Nilópolis, um casal diverte-se no brinquedo. Aos poucos, entendemos que em frente aos dois há uma cadeira de rodas. Me corre um frio na espinha, me vejo dentro de um filme, um Mar Adentro da vida.
Sim, eu devia ter sido contaminado pela alegria dos amantes. Mas não consegui evitar: levei uma paulada de tristeza.
Minha mulher me pediu um cachorro de Natal. De alguma forma, acho muito cedo para isso.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Acabei de ler num livro: só existem duas espécies de pessoas felizes: mulheres casadas e homens solteiros.
Ontem, pedimos pizza do Armazém das Pizzas (33320303). O "motoboy" veio entregar em uma caminhoneta importada. Eu fingi que era normal e nem parei pra olhar. Mas, cá entre nós, isso já aconteceu com vocês?

terça-feira, novembro 29, 2005

Notícias de Petrópolis
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Bem transada a loja Fabricário inaugurada na Nilópolis. Toda em madeira de demolição. Mas podia ter coisas mais bacanas para vender. A decoração é mais legal do que os produtos.
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Na carona do sucesso do Z da Nilópolis, o Bela Gulla agora abre à noite. E serve chope.
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Agora que é Nacional, o Febernatti fecha às 23h. E está tentando retomar a velha tradição de ser referência em importados. Mais uma razão para não ir ao Zaffari.
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Eu e a Rafa já demos uns quantos cartões amarelos e vermelhos para o Café Ventura. A infração é sempre a mesma: mau atendimento. Mas, escorado em privilegiada localização geográfica e bom cardápio, o lugar sempre acaba absolvido na justiça desportiva.
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Esses dias, depois de 15 minutos esperando um garçom resolvemos abandonar mesmo, o Ventura. Atravessamos a rua e fomos à champanharia DOC. Valeu a pena. A próxima meta é virar habitué da casa.
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O cardápio da DOC é razoável. Tem umas coisinhas interessantes, como "sorvete com espumante e molho de laranjinha" ou "morangos com açúcar cristal e pimenta". As bruschetas são boas, mas um pouco caras: 15 pilas um pratinho com oito.
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Bah, deu muito certo o novo sistema de aluguel de fitas por impressão digital da Back Video da Nilo. O cara encosta o dedinho no leitor e pronto: está feita a locação. Nem dá para acreditar - a tentação de conferir se o volante saiu com o nome correto é incontrolável.
Urso lambuzado de mel é sempre uma figura simpática, né?

segunda-feira, novembro 28, 2005

Parece que Ele - que não é lá afeito a estas intervenções assim, tão diretas - refletiu sobre todo o campeonato, irritou-se com as 80 mil bandeirinhas de Penambuco, com um cara que quis assumir o seu papel de Grande Juiz, e decidiu colocar um dedinho lá nos Aflitos, só para mostrar "quem é que Manda".
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Também parece que não pretende voltar a fazer tal molecagem tão cedo.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Em tempo: meu celular não sobreviveu aos ferimentos e morreu.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Tenho ouvido críticas à minha "visão preconceituosa" subjacente no post sobre gays discretos e indiscretos. A crítica é bem fundamentada - afinal não pode simplesmente o rapaz dar porque gosta ou a mulher esfregar porque lhe apraz? -, mas nunca esperem neste blog um raciocínio fechado e redondo. Apenas me dei conta de que uma afetação exagerada agride mais a um pai, a uma mãe, e quis manifestar isso. Agora, eu mesmo vivo dizendo que admiro mais as bichas loucas do que as enrustidas.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Da outra vez o Grêmio logo contratou uns quantos brigadianos aposentados e torcedores do Sport para protegê-lo em Recife. Me parece que, desta vez, além dos gorilas, valerá agregar um simples chaveiro à delegação, para arrombar portas. Aqui na esquina de casa tem um bom.

domingo, novembro 20, 2005

Gente, antes de tudo, não, este não é um post de despedida, eu não penso em me matar, OK? Então, não se assustem (e nem me levem para a clínica São José). Agora sim, vamos lá, ao que eu ia dizendo:
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Parem o mundo que eu quero descer. E talvez embarcar mais tarde, em outro ponto. Desconfio que talvez não valha a pena viver. Mas morrer deve ser tão pior...
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Sobre morte. Morro de medo de morrer. Me cago até de falar em morte, escrever sobre morte, pensar em morte. Agora mesmo, estou assustado. Mas esses dias li um algo sobre o assunto que me provocou tanto, que quero dividir. Foi no livro de diálogos entre Borges e Sábato. Lá pelas tantas, o Borges diz:
"Eu acredito que se me dissessem que eu vou morrer esta noite e que não haverá dor física, eu ficaria muito tranqüilo e não faria nada diferente das coisas que faço todos os dias"
É isso: morro de medo que a morte atinja uma pessoa querida e morro de medo de morrer. Mas no meu caso pessoal, tenho medo da dor e do sofrimento. Sempre achei que morrer dói. Talvez se me dissessem que vou morrer esta noite e que nem vai doer, eu não tivesse tanto medo. Mas é bem possível que eu alterasse um pouco minha programação da tarde para aproveitar os últimos momentos.
Briguei com meu pai, ao vivo e por telefone, e até com minha mãe, por telefone. Me irritei tanto que joguei o celular na parede. O problema é que o aparelho ricocheteou e foi parar lá embaixo, na rua (da amargura).
Pleft. Silêncio. Guardinha murmurando com alguém na calçada. Aqui em cima, eu quebro o gelo.
- Busca lá, Rafa.
- Tá louco, tu que atirou. Agora vai lá passar vergonha.
Argumento irrefutável. Eu desço.
- Desculpa cara, não era para cair perto da tua cabeça, queria atirar mais para lá, para o meio da rua, saca?
- Ãrran.
Subo com o equipamento. Hora de um bate-papo reflexivo.
- Tu acha que eu sou louco, Rafa?
- Sei lá. Talvez não. Às vezes a gente atira coisas quando tá brabo.
- É mesmo.
Novo silêncio. Hora de checar o estrago. Mas que estrago? É só encaixar uma peça na outra e voilá: o telefone está funcionando. Nokia 2280: simplesmente indestrutível.

sexta-feira, novembro 18, 2005


Barcelona.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Ontem, fizemos dois anos de namoro, eu e a Rafa. Íamos comemorar no Puppi Baggio, atraídos pela possibilidade de tomar champagne por um preço só uns 20% acima do cobrado da loja de vinhos do porão. Mas o restaurante estava fechado, bem como muitos outros da redondeza, e cogitamos o Usina das Massas, ao lado. Entramos, lemos a carta de vinhos, descobrimos que a champa mais barata seria a Chandon por R$ 54 e fomos embora. Não sem antes argumentar com o maître que com a concorrência da adega do Puppi ao lado, eles iam ter de reformular os preços. Ao menos dos espumantes, porque os outros vinhos estavam OK, alinhados com as sugestões da distribuidora Vinhos do Mundo. O rapaz foi bem simpático e sugeriu que levássemos a própria bebida, pagando a rolha de R$ 15, uma das mais baratas da cidade. (Vou poupa-los dos cálculos, desta vez).
Apesar da simpatia do funcionário, resolvemos tentar outras paragens. Oyster Box, fechado, Lê Bistrô, não, e cá estamos de novo em frente ao Usina. Melhor dar uma chance a esta casa que abriu com um ambiente asqueroso, luzes de churrascaria, me lembro, e agora já se apresenta com um certo requinte decorativo, além de bom atendimento.
O garçom fez uma educada explanação sobre o funcionamento do cardápio, os pratos são para um ou para dois e, sim, dá para jogar massas e molhos. Mas vamos ao que interessa: pedimos um branco Casa Valduga, R$ 30, e a Rafa quis a massa mais cara da casa. Mediterrâneo: fetuccine com molho de camarão, lula, tomate, azeite e R$ 60.
O menu vem em uma panela de ferro, bonita, mas que talvez continue cozinhando a massa na mesa. Umas garfadas e dá para ver que qualidade da pasta é o grande trunfo desta Usina. Fabricada pelo próprio restaurante, a massa não perde a consistência nem se o cozinheiro se passa um pouco no cozimento; é firme, sem deixar de ser leve. Uma beleza.
Os camarões vêm com cozimento adequado, apenas um pouco mais do que quase cru. Uma vez ouvi que existia o camarão e a camaroa e que um deles seria menos catinguento (alguém sabe algo sobre isso?). O da Usina tinha um gosto um pouco mais forte do que o ideal, mas totalmente aceitável. A lula, esta sim, estava chiclezenta acima da média. Não sei como fazê-la ficar menos elástica, mas sei que já comi umas melhorzinhas. Mas o maior problema do prato é o molho. O tomate é bom e siciliano, sim. Mas é muito. O molho vermelho enche até a metade da panela. Resultado: 50% da massa termina por passar, porque cozinha imersa no líquido quente, e a ficar um pouco mole demais. Pior: a quantidade de tomate, azeite e frutos do mar é totalmente desproporcional. O molho de tomate atrapalha os contrastes de sabores, impõe-se mais do que os outros ingredientes e faz a malha mediterrânea quase parecer massa ao sugo. Ainda assim, dá para sentir o gostinho da pimenta ao fundo.
Eu preferiria que a massa mediterrânea viesse num pratinho, com mais azeite, mais camarão, mais lula, mais pimenta e menos tomate. Mas essa coisa de fazer um monte de molho é mania em tudo quanto é restaurante italiano.
Apesar das críticas, a Usina passou no teste, com uma nota de 8,25. Ainda mais depois que o garçom chegou à nossa mesa, recolheu os pratos e disse que a sobremesa era por conta da casa. A propósito, o petit gateau não perde para os melhores da cidade, enquanto o sorvete com calda de frutas vermelhas pareceu-me pouco delicado, quase um milk shake de morango.

terça-feira, novembro 15, 2005

Mais difícil do que imaginar o que fazer com o dinheiro ganho na Mega Sena, só imaginar a probabilidade de ganhar. Oquei, é só passar lá no site da Caixa e conferir. Para um jogo de R$ 1,50, seis números apostados, as chances são de uma em 50.063.860. Tá, e daí? Que diabos significa uma em 50.063.860?
É mais ou menos por isso que os jornalistas são orientados a fazer comparações. No caso de área, a tática é sempre a mesma. O terreno tem o tamanho de dois campos de futebol. Fácil de entender, né? Mas o Rodrigo tem razão e volta e meia uns passam dos limites e dizem que uma área equivale a 1.256 campos de futebol. E quem lá já viu ou imaginou 1.256 campos de futebol juntos?
Um amigo me disse que viu no Fantástico uma matéria sobre as possibilidades de ganhar na Mega Sena. Lá, ele deve ter aprendido que se cada brasileiro fizer uma aposta na loteria, apenas quatro ganhariam. Uma conta que não chega a assustar o apostador, porque, enfim, quatro ganhariam. Agora, se o programa tivesse feito o cálculo que eu sempre faço e se 100% da população brasileira tivesse visto o programa, então as apostas na Mega Sena chegariam à fantástica marca de zero. Meu raciocínio é o seguinte: a chance de dar 07-10-13-24-33-51 é a mesma de dar 01-02-03-04-05-06. O que leva à fascinante conclusão de que o idiota que joga 01-02-03-04-05-06 não é um idiota – ao menos não mais do que todos os outros apostadores.
Por outro lado, essa mesma reportagem do Fantástico mostrou um dado animador, contou meu amigo. É mais fácil ganhar na Mega Sena do que levar um raio na cabeça. Uau! Vou começar a apostar. Uma vez, à cavalo na fazenda, vi oito marmanjões criados no campo, galopando desesperadamente para fugir da tormenta. Imagina o afinco com que esta gente não joga na loteria? E também vi, nessa mesma vez, um raio cair a pouquíssimos metros de nós. Levando-se em conta que eu monto em um cavalo apenas umas três vezes por ano e que ainda assim eu já quase levei um raio na cabeça, então se eu jogasse três vezes por ano na loteria, teria já quase ganhado uma vez. Digamos que uma quina eu teria levado. E imagina se estas vacas do interior afora soubessem que é tão fácil ganhar na loteria quanto morrer de raio: fariam filas na lotérica, animadas com a quantidade de companheiras que já levaram uma descarga na cabeça.
E também nesta reportagem do Fantástico disseram que tem um cara que já levou quatro raios na cabeça. E nunca ganhou na loteria. É o supra-sumo do azar (ou da sorte, porque o cara também nunca morreu). Se ele fosse tão sortudo quanto azarado, teria levado a Mega Sena quatro vezes na vida. Por outro lado, o João Alves aquele ganhou umas centenas de vezes na loteria, né? Êta mundo injusto!
E diz o meu amigo que o Fantástico ainda disse que sete de cada dez ganhadores da Mega Sena vão à falência. Apenas 30% ficam ricos. Ou seja, depois de ser sorteado entre 50 milhões de apostas, o cara ainda tem de ter sorte para conseguir manter a grana. Parece nada, mas isso dificulta em três vezes as chances de virar rico com a loteria. O cálculo é o seguinte 1/50.063.860 vezes 3/10, o que dá igual a 3/500.638.600. Ou seja: a chance de ganhar na Mega Sena e ficar rico é de uma em 166.879.530.
Agora, vamos combinar, se o cara enfrenta uma em 50 milhões, tem de ser muito idiota, aí sim, para não ficar entre três de dez. Podem ter certeza que eu ficaria. Depois de tanta complicação, imaginar o que fazer com a grana não é problema para mim.

sábado, novembro 12, 2005

Sobre o jogo.
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Eu nunca deixei de acreditar. E foi bonito que a torcida, mesmo antes do primeiro gol do Grêmio, também mostrou ao time que dava.
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Tinha um carinha que urrava no início do segundo tempo, chamando o Mano de burro por ter tirado o Ânderson. Saiu mais cedo do estádio. De vergonha, espero.
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Também não faltaram as vaias pro Marcel. Mais uma vez, ele foi decisivo na volta por cima do time. Não é craque, mas corre o tempo todo, marca e, mesmo que atrapalhado, vai pra cima.
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Futebol não é só paixão. Tem um pouco de razão.
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Segunda-feira vou gritar no bar da Zero Hora, quando sentir a aproximação do Santana. "Grêmio com Ânderson: dois a zero para o adversário. Grêmio sem Ânderson: dois a zero pro Grêmio." Se der, vou babar também.
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Antes do jogo, teve palestra com vídeo motivacional para os boleiros tricolores. Além de tremenda veadagem, a banalização desse instrumento me lembra a das musiquinhas, tão bem caricaturizada pelo Casseta.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Tou indo pra Uruguaiana. Trabalhar. Remates. Fui.
Acabo de voltar de um jantar na casa de meus pais. Discussão braba – aliás, como só ocorrer - com o véio. Ele tentando convencer-nos, a mim e à minha irmã, de que futebol não era o esporte mais adequado para a constituição física feminina; nós tentando convencê-lo de que ele não passa de um conservador preconceituoso. Bronca vai, bronca vem, e eu me irrito. Penso em uma coisa que prove minha tese, mas, principalmente, que o agrida:
- Pois eu já beijei homens. Duas vezes – minto.
Silêncio.
- E foi bom? – pergunta, condoído, mas fingindo não ter se importado, o pai.
- Nem sei, tava chapado, deve ter sido – respondo.
- Mas foi só selinho? – pergunta nervoso, o pai.
- Não, de língua – provoco.
Não, não estou escrevendo este post para tanqüilizá-lo. Por mim, ele que pensasse a vida toda que eu fosse gay, para se lembrar, a vida toda, de que é um grande conservador. Só fiquei preocupado com a Alba, cozinheira lá de casa, que escutou o papo da cozinha e deve ter ficado apavorada, afinal, ela me criou, tem certa responsabilidade sobre minhas escolhas. Mãe e Maria, por favor, digam pra Alba que era mentira, tá, que eu não beijei homens, muito menos de língua, e portanto nem posso saber se foi bom. Também botem uma carta preventiva nas caixas de correio do prédio, dizendo que minha confissão foi apenas retórica e não tem correspondência na vida real, caso algum vizinho tenha escutado o bate-boca.
Mas voltando ao objetivo real do post, o ocorrido me deu uma luz incrível para entender a opção homossexual. Acho que nada é mais frustrante para um pai médio do que descobrir que um filho é bicha. E é simplesmente impossível que por trás de um gay não tenha uma pontinha de desejo de magoar o pai. Uma pontinha, que seja.
Bom, ao menos essa é uma verdade em se tratando dos gays que assumem publicamente sua condição, ou para os que, embora não o façam, fazem questão de dar pistas. Seguindo esse raciocínio, me parece que há uma grande diferença, um abismo causal, entre o gay assumido e o enrustido. Um precisa agredir os pais e a sociedade; o outro, não. Donde se pode concluir que viado, mas viado mesmo, é o enrustido. Aquele que dá, sem nem precisar agredir o pai. Dá porque gosta e porque quer. A bicha discreta é muito mais bicha do que a bicha louca.
O que não quer dizer que eu admire mais o gay discreto. Aliás, pelo contrário.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Coisa boa é pegar aquele livro de fotografia que você tem e "reler".

domingo, novembro 06, 2005


Meus dois amores em Barcelona.

sábado, novembro 05, 2005

Diálogo de MSN (Sic)

Jana Jan diz:
ai, tu olha novela? a das oito, essa chata?

Jana Jan diz:
ah, olha sim. a nova do tião.
Acredita que meu irmão tá saindo com uma guria q se chama raíssa haydé?

sebastião diz:
como assim? então ela é recém nascida?

sebastião diz:
vou botar no blógui.

Jana Jan diz:
ela tem 17 anos

sebastião diz:
ah, é filha da mãe diná?

Jana Jan diz:
deve ser... engraçado, né?

sebastião diz:
improvável. deve ser mentira. tua, dele ou dela?

Jana Jan diz:
eu vi a carteira de identidade

sexta-feira, novembro 04, 2005

Filme: Antes do pôr-do-sol.

Diálogo em inglês:
Celine - What do you think about the word "pussy"?
Jesse - I love it.

Diálogo traduzido em português, nas legendas:
Celine - O que você acha da palavra "chaninha"?
Jesse - Adoro.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Até meus 18 anos, o grande barato era furar festas. Passar pelas macegas laterais do Saigon, entrar e arrasar com o baile de 15 da filha do oculista, depositar vez que outra 5 pilas na mão do porteiro do Cord e ter acesso livre à casa.
Para ser sincero, eu pouco conseguia furar, ao passo que o Urso, o Roberto e o Negão até hoje são hectoplasmas invisíveis para a espécie leão-de-chácara. Talvez por isso mesmo, um dia decidi que todo o esforço para entrar "ilegalmente"em um evento é absurdo e constrangedor. Desde então, nunca tentei sequer negociar entrada com porteiro e pago o que me cobram. Se o lugar não merece o dinheiro, vou para outro. Se não sou convidado, faço questão de não ir.
Hoje, tenho mesmo orgulho de ser assim. E por isso saí arrasado do trabalho segunda-feira. O presidente da Monsanto mundial estava em Porto Alegre. Tentamos insistentemente por meio da assessoria marcar uma entrevista, mas a ordem era clara: ele não queria falar com a imprensa. Assim mesmo (ou por isso mesmo), meus editores me enviaram à festa oferecida pelo seu Hugh Grant (sim, é homônimo), CEO da multinacional.
Chegar ao Brittish Club sem ser convidado, gritar para um cara que você nem sabe se é mesmo o cara "Mister Hugh, could you talk to us a little?", tascar um flashaço na lata do primeiro careca que desce da van e implorar para falar com uma pessoa que disse expressamente que te dispensa (e despreza?). Pior que tudo isso, só o monte de gente olhando para ti como um furão que faz de tudo para se fazer presente onde não foi chamado.
Não tenho nem ânimo nem saco para discutir se tudo isso é necessário, faz parte do trabalho, etc... A verdade é que o episódio terminou com a minha semana e pela primeira vez me fez pensar: será que vale a pena essa vida? Ganhar tão pouco para se sentir menos ainda - está ficando demais para mim.
Tem sido assim todos os dias, mas mais na quarta-feira. É quando a cama realmente me expulsa. Agora há pouco mesmo, tinha pegado no sono. Um minuto? Até a vizinha, a Maeve (Maevi?), pisar no hall de entrada. Um simples salto alto no chão foi o suficiente para me despertar. Não tivesse o 302 uma grade antes da porta é possível que eu tivesse conseguido redormir.
O fato é que depois de acordar, a inquietude foi infinita. Uma coceira atrás do joelho, outra junto ao lipoma, mais uma no pentelho. Depois, os calafrios. Três, quatro espíritos que passaram. Vira prum lado, desvira, até o golpe de misericórdia: um mosquito zunindo.
Agora, estou aqui, enquanto na pracinha da esquina, a disputa noturna dos garçons parece cada vez mais acirrada. Pena eu não ter um cão, uma desculpa para passear e bisbilhotar o futebol. Ou só para dar uma volta na quadra mesmo.
Sem companhia, só me resta mesmo navegar, a perninha balançando rápida e involuntariamente, e postar. Acho que vou ler blogs.

Gata no sofah parisiense

Gata no telhado parisiense

quarta-feira, novembro 02, 2005

É a primeira novela em que o Bandido mata o mocinho.
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Pensando bem, se eu fosse o Tião, também preferiria morrer a viver entre as duas chatas.

domingo, outubro 30, 2005

Definitivamente, a Rafa está aprendendo a cozinhar. E começa do melhor jeito: com o trivial. Quem não sabe passar um bife na chapa, refogar uma cebolinha, ferver um brócoli jamais será um gourmet. Ninguém vira um grande jogador de futebol se não aprende a fazer balãozinho. Ninguém dirige um Fórmula 1 se não sabe dirigir um kart. Ninguém aprende a pilotar em um boeing. O básico é sempre o essencial.
É por isso que estou extremamente contente com as incursões semanais de minha mulher à cozinha. Semana retrasada foi peito de frango com arroz e legumes, semana passada, guisadinho com arroz e legumes e agora, franguinho desfiado refogado com arroz e legumes. Sim pode ser repetitivo, mas quantas vezes você teve de somar para aprender a multiplicar? Cada refeição é uma evolução. Se na primeira tentativa o brócoli se desmanchava na panela, agora é firme e mantém sua forma de flor. A boa cozinha sabe trabalhar com os cinco sentidos e ninguém faz um grande prato se não sabe que a vagem tem de cozinhar apenas o suficiente para exalar seu cheiro, mas não perder na água a cor, a consistência crocante e o sabor. Não há chef que tenha feito um bom canard a l`orange sem antes ter cozido centenas de frangos.
Fora que esta coisa de preparar marmitas para toda a semana é muito gostosa - e romântica, por incrível que pareça. Escolher o menu, ir para a cozinha, testar tempeiros e depois separar as comidinhas em pequenas marmitas, dosando as cores e sabores de forma equilibrada... É quase uma arte. Melhor que isso, só saber que você vai chegar em casa depois do trabalho e não terá de encarar um yakisoba Sadia.
Agora há pouco, na videolocadora, vi um antigo casal de amigos. Se conheceram há uns cinco anos. Ele, metade oriental, filho de pai japa com mãe brasileira. Ela, mulata, pêlo-duro mesmo. Agora, tudo mudou. A guria alisou os cabelos e deu para ficar com os olhos puxados - parece uma ninfetinha tailandesa.
É incrível como a convivência faz as pessoas ficarem iguais. Claro, se dois se aproximaram é porque não eram lá tão diferentes. A guria de camiseta do Metallica bem que gosta de um metaleiro cabeludo. O casal do abriguinho Adidas conheceu-se na academia, porque, enfim, ambos gostavam de estar na academia e admiravam o estilinho esportivo. E assim por diante.
Mas é inegável que a convivência vai tornando os amantes ainda mais parecidos. A tal ponto que muitas vezes já não dá para ver dois como dois, senão como um mesmo ser. É difícil imaginar Rodrigo sem Larissa, Afonso sem Magnólia, Gallas sem Clarissa (ops, esses se separaram).
Até nos gestos, nos tiques, nas bobagens, os apaixonados se entendem. Eu e a Rafa, por exemplo. Era só olharmo-nos com um olhar assim meio enviesado e sem vergonha que o diálogo pronto começava:
- Como te chamas?
- Pedro Machuca.
- Más fuerte!
- Pedro Machuca.
- Más fuerte.
- PEDRO MACHUCA!!!
Pausa de dois segundos. Os dois juntos, em côro:
- Son novios, son novios, son novios!
Natural. Tínhamos visto juntos o trailer sobre o filme, gostamos, brincamos e inventamos de repetir a besteira.
Mas não é só isso que torna os casais parecidos. Há algo, assim, inexplicável, intangível que fez a mulata virar japa. Tanto que tenho dois amigos que começaram como namorados e agora são irmãos.

sábado, outubro 29, 2005

Não perca, nesta segunda, em América: "Nossa Senhora Aparecida deixa Tião na porta do purgatório".

A pedido da Joelma
Isto é mais uma questão pro Blógui da Larissa, mas não custa tentar obter uma ajudinha aqui também. Há mais de uma semana, um peixe apodreceu na minha geladeira. O câncer foi extirpado, mas o cheiro permanece, contaminando todo e qualquer alimento posto a gelar. Pelamordedeus: que fazer? Em tempo: já tentei café. Não está adiantando muito.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Em vez de aprender a andar de pé, aprendi a me erguer. Esse é o maior perigo.
Por que a gente diz "nas costas" e "nas paleta" em vez de "na costa" e "na paleta"???
Pelo amor de Deus, não tomem suco de amora. Faz mijar preto. Depois, tem que ficar tomando água e fazendo pipi em copinho plástico para ver se é sangue. Se o pretume reduz, de copo a copo, não dá nada: é amora. Se aumentasse, acho que seria sangue e aí deve ter de ir pro hospital, né? Na dúvida, melhor evitar suco de amora.
Eu preciso de um Sonrisal. Mas Sonrisal não é o tipo de coisa que um casal recém casado tenha em casa. Sonrisal é coisa de casa de pai, de mãe, de sogro. Agora, eu juro, tivesse a Panvel da Nilo aberta, ia até ali, a pé. Desde que começou o horário de verão que eu estou assim: perdido, e de pança cheia. Alguém aí sabe por que o adiantado da hora, ou a hora adiantada, dão uma sensação de enfado? Há uns 15 dias que não durmo antes das três e nem levanto antes do meio-dia. Minha vida está alucinante. Meio-dia, bom-dia, All-Bran, carne, legumes e arroz, aftosa, aftosa, aftosa, aftosa, comida árabe ou churrasco, crepe de banana, licor ou vinho do porto... Mas sempre falta o Sonrisal. Uma das alternativas que vinha pensando para tornar as coisas um pouco melhores é ficar mais amigo dos garçons do Barranco. Eu já sou meio amigo, bem que eles podiam convidar pro futes na madruga que até há pouco tava rolando na pracinha. Uma lástima que não convidem. Acho que vou ler blogs.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Clarissa Barreto lança seu blógui: "...mas definitivamente, não esperem grande coisa. Eu não to boa, medeixem quieta. É aquela dor de cabeça de novo".
http://aspedrasdopoder.blogspot.com/

Fotinho no senado frances para descontrair...
A família do Paulinho tem uma fazenda legal. Fica na Estrada do Mar, entre as lagoas de Osório e o Rio Tramandaí. A casa é antiga e durante um tempo funcionou como hotel. Mora lá o Tio Ricardo, que é um cara boa praça. Às vezes o Paulinho vai passar um fim-de-semana lá e convida os amigos, inclusive eu. É sempre uma boa chance para descansar. Dá para caminhar pelos campos e cruzar por conchas. Dá para atravessar as plantações de arroz e chegar ao rio. Esquecendo os sangue-sugas ou os agrotóxicos, ameaças que nem sei se existem, dá para tomar banho no Tramandaí. E esquecendo os aguapés e os jacarés, dá para se jogar na lagoa, do outro lado da estrada. Se o sol tiver bom, uma das opções é ir à praia - Imbé, Capão, Atlântida Sul, é só escolher. No fim de tarde, um programão é subir no morro e ver o entardecer sobre as lagoas. À noite, rola churrasco na parrilla, cerveja gelada e, se alguém tiver paciência, uma caipirinha. De madrugada, solteiros podem ir a Osório, onde há atendentes de supermercados bonitas, ou a Imbé, onde há namoradas de surfistas e bicuíras feias, mas gostosas. Os casados podem ir para a caminha e curtir uma noite de silêncio. Mas a Rafa não gosta de ir lá, não. Acha que tem muito homem, muito trago e alguma maconha. Diz que na última vez que fomos eu nem dei atenção a ela. Considera os cachorros brabos, também. Uma pena...
A Rafa comprou filé de merluza, congelou, descongelou na pia, botou na geladeira, tirou da geladeira, sentiu o cheiro e botou no lixo. Resultado: faz uma semana que nossa geladeria tem fedor de peixe, mas não tem peixe. Aliás, o sistema de alimentação aqui de casa melhorou muito. Minha mulher aprendeu que é muito prático fazer um montão de comida de uma vez, separar em pequenas porções e botar no freezer. Agora ficou fácil. Quando dá fome, é só tirar o potinho do congelador, enfiar no microondas e comer, claro. O único contratempo é que a gente não troca o menu por cinco dias. Esta semana, é guisadinho com pirê e juliana de legumes. Adoro este nome, juliana de legumes. Falando nisso, eu tenho pavor de jornal formato standard. Me sinto sufocado com tanto papel. Na Europa, os grandes jornais estão migrando pro tablóide. Muitos passaram para uma versão standard reduzido. Por isso, achei muito legal ver o Rogério Ceni tomando aquele gol de contra-ataque depois de bater a falta. Finalmente pegaram ele com as calças na mão. E vocês notaram como o Blóguidotião está bonito? Compacto, sóbrio, sem firulas, sem figuras. Agora isto aqui tá com cara de blógui. É mesmo impressionante que 95% dos amantes falem com voz de criancinha com seus amados. Até a Isabel fica melosa. Que coisa, né?

quinta-feira, outubro 20, 2005

O mundo é injusto e só os sábios vencem. Vejam só: meu detrator, o Charles, por seu conhecimento de informática, sabe deixar lá seus posts antigos à disposição do Google. Eu, que tanto queria isso, não. Logo que iniciei este blógui, fiz um importante post restabelecendo a verdade sobre meu nobre antepassado José de Araújo Ribeiro, tão injustamente vilipendiado pelo Tabajara Ruas. Quando inseri as palavras chaves ao registrar meu site nos buscadores, fiz questão de incluir em todos a expressão "José de Araújo Ribeiro" e "Visconde do Rio Grande". Vai lá no Google e digita o nome do meu digníssimo antepassado e vê se aparece o relevante "Blógui do Tião". Agora, um post de importância histórica nula sobre mim, está sempre lá, na testa do buscador. Ó, mundo cruel.

quarta-feira, outubro 19, 2005

A perseguição frenética aos erros em ZH está atingindo minha vida privada. Não só porque passo noites sem dormir pensando naquele nome que eu posso ter trocado na matéria do dia. Mas também porque agora até os posts do blógui me apavoram. Hoje, no trajeto do trabalho para casa, uma dúvida inquietante me assaltou: seria mesmo aquela florzinha da dona do estacionamento camomila (como eu escrevera ontem aqui)? Rapaz, foram os dez minutos mais torturantes já vividos no Celta. Tanto mais depois que estacionei e manifestei minha dúvida ao guardinha do estacionamento, tendo como resposta a informação de que aquela florzinha era maçanilha. Ainda bem que antes de fazer a correção imprescindível no blógui fui pro Google e digitei "maçanilha camomila" e descobri que as duas coisas são na verdade uma, cujo nome científico parece ser "Maçanilha Chamomile". Ufa! Sei que na Internet a audiência é implacável. Aliás, até hoje digito "´sebastiao ribeiro´ jornalista" no Google, e lá aparece na primeira página um post de um blógui alheio tecendo críticas à minha pessoa.

terça-feira, outubro 18, 2005

Aliás, 50 metros do portão do prédio ao estacionamento do carro:

Abri a porta do prédio e senti o cheiro de jasmim das primaveras. Caminhei com cuidado para não escorregar na geléia formada pelas flores do jacarandá. Subi num murinho para alcançar a pitanga mais preta e mais alta da árvore. Só não colhi a camomila da dona do estacionamento porque não sou ladrão. É linda a primavera na Jaime Telles. Tem jeitinho de Rafaela.
Abro os olhos e ainda bem que tem a persiana para filtrar a luz. Devagar, por entre as lâminas, consigo distinguir o início de um temporal. Dá para ouvir os galhos chacolhando, as flores desabam, roxas. É como se tivessem vivido toda a vida só esperando aquele instante que agora tentam prolongar, o percurso do do jacarandá ao chão. Nesses segundos (dois? três?), cada flor é uma flor. Antes, lá no alto, minha vista míope nem distinguia uma da outra, eram um amontoado, roxo. Depois, na calçada, vão formar uma pasta que é divertida por ser colorida, por escorregar, por ser gosma. Mas agora, embaladas pelo vento, cada flor é uma flor. E cai. Uma, outra, outra, outra... até eu fechar os olhos. É domingo. É primavera.
Cinco lugares na Europa:
1 - Rue du Cler, Paris
2 - Pont Des Arts, Paris
3 - Bar da Tate Modern, Londres
4 - Bricabraque da Chaussée de Charleroi, Bruxelas (aos sábados)
5 - Mercado de Barcelona

sábado, outubro 15, 2005

Tava lendo a revista Flash, agora há pouco... Que motivo o cidadão tem para viver depois de comer a Daniela Sarahyba?

quinta-feira, outubro 13, 2005

A melhor coisa da Bélgica é... Sim, exatamente isto: a cerveja. Em um bar, você pode tomar algumas das melhores do mundo por 2 Euros, um pouco mais, um pouco menos. Se quiser tentar aqui no Brasil, também dá, mas o preço é salgadinho. Fui no Nacional da Lucas agora de manhã e eles têm uma gama interessante de cevas belgas e, também, irlandesas. Tem a ótima Duvel (uns R$ 20), a tradicional Leffe (uns R$ 20), a Chimay (trapista, feita por monges, uns R$ 25) e a Deus (R$ 199). Para tomar sozinho em casa, com grãos de soja transgênica tostados e salgados, de repente valha a pena. Uma boa idéia é começar com uma belga, passar para a Baden Baden, seguir com a Bohemia Confraria, depois Brahma Extra, Malt 90 e fechar com a Kayser. Que tal?

quarta-feira, outubro 12, 2005

Comer um churros de carrocinha, eis um gesto que eu acho que nunca vou ter coragem para fazer em minha vida adulta.

terça-feira, outubro 11, 2005

Cinco coisas que perdi na viagem, em ordem cronológica. O que, onde e o preju:
1. O óculos de grau que tinha comprado dois dias antes da viagem, no embarque do aeroporto de Guarulhos, R$ 250.
2. Um guia de Londres, no Design Museum, zero Libras (foi recuperado).
3. Um cartão semanal de metrô, nas ruas de Londres, 10 Libras.
4. Uma garrafa de Lemoncello italiano (presente do cunhado, que ficou com o presente dos colegas de ZH, que ficaram sem presente), no aeroporto de Guarulhos, 6 Euros.
5. Dois boarding pass que dariam direito a milhas da Varig (por Deus, eu não sabia que eles eram necessários), em algum lugar, milhares de milhas.

domingo, outubro 09, 2005

Você encontra alguém e a pergunta é inevitável: e aí, como é que tava? Eu devia mesmo ter escrito um pequeno relatório sobre a viagem de férias e então eu carregaria o texto no bolso e o entregaria ao interlocutor cada vez que inquirido. "Saímos, no dia 15. Esperamos seis horas no aeroporto de São Paulo. Dormimos na sala VIP do Banco do Brasil, a mais chinela de todas as salas VIPs - a única na qual você não tem vergonha de tirar o sapato e se atirar no sofá. Embarcamos no vôo para Paris. Estava muito quente. Chegamos no Charles de Gaulle às...etc...etc...". Fora que a gente nunca sabe contar o que rolou numa viagem, porque as coisas mais bacanas são sempre momentos simples, mas que encerram em si um sentimento normalmente inefável.
Mas uma listinha básica talvez ajude a contar as férias. Tipo: o que comprei.

1 - Um vidro grande de perfume Calvin Klein One no Free-Shop de São Paulo (44 dólares)
2 - Uma lata antiga de Kellog´s Corn Flakes num brique de rua de Bruxelas (3 euros)
3 - Um casaco apeluciado da Umbro azul e vermelho num torra-torra de uma loja esportiva de Londres (8 libras)
4 - Um livro de fotografia do fotógrafo Yann Arthus-Bertrand, com imagens do projeto A Terra Vista do Céu, em uma loja junto à exposição, em Londres (25 libras)
5 - Uma garrafa de vinho do Porto Sandeman (16 dólares) e uma garrafinha de licor Amarula (8 dólares), no Free-Shop de São Paulo
Nunca entendi aqueles amiguinhos que no tempo do colégio chegavam das férias dizendo estar morrendo de saudades das aulas. O que eu lembro é dos finais de fevereiro em Torres, as pessoas instalando os tampos de madeira nas janelas, eu deitado na rede podre de deprimido porque o fim se aproximava - ou melhor, já tinha chegado - e mesmo assim querendo levar aquele sofrimento até o fim, esticar o verão até o último minuto. Pois é assim que me sinto agora, depois de 20 dias na Europa e mais quatro sem fazer absolutamente nada em Porto Alegre, e sabendo que amanhã, 13h, estarei chegando na Zero. Acho que vou me acordar ao meio-dia.

sábado, outubro 08, 2005

Os brasileiros que moram na Europa confirmam: não existem formigas no Velho Continente.
Bah, vai todo mundo por aqui votar NÃO, né? Até eu, que costumo ser do contra.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Maldito autofocus, malditos e pequeninos visores de máquinas digitais. Logo entenderão minha queixa, amigos.
Uma mochila escolar Company, daquelas que todos desejávamos lá pelos 90s, é certamente mais resistente do que uma backpack do exército americano. A minha sobreviveu bravamente - sem arranhões - aos 20 dias de viagem, incluindo o transporte de dezenas de quilos de livros de arquitetura adquiridos em trânsito.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Pela primeira vez nos últimos dias acessei noticias do Brasil. Desde que sàí de fèrias as únicas coisas que fiquei sabendo foram os resultados dos jogos do Grêmio e a eleiçao do Rebelo. E só. gora, me deparei com um monte de coisas as quais nao entendo, tipo: como o Inter foi parar em terceiro? Que história é essa de corrupçao no futebol? Que mais de importante aconteceu nas últimas três semanas?
Volto de fèrias quinta'feira. A partr de entao, blog (bem) atualizado. Prometo.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Frances caminha come e le caminhando.
Ingles corre de mochila nas costas.
Belga, sem explicacao.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Uma correçao. Importante. Qualquer bodega aqui na França tem na fachada "boulangerie, patisserie, brasserie, etc...". Pois que vem meu primo frances explicar que o Paul e uma boulangerie ou patisserie. Entao, vamos a liçao do professor.
Boulangerie: padaria
Patisserie: confeitaria
Brasserie: restaurante simples
Confisserie: confeitaria
Boucherie: açougue
Ok?

terça-feira, setembro 20, 2005

Tem um negocio muito bacana que da muito certo aqui em Paris e que podia ser copiado por Porto Alegre. Chama-se Jornada do Patrimonio: um fim-de-semana no qual os predios e sitios, publicos e privados, abrem suas portas ao publico. O povo se atira na visitaçao gratuita.

Se eu abrisse uma franquia no Brasil, abriria uma da Brasserie Paul. Com um patiozinho interno no qual os clientes pudessem degustar suas baguetes.

Almocamos baguete hoje. No fim do rango, dei de americano e despejei o que sobrou na bandeja fora. Um minuto depois lembrei que havia esquecido algo. Voltei e resgatei minha maquina fotografica da cesta de lixo.

domingo, setembro 18, 2005

Notaram que naum estou escrevendo, neh?
Eh que estou em Paris.
Naun hah igreja da qual uma horda de turistas caspentos naum roube a aura. Caspas.
Ja hah mais cachorros em Porto Alegre do que na capital francesa.
Por aqui, o labrador tambem eh o cao (caum) da moda.
E deu, que naum tou aqui pra trabalhar.
Daqui a pouco, Londres e Barcelona.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Eu sou a favor das rinhas de galo. E das touradas (mas precisava matar o bichinho?).
Você acharia temerária a atitude de, às vésperas de embarcar para a Europa, selecionar seis frutos sãos em uma bandeja de morangos mofados para compor uma batida matinal?
Você consideraria eficaz, do ponto de vista sanitário, mergulhar os moranguinhos em uma solução de água com graspa a fim de tornar a vitamina mais segura?
Você diria que alguém que hipoteticamente tenha tomado tais atitudes está livre de desenvolver, no organismo, uma flora de fungos brancos e enovelados como algodão?
Estamos vendo o (fraco) documentário "A História de Duas Torres". Alguns depoimentos são curiosos. Vejamos.

Sobrevivente1: "...e então, depois de deixar o prédio em chamas, o pessoal da empresa se reuniu em frente a uma loja de eletrodomésticos para ver a TV e decidiu ir a um bar para (o cara estava louco para dizer ´comemora´ ) sentar e ver quem estava vivo".
Sobrevivente2: "... e então vi uma mulher grávida caindo ao meu lado da altura de 100 andares e ela se espatifou como uma melancia e eu vi o seu feto voando com o cordão umbilical pendurado"

Foi a coisa mais sensacional que aconteceu na história da humanidade.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Caldas Junior: uma potência.

Quinta-feira, fui no programa da Tânia Carvalho, no 36. Antes que perguntem, era um debate sobre jornalismo rural, mais especificamente sobre os 30 anos do Campo & Lavoura na TV, e eu fui fazer o papel de foca. Ãn, ãn, ãn (é assim que falam as focas). TVCOM, apresentadora carismática, símbolo da televisão gaúcha, tinha certeza que não poderia andar na rua de tão famoso que ficaria no dia seguinte. Pois não é que ninguém comentou nada. Tipo, ninguém tava zapeando quando eu apareci - só minha mãe (que eu consegui avisar).

Pois bem. Três dias depois, domingo à noite, fui no baile da Expointer promovido pelo Correio do Povo. A cerimônia foi transmitida ao vivo e reprisada depois pelo 2. Pegaram um take meu e da Rafa dançando. E hoje sou um homem famoso. Por onde passo, vêm me dar tapinhas nas costas: "aê, bonitão no baile do Correio, hein, grandão!".

Tem coisas que nem o Ibope explica.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Vão móvel da ponte do Guaíba
Cão salsicha
Sanduíche primavera com molho verde

domingo, setembro 04, 2005

Este mês li de cabo a rabo o jornal do Cavalo Crioulo. Achei, nas Cartas do Leitor, esta preciosidade:

Opa, tudo? Venho aqui porque acho de uma pequena valia o meu depoimento para alertar todos aqueles que lidam com este espetáculo de animal. Após um leilão, houve um fato anormal comigo, fui apreciar o animal por mim adquirido e o mesmo, em um quarto de segundo, me atacou no rosto, mordendo na altura da boca. Tive que levar 10 pontos externos e mais uns varios internos porque houve um descolamento da mucosa desde o pre-molar ao molar!
O acidente foi feio e nao foi culpa de ninguém, só venho aqui para alertar : "Nunca esqueçam que o cavalo é um animal irracional. Se nós, as vezes, cometemos atos irracionais, imaginem eles!
Meu amor por esta raça não diminuiu em nada mas isso tudo serviu de alerta para mim (e espero que para outros) de não esquecer da importante distância que tem
que ser mantida, por mais amor que exista”. Espero que isso seja válido, grande abraço da apreciadora e futura criadora, Julia.

sábado, setembro 03, 2005

Acho que este Morte na Escadaria não pegou, né?
O Leo fez um post sobre velhos comerciais de TV cujas imagens ficam cristalizadas em nossas mentes. Sempre que esse papo cai em uma mesa de bar, falo de um especial, mas nunca encontro interlocutor capaz de compartir o prazer da lembrança. Tentemos aqui.

O cara chega em casa. A mulher diz:
- Osvaldo, você está bêbado de novo.*
Ele quebra um vaso, destrói o mobiliário do apartamento e retruca, agressivo e com voz de gambá:
- Não me enche o saco!
A criança se agarra à barra da saia da mãe e chora:
- Mamãe, mamãe, eu estou com medo do papai!

* O personagem não se chamava Osvaldo, mas na escola usávamos este nome por ser o do meu professor de Educação Física, que parecia estar sempre bêbedo.




Um escoteiro é um potencial integrante do Rotary, do Lions e da maçonaria, né?

A propósito, dá para imaginar que não ando escrevendo por causa da Expointer, né?