sexta-feira, março 13, 2015

Então, naqueles 6 dias que Deus tava lá, criando o mundo, que no sétimo ele arreou na rede, teve duas epifanias. Tu sabe, epifania, aquele momento em que tudo se ilumina e faz sentido e blablabla. Tipo assim: dois momentos em que Deus encontrou Deus. No primeiro, ele criou o figo. Já tava demais, os seres já tinham algo que lhes daria um gostinho da perfeição, da plenitude, do absoluto. Uma pista de que Ele mesmo existiu e não tava ali pra brincadeira. Tava bom, mas daí o Cara teve outra epifania e dela surgiu a mulher. Porra, Deus já tinha feito o figo. Daí, pá, fez mais umas coisinhas sem importância, e quando já tava quase vazando, o Cara fez a Mulher. Velho, não é que o Cara fez tudo; é que Ele fez o figo e a mulher! Daí, correu pro abraço, deslizou pra rede pra tirar uma torinha no Domingo e se consagrou. O Pinta era fodido na lança mesmo!


Pais e filhos


Hoje foi meu dia de levar o piá ao colégio. Ele recém entrou na primeira série do primeiro grau - agora diz ensino fundamental. Ainda está deslumbrado com o 'colegião'.
Cruzamos a catraca de entrada, e eu pensando... até quando?
- Meu filho, mais uns dias e já dá pra te deixar aqui na roleta, né?
- Acho que sim.
- Sabe como chegar na sala?
- Sei. Se tá sol é pra ir pro pátio de areia e se tá chovendo é na área de convivência - sim, ele disse 'área de convivência'.
Atravessamos o patiozão de mãos dadas. E eu pensando... até quando?
Assim que chegamos à entrada do pátio de areia, o João sussurra.
- Pai, olha ali a Ana...
Aqui um parênteses. Em três semanas de escola, o guri já se apaixonou por três colegas. Primeiro a Rafa, depois a Lavínia, e agora a Ana. Quando penso nisso, me dá um orgulho. Garanhão! Mas daí me reprimo. Pensamento sexista! E se ele for gay? Só fala nas gurias, nunca nos guris. Se ele for gay, tudo bem, se ele for gay, tudo bem... fico me repetindo.
Olho pra Ana, magrinha, pequenina, duas caxuxas laterais. Está com medo de ir sozinha pro pátio de areia, enrabichada nas pernas dos pais. Olho para eles, esperando uma cumplicidade que não vem. 
- Então, esta é a famosa Ana?
- A-han. E esse é o João gremista?
- É!
O guri me dá um abraço apertado, de 20 segundos. Diz que me ama. Dá beijo. Às vezes ele faz isso. Fico pensando: será que vou morrer hoje? Ele previu algo? Por que esse abraço tão caloroso, assim, do nada? Até quando?..., eu penso.
Fico tonto com o abraço, com o beijo. Quando ergo a cabeça, ele já está dois metros longe. Deu a mão pra Ana. Eles se afastam no pátio de areia. De costas. Cada vez menores. Mãos dadas. Não olham pra trás. E é tão lindo! 
Viro de costas e me vou. Sim, ele previu. Eu morri um pouco hoje. E também morri de amor!

Te amo, meu filho!!!


domingo, fevereiro 15, 2015

Sei que era uma mansão, pelo espaço interno. Não posso dizer muito dela por fora. Vivia envolta pela cerração de Gramado, pelas araucárias e caneleiras. Mas isso não importa. A história vale pelos seus personagens. Jamais vou entender a relação entre eles. Era um Big Brother armado pelo destino. Todos ali para aproveitar a grande festa de Ibiza em pleno Festival de Cinema de Gramado de 2003. A atmosfera era de O Anjo Exterminador, filme do Buñuel: eu imaginava se repentinamente ficássemos presos ali, para sempre.
Mas vamos ao que interessa:

- Pintinho: um dos sujeitos mais boa-praça e generosos que conheci. No restaurante, fazia questão de pagar a conta da mesa inteira. Sempre com dinheiro vivo. Era de Caxias e tinha sotaque de gringo. Acho que morou na Itália um tempo. Trabalhava com máquinas de azar, num tempo em que não se sabia se isso era legal ou ilegal. Não duvido que fosse operador da loteria zoológica. Acaso se tornasse milionário, temo que não administraria bem a fortuna: gastaria tudo oferecendo os melhores jantares e as melhores viagens para os amigos. Era exímio cozinheiro. Chegou para o fim-de-semana numa caminhoneta tipo Pampa, caçamba aberta, tomada por tralhas de cozinheiro: panelas tipo wok, caçarola, de pressão, facas, um imenso queijo holandês, um fogão de campanha industrial. Preparou a melhor massa que já comi ever. Sonho com ela até hoje: espaguete na manteiga com molho e raspas de limão sciciliano. Al dente, perfeita, inesquecível.

- Tio Zeni: o mais velho da turma. Parece que já faleceu (sad...) À época, Tinha uns 40, 50 ou 60, não dava para precisar. Vivia acompanhado de um sobrinho de oito anos. Falava alto e desafinado. Tinha uma amável e proeminente pancinha e cabelos grisalhos pintados de dourado. Sotaque de gringo. Tão boa-praça quanto atabalhoado. Engraçado pacas. Na volta da festa, fumei um cigarrinho de artista com ele. Dentro do carro, pra não dar na cara do sobrinho.

Eu: solteiro. Idade: 24. Sabe-se lá por que aceitei curtir o fim-de-semana do Festival a convite de um casal de amigos, numa casa com um bando de desconhecidos. Andava em busca da paz. À procura do meu eu interior, sabe? Provavelemente era apenas reação a um trago monumental do fim-de-semana anterior. Ou, quem sabe, não. Fato é que prometi manter comportamento irrepreensível neste final de semana. A ponto de me tornar um coadjuvante naquela casa. Um mero espectador. Gosto de pensar que aquela jornada foi decisiva para que o casal de amigos decidisse me apresentar para a Rafa, irmã dele, cunhada dela. Afinal, não podia ser tudo mero acaso...

Os sócios:.eram bonitos. E fortes. Porte atlético, corpos moldados em academia. Muito parecidos, tinham sido sócios. E melhores amigos. Inseparáveis. Há um tempo, eram inimigos mortais. Alguma ronha na sociedade... A bronca tinha ido parar na justiça. Não se falavam há meses, anos. Eram adversários, rivais. Odiavam-se tanto quanto tinham se amado. A presença da dupla na mesma casa era motivo de tensão. Debaixo do mesmo teto, não trocavam olhares, muito menos palavras. Em determinado momento, nós, os homens, iniciamos um campeonato de sinuca: havia uma mesa profissional em um dos cantos da mansão - bem iluminada, jogo de bolas reluzente. Eram eliminatórias. Calhou que os dois se cruzaram na semi. Começa o jogo. Eles não se falam, cruzam olhares pelo reflexo das bolas. Lá pela pelota três, a tensão era tanta que nós, os demais, resolvemos deixar a volta da mesa. Os dois ficaram jogando. Caiu a primeira bola oito e começaram outra partida. E outra. E outra. E outra. E outra. E outra. Jogaram por horas a fio. Um adivinhava a jogada do outro. Mas não falavam. Juro: foi lindo! De longe, todo mundo se entreolhava: 'deixa eles, deixa eles...", dizíamos, baixinho. Espero do fundo do meu coração que depois daquilo tenham retomado a amizade.

Mariá: não foi à toa que a deixei por último. Era linda. Deslumbrante. De tirar o ar. Pele alva e cabelos negros, ondulados. Alta, magra, soberana. Mas dava para notar alguma fragilidade no olhar. Namorava um dos rapazes da casa. Era de Balneário. Não cansava de repetir isso. Me ensinou que quem é de Balneário, não diz Camboriú, nem Balneário Camboriú, mas diz Balneário. Tinha uma loja, lidava com moda. Vestia-se lindamente. Por volta das oito da noite do dia da festa, passou a ser o assunto da casa. É que tinha agarofobia. Ou agorafobia, não sei como diz. De qualquer modo: medo de multidões. E as festas da Ibiza eram um aperto, um povo, milhares de pessoas roçando ombros em um galpão. Davámos todos conselhos à Mariá, que não tivesse medo, que estaríamos junto, que na entrada faríamos uma espécie de cordão, o namorado dela a protegeria. Quando entramos na festa, a escoltamos. Depois, foi cada um pro seu canto. Ficamos sabendo que ela não aguentou o tranco. Voltou para casa às duas, e as quatro da matina pegou a estrada com o namorado com destino a Balneário. Temi pela vida dos dois. Mas sei que chegaram bem. Rezo todas as noites para que ela tenha melhorado da agorafobia. Ou agarofobia. Lembro dela toda santa vez que alguém diz que é de Camboriú ou de Balneário ou de Balneário Camboriú. Tenho verdadeiro carinho por todos que participaram daquele final de semana.

Julius Rigotto: devia estar em algum lugar VIP da Ibiza. Qualquer problema, era para falar com ele, nos orientaram os caxienses da casa. Não foi preciso. Mas não poderia deixar de citá-lo em uma história tão surreal.

* Obs.: essa história é baseada em fatos e pessoas reais. Baseada. Na verdade, é absolutamente fiel à minha memória. O que não quer dizer em absoluto que seja um relato fiel do que rolou. Pelo contrário: tenha certeza que minha mente modificou quase tudo ao longo desses 11 anos que nos separam desse final de semana.


De pandorgas e livramentos

Foi em agosto do ano passado. Fui levar o Emiliano em casa, conhecer o filho dele e da Amarílis, o bebê Miguel. Estava lá o pai dele, o Carlos Urbim, que faleceu hoje. Tinha passado por uma cirurgia, via-se muito magro e um tanto frágil. A morada da Av. América abrigava uma singela festa. Uns amigos mais chegados tinha ido comemorar o mesversário do novo integrante da família. Havia bolos, balões e uma serena alegria no ar.
Em determinado momento, o Urbim sentou-se no sofá e começou a contar uma história. Era uma história de pandorgas e de Livramento, de ruas e de 'gurizes'. Aquela fala arrastada e desafinada, como um eterno adolescente mudando a voz, começou a ganhar corpo. Cada vez mais alta e acompanhada por um olhar reluzente, contrastava com o corpo ainda adoentado. Dejá Vu. Voltei 25 anos. Estamos na sala das Alfas do Colégio de Aplicação. O autor de Um Guri Daltônico estava ali para contar umas estórias. Nosso encantamento de estar cara a cara com um escritor de verdade era tão grande quanto o estranhamento de saber que um escritor de verdade podia ter uma voz de mentira.
Sabe sobre o que o Urbim falava para aquela piazada de 10 anos? De pandorgas e de Livramento. Agora, sentado na poltrona da casa dele, eu não podia crer que contava exatamente a mesma história que eu ouvira no final dos anos 80. Que aquilo, lá atrás, não era uma palestra ou uma apresentação pensada para crianças. Era simplesmente o Urbim sendo o Urbim. E ainda assim, não conseguia deixar de pensar: quantas vezes o Emiliano deve ter ouvido essa história da pandorga? Tinha certeza que aquilo que me encantava devia irritá-lo: qual filho não se enche com os papos do próprio pai?
Um Guri Daltônico marcou minha infância. Junto com o Livro dos Porquês e Flicts, do Ziraldo (que fixação em cores!). Acho que era tão bom, porque, mesmo adulto, o autor parecia ainda ver o mundo como um menino. E assim foi nas pouquíssimas, mas sempre marcantes situações que o vi. Até mesmo no churrasco da nossa turma de formandos do Jornalismo, do qual o Urbim era paraninfo. Discutíamos a morte do Tim Lopes. Até que uma colega começou a argumentar que 'mas a Globo também teve culpa, porque blablabla'. Ao ouvir justificativas para a morte de um colega, o paraninfo sentenciou.
- Então te fode!
Instaurou-se um silêncio, seguido por gargalhadas. Era o que (quase) todo mundo ali queria dizer. A vida inteira interpretei isso como a sentença final, a voz da sabedoria pondo fim ao debate. Se o Urbim disse, então está dito. Amém. Hoje, no dia em que ele se foi, me dei conta do seguinte: não era um sábio, um Deus, um ídolo, nem mesmo o paraninfo, proferindo a sentença final - e que humana sentença! Era apenas um adolescente mudando a voz, dizendo simplesmente o que tinha vontade.

Um beijo grande pra toda família Urbim: Emiliano, Alice, Glauco.

terça-feira, dezembro 16, 2014

Num sábado, o vizinho acordou maluco. Eram oito da manhã e ele estava varrendo a calçada do outro lado da rua. Encheu três sacos de lixo com meladas flores de jacarandá. Era primavera. Mais tarde, foi visto lidando com o jardim do nosso condomínio. Saímos para almoçar e, quando voltamos, os canteiros estavam coloridos, tapados com as flores rosas recolhidas da calçada do vizinho. Lindo! Na janela do apartamento do maluco, uma placa: vende-se! Ao fim do dia, chegava o primeiro interessado em comprar. O apartamento era avaliado em R$ 80 mil. Ele pedia R$140 mil. Meu vizinho era doido. Meu vizinho era corretor.

domingo, maio 25, 2014

Venho por meio desta esclarecer-vos sobre três tipos de licença previstas em nosso direito consuetudinário, sendo as duas primeiras já positivadas e a terceira em vias de positivação: 
- LICENÇA GALA
- LICENÇA NOJO
- LICENÇA PRA DOIS ENTREGA OS TACO:

- LICENÇA GALA: "O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: até 3 (três) dias consecutivos, em virtude de casamento" Art. 473 da CLT 
- LICENÇA NOJO: "O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: até 2 (dois) dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social, viva sob sua dependência econômica." Art 473 da CLT
- LICENÇA PRA DOIS ENTREGA OS TACO: "os jogadores poderão deixar de manter os tacos no seu buraco tão logo assumam a posição de time rebatedor, por tempo indeterminado, até o pedido de DESFEITA PRA DOIS, desde que um deles brade em alto e bom som: LICENÇA PRA DOIS ENTREGA OS TACO." Art 35 do anteprojeto de projeto de lei da Consolidação das Leis do Tacobola.

Cumpre informar-vos, ainda, a descoberta, por este jurista diletante, de uma outra licença deveras relevante:
LICENÇA DOAÇÃO DE SANGUE: "O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: por 1 (um) dia, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada" Art 473 da CLT . Cumpre salientar, ainda, a título de glosa, que tal licença, segundo alguns juristas, não necessariamente deva ser gozada no exato dia da doação, podendo, portanto, ser gozada "em uma sexta-feira qualquer". Dica deste empresário: não goze em uma sexta-feira qualquer.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Devagar se vai ao longe; mas já não se encontra ninguém

Olho para o lado e vejo um pouquinho dele em quase tudo de importante que construí. Minha família, minha casa, meu trabalho... Era meu psiquiatra há 17 anos. Morreu neste sábado, o Outeiral.

Tudo foi como tinha de ser. Em honorários, paguei uns 50 cavalos de polo ao longo da vida para ele, como costumava brincar. Ele me retribuiu ajudando a transformar aquele adolescente imaturo e cheio de medos em um homem, em um pai - tão orgulhoso como ele mesmo era.

Dezessete anos. Uns mil apertos de mão de oi. Outros mil de tchau. Assim deve ser entre médico e paciente. Nunca um abraço ou um beijo. E nunca fez falta. Só hoje.

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É como se eu soubesse a posição de cada livro nas prateleiras do consultório; de cada quadro e objeto. Mas, de todos, o meu preferido era este ursinho de madeira. Segundo consta, presente da filha, Júlia. Ano passado, fiz questão de fotografá-lo no divã. Em tempos, sem interpretações hoje, por favor.

"DEVAGAR SE VAI AO LONGE, MAS JÁ NÃO SE ENCONTRA NINGUÉM" (esta frase acompanhava o desenho de um homem sobre uma tartaruga; se não me engano, são do Millôr Fernandes, a frase e o desenho. Mas não tenho certeza...)


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* Texto publicado dia 21 de julho, após a morte do psicanalista José Outeiral, no meu Face. Mas confio mais no Blógui, pras coisas que quero guardar...


Um dia naquele verão...

O telefone tocou. Fixo. De disco. Decerto, nem tinha celular. Ou tinha e a gente não usava. Ou tinha e não pegava em Torres. Pra lá, a comunicação era no 664.
- Ahn?
- Sébi? Como é que tão as coisas?
- Ahn? Ah, bem... Bem... Hmmm...
- E a confusão?
- Oi? Que confusão?
- Não ouviu nada? O Português se matou. Matou a mulher. Aí na casa da frente. Todo mundo falando. Tá no rádio.
- Peraí.
A casa estava escura só os feixes da luz passando pela persiana, sempre fechada. Podia ser 8h, 9h, 10h...14h, 15h... Atravessei a sala, abri a porta, o sol cegou, fechei os olhos, abri, fechei, abri, fechei, a cachola latejando. Tinha polícia, IML, o escambau. O coração acelerou. Acordei. Voltei pro telefone.
- Diz que ele atirou nela e...blablabla
- Beijo. Vou ver.
Que jornalista de merda sou eu. Tiros na minha janela, quantos? Um, dois três, dez? E eu dormindo. Minha Pentax na mesa de cabeceira. Agarrei a câmera e saí correndo. Abri e porta, vi os polícias retirando o corpo. Parei. Dei um passo pra dentro de casa, atirei a câmera no sofá, fui até a cozinha, peguei um pão-de-minuto do Farol, saí, tranquei a porta, cruzei pelos curiosos aglomerados na calçada, atravessei a rua, adentrei a praia,como sempre, o sol agredindo a vista, como sempre, a areia queimando a sola, como sempre, a corrida até o mar, como sempre, e o mergulho na primeira onda, como sempre... Depois, vinte minutos de caminhada até os Molhes, a cachaça saindo pelos poros, a primeira cerveja na barraca do Fabiano, e então, de repente, como sempre, a cabeça já não mais dia, o esôfago já não mais ardia, a luz do sol já não machucava.

Guardo até hoje o negativo daquele verão. Contra a luz do abajur, revejo o tombo da Maria no luau de Itapeva, o finado Roberto descendo o escorregador da cachoeira de pé, um detalhe do paralelepípedo das ruas de Torres...  E só. E já era demais. Muito mais do que eu poderia imaginar.

quarta-feira, abril 24, 2013



Se você pensa que cachaça é água...

Era no tempo das marchinhas. E dos bailes. Quando ainda se dizia "pular" carnaval.

Ô balancê, balancê...

Só se dizia. Porque naquele 1995 dançava-se de um modo muito peculiar. Caminhando. Um folião podia andar quilômetros em uma mesma noite. Em círculos.

Chegou, a turma do funil...

É difícil explicar uma rodinha de Carnaval. Na Sapt, em Torres, tinha um raio de mais ou menos seis metros. Os foliões dançavam abraçados, em fileiras que convergiam ao centro.  Sempre andando em círculos. Era mais ou menos como uma roda de moinho.

As águas vão rolar...

No centro da rodinha ficavam os guris. E as gurias mais despudoradas. Fingindo não sentir uma, duas, três, dez mãos alheias, roçando-lhes a bunda. Tirando melzinho.

Caiu na rede é peixe...

Nas escadas, nos corredores, nas sacadas, um tempo para a contabilidade. E aí, quantas? Oito! Bah! E tu? Peguei quatro. Até agora. Hahaha. E tu, Bastião? Duas.

Tem francesinha no salão...

Ela usava uma camiseta do Penharol. A clássica, listras amarelas e pretas. Cabelos castanhos, uma tranca escorrendo por cada lado do rosto já lavado de suor - mas isso é só imaginação. A verdade é que não lembro. Deu uma, duas, três voltas na rodinha. Vou ou não vou? Quatro, cinco voltas. Não fui. Ela escapou da roda, parou na minha frente e me beijou. Beijo roubado, beijo de língua, beijo raspado.

A Canoa virou...

Assim como apareceu, se foi. Sem dizer nada.


Um pierrot abandonado...

Foi meu primeiro beijo.

Bandeira branca, amor...

Só sei que foi no carnaval de 1995, na Sapt, em Torres. E que ela vestia uma camiseta do Penharol.

Pã-pã-pã-pã-pã-pã!

quinta-feira, março 29, 2012



A Dieta do Bolo

Como assim, vocês ainda não sabem, gurias? Deu até no Blógui do Tião e tudo! É mais in do que a dieta do óleo de côco e superior a todas as outras dietas da moda ever - dieta da lua, dieta do tipo sanguíneo, dieta do butiá, dieta da USP, dieta dos chipirones, dieta dos pontos...
Então, meninas, a última é a DIETA DO BOLO! Provavelmente a mais revolucionária depois da do Dr. Atkins. Foi formulada pela equipe de nutrição do Hospital Moinhos de Vento, aperfeiçoada pelo jornalista e eterno gordo Sebastião Ribeiro, e recentemente ganhou o mundo ao ser adotada pela Angelina Jolie e pela Kim Kardashian, que já a batizaram na América - a do Norte - de Cake Diet.

Primórdios e funcionamento original
No café da manhã, pessoa come dois pães borrachudos, de 50g cada, com uma fatia de presunto, outra de queijo, um tablete de margarina tão rançosa que ninguém ousaria ingerir, um tablete de geleia Ritter que nem McGyver conseguiria abrir e café com leite. Frio, claro. No almoço, um peito de frango ou um bife tão secos que rasgam o esôfago, uma porção de arroz, uma de legumes, uma canja de galinha sem sal e sem galinha.
Desse jeito, pode imaginar, chega determinado momento vespertino em que pessoa já está desesperada, deitada na cama de um hospital, tendo um mini-AVC, sem direito nem aos prazeres da gastronomia. É aí que acontece a mágica. Prestenção, este é o cerne da dieta. Merece Enter duplo e parágrafo único.

Quatro da tarde. É quando a enfermeira chega com a bandeja e, no prato, o sujeito se depara com a melhor, mais bela e maior fatia de bolo que jamais teria coragem de comer em situação de dieta, acompanhada de um acolhedor cafezinho com leite. Em resumo, é o grande momento do dia. O instante em que o paciente para e pensa: vale a pena viver. Mas atenção: para que a dieta dê certo o bolo tem de ser saboreado da seguinte maneira: um imenso naco que enche a boca e dá sensação de saciedade e plenitude, uma mini mordidinha para fazer render, um imenso naco que enche a boca e dá sensação de saciedade e plenitude, um imenso naco que enche a boca e dá sensação de saciedade e plenitude, uma mini mordidinha para fazer render, um imenso naco - ops, acabou.

Até o jantar, viver é rememorar o prazer do lanche da tarde. Quando chega enfim a janta e você se depara com algo como o almoço acrescido de um iogurte Batavo para guardar de ceia, recomeça o calvário, a espera pelas 16h do dia seguinte.
Ah, já ia esquecendo, importante: os exercícios! Que exercícios, rapaz? Eu estou na cama há 19 dias e nem banho de pé consigo tomar. Ainda assim, já perdi 5 quilos com a Dieta do Bolo. Estou magérrimo, podem imaginar!!! Afinal, só faltam mais 18 quilos.

Aperfeiçoamento e formação atual
Agora, você que é normal, anota aí a Dieta do Bolo já aperfeiçoada pelo Tião. Funciona bem para p’ssoa gorda.

DIETA DO BOLO
Café da manhã:
- Uma fatia de pão light com presunto e queijo e outra com um pouquinho de geleia; café.
ou
- Duas fatias de pão Scwharstztssbrostszs com fatias de ricota e pingos de mel.

Lanche da manhã
- Uma frutinha básica, baby.

Almoço
- Um ou dois bifes, legumes e salada à vontade, uma porção de carboidrato, tipo arroz ou batata assada (pode substituir por duas POLENTAS FRITAS que sobraram do galeto de domingo).
- De sobremesa, Café do Mercado moído e passado na hora e uma barrinha (não te emociona, é um quarto do pacote) de Kit-Kat. Sim, pode vibrar: a Dieta do Bolo tem Kit-Kat!

Lanche
- Um bolo mármore ou uma cuca de uva (elas devem estar estonteantes com esta safra) comprados na Confeitaria Max. A fatia deve ser quase gigante, mas não tanto (equivale a duas fatias de pequenas a médias). Tomar com café com leite. E esse lance da confeitaria aí é só se você não tem uma esposa querida e doceira, como eu, tá?

Lanche II
- Maçã. Da Mônica, né gente? Daquelas bem pequetitas. Tá, pode ser uns bagos de uva ou a melhor fruta do mundo: figo (neste caso, dois, porque é impossível comer só um)!!!

Jantar
-Uma refeição congelada pronta Brubins ou whatever de até 550 calorias.

Ceia
- Um figo ou um Activia, para seu intestino funcionar bonitinho, que nem o da Patrícia Travassos.

Madrugada
- Uma fatia imensa daquele bolo da tarde (só em sonho, ok?)

quinta-feira, março 01, 2012

  

Estou jogado na rede da varanda - era no tempo em que as casas tinham varanda. Domingo, com certeza, o último de fevereiro ou o primeiro de março. Só se ouve o rugido abafado do mar e as pauladas nas tábuas de madeira. São os vizinhos colocando os tampos nas janelas. O último vai na porta. Se ninguém vier na Páscoa, será uma gestação de nove meses de mofo e escuridão até a casa ver a luz do sol de novo. Sim, há a caseira que, supõe-se, abre tudo uma vez por mês, mas a frase ficou melhor sem ela...

De nada adianta pedalar até os amigos. Quem não se foi para fugir do espetáculo, está arrumando as malas. Resta-me a rede e a varanda da casa do tio Paulo no último dia do verão de Torres. Não foram um nem dois domingos assim. Alguns, para ser bem preciso. Por que eu permanecia? Por que sempre a última carona, o último ônibus? Como se algo ainda pudesse acontecer. Algo...

Não me movo. Não há saída de emergência. Fecho os olhos. Cada martelada nos tampos, uma fincada no estômago. Dói. Então me concentro. Inspiro a maresia. Curto como se fosse a derradeira tomada de ar, e alguma será.

Eu fico até o último 'vamos Sebastião', até a buzina que anuncia a morte, até o bus das onze. Eu fico porque preciso.

Amanhã tem aula. E, até lá, tudo menos o Fantástico.

 

segunda-feira, setembro 05, 2011

Your secret from Jean-Sebastien Monzani on Vimeo.



Não precisa ver o vídeo. É bobo. Quase ruim. Quase piegas. Quase me fez parar. Parei. Fechei os olhos. Pensei: as coisas mais lindas de minha vida, não consigo traduzir em palavras. Era este o dom que eu queria ter. Imprimir beleza num acolherado de letras. Ou em uma roda de prosa. A coisa mais linda da minha vida era caminhar descalço no paralelepídedo de Torres, cravar o dedão nas fendas das pedras e com ele impulsionar um tantinho de areia entranhada pelos ares. A coisa mais linda da minha vida aconteceu no Largo da Sé, em Olinda. Uns dez negrinhos jogavam bola descalços no cimento, duas havaianas para cada goleira. Dois deles usavam tênis Nike, camiseta pra dentro das calças, falavam inglês, tinham pais - por suposição - adotivos - por suposição - gringos - por certeza - que os admiravam de fora de uma cancha que não tinha fora nem dentro. Ali do lado, a Igreja da Sé, lá embaixo, o mar de Pernambuco, lé em cima o sol do Brasil, aqui dentro um arrepio. A coisa mais linda da minha vida, eu não sei contar com palavras, mas tem a areia e a espuma das ondas da praia da Gamboa, um céu nublado, um vento frio, o som do mar bravio, a Rafaela e o João.

domingo, maio 01, 2011

Ernesto Sabato levou 99 anos para morrer. E nesse tempo todo não li uma linha escrita por ele. No máximo, o livro "Borges - Sabato. Diálogos", uma conversa entre os dois. Por ocasião do falecimento do segundo, peguei a publicação agora, para ver se havia something to quote. Há várias páginas marcadas com orelhas e uns tantos sublinhados. Mas apenas unzinho com palavras do Sabato. E só porque o papo era jornais.

"A notícia cotidiana , em geral, é levada pelo vento. O mais novo que há é o jornal, e o mais velho, no dia seguinte. (...) Seria melhor publicar um periódico por ano, ou a cada século. Ou quando acontece alguma coisa importante: "O Senhor Cristóvão Colombo acaba de descobrir a América". Título em letras garrafais."

E só. Em 170 páginas. Donde eu posso concluir, dirigindo-me à amiga Cris Lisboa: se tivesse de convidar um dos dois pra um churrasco, chamava Borges, e não Sabato. 

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Sinal dos tempos:

Ela: Nossa, a noite estava horrível ontem. Festa vazia.
Eu: Nada a ver. Porto Alegre estava em chamas! Tu que foi no lugar errado.
Ela: Fui no Beco... E tu?
Eu: Buscar minha mulher na rodoviária... 

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Já há muito as rádios esqueceram que o rádio pode emocionar. A BandNews é a única que tem seus momentos de fazer a gente parar no trânsito. Esses dias derramei uma lágrima com o comentário do Salomão Sschvartsman sobre holocausto. Adoro a voz dele. Meu colega Alexandre de Santi imagina ele fazendo os comentários sempre de sua casa, sobre Santa Teresa, no Rio de Janeiro, fumando um charuto. Escuta aí o comentário sobre o holocausto.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Eu fico imaginando que um dia, num desses tantos acessos de raiva que eu tenho com o mundo, eu vou perder todos os meus amigos de uma tacada só. Porque nesses dias, eu tenho raiva de tudo, do guardinha que passa a noite toda ali vigiando com cara de cu, do meu vizinho que dança com a mulher de janela aberta, da do Louro José e até de mim e de você, sobretudo de você. 

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Este vídeo de Capão da canoa nos anos 50 é genial. Queria muito que o nosso estimado e falecido leitor Carioca estivesse aqui para ver: http://youtu.be/BqZsNoQ9O1Q 

Depois, tem a reutilização das imagens, feitas pela moçada (adoro expressões de locutores de rádio) do Pergunte ao Crepe: http://bit.ly/ezsXFG 

PS: Confio que nenhum leitor saiba o que é embedar.  

sexta-feira, janeiro 14, 2011

De minha parte, gosto tanto de videogames que não os tenho. Comprar um Wii ou PS3 seria uma autossabotagem. Já não me dou o direito de trocar a telinha por horas com a família, muito embora tenha certeza de que sucumbiria ao vício caso estivesse ao meu dispor. E não precisaria tanto, um MegaDrive, MasterSystem ou Phanton System em minha telona já seriam o suficiente para me abduzir. Muda a tecnologia, mas a diversão é a mesma. Tudo termina em salvar a princesa.
O diabo é que descobri os joguinhos de celular. Agora, não somente estou com uma plataforma à disposição como a tenho 24 horas por dia (literalmente) à minha mão. Deu uma brecha no mundo, lá estou eu matando ursos com pinguins, no Crazy Penguin Catapult.


Se tivesse de apontar um defeito nos jogos pra celular diria: são muito fáceis. Eu baixo um e já viro. O que não me impede de continuar jogando. No Smash Kart, genérico do Mario Kart, eu terminei todos os percursos em primeiro. No fim, foquei apenas na última e mais difícil pista: a Pista Espacial, do último mundo. Agora minha meta é reduzir meu tempo. Sempre. O inferno é que certa feita - lembro bem, foi na sala de espera do oculista - fiz a marca de 1'07''74. E nunca mais a superei. Já joguei um milhão de vezes depois disso. E digo: a marca obtida por mim é imbatível. Até para mim mesmo. Deve ser o recorde mundial do Smash Kart.


E com isso, ando eu numa obsessão infinita, querendo jogar o celular longe cada vez que perco para mim mesmo, em meio a uma dessas brechas do mundo, que são tantas...

segunda-feira, janeiro 10, 2011

É um ritual que se impõe no início do veraneio. Despojado do chinelo, sai a caminhar. É preciso encascorar o pé. Estar preparado para qualquer eventualidade. De que natureza? Não pergunte. Também não sabe. Qualquer eventualidade, apenas.
Descalço, como uma tartaruga recém-nascida na Praia do Forte, entrega-se ao impulso que o leva em direção ao mar. No caminho, cem por cento do – volumoso, diga-se de passagem - corpo concentrados em 250 cm² de uma planta de pé.
Com o dedão, cava a areia que se deposita entre descombinados paralelepípedos e a lança ao ar. Sobre as pontiagudas pedrinhas de asfalto, enfim compreende o sadomasoquista: é sádico ao maltratar seus pés e masoquista ao gozar com a dor auto-infligida. Na grama indomada dos terrenos baldios, há se de pisar firme e fazer cara feia para amedrontar as rosetas. As raras calçadas bem cuidadas são oásis de alívio no caminho. Os pisos se sucedem de forma mais desafiadora do que os programas randômicos das esteiras de academia.
É preciso encascorar... É preciso sofrer até sentir a areia da praia acariciando o entrededos, a água gelada do mar anestesiando o corpo, de cima para baixo. Faz parte do ritual banhar-se olhando para a frente. Seguir caminhando como se em terra firme até ter o oceano na altura dos calcanhares, dos joelhos, do púbis, do umbigo, do peito. E só então mergulhar, parar e olhar firme para o fim do mundo, de costas para os espigões e para a praia que mais parece um campo de batalha com suas tropas, abaladas pela chuva, batendo em retirada e deixando para trás armas e mantimentos. Lixo, puro lixo.
Cada onda concentra em si a energia de um vento, de muitos ventos, se assim se pode dizer, que sopraram centenas de quilômetros à frente. Uma onda batendo forte no peito é a comunhão maior do homem com a natureza, assim como o pé descalço no asfalto o é com a obra humana. É preciso encascorar, para enxergar toda a beleza da imundície do homem.
Redimido com a natureza e com a obra humana, é hora de voltar, de fazer as pazes com com o homo sapiens sapiens. A ida já lhe deu o casco e a confiança necessários para caminhar sem olhar para o chão. Está pronto para enxergar seus pares. É bom ver-se de calção do Grêmio e cueca samba-canção, as banhas debruçando-se sobre o elástico na cintura, pelas ruas de Tramandaí. É reconfortante fazer parte da massa de homens obesos e suados por carregar seus isopores até há pouco repletos de latinhas de cerveja, ao lado de suas mulheres vermelhas sapecadas de sol, a pele sempre escorregando para fora do maiô. Ele vê aquela turma na varanda do condomínio de casas geminadas, dando risada com o CD do Guri de Uruguaiana, o casal de Sapucaia namorando no carro ao som do Musical JM, o negro corpulento de sunguete berrando bêbado por onze quadras que vai matar um brigadiano... e já não sente asco. Pelo contrário: encontra certa beleza e imagina-se parte de tudo isso. Acha que porque é gordo e porque usa calção de time de futebol e porque seu filho também tem um baldinho de areia em forma de peixe, pertence à grande massa, e isso lhe conforta. Está feliz porque não tem preconceitos.
O encascorar dos pés, o banho de mar, o conviver com os colegas humanos. No dia em que o mar o chama como às tartarugas da Praia do Forte, tudo isso faz parte. Só é preciso estar no Litoral Gaúcho. Fosse em Atlântida, ele rogozijar-se-ia por assintosamente desfilar seu calção tricolor entre o mar de bermudas coloridas com fecho de velcro e cordinha, daquelas que muito já usou - e ainda usa. Fosse em Torres, filosofaria sobre a relação entre o deterioramento de sua forma física e a decadência do bom gosto na praia: a cada quilo ganho, um espigão construído, uma suburbana à beira-mar, um cagalhão no mar dos Molhes... Ainda assim, lembrar-se-ia, tomado por uma dor gostosa, daqueles tempos em que todos eram belos - inclusive ele, embora só o tenha descoberto anos depois, olhando fotos antigas.
Tantas vezes encascorou os pés em Torres, Atlântida, Tramandaí... E sempre foi um ritual bonito, este. Que venham os dias de praia da temporada! A planta do pé está que é uma lixa. Agora, sim, está preparado para qualquer eventualidade.

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PS1: Para sentir-se feliz fazendo parte da massa em Tramandaí, usar calção de futebol à beira-mar de Atlântida e horrorizar-se com a decadência de Torres, é preciso fingir que você paira sobre tudo e todos, que enxerga o mundo soberbamente de um patamar superior. É preciso fingir que você no fundo não faz parte de tudo isso. É preciso fingir que não tem preconceitos. Mas faz. Mas tem.

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PS2: Borrifar veneno nas formigas proporciona sensação de poder.

segunda-feira, junho 28, 2010

Sobre a mudança de rótula para sinaleira na esquina da Nilo com a Carazinho, acabei de emitir a seguinte opinião, a quem interessar possa.

"Veja, só. É possível que a Maria Paula estivesse se lamuriando dos engarrafamentos de três carros na Avenida Júlio de Castilhos (Cx), quando havia ali na Nilo com a Carazinho uma sinaleira. Naquele tempo, a fila na Carazinho batia lá em cima, na Professor José Salgado Martins. Trocaram o farol por uma rótula, e a mudança foi festejada. Diminuíram os engarrafamentos. Hoje voltaram. Começam na rótatória e terminam na Professor José Salgado Martins. Ou seja, hoje Porto Alegre tem umas duas vezes mais carro (chute), e ainda assim o engarrafamento é apenas igual ao do tempo da sinaleira. Qual o melhor modelo??????"