sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A "moinhosdeventização" do MontSerrat

Foi com um único galho de jacarandá que MontSerrat me conquistou. Eu já tinha conversado com centenas de corretores, visitado dezenas de apartamentos e estava cheio da busca por um novo lar. Até que entrei no que hoje é minha casa, caminhei até a janela do dormitório principal e dei de cara com aquele braço da árvore querendo me tocar.
O verde foi o primeiro artifício que o bairro usou para me seduzir. Ao longo desses oito meses que estou aqui, fui descobrindo outros atributos. Um deles me encanta mais: é este ar de comunidade do Interior que o comércio ao redor da minha casa dá à zona. Antes de tudo, preciso esclarecer: moro no baixo MontSerrat, quase Auxiliadora. Da maior parte do meu bairro pouco sei - aliás quem tem coragem de escalar este monte? Viver subindo e descendo lomba é coisa de cabrito, que me perdoem meus vizinhos lá do alto.
Mas, como ia dizendo, é um varejo simples, este que tem aqui pela Silva Jardim, Eudoro Berlink e adjacências. Uma padaria destas que vendem cerveja, um bar destes que vendem cachaça, Correios (e quem ainda escreve cartas?), ferragens, mercadinhos (no MontSerrat, até o Zaffari, na Anita Garibaldi, parece um minimercado), estas coisas... Além de, é claro, milhares de pet shops e de cabeleireiros - cabeleireiros de todos os tipos, dos finos às tantas estéticas improvisadas em garagens. O mais bacana é que tudo isso está a algumas quadras de alguns dos bairros mais chiques da cidade: Moinhos de Vento, Bela Vista, Petrópolis.
Agrada-me muito esta singeleza do MontSerrat. Mas tenho medo de que ela se vá. Noto um movimento de "moinhosdeventização" dos entornos de casa. Primeiro, foi a Body One, uma das academias mais badaladas da cidade, já instalada quando eu cheguei. Depois, uma linda loja de doces argentinos (Media Luna), uma parrilla (Barbanegra) e uma pet shop (Bicho Papão) que só falta ala VIP - todos inaugurados no ano passado e a menos de uma quadra um do outro.
Não que eu não goste de ter coisas boas e finas perto de casa. Gosto. Mas receio que as coisas simples e este ar de pequena comunidade do bairro se esvaiam. Receio.

SEBASTIÃO RIBEIRO Repórter de Economia de ZH, morador do MontSerrat (texto publicado no ZH Bela Vista).

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Quase sempre no MSN a gente é mais direto do que num blógui.


sebastiao diz:
é muito engraçado casar. todo mundo fica sabendo imediatamente que tu vai casar.
sebastiao diz:
daí tu descobre que as pessoas falam de ti - e normalmente devem falar mal - por causa disso
Dinho diz:
é, né. também acho engraçado isso
Dinho diz:
é uma noticia que se espalha logo e todo o mundo comenta
sebastiao diz:
e é engraçado que comentam pessoas nada a ver, com quem tu nem te relaciona. e daí tu te sente parte do mundo. embora isso não signifique nada
Dinho diz:
é bem assim mesmo (nota do editor: pela experiência manifesta, este já deve ter casado dezenas de vezes)
sebastiao diz:
ei. vou publicar isso no blógui

terça-feira, janeiro 29, 2008

"Incêndio atinge Estação Ecológica do Taim". Alguém me explica como um banhado pode pegar fogo?
***
E este vento norte, hein?, atacando as ventas e batendo as portas...
 

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Ontem fui ao Mercado Público. Mostrá-lo a um amigo romeno. Comprei erva-mate e amassador de limão para caipira. Quando vi, estava sem dinheiro para o estacionamento. Fui ao Banrisul da Otávio Rocha. A máquina me informou que eu estava impedido de sacar por ter meu limite estourado. Me desesperei. Aí lembrei da Banca 43. Voltei ao Mercado e disse pro vendedor que meus pais e meu tio Paulo eram clientes há anos ano e que ele me quebrasse o galho. Pedi para comprar algo e pegar o troco do cheque em dinheiro. Procurei por algo para dividir com os colegas de trabalho, mas só achei uns mix de nuts. Quando ia pagar, olhei para v itrina e vi um cachimbo e fumos. Fumar cachimbo era uma das minhas metas para 2008. Não tive dúvidas. Peguei o cachimbo e um saquinho de fumo, dei um cheque de R$ 43 e peguei uma nota de R$ 5. O vendedor ainda me perguntou que diabos eu queria com umc cachimbo, ao que eu respondi fumar como o Tio Paulo. Conclusão: para pagar o estacionamento gastei R$ 50 e passei um cheque voador.
 
***
À noite, acendi o cachimbo e me servi de whisky 18 anos. Fiquei uns minutos assim na sacada, tomando ventinho frio. Era para ser o ápice do viver. Mas descobri que o cheiro do cachimbo é melhor para os outros do que para quem fuma. Bom mesmo é ficar cheirando o fumo no saquinho. 

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Desde aquele filme do Woody Alen, ela sempre foi tudo pra mim. Uma verdadeira ídala (sic). Okey, sou o pior fã do mundo, não a acompanho pela Internet, nem tenho um pôster guardado na gaveta do escritório. Sequer penso nela quando estou na cama com minha mulher, quando, aliás, só penso em minha mulher. Mas, enfim, uma ídala, uma verdadeira ídala.

Agora, vem esta notícia:

Scarlett Johansson, de 23 anos, deve realizar uma viagem de cinco dias pela região, segundo apontou a USO (uma organização sem fins lucrativos fundada há 66 anos, que fornece serviços recreativos e de bem-estar geral para os militares americanos e suas famílias), que não especificou as cidades pelas quais passará a atriz.
Durante sua estadia na região, a atriz visitará diversas instalações militares, cumprimentará seus fãs, dará autógrafos e conversará com os membros das Forças Armadas.
"Esta viagem pelo Golfo representa muito para mim. Sempre quis visitar o Golfo, e agora chegou o momento", assinalou a atriz. "Uma coisa é responder uma carta ou felicitar os soldados em um discurso; outra, bem diferente, é visitá-los e passar tempo com eles, que fazem tanto por nós", acrescentou.

Meu Deus, que decepção! Como o menino que descobre que o pai não é o superman, ...

(só uma pausa aqui para eu contar que acabei de agarrar um mosquito com a mão, eu sou foda!)

...como eu ia dizendo, como o menino que descobre que o pai não é o superman, acabei de descobrir que minha ídala é só uma menina de 23 anos, vulgar e babaca, que obviamente vai fracassar na tentativa de dirigir precocemente seu primeiro filme (sobre isso eu li, li sim, claro que li). Vulgar, porque indo até os soldados ela me lembra dos shows da Gretchen para caminhoneiros e nos presídios. Vamos combinar: a Gretchen pode; ela, não.

Babaca porque indo até lá ela estará apoiando (modo revista, bleargh, Carta Capital on) A GUERRA DE BUSH. Veja bem, eu não costumo falar sério neste blógui. Mas vamos falar sobre A GUERRA DE BUSH.

Pra começar não há nada de moralmente condenável em intervir em um Estado para terminar com um regime bárbaro e implantar uma democracia. Por mim, que se fodam todos os radicais islâmicos que não suportam outras maneiras de crer e de pensar e todos filhasdasputa ditadores, incluindo o Chavez e o Fidel, pelo qual, no entanto, nutro uma tremenda simpatia. Portanto, os princípios DA GUERRA DE BUSH não são do mal, e eu quero um mundo democrático e igualitário no futuro. Um mundo do bem.

No entanto, o Bush fez tudo errado. Primeiro, por se achar ele mesmo o dono do mundo iniciando uma guerra sem o aval jurídico da comunidade internacional. Segundo, porque na verdade foi tudo mesmo um desastre. Tiraram o Sadam e aquilo ficou um caos, gentes continuam morrendo feito o mosquito que acabei de matar e não se vê perspectiva alguma de melhora. Fica então impossível não admitir que esta política unilateral intervencionista não leva a mais justiça, a mais democracia e a mais nada, a despeito de se apoiar nesses nobres valores (refirmo-me a justiça e democracia, já que não sei se "nada" é um nobre valor, se bem que acho que sim).

Por isso, que se foda a Scarlett e que comam o rabo dela por lá. À força, para ela ver que guerra não é brinquedo.

Rapaz, eu devo realmente ter bebido uma taça de vinho para estar escrevendo este monte de coisa séria. Ou quase séria.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Hoje a Lurdete Ertel contou na coluna dela que está para sair um filme 3D dos Smurfs. Eu fui lá perguntar se ela tinha colocado a "foto" da Smurfete porque se achava parecida com ela, ao que me respondeu que nada ver, que se fosse assim qualquer loira podia ser a Smurfete, e que a mocinha tava lá porque mais Smurf Girls e Smurf Babies seriam incorporados à sociedade patriaracal dos Smurfs. Depois, ela ouviu com algum desinteresse fingido minhas reflexões acerca do comportamento sexual da Smurfete - teria ela relações sexuais com todos os Smurfs, seria ela mãe de todos os Smurfs, seria ela realmente uma mulher promíscua? Tanta bobagem, ao fim e ao cabo, resultou em um ensinamento importante, me transmitido pela nobra colunista, que gostaria de dividir com os leitores mais desatentos, como eu. A história oficial é a seguinte: a Smurfete foi uma criaça do Gargamel para seduzir os Smurfs e levar seu criador à aldeia dos azuizinhos. Por alguns capítulos ela foi do mal, mas depois transformou-se em do bem e incorporou-se de corpo e alma aos Smurfs. Quanto ao comportamento sexual da única Smurf fêmea, não há referências oficiais.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Eu sinto, quando vou tirar o gato de cima da cama para arrumá-la, o olhar de perplexidade dele. O pobre não consegue entender por que diabos todos os dias - tá, quase todos, ou às vezes - preciso puxar os lençóis e o edredon, se isso não interfere em nada na função da cama, que, enfim, é ser fofinha para que eu, a Rafa e ele possamos... deitar e descansar. Que mania esta dos humanos de querer estabelecer regras inúteis para as coisas, acham que colocando ordem no mundo conseguirão dominá-lo. Tem vezes que a gente se combina: eu com minha mania e ele com a razão dele. Então, eu estendo a cama sem retirá-lo, ele uma bolinha por debaixo do lençol e do edredon até sentir calor e escapar por um cantinho qualquer e se restabelecer na superfície fofa de novo.

sábado, janeiro 05, 2008

A tarefa é curtir ao máximo a festa de casamento. Eu, que adoro champanhas, começo por me embrenhar no fabuloso mundo dos espumantes. Minha meta é chegar ao fim do processo escrevendo um texto como o feito por estes caras. Bizarro e sensacional - ao mesmo tempo. Aliás, você acredita que um simples espumante encerre tantos sabores?

"Provamos o Cave Geisse Brut 2004, um corte de 70% Chardonnay e 30% de Pinot Noir, com perlage fino e intenso. Um espumante que privilegia o frescor com notas de maçã verde e abacaxi , com boa cremosidade e acidez na boca, confirmando o nariz e encerrando em passas de uva clara. Com o tempo em taça, mostrou um traço de óxido de ferro no nariz evocando imediatamente as pedras em decomposição no terreno . Nesse momento, Rodrigo Machado com o nariz dentro da taça, olha para o barranco pedregoso e afirma estar no nariz com o aroma das pedras que ele estava mirando, de pronto Mário, com o sorriso de uma descoberta, corre até o local e volta com vários cascalhos na mão e de fato confirmamos o aroma. O espumante seguinte foi o Cave Geisse Nature 2004, exatamente com o mesmo corte do anterior, sendo a única diferença, a ausência açúcar. Mostrou ser mais austero no nariz com aromas frescos e cítricos e uma intensa nota mineral cristalina. Na boca tem excelente acidez, mostrando algumas notas de cítricos, avelãs e casca de limão, encerrando em frutas claras e uma forte nota mineral. Passamos então para o Cave Geisse Terroir 2003, com degourgement feito em 05/2007, um espumante muito elegante, com perlage finíssimo, abundante, formando um colchão delicado. Manteiga, cítricos, couro e manteiga de cacau no nariz, passando por ameixa em passa e um fundo mineral. Na boca é de corpo médio a encorpado, muito cremosa, com agulha muito fina e delicada que persiste até o vinho ser engolido. A Pinot Noir se destaca com notas animais e couro. Também mostra notas de abacaxi e aniz com uma persistência superior a um minuto, lembrando mel branco e avelãs. Este espumante foi recentemente avaliado por Robert Parker, que não publicou a nota na Wine Advocate por este vinho não estar disponível no mercado norte-americano. Digamos que foi uma nota bastante próxima da nota que demos, para cima. Para encerrar, provamos o "polêmico" Cave Geisse Brut Rose 2003 que agora mostra uma tonalidade mais evoluída. Rosa âmbar com perlage fino e persistente, formando colchão uniforme. No nariz mostra morango em geléia e uma nota de óxido de ferro. Na boca tem corpo médio, boa acidez e equilíbrio, mostrando morango, cereja e mirtilos frescos somados a pétalas de flores, toques de couro e mel. Persistência de 35+ ecoando mirtilos com discreto amargor final. (sic)"

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Semana das matérias bobinhas que adorei fazer. Esta teve o título "Na Tentativa de Corrigir Papai Noel", mas não deu para sair na íntegra no jornal. A foto é do Maionese, vulgo Ricardo Duarte. Ops, o contrário.

"O helicóptero que não voa, o dinossauro que não caminha, o carro que não completa o looping, a moto que não obedece ao controle. Para todos esses problemas, Marcelo Lopes. Deslocado do setor de estoque de uma rede de lojas de brinquedos da Capital para uma filial em um shopping, Lopes virou a última esperança para pais ansiosos após mais de 24 horas de lamentações de filhos frustrados com presentes que, ao ligar, não funcionaram.
O técnico em eletrônica passou o dia tentando tirar o beiço de crianças como Bernardo, sete anos, que, na noite do dia 24, viu que seu novo dinossauro de controle remoto não caminhava direito._ Por que ele não está caminhando, papai? Chama o Papai Noel de volta, mamãe. Chama... _ apelou, antes de cair no choro.
Papai Noel não voltou, e a mamãe, a estudante Luciana Santana, acompanhada do pai, o programador Jerônimo Queiroz, tiveram de apelar para Lopes. Na tarde de ontem, observavam com expectativa o técnico avaliar o brinquedo. Mas nada de o dinossauro dar passos para a frente. Em vez disso, insistia em uma dança desencontrada, dando voltas em torno de si mesmo. Tão desajeitado, que um adolescente peralta, diante dos olhos dos curiosos, ensaiou um rebolado e arrancou risos da platéia:
_ Até eu mexo melhor que ele.
Ao fim, o dinossauro trapalhão foi trocado por outro igual, mas mais coordenado. A mesma sorte não teve o casal de médicos Jorge e Andréa Alves. O "presente" deles para Lopes era uma pista de corrida sobre a qual um carrinho impulsionado por um motor deveria dar loopings até ser engolido ou amassado por um gorila assassino. O problema é que na engenhoca, dada ao filho Eduardo, cinco anos, o carrinho caía do alto ao dar as voltas, tendo um final bem menos glamouroso do que a goela do macaco. Depois de trocar as pilhas, o carrinho e o motor propulsor e de reconstruir a pista, sempre orientado por Jorge _ já craque na montagem dos trajetos _ Lopes jogou a toalha.
_ Acho que eles têm de recolher isso, porque os pais ficam cheios de expectativa ao dar para os filhos e depois não funciona _ queixou-se Andréa, antes de sair com um vale para troca por outra mercadoria.
O próximo "paciente" de Lopes foi um cão salsicha, de óculos escuros e lenço na cabeça, cuja habilidade é cantar rap enquanto dança e mexe as patinhas. O problema é que, a cada movimento, o cachorro fazia um barulho como se todos seus "ossos" estivessem quebrando. Transformado em "veterinário", o técnico em eletrônica disse ter condições de curar o brinquedo, mas precisaria de uns bons 10 dias. Sem um similar no estoque, a mãe, a advogada Kátia Moyses, teve de aceitar deixá-lo no conserto, ainda que tenha de enfrentar o choro compulsivo do filho Gabriel, de quatro anos.
_ Não adianta, não tem escolha. Ele quer o cachorro mesmo _ diz."

terça-feira, dezembro 25, 2007

Eu não sou um cara legal. Mas esses dias fiz uma coisa legal. Há tempos estava louco para contar aqui, mas, de tão louco, não postei. Agora que não estou mais louco, vou dizer.
Desde sempre a Rafa me fala da amiga Tati Kern, elo perdido entre a infância e a adolescência dela. Juntas, elas faziam as mil Barbies copularem com o único Bob (ou seria Ken?) da coleção, o sujeito mais feliz de toda a história dos brinquedos. Juntas, passavam horas folheando edições da Fluir, porque queriam namorar surfistas, e, afinal, precisavam de informações para seduzi-los. Juntas, assistiam sem parar à reprise do show do Guns no Rock In Rio, para depois trocar juras de amor:
_ Rafa, tu jura que se o Axl (Rose) chegar em ti tu não vai ficar com ele?
_ Juro. Juro.
E se abraçavam...
Foi a Tati Kern quem empurrou a Rafa para o seu primeiro beijo, aos treze anos, porque, afinal, era um absurdo uma menina de treze anos nunca ter beijado. Sorte do feioso do Artur.
Mas, como todas as grandes paixões, a das duas amigas esmoreceu. A Tati Kern trocou de colégio, saiu do Americano, elas foram se afastando, afastando, até se perderem por completo. Até que um dia chegou o Google e o Orkut, e a Rafa se encheu de esperança. Vã esperança, porque a Tati Kern simplesmente não existe no mundo virtual.
A Rafa cresceu, virou mulher, noivou, desnoivou, juntou, decidiu casar, e nada da Tati Kern. Cada vez que alguma coisa a fazia lembrar da antiga amiga, suspirava "ah, a Tati Kern". O último suspiro foi um dia desses, quando estávamos em um restaurante e passou a filha de uns amigos dos meus pais, antiga colega de colégio da Rafa: "ah, esta é a Joana, também conhecia a Tati Kern...".
Eu já não agüentava a situação e resolvi agir, fazer o que há muito tempo planejava. Liguei pra minha mãe, que me deu o telefone da Heloísa, que me deu o telefone da Maria Isabel, que é mãe da Joana e me deu o telefone da Joana, que me disse que lembrava da Tati Kern mas não tinha contato com ela, mas que a Tati Tavares deveria tê-lo.
_ Nossa, a Tati Tavares da Zero Hora? - perguntei.
_ Ela mesmo.
_ Ah, que coincidência, sou colega dela. Deixa comigo. Muuuito obrigado.
De forma que liguei pra Tati Tavares e peguei o telefone da Tati Kern. E foi com o coração a mil que liguei pra ela e disse "Tati, tu não me conhece, mas sou marido de uma grande amiga de infância tua, ela vive falando de ti, eu gostaria que vocês se encontrassem". E foi com muita felicidade que encontrei nela eco para toda a minha empolgação e combinamos de fazer uma surpresa para a Rafa.
Demorou três semanas até o encontro acontecer _ não era tão simples assim, a Tati Kern mora em São Leopoldo, é casada e tem um filhinho pequeno, é veterinária, trabalha pra caramba e vem pouco a Porto Alegre. Durante esse tempo, cheguei a sonhar com a surpresa, e falei umas quatro vezes por telefone com a Tati Kern _ vocês já notaram que eu adoro dizer Tati Kern, né? Tati Kern, muito sonoro.
Então, o grande dia chegou. Era domingo à tarde e a Rafa nervosa porque eu passara a semana toda prometendo uma surpresa. E eu nervoso porque não sabia se ficava em casa ou saía, para fazer o tempo passar até que a Tati Kern me ligasse anunciando a chegada. De forma que resolvi fazer um churrasco em casa, mesmo, para não correr o risco de estar fora quando ela chamasse.
Lá pelas 15h, toca o telefone. Era ela. Já esperava na rua. Chegava junto com os pais da Rafa, convidados pro churras. E trazia o filhote e o maridão. Mandei a Rafa sentar-se em uma cadeira e fechar os olhos. Desci suando de nervoso para abrir a porta. Incrível, mas quando vi o rosto da Tati Kern, parecia que eu mesmo a conhecia há anos. Foi mais ou menos como quando conheci a Laura, namorada do Fabiano _ mas esta história fica só para os que a conhecem.
Conduzi a Tati até o apartamento. Ela subiu pé por pé a escada até encontrar a Rafa sentada, de costas, olhos fechados. Pedi para que ela vendasse os olhos da Rafa com as próprias mãos. Seguiram-se um dos momentos mais emocionantes dos últimos tempos. A Rafa começou a tatear o rosto da amiga. O nariz, a boca, os cabelos. A Tati Kern, quieta, deixou escapar um suspiro, um respiro, produzindo um vento na nuca da Rafa e um grunhido. E a Rafa gritou: "Tati!!!!!!!!!!!! Eu não acredito!!!!!!!!!"
As duas se abraçaram forte, muito forte. Por vezes, separavam-se e voltavam a se abraçar. O mais emocionante é que se tocavam, se tateavam, como se não acreditassem na materialidade dos corpos. Eu tive de virar de costas para não ver mais a cena e não começar a chorar.
O filhinho e o marido da Tati Kern são uns queridos. Passamos uma tarde muito legal lá em casa. A Rafa e a Tati Kern conversavam com naturalidade e intimidade de quem nunca se separou. Espero que elas possam voltar a ser as amigas que eram, ainda que hoje saibam que o Axl nunca vai chegar na Rafa.
Quanto a mim, fiquei muito orgulhoso da surpresa que armei. Ainda mais quando a Tati Kern disse que, durante os dias que antecederam à surpresa, contou a várias pessoas sobre a situação e, em vez de ouvir como resposta "nossa, que legal, vais encontrar uma grande amiga perdida", ouviu sempre "nossa, como o marido da tua amiga é legal".
A propósito: agora a Tati Kern, tão avessa ao computador, já existe no mundo virtual.

domingo, dezembro 23, 2007

Como eu gosto de fazer matérias bobas sobre comportamento. Como eu odeio quando falta espaço par publicá-las na ítegra. Como eu gosto de ter um blógui com espaço infinito. Ah, a foto é de Genaro Joner, e a matéria inteira saiu na ZH de domingo e em zerohora.com, aqui.


Até o fim do estoque

- Licencinha, licencinha... Licença! Nossa, hoje o trânsito está difícil aqui - pede passagem um vendedor.

A quatro dias da véspera de Natal, é quase impossível andar pelos corredores da loja de sapatos encravada na Esquina Democrática, o centro do centro de Porto Alegre. Em meio ao amontoado de clientes, os vendedores, num vai-e-vem frenético, pedem licença, contorcem-se tentando desviar, mas, às vezes, para abrir caminho entre os colegas, só com o cotovelo mesmo.

Os poucos espaços vazios do salão parecem ser preenchidos pelo agito da axé-music de Ivete Sangalo, que dita o ritmo das vendas. Com um sorriso discreto no rosto, a vendedora Noemia Costa parece indiferente ao clima de confusão. Ajoelhada aos pés de duas clientes, ajuda-as a calçar a sexta sandália que experimentam. Quando percebe ser necessário um número maior, pede para que aguardem e ruma para uma filial da empresa localizada a 170 metros da loja.

Noemia percorre a distância a passos largos, quase de marcha atlética. Normalmente, iria correndo, mas sente uma certa vergonha na presença do repórter. Fôlego não falta. Aos 49 anos, ela malha uma hora por dia. No entanto, desde o início de dezembro, por conta de um aumento de oito para 10 horas na carga horária de trabalho, o tempo de exercício na academia foi reduzido para 15 minutos diários. Em compensação, a ginástica na loja se multiplicou com o aumento do movimento

.- Isso aqui é uma academia. A gente passa o dia subindo e descendo escada. E se calcular tudo que a gente anda por dia trabalhando acho que dá para ir até minha casa, quase lá em Gravataí - brinca.

Depois de cerca de 10 minutos, Noêmia volta à loja e encontra as clientes no mesmo lugar. Enquanto entrega a sandália que buscou, já sai em disparada rumo ao porão, onde fica o estoque local. Apesar do labirinto de corredores, ela sabe direitinho onde está cada produto. É a funcionária mais antiga da empresa, tem 27 anos de casa _ as colegas a chamam carinhosamente de "Véia". Mesmo com tanto tempo na atividade, não perde a vontade de trabalhar e de aproveitar ao máximo o período de Natal para faturar mais.

- A gente cansou de brigar com o sindicato (dos comerciários) para não precisar folgar toda semana nesta época. Queríamos negociar para tirar as folgas em janeiro, quando o movimento é menor - reclama.

No piso superior, a correria só aumenta: uma cliente esbaforida pergunta pela sandália da Sandy, a portinhola estilo saloon de faroeste que dá acesso ao balcão da caixa não pára de ranger, os atendentes acumulam-se em torno do computador no qual se faz consulta aos estoques, um segurança de colete à prova de balas e roupa preta que lembra os soldados do filme Tropa de Elite dispara olhares para todos os cantos. É para esse ambiente que Noêmia volta, com uma sandália na mão, retomando seu posto aos pés das duas clientes. Uma delas experimenta a última opção de calçado e decide a compra.

Nemia retira da pochete, onde guarda a calçadeira e os cartões da loja, a "previsão" _ boleto que, quando apresentado pelo cliente no caixa, garantirá sua comissão _, onde anota a compra de R$ 64,90. O olhar não esconde uma certa decepção por ter vendido tão pouco após um atendimento de mais de 20 minutos. Mas o Natal não reserva tempo para lamentações. A vendedora recolhe as caixas de sapato que ficaram no chão, e leva ao estoque. Na escada, deixa quatro sandálias caírem no chão, dá uma risada, convida o repórter para trabalhar de auxiliar e junta tudo. É hora de correr para a porta e fisgar o próximo cliente.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Para mim, poucas coisas no mundo são mais fantásticas do que o nó na gravata do Brossard.
(Na foto, ele está mais jovem e o nó, mais apertado do que o habitual).

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Há dias que tenho algo legal para postar aqui. Mas me falta tempo sempre. Por enquanto, tenho apenas duas coisas muuuuuuuuito importantes para comunicar:
1) Me acordei às 7h hoje e fui à academia. Mais do que ser apresentado à luz diáfana do nascente e ver as tias desquitadas malhando, senti o cheiro da manhã. Como vocês sabem, meu nariz é enorme e tenho "papilas olfativas" (sic) muito apuradas. A propósito: são 17h e estou que é um caco.
2) Nunca aprendi a teclar sem olhar o teclado. Sou abobado?

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Todo o fim de ano, gentilmente, o Sindicato da Indústria de Produtos Suínos manda uma cesta, que na verdade é uma sacola, com, obviamente, produtos suínos. Eu sempre pego o presunto para mim e, como é praxe, divido o resto com os colegas. Resumindo, a galera fica com o salame. E com a copa. Mas ganha quem apresentar frases sobre salame. E sobre copa. As vencedoras deste ano:
 
Quem nasceu pra linguiça, nunca chega a salame. - MARI MUNIZ

Salame e copa é melhor que viajar pra Europa. - SILVIA LISBOA

O Tião acopla o salame, quer dizer, a copa e o salame nasceram um pro o outro. - TATI CRUZ

Uma frase que chegou atrasada levou o prêmio consolação.

Se o Dunga não melhorar a Seleção para a próxima Copa, ficaremos todos com cara de salame. - PAULO GERMANO.

 

 

Nossa, que falta de ar.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O mundo está doido. Enquanto os sul-coreanos criaram gatos fluorescentes, cientistas japoneses fizeram ratos que não temem gatos (que não brilham).

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Sempre ouvi falar que, quando a gente deixava o sedentarismo e adotava uma rotina de exercícios, sentia-se mais disposto. Como sabem, tenho mem mexido diariamente. Estou destruído e cansado. 

sexta-feira, dezembro 07, 2007

O cara é um blasonador, um bravateador, um bufão, um verdadeiro ferrabrás. O cara é um arrotador, alardeador, um blasoneador, um basófio, um grande pimpão. O cara é um pretensioso, um presunçoso, um rebolão, realmente um pabola. Para usar o termo da moda, o cara é um fanfarrão. Um fanfarrão!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Fui na nutricionista. Esporadicamente, vou na nutricionista. Não funciona, eu sei. A culpa é minha, só minha. Mas, sei lá, eu e a nutricionista, a gente se dá bem, bate-papo, faz piada. Mais importante: é só no consultório que tomo coragem para subir na balança. Acho que ando meio mulherzinha, mesmo, me preocupando com estas coisas de corpo. Enfim...
O seguinte: tou meio pesado. Muito pesado. Pra não dizer gordo, palavra grotesca. Ok, Ok, eu (quase) sempre fui gordo, e ainda mais gordo que a maioria pode pensar. Nenhuma novidade, então. Apenas uma revolta com as regras da vida.
Porque, ano passado, andei meio mal. Down, deprê, na fossa. Por uns bons três meses. Nessa época, sem esforço algum, emagreci quase dez quilos. Cheguei perto do peso ideal. Olha, nem quero o peso ideal, não sou de utopias. Sempre quis um peso normal, e era justo o que tinha atingido. Mas quanto mais bonito ficava meu corpo, mais baços e menos capazes de ver a beleza do mundo ficavam meus olhos. De que adianta ser magro e triste? Pergunta que me faz lembrar a frase do Tim Maia citada na biografia escrita pelo Nelson Motta e que foi reproduzida pela Veja. Pois o Síndico resolveu iniciar um regime: “em duas semanas de dieta, perdi 14 dias”, concluiu ele.
Agora, a minha última visita à nutricionista me fez perceber uma cruel relação entre felicidade e peso. Porque, sim, eu ando muito feliz. Domingo, cheguei a abrir uma champanha às 11 da manhã para celebrar a vida, o sol, as plantas e a mangueira da minha laje (ok, a champanha era da marca Garibaldi, podre de ruim e de bagaceira, e me deixou abobado o resto do dia, mas isso é detalhe). Parece não haver dúvidas de que a felicidade é diretamente proporcional ao peso, ou, por outra, o peso é diretamente proporcional à felicidade.
Isso não é uma tese infundada. É conclusão científica, baseada em anos de observação de um ser – no caso, eu mesmo – submetido a diferentes condições psíquicas. A ligação entre gordura e felicidade faz parte do ser humano. Quanto mais feliz o vivente fica, mais ele tem vontade de comer, menos ele tem culpa por sentir prazer e, por isso mesmo, mais feliz ele fica. Donde concluo que esta obsessão moderna pelo corpo e pela magreza vai contra as regras da natureza. De novo, estamos querendo questionar o que Deus criou.
Eu queria terminar este post aqui. Mas minha sinceridade não permite. Tudo bem, eu confesso: comecei academia. Mas não deixei e nunca vou deixar de achar exercícios físicos uma tortura. Ok, um futebolzinho, uma partida de padel até valem a pena – e se valem. Mas jogging, bicicleta, musculação, natação e outros esportes individuais são para matar. De tédio. De sofrimento.
Não entendo como tem gente que pode ficar feliz correndo. Dizem que exercícios ajudam na produção de serotonina, susbtância associada à felicidade. Mas chocolate também é ótimo para ativar esta tal serotonina.
Tudo bem que depois de uma corrida ou uma nadada se tenha uma sensação de prazer. Claro, o esportista se martiriza por minutos e depois se regogiza com o fim do sofrimento. Como o cara da propaganda que pede pastel seco no deserto e depois acha Teen a melhor coisa do mundo. No esporte, o sofrimento causado pela prática é sempre muito mais duradouro e intenso do que um possível prazer que possa ser gerado.E se o lance é ter prazer, porque não buscar o prazer sem sofrimento? Como? Por exemplo: com um chope bem gelado acompanhado de uma costela gorda.
Estava “falando” com uma amiga no MSN e ela “dizia” o que queria da vida. E então me veio mais uma vez aquela idéia de que nós humanos somos tão ridiculamente iguais. Nossa variabilidade é mínima. E se fôssemos um jogo, seríamos ping-pong, e nunca futebol. Segue o relato da fulaninha...

“(...) queria alguém que soubesse ler meus olhos, (...), queria silicone, queria dentes mais brancos, queria um peito masculino para deitar sabe (sic), queria alguém para segurar minha onda e que cantasse para mim e tocasse sambas no violão, queria morar no Leblon.”