domingo, março 19, 2006
quinta-feira, março 09, 2006
Uns amigos lançaram uma revista de verdade. Só que digital. Eu estou ajudando. Passem lá. Tem de fazer download (dizem que isso é comum na Europa), mas vale a pena. Colecionem:
www.revistadoispontos.com.br
www.revistadoispontos.com.br
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Coisa 1: estou saindo de férias. Neste instante. Os últimos dias foram dramáticos. Os segundos viraram minutos, os minutos, horas, as horas, dias. Como o coelho de Zenão, eu nunca conseguia alcançar a maldita tartaruga das férias. Parece que agora vai dar. É só eu me levantar, pegar o elevador, passar o crachá na roleta e pronto!
Coisa 2: conheci muita gente nesta vida. Depois, descobri que era demais.
Coisa 2: conheci muita gente nesta vida. Depois, descobri que era demais.
sábado, fevereiro 18, 2006
À direita da saída da porta dos fundos da casa de Tramandaí dos pais da Rafa falata uma laje do piso. É um espaço de 50 centímetros por 50 centímetros com terra, no canto de um pátio calçado. Trata-se do menos de metro quadrado mais fértil do mundo. Do mundo.
No verão de 2005, a conta no aramazém da Gorda, que é parenta do Bino, que também tem armazém, a uma quadra dali, sofreu uma redução de 4%. Não foi preciso comprar um único tomate. Quando chegamos para a temporada (naquele tempo ainda se fazia temporada de praia) havia um enorme tomateiro. Um arbusto vergado de tanta fruta, com mil e uma ramificações, que deu para o verão inteiro e mais um pouco. A planta foi recebida de bom grado por todos, e não poderia ser diferente, mas instalou-se uma discussão sobre a origem dela. Até que a vó Wally matou a charada: ao lado da porta se punha o lixo e no lixo havia tomatos e tomatas, de forma que um tomato se apaixonou por uma tomata, uma sementinha surgiu e ali mesmo germinou.
Neste verão, o verão de 2006, chegamos para o primeiro fim-de-semana (já não se faz temporadas como antigamente), e novamente uma surpresa atrás da porta: um arbusto de funcho. É, funcho, tipo erva doce, pra fazer chá ou mascar feito caubói gay. Desta vez, a conta na Gorda não baixou, ninguém compra funcho, mas a discussão sobre a origem da planta voltou a se instalar rompendo a paz da família. Até que novamente a vó, desta vez a Alice, veio com a explicação. Era praxe jogar erva mate - sempre enriquecida com chazinhos - para nutrir o tomateiro, de forma que um funcho misturado no chimarrão encontrou uma funcha e deu no que deu.
Que será que as velhas vão jogar atrás da porta neste ano?
No verão de 2005, a conta no aramazém da Gorda, que é parenta do Bino, que também tem armazém, a uma quadra dali, sofreu uma redução de 4%. Não foi preciso comprar um único tomate. Quando chegamos para a temporada (naquele tempo ainda se fazia temporada de praia) havia um enorme tomateiro. Um arbusto vergado de tanta fruta, com mil e uma ramificações, que deu para o verão inteiro e mais um pouco. A planta foi recebida de bom grado por todos, e não poderia ser diferente, mas instalou-se uma discussão sobre a origem dela. Até que a vó Wally matou a charada: ao lado da porta se punha o lixo e no lixo havia tomatos e tomatas, de forma que um tomato se apaixonou por uma tomata, uma sementinha surgiu e ali mesmo germinou.
Neste verão, o verão de 2006, chegamos para o primeiro fim-de-semana (já não se faz temporadas como antigamente), e novamente uma surpresa atrás da porta: um arbusto de funcho. É, funcho, tipo erva doce, pra fazer chá ou mascar feito caubói gay. Desta vez, a conta na Gorda não baixou, ninguém compra funcho, mas a discussão sobre a origem da planta voltou a se instalar rompendo a paz da família. Até que novamente a vó, desta vez a Alice, veio com a explicação. Era praxe jogar erva mate - sempre enriquecida com chazinhos - para nutrir o tomateiro, de forma que um funcho misturado no chimarrão encontrou uma funcha e deu no que deu.
Que será que as velhas vão jogar atrás da porta neste ano?
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
A partir de 10 de março, este blógui volta ao normal. Eu terei de novo Internet em casa. Cumprirei a meta de sair da cama até as 10h30min todos os dias. Estudarei inglês de segunda a sexta pela manhã. Lerei os tantos livros que se acumulam na minha cabeceira. Comerei apenas bifinho e saladinha no almoço. Inscrever-me-ei na disputa por uma vaga no mestrado. E irei ao dentista. São metas para o ano que vem, leia-se, par depois do Carnaval.
Me emocionei – emoção de verdade, de marejar os olhos – uma única vez em Brokenass Mountain, como escreveu o Agamenon em sua coluna, que eu nem conhecia até dias atrás, afinal sou um estúpido mesmo, não sei nem distinguir o Caco Ciocler e o Caio Blat, e não tenho a mínima noção de quem seja Sandra Bulock, embora já deva ter visto mil filmes com ela, mas, enfim, isso não importa. Importa que só chorei quando Alma Jr, a filha do caubói mais legal, a bicha ativa e enrustida, personagem muito bem construído, como diria uma crítica do filme, quando a filha do Ennis del Mar disse ao pai que iria casar-se e pediu-lhe que comparecesse à cerimônia, ou seja, resumindo, que a conduzisse ao altar. Pode que minhas lágrimas tenham vindo do fato de eu já ter presenciado tantos dramas familiares semelhantes, pais que não conduzem as filhas nas igrejas, que não comparecem às formaturas ou esquecem os aniversários dos filhos. Mas o fato é que, definitivamente, não me emocionei com o amor dos gays.
Pronto, falei, como se costuma falar quando se quer falar algo que pode ser recriminado. As bichas pastoreando na montanha, as bichas rolando na montanha, as bichas se beijando na montanha, as bichas se comendo na montanha, as bichas se cheirando... nada disso me arrepiou. Pelo contrário, a verdade é que... A verdade é que eu deveria ter começado este post com a afirmação que se segue: VER AS BICHAS SE AMANDO ME DEIXOU INCOMODADO. Pode ser puro preconceito, pode ser que o diretor não tenha sabido me convencer, pode ser mesmo que a minha condição de macho não me permita ser solidário com um amor assim, arrasa rabos, pode até ser veadagem minha, mas não me senti muito confortável com Pennis e Jack.
Passei o filme inteiro torcendo contra um beijo, um afago, uma enrabada. Torci enlouquecidamente para que eles, os mocinhos (ou as mocinhas, como queiram), largassem logo a veadagem e se apaixonassem de verdade por uma mulher.
Para mim (e me perdoem se agora contradigo meu colega e também heterosseuxual Ticiano Osório), Brokenass não é uma grande história de amor; é uma grande história sobre como é foda ser veado! Ontem, hoje, sempre e em qualquer lugar.
Pronto, falei, como se costuma falar quando se quer falar algo que pode ser recriminado. As bichas pastoreando na montanha, as bichas rolando na montanha, as bichas se beijando na montanha, as bichas se comendo na montanha, as bichas se cheirando... nada disso me arrepiou. Pelo contrário, a verdade é que... A verdade é que eu deveria ter começado este post com a afirmação que se segue: VER AS BICHAS SE AMANDO ME DEIXOU INCOMODADO. Pode ser puro preconceito, pode ser que o diretor não tenha sabido me convencer, pode ser mesmo que a minha condição de macho não me permita ser solidário com um amor assim, arrasa rabos, pode até ser veadagem minha, mas não me senti muito confortável com Pennis e Jack.
Passei o filme inteiro torcendo contra um beijo, um afago, uma enrabada. Torci enlouquecidamente para que eles, os mocinhos (ou as mocinhas, como queiram), largassem logo a veadagem e se apaixonassem de verdade por uma mulher.
Para mim (e me perdoem se agora contradigo meu colega e também heterosseuxual Ticiano Osório), Brokenass não é uma grande história de amor; é uma grande história sobre como é foda ser veado! Ontem, hoje, sempre e em qualquer lugar.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Sempre ouvi falar de Ri-Do-Rato. Foi por conta de um primo meu que, pequeno, na fazenda, teria passado um dedinho no veneno e depois na boca.
- Tu comeu, Bento?
- Comei...
- Mas como, Bento?
- Com garfo, faca...
- E tinha gosto de quê, Bento?
- De boi, de vaca...
Observem, tem até rima, o diálogo que se repete até hoje na família. Apesar de já ter ouvido mil vezes o nome, nunca tinha visto Ri-Do-Rato. E sempre achei que se tratava de Ridu Rato ou Ridorrato, coisa assim. Mas do jeito que é, acho que quer dizer que o rato morre e a gente fica rindo dele, né?
Sábado, vi pela primeira vez uma latinha de Ri--Do-Rato. Foi no armazém da Gorda, em Tramandaí. A Gorda é parenta do Bino, que também tem armazém, uma quadra depois, junto da caixa d´água. O do Bino é bem melhor, mais limpinho, o da Gorda anda meio relaxado, ela misturou a venda de secos e molhados com um atacado de ração para cachorro, de forma que ficou um ambiente meio sujo e com cheiro de ração e um monte de cães e gatos em volta. Ainda assim a gente vai na Gorda, porque é mais perto.
Mas, voltando ao Ri-Do-Rato, e ao que me levou a este post, cheio de tergiversações: a marca do veneno é um clássico do design! (Não tirei fotos, tentem procurar a imagem no Google)
Ah, sobre o Bento, parece que levaram-no ao hospital de Santiago, 80 quilômetros distante, onde se verificou que ele não ingeriu o veneno ou o fez em dose desconsiderável. Está muito bem, obrigado, o meu primo.
- Tu comeu, Bento?
- Comei...
- Mas como, Bento?
- Com garfo, faca...
- E tinha gosto de quê, Bento?
- De boi, de vaca...
Observem, tem até rima, o diálogo que se repete até hoje na família. Apesar de já ter ouvido mil vezes o nome, nunca tinha visto Ri-Do-Rato. E sempre achei que se tratava de Ridu Rato ou Ridorrato, coisa assim. Mas do jeito que é, acho que quer dizer que o rato morre e a gente fica rindo dele, né?
Sábado, vi pela primeira vez uma latinha de Ri--Do-Rato. Foi no armazém da Gorda, em Tramandaí. A Gorda é parenta do Bino, que também tem armazém, uma quadra depois, junto da caixa d´água. O do Bino é bem melhor, mais limpinho, o da Gorda anda meio relaxado, ela misturou a venda de secos e molhados com um atacado de ração para cachorro, de forma que ficou um ambiente meio sujo e com cheiro de ração e um monte de cães e gatos em volta. Ainda assim a gente vai na Gorda, porque é mais perto.
Mas, voltando ao Ri-Do-Rato, e ao que me levou a este post, cheio de tergiversações: a marca do veneno é um clássico do design! (Não tirei fotos, tentem procurar a imagem no Google)
Ah, sobre o Bento, parece que levaram-no ao hospital de Santiago, 80 quilômetros distante, onde se verificou que ele não ingeriu o veneno ou o fez em dose desconsiderável. Está muito bem, obrigado, o meu primo.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Tá difícil postar. Estou arrasado sem Internet.
***
Mais um domingo em Zero Hora e eu aqui fingindo que é normal. Há cinco anos que faço plantões, na Band, na TVE e agora em ZH. Nunca acostumei. Fico olhando para a tela do computador, tomo um café, leio o Estadão, nada acontece e eu torcendo para que nada aconteça. Se porventura um editor gritar meu nome, meu sangue congelará por uns segundos, eu sei. É impossível encontrar uma fonte num domingo de veraneio.
***
Sim, continuo sem internet e é por isto que esta coisa está sem atualização. Em ZH, não podemos brincar de blógui e em casa, meu computador não conecta. A GVT diz que não tem nada com isso, o técnico assegura que o problema é no modem, a fabricante do aparelho me manda instalar uma nova versão do software e eu continuo sem conseguir conectar. Desesperador.
***
A máxima de que um blógui é uma terapia é tão óbvia quanto verdadeira. Nos minutos que paro para escrever aqui desconecto. De tudo. É como se eu vivesse em um barco, observando a superfície do Oceano. Postar é como mergulhar ligeiramente a cabeça na água e poder ver o que há lá embaixo. Alegoria simplória, filosofia barata, deixa prá lá.
***
Ao menos, nestas semanas sem Internet, acumulei temas para tratar aqui. Ana Gabriela, João Pedro, Flavinha e menina do Peñarol. A confissão de Martha Medeiros. Os títulos das dissertações. Me cobrem.
***
Mais um domingo em Zero Hora e eu aqui fingindo que é normal. Há cinco anos que faço plantões, na Band, na TVE e agora em ZH. Nunca acostumei. Fico olhando para a tela do computador, tomo um café, leio o Estadão, nada acontece e eu torcendo para que nada aconteça. Se porventura um editor gritar meu nome, meu sangue congelará por uns segundos, eu sei. É impossível encontrar uma fonte num domingo de veraneio.
***
Sim, continuo sem internet e é por isto que esta coisa está sem atualização. Em ZH, não podemos brincar de blógui e em casa, meu computador não conecta. A GVT diz que não tem nada com isso, o técnico assegura que o problema é no modem, a fabricante do aparelho me manda instalar uma nova versão do software e eu continuo sem conseguir conectar. Desesperador.
***
A máxima de que um blógui é uma terapia é tão óbvia quanto verdadeira. Nos minutos que paro para escrever aqui desconecto. De tudo. É como se eu vivesse em um barco, observando a superfície do Oceano. Postar é como mergulhar ligeiramente a cabeça na água e poder ver o que há lá embaixo. Alegoria simplória, filosofia barata, deixa prá lá.
***
Ao menos, nestas semanas sem Internet, acumulei temas para tratar aqui. Ana Gabriela, João Pedro, Flavinha e menina do Peñarol. A confissão de Martha Medeiros. Os títulos das dissertações. Me cobrem.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Winnie
Winnie tinha seis anos e cabelos angelicais. Era um doce de criança, um narizinho de batata misturado com ricos cachinhos louros. Morava com a mãe, a tia e a avó - todas muito insanas e muito bacanas - em um sobrado de classe média em um bairro de classe alta de Niterói. Era prima da minha então namorada Rebeca, com a família de quem passávamos uns dias no litoral carioca.
Foi me ver e Winnie se apaixonou por mim. Acho que com ela aprendi a gostar de crianças. Por causa dela, me dei conta que eu então já era um tio para a piazada. Pela primeira vez, estava mais para pai do que para irmão.
Não lembro bem como ela gostava de mim, as coisas que dizia. Sei que estava sempre às voltas, me convidava para brincar de boneca, pulava no colo, conversava, conversava, conversava e fazia bagunça na praia. Eu a levava para tomar banho de mar, ameaçava deixá-la sozinha no fundão. Ela andava na minha garupa na areia. Eu perguntava sobre bonecas e sobre brinquedos e fazia esforço para educá-la.
De repente, aquela menina, cujo súbito amor por mim impressionou a todos, passou a me odiar. Ódio mortal. Por nada. A família não entendeu. Eu tampouco. Fiquei muito constrangido, porque parecia que eu tinha maltratado o anjinho às escondidas. E não havia jeito de reconquistar a guriazinha. Quando fomos embora e ela tinha de voltar para o seu quarto - de onde temporariamente foi desalojada para dar lugar aos hóspedes - se negou.
- Só volto se alguém passar um aspirador pra tirar vermes deste quarto - disse no seu adorável sotaque carioca, externando todo o nojo que passou a nutrir por mim.
Nunca mais via a Winnie. Final do ano passado, me mostraram uma foto dela na formatura da Rebeca. Uma linda mulher de 16 anos, com um chapéu de caubói, e fazendo pose de sem-vergonha. Adorável e perigosa Winnie.
Winnie tinha seis anos e cabelos angelicais. Era um doce de criança, um narizinho de batata misturado com ricos cachinhos louros. Morava com a mãe, a tia e a avó - todas muito insanas e muito bacanas - em um sobrado de classe média em um bairro de classe alta de Niterói. Era prima da minha então namorada Rebeca, com a família de quem passávamos uns dias no litoral carioca.
Foi me ver e Winnie se apaixonou por mim. Acho que com ela aprendi a gostar de crianças. Por causa dela, me dei conta que eu então já era um tio para a piazada. Pela primeira vez, estava mais para pai do que para irmão.
Não lembro bem como ela gostava de mim, as coisas que dizia. Sei que estava sempre às voltas, me convidava para brincar de boneca, pulava no colo, conversava, conversava, conversava e fazia bagunça na praia. Eu a levava para tomar banho de mar, ameaçava deixá-la sozinha no fundão. Ela andava na minha garupa na areia. Eu perguntava sobre bonecas e sobre brinquedos e fazia esforço para educá-la.
De repente, aquela menina, cujo súbito amor por mim impressionou a todos, passou a me odiar. Ódio mortal. Por nada. A família não entendeu. Eu tampouco. Fiquei muito constrangido, porque parecia que eu tinha maltratado o anjinho às escondidas. E não havia jeito de reconquistar a guriazinha. Quando fomos embora e ela tinha de voltar para o seu quarto - de onde temporariamente foi desalojada para dar lugar aos hóspedes - se negou.
- Só volto se alguém passar um aspirador pra tirar vermes deste quarto - disse no seu adorável sotaque carioca, externando todo o nojo que passou a nutrir por mim.
Nunca mais via a Winnie. Final do ano passado, me mostraram uma foto dela na formatura da Rebeca. Uma linda mulher de 16 anos, com um chapéu de caubói, e fazendo pose de sem-vergonha. Adorável e perigosa Winnie.
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Tem algumas pessoas que marcaram bastante minha vida e, coisas da vida, de repente desapareceram. Gente que por alguns dias ou anos gostei demais. Amigos que hoje eu tenho tanta vontade quanto medo de rever: sei que será impossível encontrar neles traços das pessoas que amei. Porque as coisas são assim: passam.
Sexta-feira, dirigindo na free-way, em direção a Tramandaí, elenquei umas cinco figuras para citar aqui. Agora, me lembro apenas de três, melhor anotar logo antes que eu esqueça: João Pedro, Ana Gabriela e Winie. Não sei se já ou daqui a pouco ou amanhã, escreverei algo sobre cada um desses amigos que andam perdido pelo mundo, distantes, bem distantes da minha agenda telefônica.
Sexta-feira, dirigindo na free-way, em direção a Tramandaí, elenquei umas cinco figuras para citar aqui. Agora, me lembro apenas de três, melhor anotar logo antes que eu esqueça: João Pedro, Ana Gabriela e Winie. Não sei se já ou daqui a pouco ou amanhã, escreverei algo sobre cada um desses amigos que andam perdido pelo mundo, distantes, bem distantes da minha agenda telefônica.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Estou sem Internet. Problemas na conexão. Ou no modem? Ou no computador? Tá difícil postar.
***
Diálogo:
- E aí, Pink? - faço um afago na cadelinha cujo nome é uma homenagem à estrela do último BBB.
- Sabe que esta bichinha, eu achei que ela ia se aquietar com a idade, mas continua danada, GIOVANI.
O grifo não é meu. É da dona do estacionamento mesmo. Como ela gosta de enfatizar meu nome, assim como quem se gaba de tê-lo decorado! Impressionante.
***
Parece que ela já está recuperada do episódio do cheque. Depois de umas semaninhas nas quais o Giovani saía meio envergonhado, engasgado, da boca, minha amiga voltou à velha forma.
***
Diálogo:
- E aí, Pink? - faço um afago na cadelinha cujo nome é uma homenagem à estrela do último BBB.
- Sabe que esta bichinha, eu achei que ela ia se aquietar com a idade, mas continua danada, GIOVANI.
O grifo não é meu. É da dona do estacionamento mesmo. Como ela gosta de enfatizar meu nome, assim como quem se gaba de tê-lo decorado! Impressionante.
***
Parece que ela já está recuperada do episódio do cheque. Depois de umas semaninhas nas quais o Giovani saía meio envergonhado, engasgado, da boca, minha amiga voltou à velha forma.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
(ainda sobre Suzy)
E o pior é que uma semana antes eu tinha ficado indignado com uma crônica da Martha Medeiros. A historinha era que ela parou na sinaleira e tinha uma moça chorando no carro ao lado e ela abriu o vidro e estabeleceu-se um papo emocionante. Algo como:
- Tu estás bem, posso te ajudar? - pergunta a colunista
- Não, precisa, vai passar - responde a "personagem", enxugando os olhos com as costas da mão e já esboçando um sorriso.
Enfim, uma historinha assim, comovente. E eu, que tenho um blógui pra abastecer, fiquei puto da vida porque essas coisas nunca aconteciam comigo. E com a desgraçada da Martha Medeiros, que tem uma coluna por semana, elas aconteciam bem na véspera de Natal. Com sorte assim, qualquer um poderia ser colunista.
Juro que foi isso que pensei...
E o pior é que uma semana antes eu tinha ficado indignado com uma crônica da Martha Medeiros. A historinha era que ela parou na sinaleira e tinha uma moça chorando no carro ao lado e ela abriu o vidro e estabeleceu-se um papo emocionante. Algo como:
- Tu estás bem, posso te ajudar? - pergunta a colunista
- Não, precisa, vai passar - responde a "personagem", enxugando os olhos com as costas da mão e já esboçando um sorriso.
Enfim, uma historinha assim, comovente. E eu, que tenho um blógui pra abastecer, fiquei puto da vida porque essas coisas nunca aconteciam comigo. E com a desgraçada da Martha Medeiros, que tem uma coluna por semana, elas aconteciam bem na véspera de Natal. Com sorte assim, qualquer um poderia ser colunista.
Juro que foi isso que pensei...
É impossível achar cachorros em noites de Ano Novo
Esta coisa de Ano Novo ainda me deixa tenso. Seis da tarde e os caras, nervosos, sem saber o que fazer, pipocando foguetes a esmo – fico desnorteado. Para aliviar, dia 31, pouco antes das onze da noite, resolvi dar uma volta a pé pelas ruas de Tramandaí, pensar no sentido da vida.
O calcanhar para fora do chinelo encostando no paralelepípedo, só isso já me descarregaria. Mas ainda dava pra bisbilhotar cada uma das casas - de noite as ruas ficam escuras, e os lares, bem iluminados. As famílias, todas meio tristes, meio felizes, com seus dramas típicos e profundos, do tipo: será que esperamos a meia-noite para servir a ceia? Adoro isso!
Flanei livre pela praia, até ser interrompido por um casal. Portavam uma lanterna e estavam desesperados, o cara e a mocinha. Procuravam algo como se procura nos desenhos animados, de forma teatral, exagerada, absurda até. Perguntaram se eu não vira um cachorro, assim, tipo bege, uma foxezinha meio vira-lata, Suzy (por que diabos eu acho que é com “Y”?), bem velhinha. Respondi que os foguetes assustam os bichos e eu apostava que ela estava dentro do armário, como meu cachorro Platão costumava fazer. Mas eles não deram bola.
Continuei caminhando e a cada quadra vinha mais gente perguntar do cachorro - era mesmo um batalhão à caça de Suzy. Em frente à casa da fujona, uma menininha, uns 8 anos, chorava copiosamente junto a outras crianças. Tentei consolá-la, dizendo que enfim eu mesmo já tinha perdido dois cachorros, que eles normalmente são achados dias depois, que ela tivesse paciência. Nessa hora eu já havia me incorporado às buscas e também já tinha desistido delas, vocês sabem, é totalmente impossível achar um cão em noite de Ano Novo.
Triste com a fuga de Suzy, voltei para casa sem paciência para bisbilhotar lares. Caminhei, meio perdido (eu sempre me perco em Tramandaí), desolado. Foi então que, lá longe na esquina do armazém abandonado, distingui um bichinho. Corri, corri, corri, dobrei a quadra, e cheguei perto. Chamei: tstststststs, vem cá, tstststs, e o cãozinho veio. Com medo de ser mordido, peguei-o no colo. A cada foguete o pobrezinho tremia, e eu passava a mão no focinho, calma, calma, pronto, pronto. Suando de nervoso, voltei à casa da menininha chorona.
- Gente, se não for esta aqui, eu mato vocês – disse, inoportuno.
E a família veio abaixo, e as crianças se atiraram aos prantos em cima da cachorrinha, e as velhas vertiam lágrimas, e ninguém acreditava. Ficaram tão emocionados, que esqueceram até de me agradecer. Fiquei meio chateado, mas não tinha problema. Era quase meia-noite e eu voltei para casa feliz, me achando o anjo que saiu para fazer uma família feliz.
Esta coisa de Ano Novo ainda me deixa tenso. Seis da tarde e os caras, nervosos, sem saber o que fazer, pipocando foguetes a esmo – fico desnorteado. Para aliviar, dia 31, pouco antes das onze da noite, resolvi dar uma volta a pé pelas ruas de Tramandaí, pensar no sentido da vida.
O calcanhar para fora do chinelo encostando no paralelepípedo, só isso já me descarregaria. Mas ainda dava pra bisbilhotar cada uma das casas - de noite as ruas ficam escuras, e os lares, bem iluminados. As famílias, todas meio tristes, meio felizes, com seus dramas típicos e profundos, do tipo: será que esperamos a meia-noite para servir a ceia? Adoro isso!
Flanei livre pela praia, até ser interrompido por um casal. Portavam uma lanterna e estavam desesperados, o cara e a mocinha. Procuravam algo como se procura nos desenhos animados, de forma teatral, exagerada, absurda até. Perguntaram se eu não vira um cachorro, assim, tipo bege, uma foxezinha meio vira-lata, Suzy (por que diabos eu acho que é com “Y”?), bem velhinha. Respondi que os foguetes assustam os bichos e eu apostava que ela estava dentro do armário, como meu cachorro Platão costumava fazer. Mas eles não deram bola.
Continuei caminhando e a cada quadra vinha mais gente perguntar do cachorro - era mesmo um batalhão à caça de Suzy. Em frente à casa da fujona, uma menininha, uns 8 anos, chorava copiosamente junto a outras crianças. Tentei consolá-la, dizendo que enfim eu mesmo já tinha perdido dois cachorros, que eles normalmente são achados dias depois, que ela tivesse paciência. Nessa hora eu já havia me incorporado às buscas e também já tinha desistido delas, vocês sabem, é totalmente impossível achar um cão em noite de Ano Novo.
Triste com a fuga de Suzy, voltei para casa sem paciência para bisbilhotar lares. Caminhei, meio perdido (eu sempre me perco em Tramandaí), desolado. Foi então que, lá longe na esquina do armazém abandonado, distingui um bichinho. Corri, corri, corri, dobrei a quadra, e cheguei perto. Chamei: tstststststs, vem cá, tstststs, e o cãozinho veio. Com medo de ser mordido, peguei-o no colo. A cada foguete o pobrezinho tremia, e eu passava a mão no focinho, calma, calma, pronto, pronto. Suando de nervoso, voltei à casa da menininha chorona.
- Gente, se não for esta aqui, eu mato vocês – disse, inoportuno.
E a família veio abaixo, e as crianças se atiraram aos prantos em cima da cachorrinha, e as velhas vertiam lágrimas, e ninguém acreditava. Ficaram tão emocionados, que esqueceram até de me agradecer. Fiquei meio chateado, mas não tinha problema. Era quase meia-noite e eu voltei para casa feliz, me achando o anjo que saiu para fazer uma família feliz.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Assinar:
Postagens (Atom)