quarta-feira, março 11, 2009

Integramos as postagens do tuíter. Organizamos os arquivos. Mas perdemos os comments. E a contagem de acessos. Culpa da Vanessa Nunes. Logo agora que eu estava preparando a festa para comemorar as 80 mil visitas. Então comentem bastante, acessem bastante.

domingo, março 08, 2009

Oi. Invadi de novo. E nem é pra contar que a pediatra mandou passar maizena nas minhas dobrinhas.


Mas para mostrar que já sei veranear.

Ass.: João.

quinta-feira, março 05, 2009

Ainda que encravado na badalação da Dinarte Ribeiro, o Daimu está sempre entre a cruz e a escada, mas quero falar mesmo é sobre cabeça de peixe. Entre a cruz e a escada porque, do alto de um promontório, brigará sempre para acolher clientes. As pessoas gostam de dar uma espiadinha nos restaurantes que surgem. Mas, se há entre elas e a porta algumas dezenas de degraus, se retraem. Menos por preguiça do que por constrangimento. Ficam com vergonha de desistir da empreitada depois de subirem tanto.

Mas eu realmente recomendo encarar as escadas do Daimu. Feche os olhos, confie e suba. Lá em cima, uma hostess, com sorte ela se chamará Satoko e será muito simpática, lhe dirá:

- Ajumnhgsknnaijêê!

Presumo que seja boa noite ou bem-vindo e respondo:

- Ajumnhgsknnaijêêêêê!

O que obviamente é uma resposta equivocada, caso a saudação seja bem-vindo. Mas adoro japoneses e acho eles tri engraçados e não me importo com a possível gafe. O ambiente do restaurante é bem bacana, super design, sabe? Linhas retas, tons de berinjela e branco, parede trabalhada com tijolinhos irregulares de madeira. Mudérrno e de bom gosto. Mas isso é frescura e estou aqui para falar de... bom, vocês já sabem.

Acontece que dia desses meu cunhado Tiago Ritter teve no Daimu e me jurou, com os dois (e não haveriam de ser três) pés juntos e beijinhos nos fura-bolos em cruz, que tinha uma família de japas traçando uma cabeça de peixe lá.

- Nãããããão! Sério, meu???

E ele jurou de novo daquele jeitinho, de forma que o cabeça oca aqui preencheu a cachola com a idéia fixa de provar o prato. Tem toda uma coisa de ter de ligar antes quando for pedir a iguaria (www.daimu.com.br), acho que para dar um tempo de o chef decapitar o peixinho. Eu não sabia disso, mas tive a sorte de comparecer justo no dia e que aqueles japas tinham novamente passado por lá e traçado quatro cabeças, deixando apenas uma, para quemquemquem? Na mosca: para mim mesmo, Tiãozito, el devorador de cabezas. Juro com pés juntos e beijinhos nos fura-bolos em cruz.

O garçom explicou que a peça, se assim podemos chamar, vinha cozida no shoyu, com alguma coisa de gengibre, açúcar, ervas e temperos secretos do chef. Mandei vir, a um só tempo empolgado e temeroso. Foi com alegria que vi chegar aquela cabecinha de cheia de dentes serrados do Peixe Pargo. Dourada, com um molho escuro reduzido, cheio de frescor do gengibre, adocicado, mas não tanto para borrar por completo o tempero do sal. Umas ciboulettes verdinhas por cima davam o toque final.

- Ei, amigo, dá pra me explicar como se come isso? – perguntei ao garçom, dispensando a formalidade.

- O senhor pode procurar o que houver de carne aí dentro. Se quiser, pode usar a mão também. Eu lhe trago depois um pano úmido quente para limpá-la.

Ah, era tudo o que eu queria ouvir. Dei início à Operação Cabeça de Pargo. Foi muito mais fácil do que se pode imaginar. Incrível o que se pode extrair de carne da peça; uma carne bastante macia, um pouco mais forte do que a do filé, mas não a ponto de causar estranhamento ou deixar algum tipo de catinga – sabe catinga, né? Tipo de ovelha lanuda, peixe estragado...etc? Não, a carne já é adaptada ao paladar mais banal. O único senão pode ser o visual: aquele peixinho ali, com os olhos baços e mareados, um olhar triste e ainda os dentes serrados, ameaça inofensiva. Garotas e rapazes sensíveis podem não gostar.

Mas o melhor de tudo, tenho de admitir, não é nem o sabor convidativo. É a batalha, o desafio de virar e revirar a cabeça, com a ponta dos dedos e os hashis. Traçar bochecha, escamas, língua e miolos (se é que peixes têm línguas e miolos). Comer tudo, incansavelmente, até restarem apenas os ossinhos e cartilagens no prato. E então, a satisfação de ver aquela cabeça estraçalhada, suprema vitória marcada por mãos e beiços lambuzados, resquícios de um adversário totalmente derrotado. Ou quase totalmente. Ali ainda ficaram os olhinhos baços e tristes, testemunhas oculares da devastação, escondendo, lá no fundo, a ameaça de vingança, a regeneração do monstro.

Não, não cometerei esse pecado de novo. Da próxima vez, vou até o fim. Como, ah se como aquelas duas bolinhas viscosas e borrachudas. Ainda que me revirem o estômago. Me aguardem. 

quarta-feira, março 04, 2009

Poucas vezes o post abaixo foi tão oportuno. Acabo de pedir dados de produção industrial de fevereiro. Os números de janeiro estavam desatualizados.
- Boa tarde, senhor. Desculpa lhe incomodar à noite. Eu precisava dos dados de produção industrial de fevereiro.
- A divulgação será apenas daqui a duas semanas.
- Mas não há dados parciais, as empresas não começaram a enviar relatórios?
- Dados parciais não existem.
- Eles não foram enviados, ou não foram contabilizados?
- Não. Eles não existem.
- Mas eles já estão no sistema, quem sabe se eu falar com cada sindicato de empresas que remete a vocês.
- Não existem. Do ponto de vista estatístico, não existem.
- Mas eles não existem ou não foram somados?
- Não existem. Do ponto de vista estatístico, eles não existem.
- Mas se o senhor acessar o sistema, há como fazer uma previsão parcial, fazendo estimativa para quem ainda não mandou?
- Meu amigo, qual seu nome?
- Sebastião.
- Sebastião, você não está entendendo que eles NÃO EXISTEM?
- É que preciso saber aqui se eles não existem ou apenas não podem ser divulgados, ainda que parcialmente.
- Meu amigo...
- Está bem, obrigado. Desculpa.
Tu, tu, tu, tu.

terça-feira, março 03, 2009

Quero transcrever uma passagem do livro Radical Chique e o Novo Jornalismo, do Tom Wolfe, que me toca muito - e acredito que a todos os jornalistas:
"O trabalho de reportagem pode ser tedioso, confuso, fisicamente sujo, cansativo e até perigoso. Mas o pior de tudo, do ponto de vista gentil, é a contínua postura de humilhação. O ponto de partida do repórter é invadir a privacidade de alguém, fazer perguntas que não tem o direito de esperar que sejam respondidas - e, assim que ele se rebaixou a esse ponto, transforma-se num suplicante de canequinha na mão, esperando que venha a informação ou que alguma coisa aconteça, esperando ser tolerado o bastante para conseguir o que precisa, adaptando sua personalidade à situação, insinuando-se, servindo, fazendo o que for preciso, suportando insultos, abusos, até choques ocasionais na eterna busca da "história" - comportamento que chega bem perto do servilismo ou mesmo da mendicância."  
É um dia triste em minha vida. Uma dor pungente no peito. Entreguei-me. Twittei. Me sinto como quando troquei o MSN pelo ICQ. Meu blogui segue aqui, óbvio, mas também estarei lá. Adaptar-me-ei aos escassos caracteres - eu, o prolixo. Pior que se trata da maior regressão da história da Internet. É a volta à velha linguagem do Telex: RN AMN SL3, LV CAMS (reunião amanhã na sala 3, levar camisinha).
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Ah, sou tiaoribeiro no Twitter. Já fui Seb, Seba, Sebas, Sebola. Hoje sou Tião. O mais banal dos apelidos. Triste destino, esse meu. Ao abismo, sigam-me os bons.
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Tenho tantas coisas a contar das férias no Uruguai - coisa mais antiga isso de o cara achar que é esnobe passar férias em Punta. Punta já é xinelagem. Esnobe é passar a lua-de-mel em Anguila, como eu e o Lobo de Wall Street (leiam o livro com título idem). Enfim, tenho tantas coisas a contar das férias em Puntadileste, como diz minha amiga Silvinha, a Sra. Minhoca.
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O que o Uruguay tem de bom: carne, lácteos - doce de leite incluso -, milanesas, torta salgada e torta Rogel (foto). Foi isso que comi nas minhas férias. Ah, e chipirones a la plancha, no batido e imbatível Lo de Charly .
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Poucas coisas me mobilizam mais do que comida. Preciso sublimar isso. Acho que é assim que os psicólogos dizem. Meu sonho é ser o Jeffrey Steingarten. Pronto, falei.
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Aprendi a fazer milanesas uruguayas perfeitas. Ao menos na teoria. Seguinte: fatias bem finitas de tatu ou coxão de dentro, martelar bem o bife, passar na farinha-ovo-farinha, necessariamente nesta ordem, afogar na banha fervendo e correr pro abraço. Ah, não esqueça: farinha de pão.
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Apesar deste maravilhoso glossário - http://www.scribd.com/doc/3823290/Glosario - me sinto absolutamente incapaz de entender as diferenças e semelhanças entre os cortes de carne: ojo de bife, entrecote, bife angosto, bife de chorizo. Tampouco consigo achar correspondências com cortes brasileiros - ainda que não hajam totalmente, os cortes uruguaios e argentinos pegam partes dos daqui. Apenas a tapa de cuadril e a colita de cuadril e o asado de tira estão bem resolvidos: são picanha e maminha e costela, necessariamente nesta ordem. Ah, peceto é tatu. Nalga parece ser coxão.

segunda-feira, março 02, 2009

Voltei de férias intrigado. Por que a ameixa branca é sempre mais bicuda que a vermelha? Parece teta bonita na extremidade inferios.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Não é porque a loja é do meu primo, mas a Indiada tá com promoção de verão triiii boa. Sério, eu normalmente não compro tudo que eu quero lá, costumo pedir pra minha mãemãe de presente, porque as coisas ficam fora do meu orçamento. Mas agora, na liquidação, dá muita vontade de levar tudo. Quem gosta de moda comfy, como eu digo, ou moda aventura, como eles vendem, tem de passar lá. Tem coisas mega bonitinhas para namoradas e noivas e esposas também. Fica na Felix da Cunha, quase em frente ao Moinhos Shopping, naquele casario bonitinho.
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Ali do lado, na esquina da Felix com a Padre Chagas, tem agora o Saúde no Copo. Foi meu primo Bento, o dono da Indiada, que indicou: provem o bauru de frango com pão preto do lugar. Triiii bom!
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A propósito, gurias, tem roupitchas triiiiii legais e baratas também no boteco Casa de La Madre, aquele lugar triiii mulherzinha que tem na Tobias da Silva. 

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Bom, eu estou de férias em Poa, lutando contra a cama, sem executar meus planos de ir ao Lami e à Fundação Iberê, e tomo a liberdade de roubar da Clarissa a clássica piada do Cotoco.

Cotoco era um menino normal, quer dizer, quase normal.Ele não tinha nem
braços nem pernas. Um dia, Cotoco foi convidado para ir à praia com
seus amigos:

-Mas eu não sei nadar - falou Cotoco.
-Não tem problema, só vamos jogar futebol. Nós cuidamos de você.
-Tá certo,eu vou.
Na praia, depois de muito jogar, os amigos de cotoco foram pra casa e
esqueceram o pobre menino na areia.
Quando a praia já estava esvaziando, e a maré subindo, passou um bêbado passou e viu Cotoco
gritando por socorro.
Ao pegá-lo, colocou-o na água e falou:
-Vá tartaruguinha.Vá.

domingo, fevereiro 15, 2009

Quando a gente mata uma mosca, está matando todas as moscas do Universo.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Para quem não se programou  pro Carnaval, um amigo tem uma casa beeeem bacana na Gamboa pra alugar. Acho que não custa muito, não. Interessados, mandem email para sebribeiro@yahoo.com
Extra, Extra! Noticias da Patagônia. Minha irmã vaga pelo vago Sur. Ra ra ra. Aproveitando que ela não atualiza o blógui dela, o blóguidotiao reproduz com exclusividade os relatos brutos que chegam do nada. E sem aquela papagaiada de poesia concreta tão apreciada no Vida-Intensa (link ao lado; aqui, preguiça).

"Hoje 2o dia de Patagonia ja vimos o que eh um GLACIAR, o Perito Moreno. Eh uma coisa gigantesca, um absurdo, da uma ideia muito primitiva, assim era nosso Planeta quando comecou? Uma coisa linda, azul por dentro, o lago verde, as monta nhas em vlta, aquele branco imenso mais branco ainda por causa das nuvens que choviscavam gelado nas bochechas mas nao importa, isso eh lindo demais. Eu e a Cris ate agora nos dando suuuperbem, conseguindo rir nos momentos mais dificeis quando preciso. Amanha vamos para El Chalten onde esta o Fitz Roy, ai faremos um trekking de 3 dias acampando, mas todos dizem q eh barbada, que eh pequeno e cheio de gente aih.Dia 14 partimos para a grande jornada, Torres del Paine, onde caminharemos com as barraca nas costas durante 7 dias, em nome das paisagens mais fantasticas que existem.
Mandem emails vcs tambem, contando as novidades, ok?"


Acho que fui meio bruto na resposta:

"Não mando novidades para ípies. Odeio ípies."

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Excepcionalmente, anunciamos a troca do "a propósito" do cabeçalho.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Tem um motel na frente da minha casa. Maior vergonha. É fuque fuque fuque fuque. Toda hora. Ainda mais à tarde. A gritaria é tanta que às vezes temos de fechar a janela. Não sei quem berra mais, se eles ou elas. A Rafa anda preocupada, até. Quando o João crescer, como faremos? Manter a cortina sempre cerrada? Impossível. Talvez nosso filho venha a ter uma noção bem precoce do que seja o sexo. Sexo sem pudores (do Anghinoni, Pastor, 2003, Viamão, Editora Protestante). Mas com algumas regras, claro. A forma ortodoxa, ele e ela, tem sido adotada. Não sei até quando. Hoje mesmo, já vi um troço estranho. Lá em cima, no último galho do jacarandá, o sabiá de coisinha com a pomba rola. Pode isso?

domingo, fevereiro 01, 2009

João Pedro
João Pedro era ranhento, a cara sempre borrada de preto, mistura de ranho e terra amealhada no pátio de casa, nas caixas de areia, no barranco do Ipa. Andava todo esfarrapado, molambento, de camiseta branca, sempre suja, às vezes rasgada. Tinha tudo para ser uma criança linda, loirinho, bonitinho, mas também não calhava de pentear o cabelo. E era bagaceiro que só.
Morava numa casa rodeada por um baita muro lá na rua Silveiro, altos do morro Santa Tereza. O pátio tinha um cachorrão e mais desafios que um campo de paintball, ao menos lá de baixo, de onde as crianças viam tudo, assim parecia. Na varanda, havia um alvo onde adorávamos jogar dardos, brincadeira de gente grande. Não lembro bem, mas acho que a família dele era meio bagunçada, de uma bagunça comovente. Pelo menos o irmão mais velho, o João Cláudio, colega do Bento, era um cara atrapalhado.
João Pedro estudou comigo na pré-escola. Vivíamos juntos. Até que deixamos o IPA para começar a primeira série. Cada um para o seu lado, paramos de se ver, de se telefonar. Eu fui para o Aplicação e ele não lembro. Só sei que uns anos depois estudou no Instituto de Educação, ao lado do meu colégio. Às vezes passava pelo nosso pátio. Quando o via, eu corria para a tela que cercava a cancha de futebol. Conversávamos como amigos que jamais tinham se separado. Mas não trocávamos telefonemas nem nada.
Nunca esqueci o João Pedro. Quando meu filho nasceu, quis batizá-lo com o nome do meu colega. A Rafa achou melhor não, o guri já ia ter muito sobrenome. Ficou só João mesmo, o único entre todos os nomes do mundo que agradava a nós dois. Há uns anos, o Bento contou-me que uma ex-namorada dele disse que era colega do meu velho companheiro na faculdade de medicina. Deve ser médico, o João Pedro. Decerto já sabe assoar o nariz. Ao menos para entrar na sala de cirurgia.

P.S.: se alguém sabe dele, comenta aí embaixo.

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O texto acima é o segundo da série perfis. O primeiro saiu em janeiro de 2006 – há três anos! Para quem não lembra, segue:

Winnie
Winnie tinha seis anos e cabelos angelicais. Era um doce de criança, um narizinho de batata misturado com ricos cachinhos louros. Morava com a mãe, a tia e a avó - todas muito insanas e muito bacanas - em um sobrado de classe média em um bairro de classe alta de Niterói. Era prima da minha então namorada Rebeca, com a família de quem passávamos uns dias no litoral carioca.
Foi me ver e Winnie se apaixonou por mim. Acho que com ela aprendi a gostar de crianças. Por causa dela, me dei conta que eu então já era um tio para a piazada. Pela primeira vez, estava mais para pai do que para irmão.
Não lembro bem como ela gostava de mim, as coisas que dizia. Sei que estava sempre às voltas, me convidava para brincar de boneca, pulava no colo, conversava, conversava, conversava e fazia bagunça na praia. Eu a levava para tomar banho de mar, ameaçava deixá-la sozinha no fundão. Ela andava na minha garupa na areia. Eu perguntava sobre bonecas e sobre brinquedos e fazia esforço para educá-la.
De repente, aquela menina, cujo súbito amor por mim impressionou a todos, passou a me odiar. Ódio mortal. Por nada. A família não entendeu. Eu tampouco. Fiquei muito constrangido, porque parecia que eu tinha maltratado o anjinho às escondidas. E não havia jeito de reconquistar a guriazinha. Quando fomos embora e ela tinha de voltar para o seu quarto - de onde temporariamente foi desalojada para dar lugar aos hóspedes - se negou.
- Só volto se alguém passar um aspirador pra tirar vermes deste quarto - disse no seu adorável sotaque carioca, externando todo o nojo que passou a nutrir por mim.
Nunca mais via a Winnie. Final do ano passado, me mostraram uma foto dela na formatura da Rebeca. Uma linda mulher de 16 anos, com um chapéu de caubói, e fazendo pose de sem-vergonha. Adorável e perigosa Winnie.

Com o João, aprendi o real sentido da palavra inocência. Meu filho é a primeira pessoa que conheci totalmente isenta de culpa. Dele, eu tudo relevo, tudo perdoo. Até as ofensas mais ignóbeis, como mijar no papai, lançar um jato de cocô na roupa da mãe ou abrir o berreiro no meio do último capítulo d'A Favorita. Alguém pode dizer: que coisa óbvia! Mas uma coisa é saber como funcionam as coisas; outra é experimentá-las. Certamente a palavra inocência tem um significado diferente para nós, pais e mães, do que para o resto do mundo.

Meu filho não tem culpa de nada. Está com fome? Culpa da mãe, que não ofereceu a teta. Arranhou-se com as prórias unhas? Culpa do pai, que não ficou de olho. Foi picado por mosquitos? Culpa nossa, que não o cobrimos. Creio que é dessa inculpabilidade da criança que advém o sentimento de escravidão na nossa relação com os filhos. Qual o pai que não se surpreendeu ao se ver, pela primeira vez, escravo de uma coisinha de apenas 4 quilos (o João já tem seis) e poucos dias de vida?

No fundo, até isso é culpa nossa.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Oi. Invadi o bloguidomeupai. Pra contar que ontem fui fazer minha identidade. Maior encheção de saco. Primeiro, queriam porque queriam bater uma foto minha. E eu tinha de ficar lá paradinho pra Polícia me fichar. Capaz que ia deixar. Fiz caras e bocas e no fim eles tiveram de engolir uma em que estou com a mão no queixo. Até o chefe do departamento teve de vir aprovar. Parece que a regra é não aceitar fotos de pessoas com a mão no queixo. Mas passou. Rá, sou sensacional! Depois, enfiaram meus dedos num troço do computador lá. Coisa chata! Não bastasse enfiar meu pé na tinta quando nasci, agora me marcam pela mão. Ah, mas para me pegar só com muita berralheira. Assim, quando um vier me prender vai pensar duas vezes: ih, este é aquele moleque que faz escândalo na delegacia. Bom, pelo menos agora vou ter minha carteira. No Carnaval, estou pensando em fugir pro Uruguai. Não vão os bobocas da alfândega querer me parar. E no freeshop vou comprar todas as latas de leite em pó e todas as garrafas de uísque que eu quiser. Beijo, João.
Mais uma coisinha: como sei que as gurias são abobadas por mim, mando uma fotita. Pero no se olvidem, chicas: no me acosen. Por ahora soy de mi mamá. Hablamos en unos años. Besitos, Juan.






terça-feira, janeiro 27, 2009

Passei o dia me sentindo um Passat 89 a álcool. Nhé nhé nhé nhé. E não houve jeito de eu pegar. Odeio segundas-feiras.
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Falando em gato, inveja do Aquiles. Está passando uma semana de férias em Tramandaí, o sortudo.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Que me desculpe esta turma de jornalistas, que tudo antes sabe, mas vou roubar da Clarissa Barreto a dica da pérola: entrevista do Anderson em "englãn". Segue o link. Imperdível.

http://br.youtube.com/watch?v=GG55Ze_Dj20

A propósito. O vídeo suscitou uma série de reações controversas. Constrangimento, pena, hilariedade, solidariedade, simpatia. Mas acho que a melhor análise foi a do Tiago Ritter.

"se a gente assiste a um alemao, russo ou japones tentando falar portugues e se atrapalhando todo nas palavras, a gente fica comovido e acha legal o esforço da pessoa em falar o nosso idioma. acha bonitinho. é isso, também, que eu acho dessa entrevista. tá longe de eu morrer de rir. simpatizei mais ainda com o esforço do neguinho que mal sabe falar português, tentando falar o ingrêis. e sim, to meio poliana hoje."

Quer dizer, eu acho que esta manifestação é do Tiago, mas posso ter me atrapalhado em meio às montanhas de e-mails. Até porque as palavras não estão condizendo muito com a pessoa.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Não sou muito de postar matérias que faço pro jornal. Mas vou começar a fazer mais isso...
Se vocês não sabem, o que eu mais gosto neste mundo é de gente. Por isso, adoro fazer perfis. Segue o de hoje.

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A cruzada por uma pecuária moderna
Sebastião Ribeiro
Se tem algo que tira o veterinário Rafael Saadi do sério é a produtividade da pecuária gaúcha. Descendente de uma das mais tradicionais famílias de fazendeiros do Estado, o proprietário de três estabelecimentos rurais tem dedicado os últimos cinco anos a uma cruzada pessoal para disseminar técnicas que garantam mais eficiência na produção de gado.
_ A produtividade da pecuária gaúcha é de 50 quilos (vivos) por hectare, só que todo mundo tem vergonha de falar isso! Mas tudo bem, nem vamos entrar nessa polêmica. Vamos assumir os números oficiais, que são de 75 quilos por hectare (dados do Programa Juntos para Competir). Nós podemos passar disso para mais de 1 mil quilos por hectare apenas com fertilização do solo, manejo do gado e uso adequado das forrageiras _ brada Saadi, alguns tons de voz acima do que a conversa a dois em seu pequeno escritório na Capital sugere.
Quem conhece o produtor certamente já ouviu esse discurso, repetido sempre em palestras e reuniões de amigos. Recentemente, no entanto, a tese de Saadi ganhou força junto ao governo do Estado. Em entrevista a Zero Hora, o secretário do Desenvolvimento, Mateus Bandeira, citou o produtor rural como exemplo de que a pecuária gaúcha pode evoluir. Estimativa da secretaria, com base em dados da Fundação de Economia Estatística dão conta de que, se a produtividade da pecuária gaúcha quadriplicasse, o impacto positivo no Produto Interno Bruto estadual seria de R$ 12,8 bilhões. A convicção dos técnicos de que esses números são possíveis é reforçada pela experiências de Saadi, já relatadas pelo produtor a um grupo de secretários e membros do primeiro escalão do Palácio Piratini. Em cinco anos, desde que começou um projeto de modernização das técnicas na menor de suas propriedades, a Fazenda Cerquinha, de 530 hectares, em Vacaria, a produtividade saltou de menos de cem quilos de boi por hectare para 583 quilos. Esse resultado é exaltado em palestras que o pecuarista costuma dar em clubes de produtores, sindicatos rurais e outras associações.
_ O meu interesse é incentivar os produtores do Estado a deixar de serem como eu mesmo era, quando preferia comprar campo do vizinho, em vez de investir mais na minha área. Com essa mentalidade, estamos morrendo aos poucos. E todos temos responsabilidade por isso _ desabafa Saadi.
O escritório do produtor rural fica em uma casa modesta de madeira, escondida feito fortaleza atrás de um muro alto com câmera de vigilância. A simplicidade do local contrasta com os modos elegantes e a gravata bem alinhada do encarregado que abre a porta. Postado atrás de um mini laptop e defronte a uma grande televisão, Saadi consulta com frequência o livro que publicou ano passado detalhando o sistema de produção que propõe. Atrás do produtor, um quadro do início do século passado mostra a paisagem da fazenda Três Marias, do avô, em Bom Jesus: um rebanho à beira do açude, tendo um capão de mato com araucárias ao fundo. É a vista da sede da propriedade, a primeira a ter luz elétrica na região, antes mesmo das cidades. O fazendeiro, no entanto, garante que suas propostas não são apenas para a elite rural da qual faz parte.
_ Pelo contrário. São melhores para a pequena propriedade, para os assentamentos de reforma agrária. O pequeno produtor pode usar o dejeto do do suíno ou do frango que cria para fertilizar o solo. E pode semear a pastagem e manejar o gado sozinho _ afirma Saadi.
A convicção de que é possível multiplicar a produtividade gaúcha e chegar aos 1 mil hectares, o produtor tira de suas viagens periódicas ao Exterior. Mesmo quando vai acompanhado da família _ é casado e tem cinco filhas _, Saadi diz aproveitar os roteiros para aprender, visitando fazendas em outros países. Seu modelo ideal é a Nova Zelândia, que teria características semelhantes ao Rio Grande do Sul, e ostenta produtividade de 1 mil quilos de boi por hectare ao ano. Na Fazenda Cerquinha, o produtor pretende chegar a essa marca em 2010.
Saadi fala como um sonhador. Seu sonho ultrapassa as porteiras das próprias terras. Tem algo de transcendental, que fica mais fácil de entender ao se ouvir uma passagem de sua vida.
_ Aos 18 anos, eu tencionava tirar física nuclear nos Estados Unidos. Porque, como homem do campo, quando me deitava na relva à noite e olhava o firmamento, me dava conta da pequenez da gente diante do universo. E o átomo tem as mesmas forças de atração e repulsão do universo. Mas, por pressão da família, terminei tirando medicina veterinária em Porto Alegre.
Se desistiu de lidar com as forças do átomo, Saadi não cansa de desafiar a inércia da pecuária gaúcha. Para muitos, suas propostas não passam de utopia. A diferença é que agora ganham chance de virar realidade e extrapolar as porteiras das fazendas administradas pelo pecuarista. Podem compor um programa estadual de aumento da produtividade da atividade mais tradicional da economia gaúcha, em gestação na Secretaria do Planejamento.