segunda-feira, maio 30, 2005
quarta-feira, maio 25, 2005
segunda-feira, maio 23, 2005
Coisa de português
Sábado, fui na feirinha ecológica da José Bonifácio (aliás, que badalado anda aquilo!). Chegando lá, lembrei-me de uma amiga muito fina e muito chique, apreciadora da função, e telefonei perguntando se ela não tinha nenhuma encomenda. Ela pediu-me ciboullettes e um molho de manjericão. Deixei a sacola com a filha dela. Hoje, minha amiga ligou agradecendo.
- Sebastião, muito obrigado! Mas pra que tanta gentileza? O que era aquele molho, menino?
- Molho pesto. Gostou?
- Adorei, mas não prcisava...
- Mas foi tu quem pediu.
- Eu?
- Claro, tu não pediu ciboulletes e molho de manjericão? Pesto é de manjericão, não sabia?
- Guri, eu te pedi um molho de manjericão. Um molho!!!
Enfim, coisas de português ...
Sábado, fui na feirinha ecológica da José Bonifácio (aliás, que badalado anda aquilo!). Chegando lá, lembrei-me de uma amiga muito fina e muito chique, apreciadora da função, e telefonei perguntando se ela não tinha nenhuma encomenda. Ela pediu-me ciboullettes e um molho de manjericão. Deixei a sacola com a filha dela. Hoje, minha amiga ligou agradecendo.
- Sebastião, muito obrigado! Mas pra que tanta gentileza? O que era aquele molho, menino?
- Molho pesto. Gostou?
- Adorei, mas não prcisava...
- Mas foi tu quem pediu.
- Eu?
- Claro, tu não pediu ciboulletes e molho de manjericão? Pesto é de manjericão, não sabia?
- Guri, eu te pedi um molho de manjericão. Um molho!!!
Enfim, coisas de português ...
sexta-feira, maio 20, 2005
terça-feira, maio 17, 2005
A Rafa cometeu o disparate de mandar eu ir ao supermercado sozinho. Entre um monte de bobagens (farelo de casca de trigo, por exemplo), comprei coelho. É, coelho! Em vez de patinho ou tatu, coelho.
Claro, não saí impune dessa aventura. Quando disse que hoje a janta ficava por minha conta, ouvi tanto, tanto... Que tu não vais cozinhar, não senhor, que eu não como coelho, que eu tenho trauma, fico imaginando o bichinho, olha só, aqui é a patinha do pobre, devia ser branquinho com olhos vermelhos, que se tu fizeres coelho eu vou embora de casa e coisa e tal.
Mas, vocês sabem, não é assim pra mulher mandar em mim. No máximo, divido o forno com tua galinha. Tão bravamente resisti que ela cedeu. Mas ai de ti se ficar uma bosta, guri!
E não é que saiu uma baita janta! Lapin au vin, by chef Sebá!
Claro, não saí impune dessa aventura. Quando disse que hoje a janta ficava por minha conta, ouvi tanto, tanto... Que tu não vais cozinhar, não senhor, que eu não como coelho, que eu tenho trauma, fico imaginando o bichinho, olha só, aqui é a patinha do pobre, devia ser branquinho com olhos vermelhos, que se tu fizeres coelho eu vou embora de casa e coisa e tal.
Mas, vocês sabem, não é assim pra mulher mandar em mim. No máximo, divido o forno com tua galinha. Tão bravamente resisti que ela cedeu. Mas ai de ti se ficar uma bosta, guri!
E não é que saiu uma baita janta! Lapin au vin, by chef Sebá!
segunda-feira, maio 16, 2005
Agora mesmo, aqui em casa, deu problema no bóiler e o JK ficou num cheirão de gás. O que me fez lembrar a velha Conceição, vó do Alfredinho. Lá pelos seus 80, ela já não sentia nada, mas era metida a independente. Um dia, foi esquentar uma água, mas nem percebeu que a chama não ligara. Ficou aquele gás a escapar até que, uma hora depois, ela se desse conta. Sem titiubear, e sem a menor noção do fedor de gás que estava a casa, pegou a caixinha de fósforo para acender a boca. Riscou o palito e... PÔÔÔU! Explosão. Pode imaginar a velha toda preta, os cabelos queimados. Mas também já pode ir desimaginando. Mentaliza agora a Conceição intacta em frente ao fogão, o palitinho de fósforo aceso, e o vidro da sala contígua à cozinha explodindo brutalmente. Foi isso o que aconteceu. A corrente de ar levou o gás para a sala e o estouro foi se dar bem longe da velha. Que ficou tranqüilinha, sem entender nada, com o palitinho de fósforo na mão. Anos depois, morreu, claro. Mas não de explosão. De velhinha mesmo.
sábado, maio 14, 2005
quinta-feira, maio 12, 2005
Já sei o que eu quero de aniversário...
Veja, Maio de 2005
A versão digital e portátil do Aurélio escaneia as palavras e dá seusignificado em segundos
Jerônimo Teixeira
O Aurélio Digital em ação: um aparelho prático, mas com preço salgado
No mercado editorial, o setor mais influenciado pela tecnologia é o dos livros de referência. Cada vez mais, enciclopédias e dicionários são apresentados em formatos digitais. O mais tradicional dicionário brasileiro, o Aurélio, está levando essa tendência para um campo novo no país: o dos dicionários e tradutores instantâneos – e portáteis. Recém-lançado pelo grupo Positivo, que adquiriu seus direitos em 2003, o Aurélio Digital é uma espécie de caneta com scanner embutido e permite que o usuário, ao passar o aparelho sobre uma palavra impressa, obtenha sua definição em segundos.
Blóguidotião, Outubro de 2004
"Sempre senti falta de um aparelhinho que certo que já inventaram, mas eu nunca vi no mercado: um dicionário eletrônico. Um aparelhinho pequeno, do tamanho da palma da mão, com um tecladinho, e que nos desse o significado das palavras.
Uma vez disse isso pro meu primo Dinho e ele, meio brincando, meio sério, rebateu a idéia. Que horror ! O bom é tocar, sentir o cheiro do papel, escutar o bum surdo de um Aurelião sendo fechado; o bom é folhear, se perder entre as palavras, sair à cata de um verbete e descobrir outro, procurar peia e achar peguilha, dar para cada consulta um rumo diferente e inesperado.
Eu não acho. Bom seria topar na palavra desconhecida, digitá-la no teclado e imediatamente receber a resposta. Ideal seria descobrir o significado e não ter de voltar uma frase sequer na leitura, inserindo-o logo no contexto do escrito.
Tá, eu sei: é preguiça minha, mesmo..."
Veja, Maio de 2005
A versão digital e portátil do Aurélio escaneia as palavras e dá seusignificado em segundos
Jerônimo Teixeira
O Aurélio Digital em ação: um aparelho prático, mas com preço salgado
No mercado editorial, o setor mais influenciado pela tecnologia é o dos livros de referência. Cada vez mais, enciclopédias e dicionários são apresentados em formatos digitais. O mais tradicional dicionário brasileiro, o Aurélio, está levando essa tendência para um campo novo no país: o dos dicionários e tradutores instantâneos – e portáteis. Recém-lançado pelo grupo Positivo, que adquiriu seus direitos em 2003, o Aurélio Digital é uma espécie de caneta com scanner embutido e permite que o usuário, ao passar o aparelho sobre uma palavra impressa, obtenha sua definição em segundos.
Blóguidotião, Outubro de 2004
"Sempre senti falta de um aparelhinho que certo que já inventaram, mas eu nunca vi no mercado: um dicionário eletrônico. Um aparelhinho pequeno, do tamanho da palma da mão, com um tecladinho, e que nos desse o significado das palavras.
Uma vez disse isso pro meu primo Dinho e ele, meio brincando, meio sério, rebateu a idéia. Que horror ! O bom é tocar, sentir o cheiro do papel, escutar o bum surdo de um Aurelião sendo fechado; o bom é folhear, se perder entre as palavras, sair à cata de um verbete e descobrir outro, procurar peia e achar peguilha, dar para cada consulta um rumo diferente e inesperado.
Eu não acho. Bom seria topar na palavra desconhecida, digitá-la no teclado e imediatamente receber a resposta. Ideal seria descobrir o significado e não ter de voltar uma frase sequer na leitura, inserindo-o logo no contexto do escrito.
Tá, eu sei: é preguiça minha, mesmo..."
quarta-feira, maio 11, 2005
segunda-feira, maio 09, 2005
Estava lendo agora a matéria da Veja sobre a tradicional pesquisa encomendada pela MTV com jovens entre 15 e 30 anos. Descobri coisas interessantes. Olhá só:
37% dos homens fazem as unhas
25% pintam o cabelo
22% fazem limpeza de pele
Meus amigos estão escondendo a própria veadagem. Digamos, eu tenho uns 500 amigos, segundo o Orkut. Desses, 250 devem ser homens, dos quais uns 62 devem pintar o cabelo - como prova a MTV. O problema é que não consigo lembrar de mais do que quatro ou cinco com melenas tingidas, sendo que a maioria diz apenas passar parafina, não "pintar" o cabelo. Então, meus amigos pintam o cabelo e mentem que não pintam. Conclusão: pelo menos um a cada quatro amigos meus é mentiroso.
Vamos a mais uma coisa estranha:
83% já tiveram relações sexuais
76% já ficaram com umna pessoa que conheceram na mesma noite
Peraê: em que mundo eu vivo? No meu mundo, 100% das pessoas já ficaram com uma pessoa que conheceram na mesma noite. Dar um beijo em uma desconhecida é a primeira coisa que qualquer menino faz quando os hormônios batem. Ésó ir a uma festinha, olhar para todas, esperar alguma retribuir o olhar, e beijar. Agora, transar... Transar é difícil. Tenho amigas que foram dar pela primeira vez aos 25. Mas a MTV diz que as pessoas fazem mais sexo do que beijam desconhecidos. Que coisa!
37% dos homens fazem as unhas
25% pintam o cabelo
22% fazem limpeza de pele
Meus amigos estão escondendo a própria veadagem. Digamos, eu tenho uns 500 amigos, segundo o Orkut. Desses, 250 devem ser homens, dos quais uns 62 devem pintar o cabelo - como prova a MTV. O problema é que não consigo lembrar de mais do que quatro ou cinco com melenas tingidas, sendo que a maioria diz apenas passar parafina, não "pintar" o cabelo. Então, meus amigos pintam o cabelo e mentem que não pintam. Conclusão: pelo menos um a cada quatro amigos meus é mentiroso.
Vamos a mais uma coisa estranha:
83% já tiveram relações sexuais
76% já ficaram com umna pessoa que conheceram na mesma noite
Peraê: em que mundo eu vivo? No meu mundo, 100% das pessoas já ficaram com uma pessoa que conheceram na mesma noite. Dar um beijo em uma desconhecida é a primeira coisa que qualquer menino faz quando os hormônios batem. Ésó ir a uma festinha, olhar para todas, esperar alguma retribuir o olhar, e beijar. Agora, transar... Transar é difícil. Tenho amigas que foram dar pela primeira vez aos 25. Mas a MTV diz que as pessoas fazem mais sexo do que beijam desconhecidos. Que coisa!
Esta nota saiu na revista Galileu de fevereiro. Preste atenção e se quiser sugira um título nos comments.
"Uma pesquisa publicada na revista especializada Journal Human Reproduction mostrou que jovens que costumam apoiar o laptop no colo por longos períodos podem ter problemas de fertilidade. Participaram do estudo 29 homens de 21 a 35 anos, cujas temperaturas escrotais foram medidas antes e depois do uso do laptop. Os pesquisadores descobriram que o aparelho eleva a temperatura do escroto direito em 2,6°C e do esquerdo em 2,8°C."
"Uma pesquisa publicada na revista especializada Journal Human Reproduction mostrou que jovens que costumam apoiar o laptop no colo por longos períodos podem ter problemas de fertilidade. Participaram do estudo 29 homens de 21 a 35 anos, cujas temperaturas escrotais foram medidas antes e depois do uso do laptop. Os pesquisadores descobriram que o aparelho eleva a temperatura do escroto direito em 2,6°C e do esquerdo em 2,8°C."
quinta-feira, maio 05, 2005
quarta-feira, maio 04, 2005
A Reconquista do Oeste - Parte 3
Conta que faz parte de um grupo de fazendeiros. Uma experiência avançada, pouco comum no Rio Grande do Sul. Um exemplo e tanto para figurar no Campo e Lavoura. Seu Aymoré – ou Xavier, como se identifica ao atender ao telefone – integra um grupo de 11 fazendeiros que compram e vendem produtos em conjunto para reduzir custos e negociar preços. Juntos, contrataram uma consultoria internacional e agora vão começar a exportar soja e algodão sem a interferência de corretoras. Pra arrematar, a turma mantém um ritual que tem um pouco de religioso. A cada mês, tiram um dia inteiro para se reunir na casa de um dos companheiros. Tomam café, almoço e chá da tarde juntos. Percorrem a propriedade e analisam as contas do anfitrião. Ao final da jornada, os companheiros formulam um plano de sugestões para que o dono da fazenda melhore a gestão do negócio. No ano seguinte, verificam se as metas foram cumpridas. Um sistema bastante complexo para um fazendeiro para quem hectare é “hequetar” e maior, "malhor".
Conta que faz parte de um grupo de fazendeiros. Uma experiência avançada, pouco comum no Rio Grande do Sul. Um exemplo e tanto para figurar no Campo e Lavoura. Seu Aymoré – ou Xavier, como se identifica ao atender ao telefone – integra um grupo de 11 fazendeiros que compram e vendem produtos em conjunto para reduzir custos e negociar preços. Juntos, contrataram uma consultoria internacional e agora vão começar a exportar soja e algodão sem a interferência de corretoras. Pra arrematar, a turma mantém um ritual que tem um pouco de religioso. A cada mês, tiram um dia inteiro para se reunir na casa de um dos companheiros. Tomam café, almoço e chá da tarde juntos. Percorrem a propriedade e analisam as contas do anfitrião. Ao final da jornada, os companheiros formulam um plano de sugestões para que o dono da fazenda melhore a gestão do negócio. No ano seguinte, verificam se as metas foram cumpridas. Um sistema bastante complexo para um fazendeiro para quem hectare é “hequetar” e maior, "malhor".
terça-feira, maio 03, 2005
A Reconquista do Oeste - Parte 2
Quando devoro a última mordida da última fatia, o farol da Mitsubishi Pajero já ilumina o hotel. Em um pulo, estou de pé e então dentro do auto, tentando decifrar o painel: aquilo é uma bússola? Seu Aymoré Xavier está bem desperto – desde que se entende por gente sai da cama antes do sol sair da terra. Ainda está escuro, mas o velho usa um chapéu de tecido creme bem caído na cabeça. É a única coisa nova e elegante no seu figurino. No mais uma camisa de mangas curtas e bolso no peito, uma calça social preta bem batida e uma botina de cano curto – como tantas outras que tem em sua casa na cidade ou na fazenda.Desde que o encontrei à tarde da feira agrícola tive a certeza de que ele não tinha a menor idéia do que efetivamente eu queria. O olhar displicente e a mania de responder a perguntas que não foram feitas contrastavam com a imediata disposição de levar-me até sua propriedade. O fato é que, entendendo ele ou não o que eu queria, estava disposto a me ajudar – e isso é o que importava. É por isso que me surpreende tanto agora, ao começarmos nossa viagem. Deixa para o início de nossa conversa o lead da matéria.
Quando devoro a última mordida da última fatia, o farol da Mitsubishi Pajero já ilumina o hotel. Em um pulo, estou de pé e então dentro do auto, tentando decifrar o painel: aquilo é uma bússola? Seu Aymoré Xavier está bem desperto – desde que se entende por gente sai da cama antes do sol sair da terra. Ainda está escuro, mas o velho usa um chapéu de tecido creme bem caído na cabeça. É a única coisa nova e elegante no seu figurino. No mais uma camisa de mangas curtas e bolso no peito, uma calça social preta bem batida e uma botina de cano curto – como tantas outras que tem em sua casa na cidade ou na fazenda.Desde que o encontrei à tarde da feira agrícola tive a certeza de que ele não tinha a menor idéia do que efetivamente eu queria. O olhar displicente e a mania de responder a perguntas que não foram feitas contrastavam com a imediata disposição de levar-me até sua propriedade. O fato é que, entendendo ele ou não o que eu queria, estava disposto a me ajudar – e isso é o que importava. É por isso que me surpreende tanto agora, ao começarmos nossa viagem. Deixa para o início de nossa conversa o lead da matéria.
domingo, maio 01, 2005
Descobri que todas as penitenciárias femininas do mundo são iguais. Ou parecidas. Tive certeza disso ao ler Radical Chique e o Novo Jornalismo, do Tom Wolfe. Página 30: “Uma vez comecei uma história sobre as garotas presas na Casa de Detenção de Mulheres do Greenwich Village (...). As meninas costumavam gritar para os rapazes na rua (...). Gritavam todos os nomes masculinos que podiam imaginar (...) até acharem o nome certo e o coitado parar, olhar para cima (...). Então começavam a sugerir uma porção de peculiares impossibilidades anatômicas”.
Provavelmente vocês não saibam, porque provavelmente vocês nunca fizeram matéria no Madre Pelletier, mas na Porto Alegre de 2005 acontece a mesmíssima coisa que nos Estados Unidos da década de 60. É só você passar na frente do presídio e elas verem que você tem duas bolas e um tico no meio das pernas que a gritaria explode. Uma reação completamente irracional e incompreensível para quem está de fora. Paneladas nas grades são a percussão para as mais grosseiras cantadas que você jamais imaginaria sair da boca de uma... mulher. É algo realmente assustador, de tremer a espinha – uma experiência que faz você pensar que vale a pena ser jornalista só para passar por ela.
Fiz matérias duas vezes no Madre Pelletier. Além da recepção, outras situações deixaram-me de boca aberta. Por exemplo: a informação de que seria impossível a equipe da TV subir ao refeitório na hora da bóia, porque a presença de homens no recinto poderia gerar reações inesperadas e culminar – por que não? – em uma rebelião.
Vocês devem estar adivinhando que a origem deste post foi o documentário O Cárcere e a Rua, que acabei de ver. E gostei. Mas na verdade não gostei. O filme não é ruim. Mas simplesmente porque seria quase impossível fazer algo ruim partindo-se da idéia original. O problema é que a diretora focando na vida de três detentas, a vida da cadeia é apenas tangenciada. As personagens transformam-se quase em atrizes de uma trama de ficção. Isso dá mais emoção ao filme – nós torcemos, sofremos e vibramos com as detentas -, mas enfraquece o caráter documental. Como espectador, fiquei indignado com o fato de a documentarista ter estado dentro de um dos lugares que eu mais teria curiosidade de estar, mas me oferecer quase nada do que viu – não mais do que as lágrimas e os sorrisos de Cláudia, Betânia, Daniela. A melhor cena de todo o filme é a escolhida para dar ritmo à narrativa, servindo sempre como elemento de transição na edição: a do amante que namora aos gritos com a namorada – ela na cela e ele, a centenas de metros de distância, pendurado na grade da rua. Pois as meninas berrando na janela, as meninas comendo, as meninas jogando vôlei, as meninas tomando sol seriam ótimas tomadas para tecer ainda melhor a narrativa e mostrar a vida do presídio.
O filme simplesmente parece falar de um lugar em que definitivamente as detentas não ficam histéricas ao olhar um homem pela janela.
Provavelmente vocês não saibam, porque provavelmente vocês nunca fizeram matéria no Madre Pelletier, mas na Porto Alegre de 2005 acontece a mesmíssima coisa que nos Estados Unidos da década de 60. É só você passar na frente do presídio e elas verem que você tem duas bolas e um tico no meio das pernas que a gritaria explode. Uma reação completamente irracional e incompreensível para quem está de fora. Paneladas nas grades são a percussão para as mais grosseiras cantadas que você jamais imaginaria sair da boca de uma... mulher. É algo realmente assustador, de tremer a espinha – uma experiência que faz você pensar que vale a pena ser jornalista só para passar por ela.
Fiz matérias duas vezes no Madre Pelletier. Além da recepção, outras situações deixaram-me de boca aberta. Por exemplo: a informação de que seria impossível a equipe da TV subir ao refeitório na hora da bóia, porque a presença de homens no recinto poderia gerar reações inesperadas e culminar – por que não? – em uma rebelião.
Vocês devem estar adivinhando que a origem deste post foi o documentário O Cárcere e a Rua, que acabei de ver. E gostei. Mas na verdade não gostei. O filme não é ruim. Mas simplesmente porque seria quase impossível fazer algo ruim partindo-se da idéia original. O problema é que a diretora focando na vida de três detentas, a vida da cadeia é apenas tangenciada. As personagens transformam-se quase em atrizes de uma trama de ficção. Isso dá mais emoção ao filme – nós torcemos, sofremos e vibramos com as detentas -, mas enfraquece o caráter documental. Como espectador, fiquei indignado com o fato de a documentarista ter estado dentro de um dos lugares que eu mais teria curiosidade de estar, mas me oferecer quase nada do que viu – não mais do que as lágrimas e os sorrisos de Cláudia, Betânia, Daniela. A melhor cena de todo o filme é a escolhida para dar ritmo à narrativa, servindo sempre como elemento de transição na edição: a do amante que namora aos gritos com a namorada – ela na cela e ele, a centenas de metros de distância, pendurado na grade da rua. Pois as meninas berrando na janela, as meninas comendo, as meninas jogando vôlei, as meninas tomando sol seriam ótimas tomadas para tecer ainda melhor a narrativa e mostrar a vida do presídio.
O filme simplesmente parece falar de um lugar em que definitivamente as detentas não ficam histéricas ao olhar um homem pela janela.
sábado, abril 30, 2005
Segue agora o primeiro exercício jornalístico em fascículos do Brasil.
A reconquista do Oeste - Parte 1
Faz duas horas e meia que me deitei e já está este telefone a tocar. Trru. Trru. Trru (não se fazem mais campainhas como antigamente). É o sistema de despertar do hotel. "Have a good morning in the earth of Agribusiness", diz a gravação feminina, com uma desproporcional elevação de tom em "agribusiness". Afinal, são 3h45 e alguém tem de lembrar aos de sono mais profundo: isto aqui é Rondonópolis. A cueca, a calça, a camiseta, o sapato, a meia, o gravador, o celular, o bloco e a caneta estão empilhados na cebeceira - bem nesta ordem e bem como os deixei ontem à noite, agora há pouco. Visto o que é de vestir, pego o que é de pegar, coloco no bolso o que é de colocar no bolso e me toco para o hall de entrada.
O velho tinha sido bem convincente. Por três vezes repeti e por três vezes ele confirmou: 4h da manhã, na frente do hotel. Mesmo assim, me é impossível acreditar que tudo vai dar certo. Não me contenho e ligo. Mais cinco minutos e estou aí, Sebastião, diz, enquanto engole uma empada de queijo com café com leite. Preferiria mil vezes uma polenta com lingüiça - atavismos de um filho de mãe de origem italiana -, mas tão requintado desjejum só come uma vez por semana, segundo me contaria logo depois. De minha parte, apresso-me em pedir alguma coisa para forrar o estômago, que viajar por estas estradas esburacadas de bucho vazio pode ser perigoso. O restaurante está fechado, com as lâmpadas apagadas, mas meio escondido no breu, consigo distinguir um garçom. Ali mesmo, aproveitando os fachos de luz que entram do lobby, ele faz a sua refeição do turno, um morro de bife, arroz, salada de batata, massa com mariscos, feijão: restos do buffet da noite. Parece ficar muito feliz que alguém interrompa sua rotina e atende de bom grado ao meu pedido. Deixa a refeição de lado e entra na cozinha, de onde sai trazendo um prato com três fatias de bolo de chocolate e três fatias de bolo de coco, quase um embriagado, e mais um copo de suco de laranja. Perfeito. É tudo o que preciso.
A reconquista do Oeste - Parte 1
Faz duas horas e meia que me deitei e já está este telefone a tocar. Trru. Trru. Trru (não se fazem mais campainhas como antigamente). É o sistema de despertar do hotel. "Have a good morning in the earth of Agribusiness", diz a gravação feminina, com uma desproporcional elevação de tom em "agribusiness". Afinal, são 3h45 e alguém tem de lembrar aos de sono mais profundo: isto aqui é Rondonópolis. A cueca, a calça, a camiseta, o sapato, a meia, o gravador, o celular, o bloco e a caneta estão empilhados na cebeceira - bem nesta ordem e bem como os deixei ontem à noite, agora há pouco. Visto o que é de vestir, pego o que é de pegar, coloco no bolso o que é de colocar no bolso e me toco para o hall de entrada.
O velho tinha sido bem convincente. Por três vezes repeti e por três vezes ele confirmou: 4h da manhã, na frente do hotel. Mesmo assim, me é impossível acreditar que tudo vai dar certo. Não me contenho e ligo. Mais cinco minutos e estou aí, Sebastião, diz, enquanto engole uma empada de queijo com café com leite. Preferiria mil vezes uma polenta com lingüiça - atavismos de um filho de mãe de origem italiana -, mas tão requintado desjejum só come uma vez por semana, segundo me contaria logo depois. De minha parte, apresso-me em pedir alguma coisa para forrar o estômago, que viajar por estas estradas esburacadas de bucho vazio pode ser perigoso. O restaurante está fechado, com as lâmpadas apagadas, mas meio escondido no breu, consigo distinguir um garçom. Ali mesmo, aproveitando os fachos de luz que entram do lobby, ele faz a sua refeição do turno, um morro de bife, arroz, salada de batata, massa com mariscos, feijão: restos do buffet da noite. Parece ficar muito feliz que alguém interrompa sua rotina e atende de bom grado ao meu pedido. Deixa a refeição de lado e entra na cozinha, de onde sai trazendo um prato com três fatias de bolo de chocolate e três fatias de bolo de coco, quase um embriagado, e mais um copo de suco de laranja. Perfeito. É tudo o que preciso.
quarta-feira, abril 27, 2005
Eu queria ter falado um pouco mais sobre Mato Grosso. Estou mesmo escrevendo um relato monstruoso sobre um fazendeiro de lá. Mas a verdade é que a preguiça pega e dali a pouco a memória já se apaga e foi-se a oportunidade. Por isso, fiquemos com as pílulas. Lendo o MonocromáticoMulticolorido me inspirei para contar só uma coisinha.
O ônibus entre Cuiabá e Rondonópolis leva quatro horas para percorrer 200 quilômetros. É pinga-pinga. E pinga mesmo. Em tudo quanto é biboca. Não queria estigmatizar o lugar e dizer que tudo lá é diferente. Mas que acontecem coisas estranhas, acontecem. Está certo que coisas estranhas em lugares estranhos soam mais estranhas, mas, enfim, nem por isso deixam de ser estranhas.
O fato é que depois de parar em tudo quanto é rodoviária de beira de estrada, daquelas que nem um coitado cuidando do banheiro têm, o ônibus estacionou no meio da estrada. Tá, no acostamento - mas no meio da estrada. Isso não seria estranho se ao menos o motorista tivesse feito a coisa estranha que os motoristas gostam de fazer nessas situações: dar umas marteladinhas na roda. Parece que fazem isso quando estão estressados, para descarregar a raiva, sabe?
Mas em Mato Grosso, o ônibus parou, fiquei esperando as batidinhas no pneu e nada... Um minuto, dois, três, cinco, quinze, e nada... E todo mundo fingindo que aquilo era normal. Quando deu uns dezesseis miinutos de parada, o motora abriu a porta da cabine e anunciou:
- Desculpa, gente, estamos com um problema. Eu perdi minha carteira e nem documentos tenho para tocar a viagem.
A guria atrás de mim, de boné Nike e calça Triton, um tipinho que podia estar fazendo Porto Alegre-Garopaba ou qualquer outro itinerário bacana neste brasilzão, largou um "ninguém merece", eu ri cá comigo mesmo, os demais passageiros iniciaram um pequeno borburinho. E continuamos a esperar, enquanto nosso piloto agora revirava o bagageiro. Achei mesmo que ele estava de pilantragem, querendo saquear as malas dos pobres coitados (que as minhas tavam bem seguras no meu colinho). Cogitei a hipótese de ele ter perdido a razão e, como em um desenho animado ou filme B, começado a procurar enlouquecidamente mais pelo ato de procurar do que pela possibilidade de achar (vide episódio vó do Tiago, para quem isto faz algum sentido). Mas não é que dali a cinco minutos o tiozinho volta bem faceiro e anuncia, aliviado:
- Achei minha carteira.
E seguimos viagem. Sem nunca descobrir como diabos o infeliz foi perder a carteira no bagageiro.
O ônibus entre Cuiabá e Rondonópolis leva quatro horas para percorrer 200 quilômetros. É pinga-pinga. E pinga mesmo. Em tudo quanto é biboca. Não queria estigmatizar o lugar e dizer que tudo lá é diferente. Mas que acontecem coisas estranhas, acontecem. Está certo que coisas estranhas em lugares estranhos soam mais estranhas, mas, enfim, nem por isso deixam de ser estranhas.
O fato é que depois de parar em tudo quanto é rodoviária de beira de estrada, daquelas que nem um coitado cuidando do banheiro têm, o ônibus estacionou no meio da estrada. Tá, no acostamento - mas no meio da estrada. Isso não seria estranho se ao menos o motorista tivesse feito a coisa estranha que os motoristas gostam de fazer nessas situações: dar umas marteladinhas na roda. Parece que fazem isso quando estão estressados, para descarregar a raiva, sabe?
Mas em Mato Grosso, o ônibus parou, fiquei esperando as batidinhas no pneu e nada... Um minuto, dois, três, cinco, quinze, e nada... E todo mundo fingindo que aquilo era normal. Quando deu uns dezesseis miinutos de parada, o motora abriu a porta da cabine e anunciou:
- Desculpa, gente, estamos com um problema. Eu perdi minha carteira e nem documentos tenho para tocar a viagem.
A guria atrás de mim, de boné Nike e calça Triton, um tipinho que podia estar fazendo Porto Alegre-Garopaba ou qualquer outro itinerário bacana neste brasilzão, largou um "ninguém merece", eu ri cá comigo mesmo, os demais passageiros iniciaram um pequeno borburinho. E continuamos a esperar, enquanto nosso piloto agora revirava o bagageiro. Achei mesmo que ele estava de pilantragem, querendo saquear as malas dos pobres coitados (que as minhas tavam bem seguras no meu colinho). Cogitei a hipótese de ele ter perdido a razão e, como em um desenho animado ou filme B, começado a procurar enlouquecidamente mais pelo ato de procurar do que pela possibilidade de achar (vide episódio vó do Tiago, para quem isto faz algum sentido). Mas não é que dali a cinco minutos o tiozinho volta bem faceiro e anuncia, aliviado:
- Achei minha carteira.
E seguimos viagem. Sem nunca descobrir como diabos o infeliz foi perder a carteira no bagageiro.
segunda-feira, abril 25, 2005
Rondonópolis tem 200 mil habitantes e mil mototaxistas. Dá uma média de um mototaxista para cada 200 pessoas. Se considerarmos que boa parte dos munícipes são velhos e velhas sem estrutura para trepar numa Honda, crianças sem tamanho para usar uma motoca, cidadãos que têm seus carros para ir para lá e para cá sozinhos ou simplesnente seres normais que não gostam de andar de perna aberta e capacete sob uma temperatura de 40 graus, deve dar um mototaxista para cada 50 pessoas.
A profusão de mototaxistas tem razão de ser. Mato Grosso tem a gasolina mais cara do país. Para evitar a síndrome de Paulo Santana, nem olhei o preço no posto. Mas para se ter uma noção, a corrida de táxi normal em um trajeto equivalente a ir do Centro ao Iguatemi, em Porto Alegre, saiu por 46 paus. E me contaram que eu nem fui enganado.
A profusão de mototaxistas tem razão de ser. Mato Grosso tem a gasolina mais cara do país. Para evitar a síndrome de Paulo Santana, nem olhei o preço no posto. Mas para se ter uma noção, a corrida de táxi normal em um trajeto equivalente a ir do Centro ao Iguatemi, em Porto Alegre, saiu por 46 paus. E me contaram que eu nem fui enganado.
sábado, abril 23, 2005
terça-feira, abril 19, 2005
sábado, abril 16, 2005
sexta-feira, abril 15, 2005
Pronto. Já tenho minha opinião quanto ao caso Grafite.
1 - O ocorrido foi uma palhaçada. Conforme o próprio jogador são-paulino, o argentino só o chamou de "negro de merda" e "negrito". Parte-se então do pressuposto jacksoniano de que o termo "negro" é ofensivo. Fico imaginando as palavras que o agressor teria usado fossem outros os agredidos. "Alemão batata de bosta", pro Bergkampf; "careca fiadaputa", pro Ronaldo; "narigudo veado", pro Rogério Ceni; "dentuço chupador", pro Ronaldinho; "índio de uma figa", pro Arce; "gordo boludo", pro Maradona. Portanto "negro" foi um atributo físico tomado emprestado para ser o sujeito do xingamento. Até porque nem sempre os boleiros sabem o nome dos seus adversários. Se o Desábato soubesse como se chama o Grafite, poderria ter substituído "negro de merda" por "Grafite boboca". Ou não.
2 - A rusga que terminou no episódio lamentável em campo é fruto da tolerância dos árbitros com a indisciplina. É normal que os jogadores não se tratem a beijinhos e tapinhas nas costas. Um "solta, corno veado" no empurra-empurra do escanteio, um "fiadaputa" logo depois de uma falta violenta, tudo isso é aceitável. Mas a metralhadora de ofensas com o único objetivo de desestabilizar o adversário, como fizeram os argentinos com o Grafite, devia ser sempre punida com vermelho. Mas não, os juízes preferem achar tudo normal e, mais do que isso, lançar mão eles mesmos de gritos e xingamentos para tentar impôr a disciplina no Gramado.
3 - O Grafite chorou feito uma bicha não porque o xingaram por ser negro, mas porque recebeu paulada o jogo inteiro e terminou expulso depois de tentar (e não conseguir) ouvir quieto as - intoleráveis - provocações dos argentinos. Aliás, será que se ele ler este blógui vai me processar por discriminação contra as bichas? Certo que sim! Mas estaria incorrendo no mesmo erro, porque bicha é apenas um atributo, não um xingamento. Aliás, bicha que é bicha mesmo, bicha assumida, bicha desencanada, a-do-ra ser chamada de bicha. De tricha, de preferência.
4 - Apesar de todo este circo, de todas estas pessoas querendo aproveitar o episódio para aparecer, o ocorrido não deixou de ter seu lado positivo. Embora não tenha havido discriminação racial, acho que ficou claro que não se pode tolerar racismo de jeito nenhum no futebol – seja na arquibancada ou no gramado. Racismo, só contra os racistas!
1 - O ocorrido foi uma palhaçada. Conforme o próprio jogador são-paulino, o argentino só o chamou de "negro de merda" e "negrito". Parte-se então do pressuposto jacksoniano de que o termo "negro" é ofensivo. Fico imaginando as palavras que o agressor teria usado fossem outros os agredidos. "Alemão batata de bosta", pro Bergkampf; "careca fiadaputa", pro Ronaldo; "narigudo veado", pro Rogério Ceni; "dentuço chupador", pro Ronaldinho; "índio de uma figa", pro Arce; "gordo boludo", pro Maradona. Portanto "negro" foi um atributo físico tomado emprestado para ser o sujeito do xingamento. Até porque nem sempre os boleiros sabem o nome dos seus adversários. Se o Desábato soubesse como se chama o Grafite, poderria ter substituído "negro de merda" por "Grafite boboca". Ou não.
2 - A rusga que terminou no episódio lamentável em campo é fruto da tolerância dos árbitros com a indisciplina. É normal que os jogadores não se tratem a beijinhos e tapinhas nas costas. Um "solta, corno veado" no empurra-empurra do escanteio, um "fiadaputa" logo depois de uma falta violenta, tudo isso é aceitável. Mas a metralhadora de ofensas com o único objetivo de desestabilizar o adversário, como fizeram os argentinos com o Grafite, devia ser sempre punida com vermelho. Mas não, os juízes preferem achar tudo normal e, mais do que isso, lançar mão eles mesmos de gritos e xingamentos para tentar impôr a disciplina no Gramado.
3 - O Grafite chorou feito uma bicha não porque o xingaram por ser negro, mas porque recebeu paulada o jogo inteiro e terminou expulso depois de tentar (e não conseguir) ouvir quieto as - intoleráveis - provocações dos argentinos. Aliás, será que se ele ler este blógui vai me processar por discriminação contra as bichas? Certo que sim! Mas estaria incorrendo no mesmo erro, porque bicha é apenas um atributo, não um xingamento. Aliás, bicha que é bicha mesmo, bicha assumida, bicha desencanada, a-do-ra ser chamada de bicha. De tricha, de preferência.
4 - Apesar de todo este circo, de todas estas pessoas querendo aproveitar o episódio para aparecer, o ocorrido não deixou de ter seu lado positivo. Embora não tenha havido discriminação racial, acho que ficou claro que não se pode tolerar racismo de jeito nenhum no futebol – seja na arquibancada ou no gramado. Racismo, só contra os racistas!
Confesso. Não consigo acreditar em nada que seja da zona sul. Talvez por isso tenha demorado tanto tempo para descobrir o surpreendente Armazém Machry. Fica na rua Armando Barbedo - uma dessas que vai da Wenceslau Escobar até o rio (bairro Tristeza). Destaque para o tempero do almoço e para a cuca de uva.
quinta-feira, abril 14, 2005
Encher a pança de cerveja e salsichão e cerveja e coração e cerveja e lingüiça do bola e cerveja e frango, que o outro continua sem comer carne, coitado, e cerveja e maminha e cerveja e vazio e cerveja e costela e cerveja, morrer de rir como se tivera fumado, sem ter por acaso fumado, só para lembrar como tudo era bom, mas simplesmente não pode mais ser, porque, enfim, assim que funcionam as coisas.
quarta-feira, abril 13, 2005
Começa uma nova era para este blógui. Os meios para que ele se torne útil e agradável estão dados. Há um computador na nossa casinha (tem de dizer "nossa", que a Rafa tá aqui do lado). Em tese, agora, tudo só depende do autor. Em tese, tudo vai melhorar no Blóguidotião. Em tese. Porque já agora por exemplo ele não tem nada de agradável para dizer. E para salvar o post apela para o quesito utilidade.
A melhor pizza congelada de Porto Alegre: 91790552. É só ligar e pedir. Vale a pena.
Pronto. Deu o recado.
A melhor pizza congelada de Porto Alegre: 91790552. É só ligar e pedir. Vale a pena.
Pronto. Deu o recado.
quarta-feira, abril 06, 2005
terça-feira, abril 05, 2005
sábado, abril 02, 2005
sexta-feira, abril 01, 2005
quarta-feira, março 30, 2005
segunda-feira, março 28, 2005
É muito triste entrar nestes condomínios da Serra. Patético, porque você os vê não prontos, mas ainda virgens, de forma que o único pensamento que vem à cabeça é: "as mototsseras vão roncar. Neste fim-de-semana, visitei o Reserva da Serra (www.reservadaserra.com.br). Na entrada, uma sede esportiva, um club house, e que diabos é um club house?, um pórtico, tudo imitando as casas da Toscana. A pintura como se desbotada por décadas de contato com a terra italiana, com o vento italiano, com a chuva italiana, o reboco liso adornado aqui e ali por uma luminária que podia ser um lampião no século XIX, tudo isso na Canela do século XXI. Em princípio, toda imitação soa brega, kitsch, coisa de novo rico ou de velho pobre, mas dá até uma vontadezinha de gostar do faz-de-conta. Até que uma mirada no horizonte se impõe e faz cair a ficha. Araucárias, caneleiras, troncos manchados de branco, aranhas peludas, aranhas peladas, veados, diz uma placa de trânsito em uma das muitas ruas que entrecortam a mata nativa. E de vinte em vinte metros uma placa: lote Q11 - 25, Q1 - 12, Q5 - 07, sendo Q sempre uma quadra. Em cada terreno, a certeza de que o mato está com seus dias contados e de que todos vão preferir a vastidão e a ostentação de um imenso gramado a um bosque na porta de casa - como aliás já acontece nas únicas duas casas construídas. 38% da área total do condomínio será preservada. 100% da aranhas e dos veados terão de coabitar 38% do terreno - e ainda conviver com o jogging nas trilhas ecológicas. Isso dói, mas dói mais ainda saber que nem uma viva alma trepará numa caneleira para que as motosserras sejam desligadas. Não sou contra nem a favor dos condomínios, mas me doeu em algum lugar visitar essa Toscana canelense.
terça-feira, março 22, 2005
terça-feira, março 15, 2005
segunda-feira, março 14, 2005
sexta-feira, março 11, 2005
sábado, março 05, 2005
De dentro de um carro em alta velocidade, uns caras passaram na frente do Ossip e dispararam uma saraivada de tiros. Só de raiva daquela gente. Não sei se foi isso o que aconteceu. Para mim foi e basta. Entendo os atiradores. Muitas vezes tive muito ódio de publicitários e jornalistas descolados. Só nunca atirei porque não tenho arma. E quando chegava na loja de caça e pesca para comprar a pistola, a raiva já tinha passado e se transformado em amor e mesmo numa vontade de tomar cerveja no Ossip. Eu amo e odeio tanto tantas coisas, várias vezes por dia, e o que detesto agora posso estar adorando daqui a cinco minutos. Já me imaginei liquidando todos em uma fila da Touch, na praça de alimentação do Iguatemi, na pista da Hípica, no avarandado do Café do Porto, nas mesas do Mamma Mia, nas ruas da Praia da Guarda, na quadra da Imperadores, nas areias do Rosa, no Acampamento Farroupilha, na calçada do Ossip. Mas por ser volúvel me livrei de ser um sujeito que sai por aí atirando no que não gosta. Afinal, mais dia menos dia, ia acabar atirando em mim mesmo.
Tinha uma escritora agora dando entrevista na Maria Gabriela. Aí, ela perguntou pra velha:
- O que você mais gostaria que acontecesse para você hoje?
- Como? - retucou a entrevistada.
- É. O que você mais gostaria que lhe acontecesse não hoje, mas nos dias de hoje?
- Não queria nada, não. Sou uma mulher feliz, tudo de bom me acontece, minha vida é boa, escrevo meus livros, tenho meus amigos. Não queria nada mesmo.
Rapaz, e eu ali, atirado na cama, sem nada pra fazer, na maior fossa... Pelo menos fez com que decidisse pegar o Barbosa e sair um pouco pra rua. Fui. Estou indo. Tentarei ser um pouco mais feliz nos próximos 60 minutos. Eu disse "um pouco" mais feliz (partindo de uma base muito pequena).
- O que você mais gostaria que acontecesse para você hoje?
- Como? - retucou a entrevistada.
- É. O que você mais gostaria que lhe acontecesse não hoje, mas nos dias de hoje?
- Não queria nada, não. Sou uma mulher feliz, tudo de bom me acontece, minha vida é boa, escrevo meus livros, tenho meus amigos. Não queria nada mesmo.
Rapaz, e eu ali, atirado na cama, sem nada pra fazer, na maior fossa... Pelo menos fez com que decidisse pegar o Barbosa e sair um pouco pra rua. Fui. Estou indo. Tentarei ser um pouco mais feliz nos próximos 60 minutos. Eu disse "um pouco" mais feliz (partindo de uma base muito pequena).
quinta-feira, março 03, 2005
quarta-feira, março 02, 2005
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
terça-feira, fevereiro 22, 2005
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
A Rafa mandou e eu deixei, pela primeira vez, a barba crescer. Até ontem, ainda estava com um visual assim meio Rodrigo Santoro, de gurizinho que se faz de desleixado querendo ser mais charmoso. Hoje, no entanto, acordei e me deparei com um bigode espesso, quase de verdade. Na barba relativamente fechada ainda flagrei vários pelos louros, como os cabelos que ostentava quando era bebê. Enfim, me olhei no espelho e me senti um José Hermeto Hoffmann. Argh, amanhã vou passar a Gilette.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Depois de uma caminhada em Tramandaí, entrei no armazém da Gorda, um boteco desses de praia, singelo e despojado de qualquer luxo. Olhei para o sorvete, para o picolé, para uma Coca, para as garrafas de água com gás e sem gás e nada mexeu com a minha vontade de matar a sede. Ao contrário do Guaraná do Vovô, um refrigerante B, desses engarrafados em garrafas de cerveja, como o antigo guaraná Polar. Servi um a bebida bem gelada em um copo de requeijão, oferecido pelo dono da bodega, e, ah, como aquilo entrou bem! É triste que estejam desaparecendo os refrigerantes marginais. O melhor que já tomei foi a Cyrilinha de laranja. Quando era pequeno, adorava ir de ônibus Ouro e Prata para São Borja, porque no fundo do carro havia uma geladeira - daquelas com pesadas portas de metal e forradas com tábuas madeira - cheia de refrigerante. A garrafa da Cyrilinha era pequena, de vidro e tinha só 200 ml - muito charmosa! E o gosto do refri, então, nem se fala. Um néctar dos deuses.
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Como sei que muitos de vocês são uns preguiçosos, não se esforçam nem para dar três cliques, embora não se cansem de coçar o saco, e nunca irão atrás do Papalagui, fiz a pesquisa e aqui lhes apresento trechos do texto do samoano catados no site http://urbi.ubi.pt/ (não acessem, não tem graça - eu disse NÃO acessem!!!).
Segundo rápida busca na Internet, o livro O Papalagui é a descrição da civilização européia feita por Tuiavii, chefe de uma tribo samoana, reproduzida pelo alemão Erich Scheurmann e publicado em 1920. É um texto muito cultuado por comunidades alternativas e que recomenda-se ler paralelamente aos escritos antropológicos de Levi-Strauss. Em tempo: há dúvidas quanto ao fato de o relato ser mesmo de um samoano. Mas isso não interessa.
"O Papalagui (homem branco) é pobre porque vive obcecado pelas coisas, sem as quais já não consegue viver. Quando do dorso da tartaruga faz uma ferramenta que alisa os cabelos (...) o Papalagui ainda faz uma pele para a ferramenta e para esta pele faz um pequeno baú e para o pequeno baú faz outro grande; tudo ele coloca em peles e baús. Tem baús para as tangas, para as roupas de cima e de baixo, para os panos com que se enxuga, com que limpa a boca, e outros panos mais; baús para as peles que põe nas mãos e para as peles que põe nos pés, para o metal redondo e para o papel pesado, para as provisões de boca e para o livro sagrado, para tudo mesmo. Ele faz muitas coisas, quando apenas uma é suficiente.
(...)
Destruindo, onde quer que vá, as coisas do Grande Espírito (a natureza), o Papalagui com sua própria força pretende dar vida, novamente, àquilo que matou.
(...)
É difícil para Papalagui não pensar. É difícil viver com todas as partes do corpo ao mesmo tempo. É comum ele viver só com a cabeça enquanto todos sentidos dormem profundamente. Por exemplo, quando o belo sol brilha, o Papalagui pensa imediatamente: ´Como o sol brilha agora, que beleza!´ E continua pensando: ´Como o sol está brilhando, como está bonito!´ Isto está errado, inteiramente errado, absurdo, porque o melhor é não pensar em nada quando o sol brilha. O Samoano inteligente estira os membros à luz quente do sol e não pensa em nada. Ele recebe o sol tanto com a cabeça quanto com as mãos, os pés, as coxas, a barriga, todas as partes do corpo. Ele deixa que a pele e os membros pensem por si; e certamente eles também pensam de uma forma diferente da cabeça. (...) Pensa em coisas alegres, é certo, mas sem sorrir; pensa certamente em coisas tristes, mas sem chorar. (...) O Papalagui quase sempre vive em combate perpétuo entre sentidos e seu espírito; ele é um homem dividido em dois pedaços."
Segundo rápida busca na Internet, o livro O Papalagui é a descrição da civilização européia feita por Tuiavii, chefe de uma tribo samoana, reproduzida pelo alemão Erich Scheurmann e publicado em 1920. É um texto muito cultuado por comunidades alternativas e que recomenda-se ler paralelamente aos escritos antropológicos de Levi-Strauss. Em tempo: há dúvidas quanto ao fato de o relato ser mesmo de um samoano. Mas isso não interessa.
"O Papalagui (homem branco) é pobre porque vive obcecado pelas coisas, sem as quais já não consegue viver. Quando do dorso da tartaruga faz uma ferramenta que alisa os cabelos (...) o Papalagui ainda faz uma pele para a ferramenta e para esta pele faz um pequeno baú e para o pequeno baú faz outro grande; tudo ele coloca em peles e baús. Tem baús para as tangas, para as roupas de cima e de baixo, para os panos com que se enxuga, com que limpa a boca, e outros panos mais; baús para as peles que põe nas mãos e para as peles que põe nos pés, para o metal redondo e para o papel pesado, para as provisões de boca e para o livro sagrado, para tudo mesmo. Ele faz muitas coisas, quando apenas uma é suficiente.
(...)
Destruindo, onde quer que vá, as coisas do Grande Espírito (a natureza), o Papalagui com sua própria força pretende dar vida, novamente, àquilo que matou.
(...)
É difícil para Papalagui não pensar. É difícil viver com todas as partes do corpo ao mesmo tempo. É comum ele viver só com a cabeça enquanto todos sentidos dormem profundamente. Por exemplo, quando o belo sol brilha, o Papalagui pensa imediatamente: ´Como o sol brilha agora, que beleza!´ E continua pensando: ´Como o sol está brilhando, como está bonito!´ Isto está errado, inteiramente errado, absurdo, porque o melhor é não pensar em nada quando o sol brilha. O Samoano inteligente estira os membros à luz quente do sol e não pensa em nada. Ele recebe o sol tanto com a cabeça quanto com as mãos, os pés, as coxas, a barriga, todas as partes do corpo. Ele deixa que a pele e os membros pensem por si; e certamente eles também pensam de uma forma diferente da cabeça. (...) Pensa em coisas alegres, é certo, mas sem sorrir; pensa certamente em coisas tristes, mas sem chorar. (...) O Papalagui quase sempre vive em combate perpétuo entre sentidos e seu espírito; ele é um homem dividido em dois pedaços."
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Sempre acreditei piamente naquelas tabelas que dizem que poodles e collies são inteligentes, enquanto beagles e akitas são burros. Tinha pena daqueles donos de snoopies que argumentavam que seus cães eram, sim, espertos, porque não se submetiam à ditadura humana - algo como Bolas de Neve caninos.
Assim pensei até ganhar um fox terrier. O esforço para educar meu cão foi imenso e dispendioso. Contratamos um adestrador, que, na primeira lição, fez evoluções inacreditáveis, ensinando-lhe o "senta" - até hoje o único comando eficaz. No entanto, de uma maneira inexplicável, todas as lições posteriores foram sumariamente ignoradas pelo educando. Minha conclusão foi imediata: um fox terrier é quase um beagle, de tão burro.
Mas, a cada dia, as atitudes do meu cão me fazem mudar de idéia. Todas as suas reações parecem ser criteriosamente estudadas. Se o solto na rua, não obedece; alucina. Desafia-me até o cansaço. Sabe que, por mais que me esforce, nunca hei de pegá-lo em território tão vasto. E mais: tem total consciência de que nunca irei abandoná-lo. Ao contrário, no elevador, ao alcance de meu punho, porta-se como um poodle. Senta, deita, rola, faz olhar meigo. Tem ciência de que, qualquer passo em falso significa uma punição, um tapa na fuça, uma pegada no cangote.
Em casa, é um santo. Só passa dos limites quando está a fim (e se vê protegido pela mesas, cadeiras e outros obstáculo intransponíveis para nós, humanos de mais de 12 anos). Enfim, tem a vida que quer, do jeito que deseja, sem precisar obedecer a comandos e caprichos dos homens.
Se não arrebanha ovelhas como um collie, é porque sabe que pode correr atrás delas ao léo, como lhe der na telha, e como melhor lhe convir e aprazer.
Que bobas aquelas tabelas que dizem que poodles são inteligentes e fox terriers são burros. Mas que espertos aqueles humanos que criam poodles; e que burros aqueles que têm fox terriers.
Assim pensei até ganhar um fox terrier. O esforço para educar meu cão foi imenso e dispendioso. Contratamos um adestrador, que, na primeira lição, fez evoluções inacreditáveis, ensinando-lhe o "senta" - até hoje o único comando eficaz. No entanto, de uma maneira inexplicável, todas as lições posteriores foram sumariamente ignoradas pelo educando. Minha conclusão foi imediata: um fox terrier é quase um beagle, de tão burro.
Mas, a cada dia, as atitudes do meu cão me fazem mudar de idéia. Todas as suas reações parecem ser criteriosamente estudadas. Se o solto na rua, não obedece; alucina. Desafia-me até o cansaço. Sabe que, por mais que me esforce, nunca hei de pegá-lo em território tão vasto. E mais: tem total consciência de que nunca irei abandoná-lo. Ao contrário, no elevador, ao alcance de meu punho, porta-se como um poodle. Senta, deita, rola, faz olhar meigo. Tem ciência de que, qualquer passo em falso significa uma punição, um tapa na fuça, uma pegada no cangote.
Em casa, é um santo. Só passa dos limites quando está a fim (e se vê protegido pela mesas, cadeiras e outros obstáculo intransponíveis para nós, humanos de mais de 12 anos). Enfim, tem a vida que quer, do jeito que deseja, sem precisar obedecer a comandos e caprichos dos homens.
Se não arrebanha ovelhas como um collie, é porque sabe que pode correr atrás delas ao léo, como lhe der na telha, e como melhor lhe convir e aprazer.
Que bobas aquelas tabelas que dizem que poodles são inteligentes e fox terriers são burros. Mas que espertos aqueles humanos que criam poodles; e que burros aqueles que têm fox terriers.
sábado, fevereiro 05, 2005
Estava pensando. A felicidade plena – ok, não sejamos tão ambiciosos, porque nada nesta vida é absoluto (à exceção do Romário), mas a felicidade, simplesmente, deve estar na harmonia entre todas as coisas. Digo, coisas da vida. Ou seja, para ser feliz, a gente tem de trabalhar, se divertir, fazer esportes, de tudo um pouco, a cada dia.
Por isso que os índios são felizes. Quer dizer, não sei se eles são felizes, não sou antropólogo, muito menos indigenista, mas eles me pareciam sempre bem faceiros naqueles documentários Kuarup, da Manchete. Tenho impressão de que nas aldeias se acorda, se come, se caça, se toma banho no rio, se conversa, se fode, se dorme, tudo no maior equilíbrio.
Sabem que no colégio eu li, para a aula de filosofia, cujo professor era o Celso Marques, um cara que vocês deveriam conhecer, inclusive uma vez ele fez a turma meditar em sala de aula, depois de contar que já presenciara uma levitação e o resultado foi que todo mundo meditou, ninguém levantou vôo e eu tive de sair da sala me mijando de rir, atitude à qual não me traz orgulho, tampouco vergonha - mas eu ia dizer que eu li para a aula do Celso Marques o texto de um samoano sobre os “papalaguis”. Digitem aí no Google: “samoano” e “papalagui”, que vale a pena.
Amigos, desculpem-me, não era desse texto que eu queria falar, o papo era outro, mas alguma coisa me levou ao samoano. Na verdade, eu queria dizer que tive de ler, para aula de filosofia, o livro “O que é budismo”, daquela coleção de livrinhos que explicam o que é qualquer coisa (menos o que é felicidade). E que eu me lembre, Sidarta, o Buda (está certo isso de dizer que Sidarta é o Buda?), depois de passar por todos os sacrifícios, viver mais do que frugalmente, comendo o mínimo, recluso no bosque, meditando para atingir o Nirvana, decidiu que a revelação estava no meio de tudo, entre os extremos, nem no oito, nem no oitenta, nada de auto-destruição, algo entre o Yin e o Yang. Eu gostei muito dessa conclusão, tanto que naquele momento decidi que seria do PMDB, o que, ademais, me poupou conflito em casa, por ser então o partido de meu pai, e me criou sérios problemas no Aplicação, por motivos óbvios. Mas, enfim, se até o Buda era centrão, por que eu também não podia ser?
E tudo isso prova que a minha idéia de uma vida harmônica e equilibrada encontra forte sustentação na história do pensamento humano. Creio mesmo que ela aflore na literatura de auto-ajuda, mas isso eu nunca vou descobrir. A diferença entre a minha proposta e tudo o que já se disse sobre o caminho das pedras, digo, da felicidade - desculpem, de novo, foi um ato-falho, uma vez tive de ler o texto “O caminho das pedras” de Heideger para a aula do samoano, perdão, do Celso Marques, e óbvio que não entendi lhufas do que tinha lido, mas a diferença do que já se disse sobre o caminho da felicidade e a minha teoria é que eu vou além. Acabei de montar uma agenda ideal para todos os homens que ambicionam a felicidade. Assim, para sermos como os índios deveríamos reservar:
- 9 horas para dormir (e nem me venha com esta de seis horas para adulto, que isto é o sistema capitalista financiando pesquisas para nos cravar cada vez mais!)
- 3 horas para trabalhar
- 1 hora e 45 minutos para comer
- 1 hora e 15 minutos para fazer exercício
- 2 horas para estudar
- 1 hora para ir ao banheiro (incluindo banhos)
- 2 horas para beber e conversar
- 1 hora para cumprir as funções sexuais
- 1 hora para cumprir obrigações, como pagar contas
- 2 horas para ir ao cinema, fazer compras ou se divertir mais um pouco, trepar mais um pouco, dormir mais um pouco, estudar mais um pouco, menos trabalhar mais um pouco
Foi assim que criei a fórmula da felicidade e, de lambuja, ainda expliquei por que todos nós somos infelizes. Agora, trabalhadores do mundo, passemos à luta. Felicidade já!
Por isso que os índios são felizes. Quer dizer, não sei se eles são felizes, não sou antropólogo, muito menos indigenista, mas eles me pareciam sempre bem faceiros naqueles documentários Kuarup, da Manchete. Tenho impressão de que nas aldeias se acorda, se come, se caça, se toma banho no rio, se conversa, se fode, se dorme, tudo no maior equilíbrio.
Sabem que no colégio eu li, para a aula de filosofia, cujo professor era o Celso Marques, um cara que vocês deveriam conhecer, inclusive uma vez ele fez a turma meditar em sala de aula, depois de contar que já presenciara uma levitação e o resultado foi que todo mundo meditou, ninguém levantou vôo e eu tive de sair da sala me mijando de rir, atitude à qual não me traz orgulho, tampouco vergonha - mas eu ia dizer que eu li para a aula do Celso Marques o texto de um samoano sobre os “papalaguis”. Digitem aí no Google: “samoano” e “papalagui”, que vale a pena.
Amigos, desculpem-me, não era desse texto que eu queria falar, o papo era outro, mas alguma coisa me levou ao samoano. Na verdade, eu queria dizer que tive de ler, para aula de filosofia, o livro “O que é budismo”, daquela coleção de livrinhos que explicam o que é qualquer coisa (menos o que é felicidade). E que eu me lembre, Sidarta, o Buda (está certo isso de dizer que Sidarta é o Buda?), depois de passar por todos os sacrifícios, viver mais do que frugalmente, comendo o mínimo, recluso no bosque, meditando para atingir o Nirvana, decidiu que a revelação estava no meio de tudo, entre os extremos, nem no oito, nem no oitenta, nada de auto-destruição, algo entre o Yin e o Yang. Eu gostei muito dessa conclusão, tanto que naquele momento decidi que seria do PMDB, o que, ademais, me poupou conflito em casa, por ser então o partido de meu pai, e me criou sérios problemas no Aplicação, por motivos óbvios. Mas, enfim, se até o Buda era centrão, por que eu também não podia ser?
E tudo isso prova que a minha idéia de uma vida harmônica e equilibrada encontra forte sustentação na história do pensamento humano. Creio mesmo que ela aflore na literatura de auto-ajuda, mas isso eu nunca vou descobrir. A diferença entre a minha proposta e tudo o que já se disse sobre o caminho das pedras, digo, da felicidade - desculpem, de novo, foi um ato-falho, uma vez tive de ler o texto “O caminho das pedras” de Heideger para a aula do samoano, perdão, do Celso Marques, e óbvio que não entendi lhufas do que tinha lido, mas a diferença do que já se disse sobre o caminho da felicidade e a minha teoria é que eu vou além. Acabei de montar uma agenda ideal para todos os homens que ambicionam a felicidade. Assim, para sermos como os índios deveríamos reservar:
- 9 horas para dormir (e nem me venha com esta de seis horas para adulto, que isto é o sistema capitalista financiando pesquisas para nos cravar cada vez mais!)
- 3 horas para trabalhar
- 1 hora e 45 minutos para comer
- 1 hora e 15 minutos para fazer exercício
- 2 horas para estudar
- 1 hora para ir ao banheiro (incluindo banhos)
- 2 horas para beber e conversar
- 1 hora para cumprir as funções sexuais
- 1 hora para cumprir obrigações, como pagar contas
- 2 horas para ir ao cinema, fazer compras ou se divertir mais um pouco, trepar mais um pouco, dormir mais um pouco, estudar mais um pouco, menos trabalhar mais um pouco
Foi assim que criei a fórmula da felicidade e, de lambuja, ainda expliquei por que todos nós somos infelizes. Agora, trabalhadores do mundo, passemos à luta. Felicidade já!
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Gastronomia - Serviço
1) O restaurante alemão Schula´s, ao lado da Tok & Stok, oferece boa comida a preços compatíveis. Dá para pedir aperitivo, encher a pança de chope e comer filé com nata por menos de R$ 30.
2) Na mesma linha, tem o Mercado del Puerto, parrilla na Cairú, rótula com Benjamin. Herdeiro do antigo Pancho´s, tem asado de tira por menos de R$ 10, se não me engano.
3) Eu e Rafa, Rafa e eu, preparamos guia com ranking de restaurantes japoneses na capital.
1) O restaurante alemão Schula´s, ao lado da Tok & Stok, oferece boa comida a preços compatíveis. Dá para pedir aperitivo, encher a pança de chope e comer filé com nata por menos de R$ 30.
2) Na mesma linha, tem o Mercado del Puerto, parrilla na Cairú, rótula com Benjamin. Herdeiro do antigo Pancho´s, tem asado de tira por menos de R$ 10, se não me engano.
3) Eu e Rafa, Rafa e eu, preparamos guia com ranking de restaurantes japoneses na capital.
sexta-feira, janeiro 28, 2005
quarta-feira, janeiro 26, 2005
segunda-feira, janeiro 24, 2005
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Semana passada, me irritei com a tecnoburocracia e com os preços da Vivo e decidi trocar de operadora. Quase entreguei-me à sedutora Cris - amável e insistente operadora de telemarketing da Claro, que já havia conquitado minha simpatia por causa das bolhinhas vermelhas que percorrem as mais belas praias na TV. Depois, encantei-me com a BrasilTelecom. Ontem mesmo, passei a noite pulando e (para a irritação da Rafa) cantando: "você paga num mês e não paga no outro...". Hoje de manhã, disposto a avaliar todas as propostas, liguei para a Vivo.
- O senhor tem recebido assédio de outras operadoras? - perguntou a guria do call center.
- Sim.
- Então o senhor pode estar aguardando um pouquinho que vamos estar lhe passando para a nossa "equipe de contra-ataque".
Ah, como eu amo o capitalismo!
- O senhor tem recebido assédio de outras operadoras? - perguntou a guria do call center.
- Sim.
- Então o senhor pode estar aguardando um pouquinho que vamos estar lhe passando para a nossa "equipe de contra-ataque".
Ah, como eu amo o capitalismo!
Se eu fosse o homem que planejo todas as noites antes de dormir, ah, que homem eu seria! Quantos feitos geniais teria protagonizado!
Provavelmente, se eu fosse o homem que planejo todas as noites antes de dormir, vestiria hoje a toga de juiz de direito e estaria faceiro por estar sendo transferido da comarca de Não-Me-Toque para São Leopoldo. Ou então: quanto dinheiro teria ganho eu fazendo com o Tiago vídeos institucionais para as maiores cabanhas do país. De todo o modo, seria um intelectual, leria dois livros por semana e escreveria belos artigos, crônicas e textos publicados nos melhores jornais do país.
Se eu fosse o homem que planejo todas as noites antes dee dormir, a Ana Gabriela teria sabido do meu amor naquele Natal de 95, o Tamper teria levado uma bordoada quando se achou dono da rua e pegou meu skate emprestado sem pedir, a Camila e a Márcia se impressionariam com a minha desenvoltura nas reuniões dançantes que nunca tive coragem de ir.
É justamente antes de dormir que construímos nossas utopias. Não é durante o sono que sonhamos; é um pouco antes do torpor. Porque quando sonhamos, no fundo, sabemos que estamos sonhando. Ao contrário, rolando na cama de cá para lá, de lá para cá, nossos sonhos se tornam possíveis - e somos capazes de tudo: de reconstruir nossas vidas, de correr três vezes por semana na praça da Encol, de escrever aquela matéria sobre o culto ao santo Cruzeiro na zona sul de Porto Alegre, de chamar o Rigotto para um tete-a-tete e explicar, por A mais B, porque uma TV estatal não funciona.
Mas de manhã, quando acordamos, puf: tudo isso se esvai, entra pelo ralo, percorre a tubulação do DMAE, cai no dilúvio, deságua no Guaíba e evapora. Nossos planos, há poucas horas tão exequíveis esbarram em tantas coisas - isso quando não nos soam como ridículos, absurdos ou, no mínimo, irrealizáveis.
Mas, ah, se a humanidade fosse o que os homens planejam todas as noites antes de dormir...
Provavelmente, se eu fosse o homem que planejo todas as noites antes de dormir, vestiria hoje a toga de juiz de direito e estaria faceiro por estar sendo transferido da comarca de Não-Me-Toque para São Leopoldo. Ou então: quanto dinheiro teria ganho eu fazendo com o Tiago vídeos institucionais para as maiores cabanhas do país. De todo o modo, seria um intelectual, leria dois livros por semana e escreveria belos artigos, crônicas e textos publicados nos melhores jornais do país.
Se eu fosse o homem que planejo todas as noites antes dee dormir, a Ana Gabriela teria sabido do meu amor naquele Natal de 95, o Tamper teria levado uma bordoada quando se achou dono da rua e pegou meu skate emprestado sem pedir, a Camila e a Márcia se impressionariam com a minha desenvoltura nas reuniões dançantes que nunca tive coragem de ir.
É justamente antes de dormir que construímos nossas utopias. Não é durante o sono que sonhamos; é um pouco antes do torpor. Porque quando sonhamos, no fundo, sabemos que estamos sonhando. Ao contrário, rolando na cama de cá para lá, de lá para cá, nossos sonhos se tornam possíveis - e somos capazes de tudo: de reconstruir nossas vidas, de correr três vezes por semana na praça da Encol, de escrever aquela matéria sobre o culto ao santo Cruzeiro na zona sul de Porto Alegre, de chamar o Rigotto para um tete-a-tete e explicar, por A mais B, porque uma TV estatal não funciona.
Mas de manhã, quando acordamos, puf: tudo isso se esvai, entra pelo ralo, percorre a tubulação do DMAE, cai no dilúvio, deságua no Guaíba e evapora. Nossos planos, há poucas horas tão exequíveis esbarram em tantas coisas - isso quando não nos soam como ridículos, absurdos ou, no mínimo, irrealizáveis.
Mas, ah, se a humanidade fosse o que os homens planejam todas as noites antes de dormir...
quinta-feira, janeiro 20, 2005
No meu armário na casa de meus pais repousam dezenas de camisas que resolvi não levar pro meu apê. Todas elas xadrez ou listradas. Se eu as usasse hoje, certamente seria alvo de chacota - caipira e empacotador do Dosul seria o mínimo que sobraria para mim. Mania esta que temos de cuspir nos pratos que comemos! Não faz muito - menos de dez anos - estávamos no Le Cap Ferrat e depois no Saigon e depois ainda no Dado, todos uniformizados.
Corta. Teve um reveillon em Punta que passamos na casa de uma gente muito fina. E isto que vou contar seria normal se não fosse verdade. Mas, juro, não há exageros nesta história para torná-la mais atraente: das 40 pessoas da festa, apenas minha família não vestia Ralf Laurent. Juro. Me senti muuuuito envergonhado com o jacarezinho no peito. Era como se todos aqueles cavalinhos o estivessem encarando ameaçadoramente. Imagina meu tio, que tem mania de tirar as costuras das marcas, que mico! Descorta.
E as gurias adoravam o xadrez e o listrado, parece que julgavam-nos pelo vestir: quanto mais jeca, mais chique éramos. Misturar uma calça creme com uma camisa xadrezinha vermelha e branca e azul era o auge do bom gosto e indicava um nível elevado de mauricice. E eu me esforçava para comprar camisas xadrez cada vez mais bonitas. Até hoje me orgulho de uma - Diesel, eu acho - comprada em Buenos Aires, cuja mistura de laranja, azul e branco é única. Está certo que parece um pouco roupa de palhaço, mas que roupa de palhaço! Juro: ainda hoje a acho bonita, embora perca em conforto para uma meio de flanela da Elle et Lui azul, verde e branca que costumava usar.
Corta. Lembram Elle et Lui? Ainda existe no Rio eu acho, mas sei que já não é a mesma. A loja aqui de Porto Algre ficava no Iguatemi, cheia de espelhos. As vendedoras davam cafezinho pra minha mãe e balas para mim. Rapaz, se eu soubesse naquele tempo o valor que tinham aquelas camisas pólo, teria comprado um estoque para a vida toda. Aquele logotipo pequenino azul, branco e vermelho - a bandeira da França - é tudo. A marca mais elegante e discreta que já vi. É como Tommy Hilfiger sem ser Tomy Hilfiger. Usar Elle et Lui era (é) dizer: "olha, eu não me preocupo com marca, gosto de discrição e qualidade, sou chique, mas não sou exibido". Eu sempre soube disso! O Andrei Kampff também. Descorta.
Sabem que estou tomando coragem de reativar minhas camisas xadrez e listradas? É um absurdo mesmo deixar de lado tanta roupa boa só porque elas não estão mais na moda. Isso mesmo: vou levá-las para a Jaime Telles. Aguardem: o empacotador do Dosul vem aí!
Corta. Teve um reveillon em Punta que passamos na casa de uma gente muito fina. E isto que vou contar seria normal se não fosse verdade. Mas, juro, não há exageros nesta história para torná-la mais atraente: das 40 pessoas da festa, apenas minha família não vestia Ralf Laurent. Juro. Me senti muuuuito envergonhado com o jacarezinho no peito. Era como se todos aqueles cavalinhos o estivessem encarando ameaçadoramente. Imagina meu tio, que tem mania de tirar as costuras das marcas, que mico! Descorta.
E as gurias adoravam o xadrez e o listrado, parece que julgavam-nos pelo vestir: quanto mais jeca, mais chique éramos. Misturar uma calça creme com uma camisa xadrezinha vermelha e branca e azul era o auge do bom gosto e indicava um nível elevado de mauricice. E eu me esforçava para comprar camisas xadrez cada vez mais bonitas. Até hoje me orgulho de uma - Diesel, eu acho - comprada em Buenos Aires, cuja mistura de laranja, azul e branco é única. Está certo que parece um pouco roupa de palhaço, mas que roupa de palhaço! Juro: ainda hoje a acho bonita, embora perca em conforto para uma meio de flanela da Elle et Lui azul, verde e branca que costumava usar.
Corta. Lembram Elle et Lui? Ainda existe no Rio eu acho, mas sei que já não é a mesma. A loja aqui de Porto Algre ficava no Iguatemi, cheia de espelhos. As vendedoras davam cafezinho pra minha mãe e balas para mim. Rapaz, se eu soubesse naquele tempo o valor que tinham aquelas camisas pólo, teria comprado um estoque para a vida toda. Aquele logotipo pequenino azul, branco e vermelho - a bandeira da França - é tudo. A marca mais elegante e discreta que já vi. É como Tommy Hilfiger sem ser Tomy Hilfiger. Usar Elle et Lui era (é) dizer: "olha, eu não me preocupo com marca, gosto de discrição e qualidade, sou chique, mas não sou exibido". Eu sempre soube disso! O Andrei Kampff também. Descorta.
Sabem que estou tomando coragem de reativar minhas camisas xadrez e listradas? É um absurdo mesmo deixar de lado tanta roupa boa só porque elas não estão mais na moda. Isso mesmo: vou levá-las para a Jaime Telles. Aguardem: o empacotador do Dosul vem aí!
quarta-feira, janeiro 19, 2005
terça-feira, janeiro 18, 2005
Chegou aqui:
"A maioria dos profissionais americanos que recebe US$ 75 mil ou mais por ano trabalha em mesas bagunçadas. 2/3 dos que ganham US$ 35 mil ou menos por ano se confessam obcecados por arrumaçao. As informaçoes sao de pesquisa da Ajilon, de recursos humanos. O estudo diz ainda que profissionais com melhor formaçao acadêmica sao mais bagunceiros do que aqueles que tiveram menos formaçao."
"A maioria dos profissionais americanos que recebe US$ 75 mil ou mais por ano trabalha em mesas bagunçadas. 2/3 dos que ganham US$ 35 mil ou menos por ano se confessam obcecados por arrumaçao. As informaçoes sao de pesquisa da Ajilon, de recursos humanos. O estudo diz ainda que profissionais com melhor formaçao acadêmica sao mais bagunceiros do que aqueles que tiveram menos formaçao."
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Que raiva da badalação sobre a morte do brasileiro no Aconcágua. A TV chegou a esperar o corpo do tal no aeroporto. Coisa mais previsível é morrer, quando se escala um dos mais altos picos do mundo. Enquanto nos interessávamos pelo alpinista, dezenas de brasileiros seguiam sumidos em meio aos restos do tsunami. Esses, sim, são uns coitados. Queriam sombra e água fresca. Não tiveram a mínima culpa pela própria morte. Tou nem aí pro aventureiro.
terça-feira, janeiro 11, 2005
domingo, janeiro 09, 2005
sexta-feira, janeiro 07, 2005
Do Lá Nacion:
Argentino sobrevive a megaterremoto, 11 de setembro e tsunami
O jornal La Nación, de Buenos Aires, conta nesta sexta-feira a história do argentino que sobreviveu a um terremoto, aos ataques de 11 de setembro de 2001 e, agora, aos tsunamis na Ásia.
Jorge Fallus, de 62 anos, estava na Cidade do México em 1985 quando um terremoto matou 30 mil pessoas. Em 2001, ele estava perto do World Trade Center, em Nova York, durante os atentados.
Na semana passada, Fallus estava em Phuket, na Tailândia, passando as férias quando a cidade foi atingida por um tsunami.
Fallus diz ao jornal que, depois de 35 anos passando as férias sempre no Brasil, decidiu justamente neste ano ano variar um pouquinho e experimentar a Tailândia, onde chegou com sua família na noite anterior à tragédia.
"Meus amigos me dizem: Avise onde você vai passar as férias, que a gente vai para o outro lado", disse Fallus ao La Nación.
Argentino sobrevive a megaterremoto, 11 de setembro e tsunami
O jornal La Nación, de Buenos Aires, conta nesta sexta-feira a história do argentino que sobreviveu a um terremoto, aos ataques de 11 de setembro de 2001 e, agora, aos tsunamis na Ásia.
Jorge Fallus, de 62 anos, estava na Cidade do México em 1985 quando um terremoto matou 30 mil pessoas. Em 2001, ele estava perto do World Trade Center, em Nova York, durante os atentados.
Na semana passada, Fallus estava em Phuket, na Tailândia, passando as férias quando a cidade foi atingida por um tsunami.
Fallus diz ao jornal que, depois de 35 anos passando as férias sempre no Brasil, decidiu justamente neste ano ano variar um pouquinho e experimentar a Tailândia, onde chegou com sua família na noite anterior à tragédia.
"Meus amigos me dizem: Avise onde você vai passar as férias, que a gente vai para o outro lado", disse Fallus ao La Nación.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
quarta-feira, janeiro 05, 2005
terça-feira, janeiro 04, 2005
Diz que enfim vão começar a erguer o Shopping Cristal ao lado do Jockey. Não conheço o projeto, mas morro de medo. Aquela é uma área bonita, abandonada e mal explorada de Porto Alegre. Tenho receio de que encravem ali outro caixotão asqueroso como aquele Big Cristal. Por outro lado, um empreendimento bem desenhado podia dar vida não só à região, mas também ao prado. Imaginem um barzinho transado com vista para as pistas e possibilidade de apostas fáceis - nada daquele jargão turfístico, dos tradicionais aficcionados, enfim, dos placês, trifetas e quadrifetas que afastam o cidadão comum das corridas de cavalo. Tudo isso em um prédio bonito com vista para o Jockey e para o Rio.
Aliás, vocês sabiam que o projeto do Jockey de Porto Alegre - de um arquiteto ururguaio chamado Fresnedo Siri - é badaladíssimo pelos entendidos? Dizem que o prédio é lindo, leve, com vigas de metal finas como fios e muito vidro, interligando o rio e as pistas e blá blá blá blá blá...
Aliás, vocês sabiam que o projeto do Jockey de Porto Alegre - de um arquiteto ururguaio chamado Fresnedo Siri - é badaladíssimo pelos entendidos? Dizem que o prédio é lindo, leve, com vigas de metal finas como fios e muito vidro, interligando o rio e as pistas e blá blá blá blá blá...
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Muito bem. Não podemos terminar o ano com pendências. Vamos lá:
Chegamos no Parafernália e eu já tinha desistido da Rafa. Que fosse o que Deus quisesse. Me despi do personagem e junto com ele se foi o superego. Comecei a projetar a noite. Semanas antes, um jogo de amigas surpreendera-me numa atitude nada convencional no Garagem Hermética. Não é que as três moças, sempre tão comportadas, puseram-se a se beijar enlouquecidamente entre si. Não obstante, colocaram um amigo nosso na farra. Estavam todos bêbedos, tudo bem. O problema é que eu não estava e fui compulsoriamente introduzido no bacanal que não era bem bacanal, porque nem eu nem o amigo quisemos saber de viadage. Deliciamo-nos com o gosto da boca das amigas enquanto elas mesmo se experimentavam. Confesso que fiquei estarrecido: pois então andavam todos na libertinagem e só eu não sabia? Que babaca! Seriam todas as noites daquele jeito? Descobri depois que não - parece que não. Mas resolvi me vingar. Chueguei no Parafernália disposto a pegar o celular e acionar minhas concupiscentes amigas - e assim fiz. Enquanto ainda era cedo para encontrá-las e então mostrar as garras da vingança, pus-me a azucrinar todos no bar (aliás, como de costume). Cheguei mesmo a esquecer da Rafa. Até que o Tiago pediu-me que a levasse até o ponto do táxi. Claro, Tiago, não te preocupa que eu a levo até o ponto de táxi, até meu carro, até tua casa, a coloco na cama e tudo o mais. De modo que agora era minha obrigação dar o bote. Ela aceitou a minha carona e a viagem foi um desespero. Nós conversávamos, conversávamos, conversávamos e eu não achava o momento de agir. Comecei a suar frio. Afinal, eu era um homem ou um rato? Com esta indagação na cabeça, estacionei em frente ao prédio da moça. Foi então que num rompante, na hora do tchau, decidi: eu era um homem! Tasquei um chupão babado de língua que parece ter sido muito bem recebido pela moça. Mas eu era muito mais do que um homem - eu era fodido mesmo e usava camisa vermelharosalaranjada e só um cara assim faz o que eu fiz naquela noite. Passados dez segundos de beijo, abandonei a paixão e tive o auto-controle para afastar-me, afastá-la e, como quem não está nem aí, dizer:
- Quarta-feira te convido para ir na champanharia. Agora, sobe. Tchau, guria.
Tá, eu não sou um Don Juan e foi só ela entrar no prédio, para eu arrancar o carro, dar um urro de faceirice, meter a mão na buzina e ligar para um amigo para contar a façanha. Foi neste estado de graça que voltei ao Parafernália. Lá, enxuguei um pouco, liguei para minhas amigas lascivas e ainda fui encontrá-las em uma famosa boate da capital. Foi só elas me olharem que descobriram: em êxtase com o beijo na Rafa, eu só queria era beijar. E se semanas atrás elas haviam me submetido a um gostoso mas estranho ritual, hoje era a minha vez. E passamos a noite a beijar. Beija, beija, tá calor, tá calor! Baba, baba, sem amor, sem amor! Lambe, lambe, sem pudor, sem pudor! Enfim: que noite!!!
E esta história eu só comecei porque era dia 15 de novembro e fazia exatamente um ano que eu beijara a Rafa pela primeira vez. Hoje, um mês e meio depois do aniversário de namoro, foi-se o gancho. Mas ficou o amor. Te amo, minha gorda!
Chegamos no Parafernália e eu já tinha desistido da Rafa. Que fosse o que Deus quisesse. Me despi do personagem e junto com ele se foi o superego. Comecei a projetar a noite. Semanas antes, um jogo de amigas surpreendera-me numa atitude nada convencional no Garagem Hermética. Não é que as três moças, sempre tão comportadas, puseram-se a se beijar enlouquecidamente entre si. Não obstante, colocaram um amigo nosso na farra. Estavam todos bêbedos, tudo bem. O problema é que eu não estava e fui compulsoriamente introduzido no bacanal que não era bem bacanal, porque nem eu nem o amigo quisemos saber de viadage. Deliciamo-nos com o gosto da boca das amigas enquanto elas mesmo se experimentavam. Confesso que fiquei estarrecido: pois então andavam todos na libertinagem e só eu não sabia? Que babaca! Seriam todas as noites daquele jeito? Descobri depois que não - parece que não. Mas resolvi me vingar. Chueguei no Parafernália disposto a pegar o celular e acionar minhas concupiscentes amigas - e assim fiz. Enquanto ainda era cedo para encontrá-las e então mostrar as garras da vingança, pus-me a azucrinar todos no bar (aliás, como de costume). Cheguei mesmo a esquecer da Rafa. Até que o Tiago pediu-me que a levasse até o ponto do táxi. Claro, Tiago, não te preocupa que eu a levo até o ponto de táxi, até meu carro, até tua casa, a coloco na cama e tudo o mais. De modo que agora era minha obrigação dar o bote. Ela aceitou a minha carona e a viagem foi um desespero. Nós conversávamos, conversávamos, conversávamos e eu não achava o momento de agir. Comecei a suar frio. Afinal, eu era um homem ou um rato? Com esta indagação na cabeça, estacionei em frente ao prédio da moça. Foi então que num rompante, na hora do tchau, decidi: eu era um homem! Tasquei um chupão babado de língua que parece ter sido muito bem recebido pela moça. Mas eu era muito mais do que um homem - eu era fodido mesmo e usava camisa vermelharosalaranjada e só um cara assim faz o que eu fiz naquela noite. Passados dez segundos de beijo, abandonei a paixão e tive o auto-controle para afastar-me, afastá-la e, como quem não está nem aí, dizer:
- Quarta-feira te convido para ir na champanharia. Agora, sobe. Tchau, guria.
Tá, eu não sou um Don Juan e foi só ela entrar no prédio, para eu arrancar o carro, dar um urro de faceirice, meter a mão na buzina e ligar para um amigo para contar a façanha. Foi neste estado de graça que voltei ao Parafernália. Lá, enxuguei um pouco, liguei para minhas amigas lascivas e ainda fui encontrá-las em uma famosa boate da capital. Foi só elas me olharem que descobriram: em êxtase com o beijo na Rafa, eu só queria era beijar. E se semanas atrás elas haviam me submetido a um gostoso mas estranho ritual, hoje era a minha vez. E passamos a noite a beijar. Beija, beija, tá calor, tá calor! Baba, baba, sem amor, sem amor! Lambe, lambe, sem pudor, sem pudor! Enfim: que noite!!!
E esta história eu só comecei porque era dia 15 de novembro e fazia exatamente um ano que eu beijara a Rafa pela primeira vez. Hoje, um mês e meio depois do aniversário de namoro, foi-se o gancho. Mas ficou o amor. Te amo, minha gorda!
Já tinha mesmo desistido desta procura insana pela cor perfeita. Adotara quanto à cor perfeita a mesma postura que tenho com relação a Deus: ela pode existir, mas nunca conseguirei descobri-la. Foi então que minha mãe me deu, no último dia 24 uma camisa cuja coloração beira a perfeição, renovando as minhas esperanças. Em 2005, retomarei a busca. Por enquanto, já sei que a cor perfeita se situa entre o rosa, o laranja e o salmão.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
As empresas têm todo o direito de adotar uma política de comunicação hermética e não dar informações à imprensa. Mas que isso atrapalha a minha vida, ah atrapalha. É por isso que, em nome da categoria, não mais comprarei no Zaffari, avesso à imprensa, concentrando o meu rancho no Nacional e no Big - cujos dirigentes estão sempre dispostos a engrossar uma matéria.
domingo, dezembro 26, 2004
Esses dias o patrão esteve aqui na redação de ZH, para desejar-nos feliz Natal, próspero Ano-Novo e parabenizar-nos de coração pelos excelentes resultados alcançados em 2004. Mais de duzentos jornalistas reunidos, um silêncio rotundo, e Nelson a falar. Me senti como quem se aproxima da janela do 22o andar. É dar um passo e terminar com a vida. Era dar um passo e terminar com a carreira. Fica por conta de vocês tudo que eu poderia fazer para me queimar para sempre. Não precisaria nem dar um beijo ou um murro no chefe. Poderia mesmo pedir a palavra - e dizer tanta coisa. E aquela coceirinha na barriga, impelindo-me a mudar a ordem de tudo, a dar enfim o passo. Mas desta vez deixei passar. Preciso preparar melhor o discurso.
quarta-feira, dezembro 22, 2004
Ontem foram uns caras vender um filtro d´água lá para casa. Não um filtro comum: algo revolucionário, que vai mudar os rumos da humanidade - a julgar pelas vantagens relatadas. Sabem água Fonte Ijuí, Sarandi, Santa Catarina, São Lourenço, Perrier? Esqueçam. O filtro com ozônio veio para terminar com as minerais. O ozônio é o oxigênio com mais um átomo, vocês sabem, né? Eu não. Mas diz que oxigênio comum é O2 e ozônio é O3. Enfim, o fato é que, passando por este filtro a água pesada da Corsan vira leve. Mais leve que mineral. E mais: um copo de água filtrada com ozônio funciona mais do que uma colher de sopa de sal de fruta contra a asia. E ressaca: vocês ainda têm ressaca? Xihh, isso é coisa do passado, o novo filtro termina com o mal-estar pós-bebedeira. Um copo de água filtrada e deu. Duvidam? então reguem suas florzinhas com água filtrada com ozônio. Num instante, elas revivem. Porque a filtragem revolucionária mata todos os microorganismos que estão nos imundos canos subterrâneos da rede de água. Duvidam? Experimentem, então. Mas experimentem vocês, porque eu não vou pagar 600 pilas por tudo isso. Depois me contem. Filtro neolife.
sábado, dezembro 18, 2004
quinta-feira, dezembro 16, 2004
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Sempre que visito um amigo cuja casa ou apartamento disponham de pátio, piscina, cancha de futebol, cobertura, lareira ou churrasqueira penso a mesma coisa: Deus dá carne para quem não tem dente. Invariavelmente, parece-me que os mais abastados não aproveitam adequadamente os bens de que têm a graça de dispor. Pois não é que, já faz quatro meses, moro num apartamentinho com churrasqueira! E, desde que me mudei, planejei dezenas churrascos. E sabem quantos se concretizaram? Dois! Uma vergonhosa média de um a cada 60 dias. De fato o homem gosta mesmo é de roer o osso que Deus dá aos outros. Mas semana que vem, sem falta, churrasco lá em casa.
sábado, dezembro 11, 2004
www.odonepravoltaraganhar.com.br
aos sócios e amigos de sócios, peço votos.
aos gremistas, a torcida para mudar o Grêmio.
aos colorados... bem, aos colorados, vão se catar !
aos sócios e amigos de sócios, peço votos.
aos gremistas, a torcida para mudar o Grêmio.
aos colorados... bem, aos colorados, vão se catar !
terça-feira, dezembro 07, 2004
sábado, dezembro 04, 2004
Fotos inéditas da viagem a Búzios. É só hoje ! Visualização gratuita ! Não perca ! É só no fotologuidotiao2. Acesse já www.fotki.com/fotologuidotiao2 .
Tem fotos da pousada, da dona da pousada (a austríaca Ivy), do fenomenal Pali (o cão húngaro da pousada) e de praias de Búzios e Arraial do Cabo.
Tem fotos da pousada, da dona da pousada (a austríaca Ivy), do fenomenal Pali (o cão húngaro da pousada) e de praias de Búzios e Arraial do Cabo.
sexta-feira, dezembro 03, 2004
quinta-feira, dezembro 02, 2004
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