segunda-feira, junho 28, 2010

Sobre a mudança de rótula para sinaleira na esquina da Nilo com a Carazinho, acabei de emitir a seguinte opinião, a quem interessar possa.

"Veja, só. É possível que a Maria Paula estivesse se lamuriando dos engarrafamentos de três carros na Avenida Júlio de Castilhos (Cx), quando havia ali na Nilo com a Carazinho uma sinaleira. Naquele tempo, a fila na Carazinho batia lá em cima, na Professor José Salgado Martins. Trocaram o farol por uma rótula, e a mudança foi festejada. Diminuíram os engarrafamentos. Hoje voltaram. Começam na rótatória e terminam na Professor José Salgado Martins. Ou seja, hoje Porto Alegre tem umas duas vezes mais carro (chute), e ainda assim o engarrafamento é apenas igual ao do tempo da sinaleira. Qual o melhor modelo??????"

domingo, junho 13, 2010

Já era cego. Fiquei ainda mais. Foi uma conjuntivite. Das brabas. Infernal. Olhos vermelho, chatos e gosmentos por duas semanas. Já faz mais de 15 dias que me recuperei. Mas ficaram sequelas. Se havia alguma dúvida, já não há: sou um sequelado. Desde a maldita, não enxergo direito. Não que eu enxergasse antes, claro. Mas calhou de o João quebrar meu óculos justo agora. Hoje mesmo, fui ao supermercado, desprovido de muleta ótica. Um carro andava em zigue-zague a 100km/h na 24 de outubro. Liguei pro 190. Mas óbvio, não consegui dizer nem a marca, nem a placa. Depois, no meio das bergamotas, me aparece uma amiga. Sorrindo.
- Oi. Como é que tá? Como é que tá a Rafa?
- Tudo bem. E contigo? E o pecorrucho, como está?
- Er*... Ahn... Ainda não temos filhos, mas é por uma boa razão.
Putz, troquei as bolas. Confundi a guria com uma prima, a Bibs (a minha prima, não o chocolate). Ainda por cima, estou até agora com esse "é por uma boa razão" na cabeça. Que raios a guria queria dizer com isso? Mas vá perguntar depois de ter trocado as bolas! Não que se eu tivesse nas condições de visão pré-conjuntivite eu a teria reconhecido certo. Mas seria mais provável. Ao menos eu teria tido mais tempo entre o avistar um rosto familiar e a aproximação para pensar, refletir sobre a verdadeira identidade da pessoa. Pior é que nem posso fazer óculos novos. Estou louco pra ir na Valéria, da Masson do Moinhos (queria até falar mais dela aqui, deixa pra depois), ver uma armação e uma lente novas. Mas a Dra. Carla, minha oftalmologista, colega da Dra. Maria Cláudia, as duas são bem bonitas e atendem ali na Clínica Visão, na Bordini, é só estacionar no Zaffari e depois comprar um vinho pra disfalçar, mas, enfim, a Dra. Carla recomendou que eu postergasse a encomenda dos óculos. Foi uma forma delicada de dizer: você pode ficar assim, cegueta, pra sempre, amiguinho, portanto, empenhe-se em pingar o colírio cinco vezes ao dia,
Resta a mim, então, curtir minha hipermiopia (não confundir com hipermetropia). Afinal, há uma certa beleza em enxergar assim, distorcido. Dizem que naquele filme, Janela da Alma, um documentário, falam disso. Nunca tive paciência de ver. Uma vez, na Fabico, estavam exibindo-o para um grupo de cegos (ou seria de surdos?). Enfim, vi cinco minutos e achei um saco. E uma mentira. O que pode ter de belo em ver tudo feito debaixo d'água, as luzes da cidade como eternas estrelas de Natal, as árvores, um tronco marrom com uma massa verde unicolor em cima. O míope não vê as folhas, os muitos sóis que batem nelas, os contrastes. O míope vê um borrão.
Agora, por favor, vamos parara de palhaçada e alguém instala um limpador de parabrisas na minha retina (ou seria córnea?)! 

* Vai dizer, "er" só se diz em gibi.

quinta-feira, maio 27, 2010

Cada coisa que tem me acontecido... Com certeza, uma das coisas mais bacanas de ter aberto a Cartola - Agência de Conteúdo foi redescobrir que, como diria minha querida professora de jornalismo Rosa Nívea, "o mundo é uma pauta. Formigas. Formigas são uma pauta!". Em outras palavras, com a possibilidade de oferecer matérias para qualquer veículo, cada assunto é uma reportagem em potencial. Meu radar anda atento, minha curiosidade aguçada. Mesmo quando não ache que o assunto vá render, dou uma pesquisadam ainda que por pura diversão. Agora, por exemplo, ouvi o nome de Irton Marx, aquele cara do separatismo, da República do Pampa. Dei num texto do Movimento Pampa Livre denunciando a "armação" da Globo contra Marx, não Karl. Por meio de uma sacanagem, a emissora teria lhe acusado de nazismo - http://www.pampalivre.info/cartilha-1.htm. Até determinado momento do texto estava solidário com o autor. Até que o autor se perde no próprio, no próprio... Julguem como quiserem, a partir da defesa marxiana (não confundir com marciana, nem marxista).

"Naquele programa, em dado momento, Neide Duarte comentou, com palavras ditas por ela mesma, que o idioma do Pampa seria o alemão. Que bomba! Que ódio contra o mentor separatista do Sul do Brasil! Se ela tivesse dito que seria falado o inglês, francês, italiano ou outra qualquer, não teria o efeito bombástico ao falar que o idioma do pampa seria alemão. Mas alemão, nunca! Vejam bem, Irton Marx jamais pensou em tal possibilidade, pois falar este idioma não é para qualquer um. É preciso ser inteligente e ter muita boa vontade, caso contrário, jamais aprenderá tal idioma germânico. Por isso, jamais chegou a pensar em tal introdução cultural."

"É muito fácil criticar os alemães e seus descendentes. Há 55 anos só se fala mal deste povo no mundo inteiro! Já viram algum filme que mostra a bravura alemã na II Guerra Mundial? É evidente que são montadas cenas que só incriminam este povo. São taxados de bárbaros, de assassinos e assim por diante. Lhes permitir a defesa? Nem pensar, pois logo os seguidores do sionismo montam um esquema que os incrimina em qualquer tentativa." 



 

 

sexta-feira, abril 16, 2010

Acabei de assinar Época mais duas revistas mensais (época Negócios e Globo Rural) por 10 X R$ 39,90. Estava pensando agora... Nem foi um negócio tão bom. Ao menos, muito pior do que eu consegui calcular na hora de assinar.

Isso é incrível! Foi naqueles estandes de feira. A moça nem era tão bonita. Me chamou, psiu!, quer um brinde?, eu ainda brinquei, ah, pára, sei que tu vai me dar a revista, mas perguntar qual cartão eu tenho e pedir meu CPF, e ela, não, bem capaz, é só o brinde. Não é que eu fui seduzido pela revista, comecei a conversar com ela, ela foi loroteando, loroteande e eu terminei dando meu CPF, endereço, telefone, cartão de crédito, até me comprometer em R$ 399!!! Eu sabia que era golpe, eu até brinquei sobre o fato quando a sereia quis cantar. Mas em determinada hora foi como se eu tivesse me esquecido disso. Como se tivesse bailado no fundo do mar, suavemente, pelo canto de uma sereia, que, ademais, era quase horrenda.

Graziele, o nome da sereia. Da equipe Felinos (!). Parabéns, Grazi.

quinta-feira, abril 15, 2010


Sou ou não sou o gremista mais lindo do mundo?

sexta-feira, abril 02, 2010

Muita piada boba eu ouvi por ter incluído a matéria sobre sêmen sexado de gado leiteiro no meu www.slideshare.net/sebribeiro. Pois saibam que, das mais de 30 páginas que devo ter colocado ali, essa reportagem só perde para uma sobre o Eike Batista em número de pageviews. São 752 acessos para texto sobre o bilionário contra 536 para o relativo ao material reprodutivo bovino. Em terceiro lugar, com 417, vem uma matéria sobre a milionárioa Zuleika Torrealba. Os usuários do Slideshare parecem gostar mesmo de dinheiro. E de sexo.

sábado, março 20, 2010

Neste exato momento, um imenso QUATI de dois metros de altura, uma touca de dormir na cabeça e uma escova de dentes na mão, adentra o salão de café da manhã do hotel.

segunda-feira, março 01, 2010

Ó, na página 11 da Revista Época desta semana tem matéria minha. Sobre a turma que ganhou mas não levou o bolão da Mega Sena em Novo Hamburgo. Não achei na Internet. Comprem!

Olha o João tirando chope aí, gente. Fotos do Alex de Santi ou da Silvia Lisboa ou sei-lá-de-quem. No aniversário da Mariella Taniguchi.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

O João, por exemplo tá na fase do cahchorro:

- Como é que ronca o vô Jura, meu filho?
- ROOONC. 
- Hahahaha

- Hmmmm, que gatinho este João.
- Miau.
- Hahahaha

- Viu as galinhas, filhote?
- Cocó.
- Hahahahah

- Raiôôôô Silver!
- (cavalgada insana sobre as costas do papai)
- Hahahahaha


segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Lendo agora o caso dos apostadores de Novo Hamburgo que jogaram no bolão da Mega Sena, ganharam, mas não levaram, porque a lotérica não efetivou a aposta ou a efetivou equivocadamente, lembro da história contada por meu amigo Fernando, o Guga - ou seria meu amigo Júlio? 
Daqui a pouco me recordo, mas era semana de Carnaval, e a galera na praia. De repente um dos guris da turma enlouqueceu dizendo que tinha ganho na Esportiva. Virou loucura total. Compraram carne, assaram para um batalhão - picanhas e piranhas, samba, suor e ouriço por conta do rabudo. Nunca houve um Cranaval como aquele. 
Quando o cara foi pegar o prêmio na Caixa, descobriu que tinha levado a miséria de trezentos e noventa e dois reais. E só na bagunça do Carnaval tinha gasto uns dois paus. Naquela semana, só tinha dado jogo óbvio, todo povo acertou as colunas e um batalhão dividiu a grana do prêmio. 
Tá, o nome da praia, os valores e talvez até a data festiva eu acho que inventei. Mas parece que a história foi mais ou menos assim mesmo.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Estou emocionado! Aprendi a fazer mate que nem a Neyde da Zero Hora. Sem sujar a mão. Nada daquela meleca de ter de inclinar a cuia, aparar a erva com a palma ou então com um pratinho, empoeirar o balcão. Há anos pedia para ela me ensinar a mágica, mas só agora acertei. Falando é fácil, mas, na prática, nem tanto. É o seguinte. Coloca 1/3 de água morna na cuia. Preenche o resto com erva até a boca, deixando um pouco mais de erva em um dos lados. Espera dois minutos. No lado menos privilegiado ervisticamente, vai cavocando carinhosamente com a bomba, fazendo cosquinha na Ilex Paraguaienses moída, até chegar à parte úmida. Também usando a bomba, vai umedecendo um lado da erva até em cima, fazendo a chamada acimentação.  No fim, constrói uma cova, uma pequena toca no fundo da erva para a bomba. O segredo é: não usar muita água, ter a maior delicadeza no trato da bomba. tenta. Erra mil vezes até acertar. 

sexta-feira, dezembro 18, 2009

U-hu. O site da Cartola está no ar.
É obra da Fernanda Scur. 
Quem gostar e quiser contratá-la pega o mail em www.purnima.com.br.
Ou me liga. 
Um amigo do movimento Grêmio Novo me passou um FAQ esclarecedor sobre a Arena do Grêmio. Reproduzo. Se papai passar por aqui, pode postar um comment dizendo se há algo errado.

1) O Grêmio ficará proibido de treinar na Arena?

Não é verdade. O Grêmio poderá treinar sim na Arena, entretanto a
preferência será dado ao Centro de Treinamentos que receberá
investimentos para torná-lo um CT ao nível dos melhores existentes no
Brasil e que terá sinergia com o novo estádio. Grandes clubes do
Brasil e do exterior se utilizam de um CT e não do estádio como
estrutura de treinamento.

2) O Grêmio terá direito à renda do estádio?

Sim. O dinheiro das bilheterias irá para o caixa da empresa gestora da
Arena, administrada em conjunto pelo Grêmio a a construtora OAS. Nos
primeiros sete anos de operação da Arena, o Grêmio receberá a cada ano
um valor de R$ 7 milhões, reajustáveis pela inflação, mais 100% do
resultado operacional da empresa, ou seja, a OAS não ganhará nada com
a exploração do estádio. Mesmo se nenhum torcedor for à Arena e ela
não sediar um evento qualquer, logo não havendo qualquer receita para
a gestora, o Grêmio ainda receberá R$ 7 milhões todos os anos na fase
inicial do contrato. Entre os anos 8 e 20 de execução do contrato, o
Grêmio receberá valores fixos de R$ 14 milhões de reais a cada ano,
também reajustáveis, além de 65% do resultado operacional do estádio
com jogos e eventos. Hoje, o Estádio Olímpico não é usado para shows
musicais, conferências, encontros de empresas, etc, o que acontecerá
na Arena com resultados financeiros em benefício do Grêmio. Se o novo
estádio sediar, por exemplo, show de uma grande banda ou mesmo um
festival de rock, todo os recursos auferidos com a cessão do
equipamento serão revertidos para o Grêmio nos primeiros sete anos do
contrato e 65% nos demais anos até o prazo final de 20 anos, quando
todas as receitas passam novamente a ser do clube. Com o novo estádio,
também, o Grêmio gastará menos do que hoje à medida que não
necessitará de um quadro de funcionários tão grande como o existente
na atualidade para administrar o Olímpico assim como não precisará
efetuar gastos com reformas caras, o que hoje é exigido constantemente
pelo Olímpico que tem mais de 50 anos e sofre acentuada deterioração.
A Arena será, portanto, um estádio muito mais rentável que o Olímpico
para o Grêmio que manterá ainda as suas principais receitas como
direitos de televisionamento, quadro social, exploração da marca e
marketing, etc. O clube passará por um processo de capitalização,
aumento de receitas e redução de despesas.

3) Os sócios terão que pagar para entrar?

Não é verdade que o associado com título patrimonial terá que pagar
mensalidade mais ingresso. Não existe nenhuma previsão no contrato a
respeito nem tampouco há qualquer decisão nesse sentido. A questão dos
associados, que não envolve a empresa OAS, será decidida
exclusivamente pelo Grêmio em discussão com o seu quadro associativo.
A tendência é que o associado com título siga pagando mensalidade,
mantendo o direito de ingressar na Arena sem o pagamento de ingresso.
Caberá ao Grêmio restituir à empresa gestora o valor correspondente ao
ingresso dos seus associados, mas 100% dos resultados da gestora serão
do clube nos primeiros sete anos do contrato e 65% no restante do
período, o que vialibiza a manutenção dos direitos dos associados
patrimoniais.

4) A área do Olímpico vai para a OAS por quantos milhões?

Avaliações independentes do setor imobiliário contratadas pelo Grêmio
indicaram que a área do Olímpico hoje valeria ao redor de R$ 60
milhões, entretanto com a mudança dos índices de construtividade da
área, aprovadas pela Câmara de Vereadores, o valor é muito maior.
Entretanto, esta valorização somente ocorre porque o Grêmio deixará a
área para aproveitamento imobiliário com a mudança para a Arena, sendo
que o atual valor de mercado menor seguiria o mesmo caso o Grêmio
resolva permanecer na Azenha.

5) Quanto valerá a Arena quando passar para o Grêmio, após 20 anos?

A estimativa é de R$ 350 milhões a R$ 400 milhões.

6) Quem decidirá as questões da Arena?

A empresa gestora da Arena terá um conselho de administração formado
por cinco pessoas, sendo três da OAS e dois do Grêmio. O contrato
prevê que o Grêmio terá direito de veto em uma série de pontos da
administração.

7) Quando começam as obras?

A licença de construção deve sair em maio. Se a OAS abrir as linhas de
financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) ou bancos privados, as obras começam em junho.

8) O Grêmio colocará dinheiro na Arena?

Nem um centavo sequer. Do total, 55% são bancados pela OAS (equity) e
45% por financiamentos públicos ou privados captados pela empresa. Se
por qualquer motivo a construtora iniciar a obra e não poder
concluí-la, o contrato prevê ainda um seguro (performance bond) que
indenize o Grêmio que seguiria com o Estádio Olímpico e ainda
receberia a indenização, afinal a área da Azenha somente será entregue
à construtora OAS quando o Grêmio já estiver na Arena.

9) Quando a Arena estará pronta?

Se os prazos forem cumpridos, em dezembro de 2012.

10) Qual será o nome da Arena?

O nome será Arena Grêmio, mas podem ser comercializados os naming
rights do estádio em contrato com elevado valor que garantirá ainda
mais recursos para o Grêmio assim como se dá hoje com alguns dos
principais estádios do mundo.



domingo, novembro 29, 2009

Saiu o terceiro texto da série Perfis, a série mais arrastada da blogosfera brasileira. É só aqui, no Blógui do Tião, o blógui mais arrastado da blogosfera brasileira. O perfilado da vez é Rodrigo Moro. Aproveito para republicar os dois capítulos anteriores. A propósito, o primeiro saiu em janeiro de 2006.

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Rodrigo Moro (Nov/2009)
Rodrigo Moro parecia uma varilha. Era alto e magro. E ainda andava (não se sabe se por mania ou malformação) na ponta dos pés. Sempre. No colégio, o chamavam de bailarina. De onde eu tirei isso? Bom, se não o chamavam, deveriam tê-lo feito. Eu morava no 401 do Torremolinos; ele, no 501. Era meu grande amigo. A mãe dele se chamava Céu. Ou Sol, não lembro. Sul é que não era. O pai trabalhava na Souza Cruz. E era perito. Mil vezes perguntei o que fazia um perito, mil vezes o Rodrigo não soube explicar. Hoje, minha mulher é perita (até mesa de sinuca já periciou). Meu vizinho chegou no prédio, devia ter uns sete anos de idade. Veio com a família de São Paulo. Falava seteinta e torcia pro Curinga. A gente brincava de Comandos (em Ação, claro). Jogava Atari, Master System, MSX, futebol e botão. Não demoramos a integrar o clã da Aurélio Bit, com Marcelinho, Felipe, Dézinho, Kessler, Fernandinho. Um dia saí no tapa com o Rodrigo. Nunca fui bom de briga. Ele me derrubou com um chute no saco. Reclamei: nas bolas não vale! Dããããã, como assim não vale?, deixa de ser mongolão, me disse o irmão do Rodrigo, Serginho, que, por sinal, aos 12 anos já media 1,90m e fazia a barba com gilete. Subi brabo pra minha casa disposto a nunca mais falar com os Moro. Passei seis meses (ou seriam seis semanas?) sem os ver. Louco de saudade e louco de orgulho. Numa tarde, a campainha lá de casa bateu. Abri. Era o Rodrigo, na ponta dos pés, cara de cachorro pidão. Nunca vou esquecer da cena. Ele só me perguntou: vamos brincar de Comandos? Como se a gente nunca tivesse brigado, como se tê-lo à minha porta não me inundasse de alegria, como se a situação não me tirasse um puta peso das costas, apenas respondi: vamos. E brincamos. Por muitos e muitos anos. Até ele se mudar de volta para São Paulo. Isso faz uns 18 anos. Desde então, nunca mais o vi.

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João Pedro (Jan/2009)
João Pedro era ranhento, a cara sempre borrada de preto, mistura de ranho e terra amealhada no pátio de casa, nas caixas de areia, no barranco do Ipa. Andava todo esfarrapado, molambento, de camiseta branca, sempre suja, às vezes rasgada. Tinha tudo para ser uma criança linda, loirinho, bonitinho, mas também não calhava de pentear o cabelo. E era bagaceiro que só.
Morava numa casa rodeada por um baita muro lá na rua Silveiro, altos do morro Santa Tereza. O pátio tinha um cachorrão e mais desafios que um campo de paintball, ao menos lá de baixo, de onde as crianças viam tudo, assim parecia. Na varanda, havia um alvo onde adorávamos jogar dardos, brincadeira de gente grande. Não lembro bem, mas acho que a família dele era meio bagunçada, de uma bagunça comovente. Pelo menos o irmão mais velho, o João Cláudio, colega do Bento, era um cara atrapalhado.
João Pedro estudou comigo na pré-escola. Vivíamos juntos. Até que deixamos o IPA para começar a primeira série. Cada um para o seu lado, paramos de se ver, de se telefonar. Eu fui para o Aplicação e ele não lembro. Só sei que uns anos depois estudou no Instituto de Educação, ao lado do meu colégio. Às vezes passava pelo nosso pátio. Quando o via, eu corria para a tela que cercava a cancha de futebol. Conversávamos como amigos que jamais tinham se separado. Mas não trocávamos telefonemas nem nada.
Nunca esqueci o João Pedro. Quando meu filho nasceu, quis batizá-lo com o nome do meu colega. A Rafa achou melhor não, o guri já ia ter muito sobrenome. Ficou só João mesmo, o único entre todos os nomes do mundo que agradava a nós dois. Há uns anos, o Bento contou-me que uma ex-namorada dele disse que era colega do meu velho companheiro na faculdade de medicina. Deve ser médico, o João Pedro. Decerto já sabe assoar o nariz. Ao menos para entrar na sala de cirurgia.

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Winnie (Jan/2006)
Winnie tinha seis anos e cabelos angelicais. Era um doce de criança, um narizinho de batata misturado com ricos cachinhos louros. Morava com a mãe, a tia e a avó - todas muito insanas e muito bacanas - em um sobrado de classe média em um bairro de classe alta de Niterói. Era prima da minha então namorada Rebeca, com a família de quem passávamos uns dias no litoral carioca.
Foi me ver e Winnie se apaixonou por mim. Acho que com ela aprendi a gostar de crianças. Por causa dela, me dei conta que eu então já era um tio para a piazada. Pela primeira vez, estava mais para pai do que para irmão.
Não lembro bem como ela gostava de mim, as coisas que dizia. Sei que estava sempre às voltas, me convidava para brincar de boneca, pulava no colo, conversava, conversava, conversava e fazia bagunça na praia. Eu a levava para tomar banho de mar, ameaçava deixá-la sozinha no fundão. Ela andava na minha garupa na areia. Eu perguntava sobre bonecas e sobre brinquedos e fazia esforço para educá-la.
De repente, aquela menina, cujo súbito amor por mim impressionou a todos, passou a me odiar. Ódio mortal. Por nada. A família não entendeu. Eu tampouco. Fiquei muito constrangido, porque parecia que eu tinha maltratado o anjinho às escondidas. E não havia jeito de reconquistar a guriazinha. Quando fomos embora e ela tinha de voltar para o seu quarto - de onde temporariamente foi desalojada para dar lugar aos hóspedes - se negou.
- Só volto se alguém passar um aspirador pra tirar vermes deste quarto - disse no seu adorável sotaque carioca, externando todo o nojo que passou a nutrir por mim.
Nunca mais via a Winnie. Final do ano passado, me mostraram uma foto dela na formatura da Rebeca. Uma linda mulher de 16 anos, com um chapéu de caubói, e fazendo pose de sem-vergonha. Adorável e perigosa Winnie.

terça-feira, novembro 17, 2009



Meu filhote completa hoje um ano. No sábado, teve uma experiência inesquecível. Conheceu a linda e adorável Vitória, filha do Garrincha, não o das pernas tortas. Reproduzo aqui o relato de meu primo Paulinho sobre a "amizade" estabelecida pelos anjinhos.


vitoria estava lá no evento. ela nao tinha achado ninguem interessante.
pegou um copinho de musse de chocolate e ficou por ali até o joao chegar.
quando se olharam nos olhos, ele sorriu.
ela sumiu. e voltou com um copinho de musse de chocolate para ele.
muita gente em volta. joao era requisitado.
mas depois deixaram espaço para os dois em volta da cadeira.
ele sorriu de novo para ela.
ela se aproximou.
deu abraço. ele aceitou.
e em uma nova investida, ela, depois do abraço, deu um beijo.

joao foi beijado por vitoria, ali na cadeira, ainda outras vezes mais naquela tarde.

muito fácil, segundo o sebi.
"tem que ser 'predador'.
assim, fácil, nao vai dar..."

Flagrantes:

quarta-feira, outubro 28, 2009

O Paulo Franken era fotógrafo lá de ZH. Gente boa e figuraça. Tem mais cara de indiano do que qualquer indiano. Mas é brasileiríssimo, acho. Lembrei dele porque minha sócia Clarissa Barreto disse que em uma época braba havia dias nos quais a única pessoa que lhe perguntava "tudo bem?" era uma assessora dada a simpatias em relises enviados para toda a imprensa. 
Antes de explicar a relação, deixa eu dizer uma do Franken. Ele tava numa pauta no Centro com o Alexandre de Santi quando de repente, sem avisar, ou pedir licença, dirigiu-se à lotérica. Diante da perplexidade do repórter com a atitude intempestiva, o fotógrafo, pintando os numerozinhos da Mega, apenas disse, ou melhor, sentenciou em tom definitivo e irrebatível:
- É a única saída...
O Franken era chegado em uma melancolia. Estava definhando, a pele amarela, tinha problema no fígado. Ou no rim, nunca sei a diferença. Até que teve de se operar e se aposentou, por invalidez, acho. Meses depois foi visitar a ZH de bermuda, todo arrumadinho, 20 anos mais jovem, um sorrisão no rosto, jeito de guri. 
Agora sim, a relação do Franken com a constatação da Clarissa. Em sua fase melancólica, estávamos saindo eu e ele para uma pauta. Nas escadas de ZH, passou um colega de longa data e o saudou efusivamente.
- Grande Franken! Como tá?
O fotógrafo não esboçou reação. Nem um alô. Nem um aceno. Passou reto e segundos depois apenas rosnou.
- Perguntar como eu estou hoje em dia é até uma falta de respeito.
Adoro esta frase!
 

sexta-feira, outubro 23, 2009

Aliás, eu já postei aqui o link pra segunda matéria da Cartola - Agência de Conteúdo para o Via Política? É sobre o Monte, do Bar do Monte, pai dos donos do Ossip. O link é http://www.viapolitica.com.br/VPTV_04.php.

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Gente, fiz um exame do sono. Plis, me cobrem um relato via post. 

quinta-feira, outubro 15, 2009

Segue a primeira matéria multimídia da Cartola - Agência de Conteúdo, dentro de uma parceria fechada com o site Via Política para produção de conteúdo exclusivo. Espero que gostem. Acessem e recomendem, se possível. 

Também sugiro que dêem uma olhada em todo o www.viapolitica.com.br. É atualizado semanalmente com textos de altíssima qualidade de colaboradores de todo o país e exterior.

A propósito: a Cartola - Agência de Conteúdo é a empresa que estou tocando com a Clarissa Barreto. Nos sigam no Twitter: @cartolaconteudo. Ah, em breve nosso site sai do forno. 

segunda-feira, outubro 05, 2009

Infelizmente, para me saber mais, é preciso entrar no tupiter. Ou ler a coluninha ali da esquerda. Tenho escrito muita matéria longa. E burocrática. Sobra pouco fôlego para um post. Com cara de post. Com jeito de post. Com tamanho de post. Uma tuitada é um protesto contra essa linha industrial em que tenho me transformado. É como um blééé. Um arroto. Uma libertação. Vocês não sabem o desgaste que provoca encher tanta linguiça. Preciso preencher as páginas. Em algumas, falta espaço para o assunto. Em outras, sobra. E não posso pegar a gordura da página A e contrabandear para a linguiça da página B. Porque são porcos, digo, assuntos diferentes. Aqui, o cheiro de churrasco comido, de graxa pingada, de carvão queimado impera. Quebrou a tampa da churrasqueira. Me sinto como um enfartado. Sufocado. Sem ar. Desconforto. Formigamento não. Dor no peito, sim. Mas na lateral. Gases, portanto. Eu sabia que isso ia terminar em samba do crioulo doido. falando nele, tava passando Buena Vista Social Club no telecine Cult. Diz a Mariella que o light tava dando 21 gramas. Rá. Mas voltando aos cubanos. Prestando a atenção no jeito, no timbre, seja lá o que isso for, no gestual dos cantores cubanos, vi muita semelhança com os puxadores de escolas de samba. Sério. Música negra. Aliás, escutei hoje rádio Oi FM, ouvi música clássica, passei o dia com os fones no ouvido. Eu que odeio música. resultado. Fiquei irritado. Juro. O que vale é a intenção. Sim, eu dei a chance pro BrOffice, mas este lance de software livre é meio ípi. E se é ípi. é ruim. Vou ter de comprar o CD do MSOffice.