segunda-feira, junho 30, 2008
quarta-feira, junho 25, 2008
sábado, junho 21, 2008
quinta-feira, junho 19, 2008
quarta-feira, junho 11, 2008
Atualmente, Filipe passa mais tempo no hospital do que em casa. Quando está em Tenente Portela, o garoto se diverte com os amigos e mata as saudades do pai, Celso Mereis, que por causa do trabalho, não pode acompanhar o tratamento do filho em tempo integral.
Antes de fazer o transplante, Filipe, gremista fanático, faz um pedido especial a mãe. "Quero que ela vire gremista. Não quero uma medula colorada", fala o menino.
terça-feira, junho 10, 2008
quarta-feira, maio 28, 2008
>>>Rodrigo Bersch Muzell>>>
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Quanto de frescura vai ter no teu casamento, numa escala de 0 a 10? (Sendo 0 o casamento dum amigo meu que foi num quintal com pizza e 10 o casamento do anghinoni, onde para tudo havia um garçom)
>>>Sebastiao Ribeiro>>>
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8. pq?
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>>>Rodrigo Bersch Muzell>>>
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Gostaria de saber o que esperar. Exemplos?
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>>>Sebastiao Ribeiro>>>
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tu não prefere que seja surpresa?
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>>>Rodrigo Bersch Muzell>>>
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prefiro. Não me entrega as surpresas, mas me dá uma idéia de que haverá de legal. Chamam de teaser, os publicitários.
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>>>Sebastiao Ribeiro>>>
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não haverá grandes surpresas... será um casamento normal. boa decoração, boa comida, muita bebida, espero. só que acho que estará bem animado, porque tenho amigos bastante bagunceiros...
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>>>Rodrigo Bersch Muzell>>>
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Achas que há boas perspectivas pro Último Solteiro, o Vicente?
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>>>Sebastiao Ribeiro>>>
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poucas, mas algumas... mas poucas...
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>>>Rodrigo Bersch Muzell>>>
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Apesar desse monte de respostinhas medrosas, tens uma entrevista pro dia de hoje já.
terça-feira, maio 27, 2008
mariella: o que tu mais gostou na função toda?
sebastiao: de procurar a lua-de-mel. acho que gastei umas 500 horas na frente do computador sonhando com hotéis e lugares paradisíacos. como a rafa queria metrópole e eu, sombra, sexo, comida e água fresca, decidimos cinco noites no caribe e cinco noites em ny. demorei anos para me decidir por playa del carmen, no méxico, mas quando fomos a são paulo buscar o visto mexicano, esgotaram-se as senhas para o dia. nos irritamos com os cucarachos e decidimos não ir mais pra lá. desesperado, fiz um comment no blógui do ricardo freire pedindo ajuda. ele foi muito querido e nos mandou tomar no olho do cu. sério: nos sugeriu o ku hotel, em anguilla. a partri do dia 17, em encontre em www.ku-anguilla.com/
sebastiao: ... (longo tempo) ... mariella, uma entrevista pressupõe respostas e PERGUNTAS
mariella: hahahahahaha. sim,eu tava lendo, guri
mariella: e o noivo teve muitas funções no processo ou a noiva acabou absorvendo todas? quais as tarefas foram delegadas a ti, além da lua-de-mel?
sebastiao: putz, que bosta este gtalk, apagou toda uma resposta...
mariella: quer ir pro msn?
sebastiao: bem capaz. fiz um monte de coisas. escolhi o fotógrafo e a empresa de iluminação (foi por eliminação, já que o representante de uma delas tinha uma megatatoo do inter no braço e foi desqualificado). estou vendo as bebidas e comidinhas surpresas. descobri e comprei lembrancinhas criativas. a escolha do menu foi megademocrática, em um pleito que envolveu as duas famílias e voto aberto.
mariella: um noivo muito dedicado. e o terno? qual foi o critério de escolha? a rafa ja viu?
sebastiao: a rafa não vai ver. desculpa, não sou vaidoso, mas quero preservar a informação sobre o terno. a escolha é minha e só minha. a maria paula foi chamada pra me ajudar, mas não me ajudou. de que adianta ter cunhada, então? agora, só eu sei como é meu terno (e o alfaiate e a margarida muller, que é a cerimonialista, muito querida). ah, ele é diferentão. disse isso pra minha mãe e ela está apavorada.
mariella: hahahaha. mas é terno ou fraque? ou meio fraque?
sebastiao: terno.
mariella: tu vais usar gravata ou plastrom? é assim que escreve?
sebastiao: o que é plastrom, meu deus? não, tudo menos PLASTROM, seja lá o que isso for..
mariella: é aquela gravata de noivo com uma pérola. acho meio esquisita, mas enfim. e a expectativa com o grande dia. tá perto, né? a rafa teve muitos pesadelos??
sebastiao: ah, começaram as perguntas de repórter esportivo pra jogador de futebol... tem expectativa nenhuma, guria. tá tudo ótimo. a rafa tá ótima. e chega de entrevista. amanhã fazemos mais. valeu!
mariella: não, não. não é pergunta de repórter esportivo. nem sei como se faz isso.
sebastiao: putz, não estou conseguindo fazer um copy-paste disso. e agora?
mariella: mas é que noivas têm pesadelos durante o processo. e a rafa me falou de um com o vestido, que era azul celeste. mas conta mais. vai ter pajem? imagina o barbosa levando as alianças!
sebastião: ba-ai.
segunda-feira, maio 26, 2008
Webmaster - Teu blógui tá uma merda.
Tião - Eu sei... É que...
WM - Tua meta é deixá-lo como o da Tica?
Tião - Não, não, de jeito maneira, prometo que vou me empenhar.
WM - Andam dizendo por aí que a tua condição de futuro marido e pai
está te fazendo um homem mais maduro, e que homens maduros não têm blóguis...
Tião - Mentira! Calúnia! Quer dizer, acho que não... Pode ver, eu tento atualizar, fiz dois posts sobre a azeitona, digo, o morangão... Talvez vá ser legal pra ele ler isso quando crescer. Saber que um dia foi uma azeitona. Bonito, né?
WM - Ele?
Tião - Não, tipo, digo ELE latu sensu. Pode ser uma morangona. Aliás, seria bem divers se fosse uma morangona...
WM - Divers? Tua filha vai te achar ridículo se tu falar assim com ela.
Tião - Tipo o pai de boné e pochete que eu vi tomar um tombo na rua quando andava de skate com o filho?
WM - Não desvia. Por que tu não tá atualizando?
Tião - Não fui eu que tergiversei, cara. Foi tu que perguntou se eu ia falar divers pra minha filha. Filho. Sei lá.
WM - Desculpa.
Tião - Tá, não tenho tempo pra ficar de abobrinha. Tenho de ensacar as lamparinas. Nos falamos depois.
WM - Abobrinha? Lamparina?
Tião - Esquece, esquece... A propósito, o que é Webmaster?
terça-feira, maio 20, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
sexta-feira, maio 09, 2008
terça-feira, maio 06, 2008
Se você fosse um bovino - um boi, uma vaca, um touro, um terneiro - e estivesse no brete (aquela confusão toda, a cola do da frente espalhando merda no seu focinho molhado), prestes a levar uma pistolada no pescoço, preferia que a vacina contra aftosa aplicada fosse da:
a) Bayer (se é Bayer, é bom)
b) Intervet (leia-se Schering Plough - se diz "pláu")
c) Merial (sem proteínas não-estruturais)
d) Vallée (se faz de francesa, mas é de Uberlândia)
segunda-feira, maio 05, 2008
"Muito obrigada pela lembrança. Sabe que essa questão do gosto que a lanolina passa prá carne é super importante mesmo! O Álvaro, que era o meu namorado mas agora estamos separados, sempre fala isso, tanto é que quando o irmão dele carneava qualquer ovelha velha o sabor da carne era tão suave quanto o de um cordeiro mamão!!!
Quanto à lanolina, se tu quiseres explicar de um jeitinho bem delicado, é só dizer que é como aquele sebo que a gente fica se não toma banho uma semana... rsrsrs.
É a oleosidade produzida por glândulas sebáceas da pele da ovelha. A lanolina, apesar de não ter um perfume muito agradável quando está in natura, é extensamente usada em produtos cosméticos por suas propriedades de hidratação.
Como a lanolina tem esse cheiro forte e propriedade oleosa, quando se abate um cordeiro, é fundamental cuidar para que a mão que toca no pelego não toque na carne, pois a lanolina ficará "grudada" nos dedos e conseqüentemente será "transportada" para o nosso sagrado churrasquinho, ou qualquer que seja a forma de preparo da carne de cordeiro."
Aproveito para trazer dos comments para o corpo do blógui as considerações do Gustavo Ibarra, que atribui os diferentes góstos aos diferentes pastos e deixa uma receita:
"Tião, a questão do pasto é muito pessoal. As gramíneas que determinam o gosto variam de acordo com as microrregiões do estado. Notaste grande diferença de sabor entre o cordeiro produzido na fronteira e os originários dos campos de cima da serra ou da região central, por exemplo. Eu estranho o gosto, pois o meu costume é de comer carne proveniente da fronteira. Eu recomendaria que o pessoal comprasse a carne do selo ovino jovem do Nacional/Big. É garantida que é boa e cujo o manejo é correto, pois são cordeiros de campos nativos da fronteira, mais precisamente fornecidos pelo núcleo santanense de criadores de Texel.Hhehehe.Faz assim ó: compre uma paleta. Esmague alho com sal e faça uma pasta. Misture manjericão fresco picado a essa pasta e espalhe/esfregue por toda a paleta (fure ela com uma faca pra aumentar a absorção dos sabores). Leve ao forno para assar. Acompanhe com uma massa puxada na manteiga com sálvia (derreta a manteiga-bastante- na frigideira e jogue as folhas de sálvia para fritar rapidamente) e um bom tinto. Reze que seja um domingo chuvoso..."
terça-feira, abril 29, 2008
sexta-feira, abril 25, 2008
terça-feira, abril 22, 2008
Foi mais ou menos assim. Terça-feira, dia do futebolzinho da turma, eu estava dando um tempo na Zero Hora para ir direto para a quadra, quando a Rafa liga. Ela sempre liga.
- Gordo, tu tá sentado?
- Ahn... Que tu quer?
- Tou grávida.
Neste momento, é bom que vocês entendam que a Rafa sempre ficava grávida. A cada ciclo que atrasava, engravidava. De fazer teste e tudo. Um dia sem a menstruação, e já queria ir pra farmácia comprar palitinho. Portanto, nenhuma novidade até aqui. Mas resolvi averiguar.
- Como? Explica.
- Eu tou muito nervosa. Eu tou aqui no escritório. Eu comprei um teste de farmácia. Deu dois risquinhos azuis. Um tá mais fraco que o outro, mas na bula diz que se dá dois risquinhos é que ta grávida.
A primeira reação foi físico-química. Senti um vazio no estômago; uma espécie de frio que se espraiou até a ponta dos dedos dos pés e das mãos. Instantes depois, pude elaborar um pensamento:
- Putaquiupariu, e o futebol? Tou fodido, tenho de ir ver a Rafa. Não vou conseguir jogar. Vai faltar um. Os guris vão me matar.
A questão neste momento era prática. Eu tinha de ver a Rafa. Era como se ela estivesse muito doente, e precisando de apoio. Ordenei que se dirigisse para casa e me esperasse. Antes de desligar, ela disse:
- Não podemos contar pra ninguém. Só depois do teste de sangue.
- Claro, claro! Tou correndo pra casa. Te amo. Beijo.
Desliguei o telefone, olhei para o meu lado e enxerguei a Isabel. Então vomitei:
- Isabel tenho que te contar uma coisa não conta pra ninguém a Rafa tá grávida acabou de descobrir foi um exame de farmácia diz que é 99% de certeza.
A Isa ficou faceira. Eu comecei a refletir sobre como me sentia. Com certeza, muito mais feliz do que triste; muito mais assustado do que alegre; sem dúvidas, muito eufórico e orgulhoso de ser um bom reprodutor.
Assim, rumei para casa. De carro, mas a jato. Minha preocupação voltou a ser o estado da Rafa e o futebol. Eu realmente queria jogar. Nossa peladinha de terça à noite é um dos raros momentos de prazer garantido. Mas, agora eu era pai. Pai. Tinha compromissos de pai. E, se a Rafa precisasse, eu ficaria com ela.
Cheguei no apartamento louco para vê-la. Ela abriu a porta e eu a abracei. Com força, mais pela necessidade de mostrar que estava ali do que por emoção incontida. Fiz um interrogatório sobre as circunstâncias do exame e então tomei coragem para dizer que eu queria ir ao futebol, mas não admitia, em hipótese alguma, que ela ficasse sozinha. Era como se instantaneamente ela tivesse se tornado um cristalzinho muito frágil. Tanto que, quando a deixei na casa da mãe dela, antes de seguir para o jogo, subi com o carro na calçada para não haver risco de minha mamãe ser atropelada. Parece pouco, mas eu nunca tinha feito isso antes.
Na ida para o futebol, tive de ligar para a Isabel. Eu tinha de falar. O jogo foi bom, apenas que às vezes eu parava no meio da quadra e pensava: meu, que viagem, eu vou ser pai, que coisa mais nonsense. Ao fim da partida, eu estava absolutamente eufórico. Tomei uma cerveja e voltei para levar a Rafa até a casa dos meus pais, onde fomos recebidos com muitos beijos e champanhas Cave Geisse para o brinde. Entrementes, o Alô Panvel entregou mais um exame que apontou dois riscos.
Acordei-me no outro dia incrédulo. Uma mijada num palito era totalmente insuficiente para me convencer da paternidade. Enquanto a Rafa fazia mil planos para o bebê, eu passei o dia ansioso, esperando o resultado do exame. Por volta das 17h, entrei eu mesmo no site do laboratório Weinmann. O resultado, vocês conhecem tanto quanto eu.
Quando o vi, lá na Zero Hora, chamei imediatamente a Isabel e pedi que convocasse a turma para um brinde no bar da redação. Todos ficaram muito alegres com a notícia e até Totosinho foi chamado.
De tudo, o que mais me surpreendeu é que eu fiquei muito menos nervoso do que esperava. Ando mais é faceiro mesmo. Acho que, na verdade, eu estou muito mais preparado para ser pai do que pensava. Ou não.
sexta-feira, abril 18, 2008
Uma azeitona com um caroço pulsante. Bem maior do que uma ervilha, pelo menos. Meu bebê tem exatos 1,29 cm “da cabeça à nádega”. Francamente! Não consigo entender por que eles medem uma criança da cabeça à bunda. Aliás, não consigo entender como eles conseguem descobrir onde é a cabeça e onde é a bunda. Pra mim, é tudo a mesma azeitona.
Tem gente que chora na primeira eco. Eu não. Digamos que o ambiente não é lá muito inspirador. Entramos em uma sala e uma moça ordenou à Rafa que tirasse a calça – e a calcinha. Todo dia, ela se despe na minha frente. Mas ali, naquele cubículo frio, achei meio estranho. E que coisinha ela ficou quando foi vestida com um saiote de papelão!
Deitada na cama, agora sem a moça, e aguardando a doutora, minha mulher olhou para o lado. Encontrou 30 centímetros de um objeto cilíndrico. Mais parecia uma salsicha parrillera desenrolada. Fina e comprida como a vara do Minhoca – palavras da própria mulher do Minhoca. Uma vara que espia (e ouve).
Passado o choque com as dimensões, seguiu-se uma preocupação mais nobre. Higiênica. Por quantas pererecas teria aquela... ah, deu pra entender, né? A tranqüilidade só veio quando a médica entrou e, em um movimento ágil e certeiro, uns cinco segundos no máximo, encobriu o objeto cilíndrico com uma camisinha.
Foi então que o exame propriamente dito começou. A médica dizia: ali é o embrião, ali a comidinha dele, ali a parede do útero, ali o ovário... E nós: Ahn? Quê? Onde? Ahn? Olha, eu podia dizer que é superfrustrante descobrir que o teu bebê é... uma azeitona disforme. Mas a verdade é que dá um puta orgulho. De saber que a tua mulher é fértil, que o ovário direito está produzindo progesterona, que o útero está dilatado, que o corpo dela está se comportando exatamente como devia até agora. E de saber que tu é capaz de gerar uma vida, porque nada simboliza mais a vida do que aquela minúscula bolinha pulsando, enlouquecidamente. Olha, vou confessar, estou arrepiado neste exato momento. E não é só para encerrar o texto como ele começou, mas passei o dia inteiro ouvindo aquele barulhinho: tu-tuc-tuc-tuc.
domingo, abril 13, 2008
Kati
Comprar carne ovina é uma loteria. Não importa se tem marca, é vendida em butique, faz parte de programa de abate controlado: há sempre o risco de o corte vir catinguento.
Sabe catinga? Aquele cheiro de barba de bode impregnado? Um gosto que causa náusea e instantânea contração nos músculos da face (e do abdôme)? E cuja sensação retorna a cada expirada? Pois é, tem bagual que adora, acha que é coisa de macho. Margarida detesta. Está certo, Margarida fala de si na terceira pessoa, e isso não é lá muito abonador, mas nem por isso deve-se desqualificar sua opinião.
Conversando com quem sabe ou quem diz que sabe, chega-se a três explicações com relação às origens da catinga _ aliás, ensina o Aurélio, termo com origem na palavra guarani kati, ou "cheiro forte". Para alguns, a kati poderia ser causada pela idade avançada do animal (oveia véia), pela raça ou pelo mau procedimento na hora do abate.
De início, Margarida colocou em xeque a questão da idade. A carne ovina mais catinguenta que já comeu foi um filezinho de cordeiro ao molho de mostarda. Prato lindo, receita tentadora e uma kati absolutamente desproporcional à delicadeza do corte. O problema era que a carne era de "marca", de "cordeiro mamão": como podia então ter aquele gosto repelente? Foi então que um criador amigo, adepto da teses que envolvem idade e raça, respondeu:
- Rapaz, eles dizem que é cordeiro. Eu sei que não é, porque eles oferecem para comprar meus bichos e da redondeza. E embarcam de qualquer idade e de qualquer raça. Tem oveia véia, eles compram.
A diferença de gosto entre as raças é uma explicação que sempre agradou a Margarida. Este colunista freqüentou o campo ao longo de toda sua vida. Lembra-se da kati da carne servida na fazenda do avô lá pela década de 80, quando se criavam raças específica para produção de lã. E sabe como o cheiro ruim desapareceu totalmente após a migração para a raça texel, voltada à produção de carne. A melhor paleta assada que Margarida já comeu - daquelas macias, suaves e ca-ra-me-la-das - foi de um animal suffolk criado (tipo carne) na Cabanha Picumã, de Butiá, do Rogério Silva, um veterinário muito gentil e que, aliás, tinha um carneiro megasuperultraresistente a vermes na propriedade, mas isso é outra história.
Quem defende a tese da forma de carnear é o marido da Letícia Picoli, outra veterinária querida totalmente apaixonada (e especializada) por ovinos. Pois o cara, cujo nome eu não lembro, com a chancela da mulher, diz que o problema é quando o carneador encosta a carne na lã. Se isso acontecer, com o perdão da expressão, fodeu. Essa, aliás, é uma tese antiga, mas Margarida não acredita muito nela, não. Duvida que nos grandes frigoríficos haja processos múltiplos de abate, e ainda assim a carne oriunda deles sai às vezes com kati, às vezes sem.
É essa inconstância odorífera ou gustativa, vamos assim chamar, que faz com que tanta gente não goste da carne ovina, que é a melhor que há entre as vermelhas (quando está boa). E que, por fim, limita o mercado e até os preços do produto. Afinal, não é todo mundo que aceita arriscar. Da parte de Margarida, continuará apostando na loteria, porque acha que uma costelinha de cordeiro boa compensa outras mil com kati.