O domingo é ensolarado e quente, apesar do inverno. Saio de casa, não há Gre-Nal nem eleição. Passo debaixo da ameixeira, as ameixas estourando de tão amarelas. Da praça, vem a gritaria da criançada. Do outro lado da rua, um casal sobe a lomba com dois carrinhos de bebê. São gêmeos, só pode.
Na casa da dona do estacionamento, tem horta e tem churrasco. A família instalou as mesas no pátio, o marido cuida da carne, a gurizada corre com os cães. O fox dá um baile no basset e eu dou a partida no auto. Dirijo ignorando as sinaleiras, mas paro para a dupla cruzar a rua de bicicleta. Na esquina da Silva Só, tem o vendedor de bergamota.
– Uma por dois, três por cinco.
– Me dá uma.
– Me dá mais um que te dou duas.
– Não tenho. Me dá uma.
Um relógio maluco marca 37 graus. Nem sinto, o ar está ligado. Na Cabo Rocha, as lojas de peças automotivas estão fechadas. A negradinha chuta uma bola no meio da rua e nem pára o jogo para meu carro passar. Difícil imaginar putas por aqui. Mas diz que eram muitas. Também eram outros tempos.
Deixo o auto no estacionamento. No caminho até o prédio, dá para ver que metade das bergas está podre. Agora estou aqui, na redação. Um lugar onde o sol é proibido e que não me deixa esquecer: ainda há uísque de ontem em meu corpo.
domingo, julho 31, 2005
quinta-feira, julho 28, 2005
segunda-feira, julho 25, 2005
Ó, cedi. Agora tenho Skype e MSN. No primeiro sou sebastiaoaraujoribeiro; no segundo, sebastiao.araujo.ribeiro@hotmail.com. Me adicionem aí.
quinta-feira, julho 21, 2005
Ah, vai dizer que eu não podia ser adevogado!
"Pedido de renegociação de contrato de aluguel de imóvel na Rua Jaime Telles.
Considerando que:
1) O locatário realizou benfeitorias no apartamento, instalando dois armários – um sob a pia do banheiro e outro, acompanhado de prateleiras, sob a da cozinha (fotos em anexo) – pelo valor de R$ 900.
1.1) O locatário se compromete a deixar os armários e prateleiras no imóvel quando sair do apartamento, caso a presente renegociação seja aceita.
1.2) Os armários e prateleiras foram desenhados por arquiteto profissional e feitos sob medida por marceneiro reconhecido no ramo, a preços abaixo dos de mercado.
1.3) Os armários agregam valor ao apartamento, visto que a inexistência dos mesmos quase demoveu o locatário da decisão de alugar o imóvel.
1.4) O locatário ainda se propõe a deixar uma sugestão de lay out de mobiliário para o imóvel, a ser usada pelo locador ou por futuro locatário, caso a presente proposta de renegociação seja aceita.
1.5) O locatário tem cuidado do apartamento como se fora proprietário do mesmo.
2) Apartamento (201) com maior área no mesmo prédio do imóvel em tela é alugado por R$ 500 mensais – ante R$ 550 pagos desde o sétimo mês de aluguel pelo proponente desta renegociação.
3) O salário mensal do locatário reduziu de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil.
3.1) O locatário sempre manteve em dia o pagamento do aluguel.
3.2) O locatário se vê agora com dificuldades de pagar o aluguel.
O locatário propõe renegociação do aluguel nos seguintes termos:
1) Redução imediata, a partir do carnê de julho, do valor do aluguel de R$ 550 para R$ 500.
2) Adiamento do mês da correção anual do valor de setembro para dezembro de 2005 e correção sobre o novo valor proposto (R$ 500).
3) Reajuste anual do aluguel segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Certo da compreensão do locador,
Sebastião Dornelles de Araújo Ribeiro, locatário"
"Pedido de renegociação de contrato de aluguel de imóvel na Rua Jaime Telles.
Considerando que:
1) O locatário realizou benfeitorias no apartamento, instalando dois armários – um sob a pia do banheiro e outro, acompanhado de prateleiras, sob a da cozinha (fotos em anexo) – pelo valor de R$ 900.
1.1) O locatário se compromete a deixar os armários e prateleiras no imóvel quando sair do apartamento, caso a presente renegociação seja aceita.
1.2) Os armários e prateleiras foram desenhados por arquiteto profissional e feitos sob medida por marceneiro reconhecido no ramo, a preços abaixo dos de mercado.
1.3) Os armários agregam valor ao apartamento, visto que a inexistência dos mesmos quase demoveu o locatário da decisão de alugar o imóvel.
1.4) O locatário ainda se propõe a deixar uma sugestão de lay out de mobiliário para o imóvel, a ser usada pelo locador ou por futuro locatário, caso a presente proposta de renegociação seja aceita.
1.5) O locatário tem cuidado do apartamento como se fora proprietário do mesmo.
2) Apartamento (201) com maior área no mesmo prédio do imóvel em tela é alugado por R$ 500 mensais – ante R$ 550 pagos desde o sétimo mês de aluguel pelo proponente desta renegociação.
3) O salário mensal do locatário reduziu de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil.
3.1) O locatário sempre manteve em dia o pagamento do aluguel.
3.2) O locatário se vê agora com dificuldades de pagar o aluguel.
O locatário propõe renegociação do aluguel nos seguintes termos:
1) Redução imediata, a partir do carnê de julho, do valor do aluguel de R$ 550 para R$ 500.
2) Adiamento do mês da correção anual do valor de setembro para dezembro de 2005 e correção sobre o novo valor proposto (R$ 500).
3) Reajuste anual do aluguel segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Certo da compreensão do locador,
Sebastião Dornelles de Araújo Ribeiro, locatário"
segunda-feira, julho 18, 2005
Minha sobremesa hoje: filete de queijo Casa da Ovelha com doce de leite Hué. Um dia vou criar ovelhas. E vacas de leite.
domingo, julho 17, 2005
A Alice, filha da Ambrosina e avó da Rafa, era dona de bar lá em Taquara. Um dia, foi cobrar a conta de um cliente e ouviu uns desaforos do cara. Sem titubear, pegou o facão e deu de plancha nas paletas do caloteiro. Vendo a confusão, veio a dona Ambrosina, e atirou uma cadeira em cima do vivente. Ato contínuo, a Alice apontou a faca para o homem. Ao que a bisa da Rafa interveio:
- Assim, não Alice. Assim mata, minha filha.
Isto explica muita coisa. A gente entende direitinho a quem minha mulher puxou.
- Assim, não Alice. Assim mata, minha filha.
Isto explica muita coisa. A gente entende direitinho a quem minha mulher puxou.
quarta-feira, julho 13, 2005
sexta-feira, julho 08, 2005
quinta-feira, julho 07, 2005
A abelha precisa visitar 4 mil flores para colher uma grama de mel. Para colher um quilo, necessita de 4 milhões de flores. Fonte: www.fargs.net
quarta-feira, julho 06, 2005
Viciei no docinho de leite Hué (R$ 1,20, no Empório Diet). Lembra, de looonge, a Vauquita argentina.
domingo, julho 03, 2005
quinta-feira, junho 30, 2005
segunda-feira, junho 27, 2005
Passei o fim-de-semana fazendo turismo. Em Pelotas. Um flaneur pelas ruas pelotenses. Seguem algumas impressões e relatos sobre a cidade.
- Pelotas tem muitos cabeleireiros.
- Pelotas tem muitos corretores de imóveis.
- Que pelotenses fazem muito doce, eu já sabia. Mas que comem muito doce, descobri ontem. No Laranjal, o povo reveza: um matezinho, um docinho, um matezinho, um docinho, um matezinho...
- O Laranjal é lindo. Muito astral.
- Que triste a degradação do patrimônio histórico. Pior de tudo é o mercado público onde os secos e molhados dividem o espaço em ruínas com bancas de... sapatos chineses.
- De dia, não vi nenhum bistrô, café com mesas na rua ou bar mais transadinho. Nada que apetecesse gastar mais de uma hora, pelo menos.
- Pelotas tem muitos cabeleireiros.
- Pelotas tem muitos corretores de imóveis.
- Que pelotenses fazem muito doce, eu já sabia. Mas que comem muito doce, descobri ontem. No Laranjal, o povo reveza: um matezinho, um docinho, um matezinho, um docinho, um matezinho...
- O Laranjal é lindo. Muito astral.
- Que triste a degradação do patrimônio histórico. Pior de tudo é o mercado público onde os secos e molhados dividem o espaço em ruínas com bancas de... sapatos chineses.
- De dia, não vi nenhum bistrô, café com mesas na rua ou bar mais transadinho. Nada que apetecesse gastar mais de uma hora, pelo menos.
sábado, junho 25, 2005
quinta-feira, junho 23, 2005
Segue mais uma resposta de meus queridos professores. Desta vez a trago com grifos (meus), que comprovam a tese lançada pelo Filipe e que predominou entre os debatedores. Apenas a título de implicância, também grifo a parte que mostra que a alegação soloniana de que o a espuma do leite é tipo a da cerveja e que este fenômeno o faz subir é um embuste.
"Caríssimo Sebastião
Ficamos felizes de ver que quando a "coisa" aperta a salvação pode ser aqueles velhos professores que tanto pareciam nos infernizar a vida. Mas vamos lá, aí vão algumas considerações sobre o leite. O leite é uma emulsão onde glóbulos de gordura "flutuam" em uma solução aquosa que conté m vários componentes: açúcares (lactose), caseína, albumina, sais minerais, vitaminas,ácido lático... A água constitui , em volume, o principal componente do leite (em torno de 88%)enquanto a matéria gordurosa formada por glóbulos de diversos tamanho é o componente mais variável dependendo do tipo do leite( em média 3,5%). A caseína forma uma solução coloidal e entra em torno de 3%. A caseína pode ser obtida por precipitação natural (fermentação) ou com o auxílio de coalhos ouácidos (leite tallhado). A caseína é o principal componente dos queijos. A albumina é solúvel em água e não se coagula por coalho e sim por ácidos ou por calor, é a albumina que forma aquela película no leite aquecido e também é albumina aquela espuma que se observa quando o leite ferve. Depois de precipitar a caseína do soro sobrante pode-se separar a albuminaque serve para fabricar ricota. A lactose ou açúcar do leite encontra-se em 4,5%.A tranformação da lactose em ácido lático causa a precipitação da caseína e portanto a coagulação do leite. E por que o leite sobe? Por ser menos densa, a camada gordurosa flutua sobre o leite em repouso,formando a nata. Esta camada de gordura impede que as bolhas de vapor dágua que se formam quando o leite é aquecido cheguem à superfície para "estourarem" ou seja as bolhas de vapor tendem a se desprender da porção líquida. Com esta éspécie de "tampão" as bolhas ficam presas dentro do leite e com acontinuidade do aquecimento elas cada vez mais aumentam em número e em volume fazendo com que o leite cresça e derrame. Bom, acho que era isto que podiamos contribuir para esta discussão de vocês. Abraços Claudete e Adalberto"
"Caríssimo Sebastião
Ficamos felizes de ver que quando a "coisa" aperta a salvação pode ser aqueles velhos professores que tanto pareciam nos infernizar a vida. Mas vamos lá, aí vão algumas considerações sobre o leite. O leite é uma emulsão onde glóbulos de gordura "flutuam" em uma solução aquosa que conté m vários componentes: açúcares (lactose), caseína, albumina, sais minerais, vitaminas,ácido lático... A água constitui , em volume, o principal componente do leite (em torno de 88%)enquanto a matéria gordurosa formada por glóbulos de diversos tamanho é o componente mais variável dependendo do tipo do leite( em média 3,5%). A caseína forma uma solução coloidal e entra em torno de 3%. A caseína pode ser obtida por precipitação natural (fermentação) ou com o auxílio de coalhos ouácidos (leite tallhado). A caseína é o principal componente dos queijos. A albumina é solúvel em água e não se coagula por coalho e sim por ácidos ou por calor, é a albumina que forma aquela película no leite aquecido e também é albumina aquela espuma que se observa quando o leite ferve. Depois de precipitar a caseína do soro sobrante pode-se separar a albuminaque serve para fabricar ricota. A lactose ou açúcar do leite encontra-se em 4,5%.A tranformação da lactose em ácido lático causa a precipitação da caseína e portanto a coagulação do leite. E por que o leite sobe? Por ser menos densa, a camada gordurosa flutua sobre o leite em repouso,formando a nata. Esta camada de gordura impede que as bolhas de vapor dágua que se formam quando o leite é aquecido cheguem à superfície para "estourarem" ou seja as bolhas de vapor tendem a se desprender da porção líquida. Com esta éspécie de "tampão" as bolhas ficam presas dentro do leite e com acontinuidade do aquecimento elas cada vez mais aumentam em número e em volume fazendo com que o leite cresça e derrame. Bom, acho que era isto que podiamos contribuir para esta discussão de vocês. Abraços Claudete e Adalberto"
quarta-feira, junho 22, 2005
Tenho um assunto muito obscuro para falar sobre. Tão obscuro que o Word não o reconhece em nenhuma de suas grafias. Mitórios. Mictórios.
Passa que há homens que se intimidam com os mictórios. Cruzam ao largo deles, indo direto para a casinha, para o vaso sanitário. Há outros ainda que não conseguem mijar tendo ao lado um companheiro. Eu até entendo isso. A situação é realmente constrangedora. Dois homens, duas mangueiras, lado a lado.
Um amigo meu é conhecido por evitar os mictórios. Evita até as árvores, os muros, os matinhos. Nem na mais absoluta bebedeira, três garrafas de Patrícia a descarregar, noite cerrada, é capaz de fazer xixi sabendo-se observado. Muitas vezes já lhe perguntamos por que. Ele responde sempre que é uma questão de concentração - mijar seria um ato que requer tranqüilidade máxima.
Há ainda aqueles que até aceitam o mictório, mas jamais uma companhia no aparelho adjacente – que dirá um papo de banheiro. Podem até esvaziar eficientemente de frente para uma parede, contando os azulejos do chão até o teto. Mas, em chegando um segundo para compartilhar o momento, a vazão diminui drasticamente, podendo até cessar por completo. Nesses casos, costumam tangenciar. Pressionam a hidra para fazer barulhinho de água e estimular o pipi, assoviam para que o outro não perceba que o mijo só sai em gotas, ou simplesmente abandonam a tarefa pela metade e sacolejam como se a tivessem concluído.
Sempre achei que essa situação tivesse uma forte explicação psicanalítica. Medo de olhar pro pinto do outro (e gostar?), medo de que o vizinho pare e proponha uma disputa para “ver quem tem o tico maior”, medo de descobrir que o outro mija melhor, com mais vazão e eficiência. Medos inconscientes mil. E pior: relacionados à sexualidade. Coisas que Freud gostaria de explicar.
Pois esses dias, um outro amigo deu uma pista de que minha teoria está correta. Mandou o seguinte mail para uma lista de discussões. “Às vezes eu tou mijando num mictório desses coletivos. Sabe quando outro cara mija do teu lado e só consegue aquele mijinho mocorongo que não dá barulho, não dá uma corrente mijal constante, é psh... pshh... pshh...? Eu sempre fico com a impressão que esse cara é um merda. Estarei louco?”
A inquietação absolutamente pertinente do colega me fez pensar que, além dos que fogem do mictório, dos que só o encaram sozinho e dos que simplesmente mijam, há os que realmente observam, ou ao menos reparam, os outros mijar. O interessante de notarmos é que o mail do meu amigo dá realmente uma base real para os que temores dos que têm medo da relação mictorial. Responde a estes: sim, há gente observando você mijar, cotejando mijos.
O estranho é que não consigo colocar este meu amigo nessa posição. Ele é um cara super low profile, daqueles que você juraria que não presta atenção no seu xixi. No entanto, aí está o rapaz a insinuar que existem os “mocorongos”, os “merdas” do mictório. Engraçado, não pensava que ele fosse do tipo que tem orgulho do xixi. Muito menos do próprio pinto. Sei lá, nunca imaginei que ele portasse um trabuco cano longo, uma enorme morcilha preta, uma mangueira quilométrica que daria orgulho de exibir no mictório. Não que eu achasse que ele tivesse pinto pequeno. Normal, apenas. Pelo menos nunca se falou nada sobre seu aparelho no vestiário do futebol...
E antes que já me acusem de adotar a postura de meu amigo, de ser um observador mictorial, um medidor de vazões, esclareço: há tempos venho fazendo isso por rigor científico. Como se vê, e o mail de meu amigo confirma, o comportamento nos mictórios intriga a muitos e amanhã mesmo pedirei explicações ao meu psiquiatra sobre o caso.
Passa que há homens que se intimidam com os mictórios. Cruzam ao largo deles, indo direto para a casinha, para o vaso sanitário. Há outros ainda que não conseguem mijar tendo ao lado um companheiro. Eu até entendo isso. A situação é realmente constrangedora. Dois homens, duas mangueiras, lado a lado.
Um amigo meu é conhecido por evitar os mictórios. Evita até as árvores, os muros, os matinhos. Nem na mais absoluta bebedeira, três garrafas de Patrícia a descarregar, noite cerrada, é capaz de fazer xixi sabendo-se observado. Muitas vezes já lhe perguntamos por que. Ele responde sempre que é uma questão de concentração - mijar seria um ato que requer tranqüilidade máxima.
Há ainda aqueles que até aceitam o mictório, mas jamais uma companhia no aparelho adjacente – que dirá um papo de banheiro. Podem até esvaziar eficientemente de frente para uma parede, contando os azulejos do chão até o teto. Mas, em chegando um segundo para compartilhar o momento, a vazão diminui drasticamente, podendo até cessar por completo. Nesses casos, costumam tangenciar. Pressionam a hidra para fazer barulhinho de água e estimular o pipi, assoviam para que o outro não perceba que o mijo só sai em gotas, ou simplesmente abandonam a tarefa pela metade e sacolejam como se a tivessem concluído.
Sempre achei que essa situação tivesse uma forte explicação psicanalítica. Medo de olhar pro pinto do outro (e gostar?), medo de que o vizinho pare e proponha uma disputa para “ver quem tem o tico maior”, medo de descobrir que o outro mija melhor, com mais vazão e eficiência. Medos inconscientes mil. E pior: relacionados à sexualidade. Coisas que Freud gostaria de explicar.
Pois esses dias, um outro amigo deu uma pista de que minha teoria está correta. Mandou o seguinte mail para uma lista de discussões. “Às vezes eu tou mijando num mictório desses coletivos. Sabe quando outro cara mija do teu lado e só consegue aquele mijinho mocorongo que não dá barulho, não dá uma corrente mijal constante, é psh... pshh... pshh...? Eu sempre fico com a impressão que esse cara é um merda. Estarei louco?”
A inquietação absolutamente pertinente do colega me fez pensar que, além dos que fogem do mictório, dos que só o encaram sozinho e dos que simplesmente mijam, há os que realmente observam, ou ao menos reparam, os outros mijar. O interessante de notarmos é que o mail do meu amigo dá realmente uma base real para os que temores dos que têm medo da relação mictorial. Responde a estes: sim, há gente observando você mijar, cotejando mijos.
O estranho é que não consigo colocar este meu amigo nessa posição. Ele é um cara super low profile, daqueles que você juraria que não presta atenção no seu xixi. No entanto, aí está o rapaz a insinuar que existem os “mocorongos”, os “merdas” do mictório. Engraçado, não pensava que ele fosse do tipo que tem orgulho do xixi. Muito menos do próprio pinto. Sei lá, nunca imaginei que ele portasse um trabuco cano longo, uma enorme morcilha preta, uma mangueira quilométrica que daria orgulho de exibir no mictório. Não que eu achasse que ele tivesse pinto pequeno. Normal, apenas. Pelo menos nunca se falou nada sobre seu aparelho no vestiário do futebol...
E antes que já me acusem de adotar a postura de meu amigo, de ser um observador mictorial, um medidor de vazões, esclareço: há tempos venho fazendo isso por rigor científico. Como se vê, e o mail de meu amigo confirma, o comportamento nos mictórios intriga a muitos e amanhã mesmo pedirei explicações ao meu psiquiatra sobre o caso.
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